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ver a vida e a morte,
a síntese do mundo,
que em espaços profundos
se olham e se abraçam.

...


fragmento de Este é o prólogo.





Federico Garcia Lorca nasceu na região de Granada, na Espanha, em 05 de junho de 1898. Ali mesmo nos arredores de Granada viria a ser assassinado.
Quando a notícia da execução de Lorca chegou a Madri, no final de agosto de 1936, seus amigos de imediato pensaram-na triste obra da Guarda Civil. Devia ter sido morto por ela, pensaram. Mas não foi.
Lorca foi um caso especialíssimo, ele pensou que estaria seguro refugiando-se em Granada. Estava enganado. Lorca seria covardemente assassinado no dia 19 de agosto de 1936, ele mal completara 38 anos.
Assim encerrava-se carreira e vida de um dos grandes poetas espanhóis do século XX.



Se minhas mãos pudessem desfolhar


Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
beber na lua
e dormem nas ramagens
das frondes ocultas.

E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.


Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.

Amar-te-ei como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranqüila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!!


Lorca- 10 de novembro de 1919, Granada.





"Sim, quem se atreve a escolher um nome, um único, entre tantos silenciosos? Mas é que o nome que vou pronunciar entre vós encerra, por detrás das suas obscuras sílabas, uma tal riqueza mortal, é tão pesado e tão atravessado de significação que, ao proferi-lo, se enunciam os nomes de todos os que tombaram em defesa da própria matéria dos seus cantos, porque era o defensor sonoro do coração de Espanha. Federico Garcia Lorca! Era popular como uma guitarra, alegre, melancólico, profundo e claro como uma criança, como o povo. Se se procurasse, dificilmente passo a passo por todos os recantos, a quem sacrificar, como se sacrifica um símbolo, não se encontraria o popular espanhol, em velocidade e profundidade, em ninguém e nada como neste ser escolhido. Escolheram-no bem aqueles que, ao fuzilá-lo, quiseram disparar sobre o coração da sua raça. Escolheram para esmagar e martirizar a Espanha, esgotá-la do seu perfume mais rápido, quebrá-la na sua respiração mais veemente, cortar o seu riso mais indestrutível. As duas Espanhas mais inconciliáveis foram postas à prova ante esta morte: a Espanha subterrânea e maldita, a Espanha crucificadora e venenosa dos grandes crimes dinásticos e eclesiásticos e, perante ela, a Espanha radiante do orgulho vital e do espírito, a Espanha meteórica da intuição, da continuação e do descobrimento, a Espanha de Federico Garcia Lorca."

Pablo Neruda




A Poesia e o teatro de Lorca têm como tema recorrente morte, pessimismo, amores impossíveis ou infelizes. Seus críticos ainda discutem a influência do homossexualismo em sua obra e até como causa obscura de seu assassinato, humildemente acho que poetas são pessoas de castas superiores, são os que transmutam sentimentos em palavras, não possuindo para tanto sexo, nacionalidade ou pátria, são apenas plenos do estado sensorial último. É isso.




Leia: http://www.asgrandesartes.hpg.ig.com.br/lorca1.html
http://www.opoema.libnet.com.br/garcialorca/garcialorca_db.htm

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