"Escrever...é um sono mais profundo que a morte...assim como ninguém tiraria um cadáver do seu túmulo, eu não posso ser tirado da minha secretária à noite." F.K.


Kafka é considerado junto com Proust e de Joyce, fundador do modernismo literário, em ruptura com a tradição romanesca anterior. É um escritor a quem podemos ler atemporalmente. Um gênio profético, "quase toda a obra ficcional do autor é atravessada pelo caráter profético da história pela qual passaria o povo judeu, uma história crivada de perseguições, julgamentos encenados e injustiças."
Desde de muito cedo sentiu-se atraído pelas doutrinas e causas sociais, participando ativamente em reuniões e manifestações de rua.

"As principais características do autoritarismo denunciado nos escritos literários de Kafka são: o arbitrário - as decisões impostas a partir de cima, sem nenhuma justificação moral, racional ou humana, muitas das vezes formulando exigências exageradas e absurdas; a injustiça - a culpabilidade considerada, sempre, como evidente e sem necessidade de prova; a punição - totalmente desproporcionada em relação à "falta" (quase sempre inexistente ou trivial)."

Tímido, era um homem agradável e funcionário modelo, sem o ranço de tristeza muitas vezes atribuído a ele. Na verdade a força de seus textos, mascaravam um homem bem humorado possuidor de alguns amigos, amores nem sempre felizes e que terminaria seus dias num sanatório onde tratava uma tuberculose.

"Internado a partir de abril de 1924 no pequeno Sanatório de Kierling, perto de Viena, acompanhado de fiel esposa e companheira, Dora Diamant, e do jovem estudante de Medicina, Robert Klopstock, que interrompeu os estudos para cuidar do seu ídolo, Kafka ainda viveu alguns momentos de felicidade, cercado de natureza, amor e dedicação. Porém, o seu estado de saúde se deteriorava em ritmo acelerado. Quando Max Brod fez sua última visita ao Sanatório, em 11 de maio, Kafka já estava literalmente morrendo de fome e de sede, mas, mesmo assim, trabalhava febrilmente nas provas tipográficas da primeira impressão de Um artista da Fome."


Em 03 de junho de 1924, Franz Kafka morreria sem alcançar o sucesso literário em vida, isso só ocorreria depois na posteridade.





A Pergunta

Só a nossa noção de tempo nos faz pensar em Juízo Final, quando é de justiça sumária que se trata.

O suicida é como o prisioneiro que, vendo armar-se uma forca no pátio, imagina que é para ele - foge de sua cela, à noite, desce ao pátio e pendura-se ao baraço.

Os mártires não menosprezam o corpo, apenas fazem-no pregar à cruz: é no que estão de acordo com seus adversários.

As portas são inumeráveis, a saída é uma só, mas as possibilidades de saída são tão numerosas quanto as portas. Há um propósito e nenhum caminho: o que denominamos caminho não passa de vacilação.

Os leopardos invadem o Templo e esvaziam os vasos sagrados... O fato não cessa de reproduzir-se; até que se chega a prever o momento exato e isso entra a fazer parte do ritual.

Os bons vão a passo certo; os outros, ignorando-os inteiramente, dançam à volta deles a coreografia da hora que passa.

Outrora eu não podia compreender que minhas perguntas não obtivessem resposta; hoje em dia não compreendo que jamais tivesse admitido a hipótese de formular perguntas... Bem, eu não acreditava então em coisa alguma - só fazia perguntar.

Franz Kafka




Leia: http://www.comversos.com.br/gaveta/Franz_Kafka/
http://zonanon.org/non/abc/abc.html

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