Essa semana o tema é um só: o amor. Esse que é causa e consequência de tudo, que move e pára, colore ou desbota dia e noite.
Na medida do impossível colocarei grandes romances da história por aqui. Portanto, puxe uma cadeira, pegue um cafezinho, chá ou chocolate, aconchegue-se e leia uma boa história no que ela tem de melhor, são reais e por isso prova de que tudo pode acontecer, nada é impossível e o amor é só o objetivo daquele que sonha. Sonhe comigo, baby! :)


Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios, tudo, tudo por não estarem mais distraídos!

Clarice Lispector












Calma! Chopin não era gay, estava mais para um dandy, pelos modos refinados, do que para um rapaz alegre. Essa história é realmente interessantíssima e por um acaso do destino acabei por conhecê-la.
Certo dia, estava numa locadora procurando uns filmes que saissem da mesmice dos (d)efeitos especiais, a falta de diálogos consistentes, algo além de "Hasta la vista, baby" e esbarrei com o filme: George & Frederic, peguei e fui ler a sinopse. Para a minha surpresa tratava-se do romance entre Chopin e George Sand. Continuei lendo e vi que a história era pra lá de interessante. Por que? Simples, basta saber : Quem era George Sand?


George Sand era o pseudônimo de Amantine-Aurore-Lucile-Dupin. Chopin conheceu George Sand em 1836, ele com 26 anos e Sand com 34. Ficou impressionado com aquela mulher forte que se vestia e fumava como um homem e teria comentado: "como é antipática essa Sand, ela é mesmo uma mulher? Tenho minhas dúvidas!" Porém Sand, apaixonada pelo jovem triste de feições angelicais, decidiu tê-lo como amante. E quanto mais o melancólico, discreto e distante Chopin fugia, mais ela o queria. Sand era assim uma obstinava, uma mulher decidida que além de escritora, foi ativista política e vivia de forma livre, ou seja teve quantos amantes desejou, Chopin era naquele momento seu maior desafio. E conseguiu.

Que arrastou Chopin às exaltações da George Sand? A atração dos contrários. Ele tinha a beleza grácil, ela a robusta beleza, um rosto forte, traços firmes, instigantes, considerada bela e exótica. Moça, era despreocupada de enfeitar-se, linda por si mesma. Usava curtos os cabelos castanhos, fumava como homem e tinha idéias socialistas. Evidentemente uma mulher a frente do seu tempo. Chopin, seis anos mais moço do que ela, não resistiu ao incêndio daqueles olhares. A ligação amorosa, de 1836 a 1847, foi sem dúvida um período feliz na vida de Chopin, quando escreveu a maior e mais importante parte de sua obra, seguro e amparado por uma mulher amorosa, vibrante, maternal e inspiradora.



" Vi-a três vezes. Ela olhava-me profundamente nos olhos, enquanto eu tocava. Era uma música um pouco triste, lendas do Danúbio; o meu coração dançava com o dela no país longínquo. E os seus olhos nos meus, olhos escuros, singulares, que diziam? Apoiava-se sobre o piano e os seus olhares abrasadores inundavam-me (...) Flores à nossa volta. O meu coração estava preso. Voltei a vê-la duas vezes...Ama-me...".

Escrito por Chopin em seu diário.










A alma ardente de Chopin encontrou nos transbordamentos daquele afeto o carinho feminino que até então lhe faltara. Artistas, a arte os conjugou, ela que única tem o poder de fundir numa só personalidade o amante e o amado. George Sand possuía no temperamento o segredo da comunhão misteriosa entre a idealidade e a realidade, e numa existência tantas vezes sacudida por questões sentimentais conseguiu dar o sereno exemplo de quarenta anos de ininterrupto trabalho literário, em que criou algumas obras-primas. Ela soube admirar Chopin à altura dele e a admiração foi o carinho do amor. Mas a vida ensina que os amores eternos são sempre passageiros.

A saúde delicada e a depressão de Chopin começaram a desgastar o relacionamento e a ruptura foi inevitável, mas a amizade permaneceu até a morte prematura do compositor, em 1849, aos 39 anos de idade. Dizia Sand: "a alma de Chopin é toda poesia e música, ele nada entende da vida prática". Além da natureza reservada e misteriosa que o preservava de exposições, quis o destino que um grande número de suas cartas fossem queimadas na casa de sua irmã, em Varsóvisa, em 1863, quatorze anos depois de sua morte. Infelizmente restaram poucos vestígios dessa correspondência, mas a história ficou registrada atravês dos tempos em livros e na música de Chopin.


Leia mais: http://www2.uol.com.br/JC/_2000/0306/cu0105e.htm

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