"Assim como o futuro amadurece no passado,
o passado apodrece no futuro, terrível festival de folhas mortas."


Anna Akhmátova





Último Brinde

Bebo ao lar em pedaços,
À minha vida feroz,
À solidão dos abraços
E a ti, num brinde, ergo a voz...
Ao lábio que me traiu,
Aos mortos que nada vêem,
Ao mundo, estúpido e vil,
A Deus, por não salvar ninguém.

Anna Akhmátova - 1934





Música

Algo de miraculoso arde nela,
fronteiras ela molda aos nossos olhos.
É a única que continua a me falar
depois que todo o resto tem medo de estar perto.
Depois que o último amigo tiver desviado o seu olhar
ela ainda estará comigo no meu túmulo,
como se fosse o canto do primeiro trovão,
ou como se todas as flores explodissem em versos.

Anna Akhmátova







Considerada a poeta maior da rússia, Anna Akhmátova, traduzia em versos a realidade trágica que a cercaria por toda a vida. Nascida no dia 23 de junho de 1889, Ana Andréevna Gorenko, terceira de cinco filhos, viveu num momento histórico complicado para a Rússia. Perdeu marido e amigos em campos de concentração, teve seu próprio filho afastado de si durante anos, o que provocou um corte irreversível na relação dos dois.

A poesia surgiu cedo na vida de Anna e nela permaneceu até o fim dos seus dias. Uma vida de privações e perdas, a guerra civil, a perseguição dos bolcheviques aos opositores do novo regime soviético, tornariam a vida ainda mais difícil e Anna não passaria impunimente esse período. As inquietações sociais, as mortes, o povo destruido pelas guerras e o massacre nos campos de concentração marcariam Anna profundamente, assim como sua escrita. Consequentemente, é a sua poesia que sofre com a repressão, sendo proibida em 1925 e somente anos mais tarde, em 1941 seria liberada novamente.
Ainda assim foi reconhecida em vida como a grande poeta que foi. Em 5 de março de 1966, Anna Akhmátova morreria em sua casa, perto de Moscou.


leia: http://www.lumiarte.com/luardeoutono/annakhmatova.html

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