"O nascer do sol não dura toda manhã, o pôr do sol não dura toda noite... todas as coisas passam".
All things must pass – George Harrison







Calado, sério, o menos extrovertido dos Beatles sempre pareceu fora do contexto naquele terninho “beatleniano”. Nada de mais, nem de menos, nem melhor, nem pior, apenas diferente e essa foi sua marca.
Falar de data de nascimento é infinitamente melhor do que aniversário de morte e num dia 25 de fevereiro do ano de 1943 nascia George Harrison, “my sweet lord”.

Ele sobreviveu aos beatles, ao terninho, ao cabelinho (não resmunguem, eu posso falar, sou fanzaça) e seguiu rumo ao seu verdadeiro caminho aquele que aparecia nas entrelinhas, no modo introspectivo e observador, um enigma, disseram certa vez. Na verdade, ele era ligado nas coisas do mundo, no mundo real e não no efêmero mundinho das celebridades. Apesar de John ser considerado o “politizado” da turma, foi ele que se insurgiu contra os impostos altíssimos pagos para o “leão britanico” compondo Taxman.

Esse filho de motorista de ônibus de Liverpool teve seu destino mudado por vias transversas, com famoso passeio de Paul a um festival de verão. Lá Paul se impressionaria com uma banda de nome Quarrymen, cujo o líder interpretava canções de Eddie Cochran e Little Richard. O líder da tal bandinha também se impressionaria com Paul que “por acaso” trazia a guitarra consigo. Era sementinha do que no futuro se tornaria a banda mais famosa que Jesus Cristos, o Beatles.

George era o mais novinho, o que causou grandes problemas logo no início. Chegou a ser deportado pelas autoridades alemãs durante uma turnê. Mas os tempos eram outros e havia uma fidelidade, uma proteção em relação ao caçula do grupo. Ele foi, mas voltou selando seu destino.
O sucesso chegou de forma arrebatadora e o caçula, ora veja, logo ele, sacou que não era essa a “busca” .
Tempos mais tarde e muitas ressacas depois diria: "A princípio todos nós pensávamos que queríamos a fama e tudo mais", disse ele em 1988. "Pouco depois nós percebemos que a fama não era exatamente o que estávamos buscando, mas sim os frutos dela. Após a empolgação inicial ter passado, eu fiquei deprimido. Isto é tudo o que procuramos na vida? Sermos perseguidos por uma multidão de lunáticos de um quarto de hotel ruim para outro?"
O resto é história, os Beatles se separaram e a liberdade se abriu a sua frente. Agora poderia ser ele mesmo. Ele e suas canções, desde a belíssima Something (sempre erronêamente atribuída a John e Paul) até uma das minhas prediletas: "While my Guitar Gently Weeps".

O jeito calado, a pouca exposição na mídia passavam a falsa impressão de ter sido menos bem sucedido dos Beatles. Não foi, não era. George era feliz.

Feliz Aniversário, my sweet lord!

Leia: http://www.glssite.net/colunistas/barteldes/univ37.htm
http://www.nuxnet.com.br/harrison/biografia.htm

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