Jorge Luis Borges
Limites

Há uma linha de Verlaine que tornarei a recordar,
Há uma rua próxima que está vedada a meus passos,
Há um espelho que me viu pela última vez,
Há uma porta que fechei até o fim do mundo.
Entre os livros da minha biblioteca (estou vendo-os)
Há algum que já nunca abrirei.
Este ano completarei cinqüenta anos;
A morte me desgasta, incessante.

Jorge Luis Borges





Sua primeira língua foi o inglês, só algum tempo depois o espanhol. Aos sete anos, inspirado nas leituras de Cervantes, escreveu seu primeiro conto: "La Visera Fatal". Quando tinha nove anos traduziu "O Príncipe Feliz" de Oscar Wilde, para o jornal "El País". Quem era o talentoso rapaz? O aniversariante de hoje: Jorge Luis Borges.



Borges nasceu em Buenos Aires, Argentina, numa manhã de 24 de agosto de 1899.
Em 1914, sua família partiria para a Suíça em busca de tratamento para o pai. O mesmo problema oftalmológico que atingiria o poeta mais tarde, deixaria seu pai cego. Foi ali que o escritor argentino manteve o primeiro contato com as letras de Schopenhauer, uma grande influência em sua formação.

No seu primeiro livro, o poeta tentava recuperar a Bueno Aires de sua infância, mas foi com suas histórias fantásticas, onde criava uma vida imaginária para nomes famosos, como Hitler, por exemplo, que o escritor se tornaria conhecido. Era o jeito Borges de escrever. Jeito que teve seguidores, como Garcia Márquez, mas nenhum superaria o mestre.

Entre livros e letras, Borges teve seus romances, naturalmente e cada um o marcaria de modo diferente.
O mais quente caso de amor do escritor argentino foi com Estela Canto, que depois lançou o livro de memórias "Borges à Contraluz". Moderna e liberada para a época, Estela encantou e assustou Borges. Ele conta em sua biografia que a pediu em casamento. "Eu aceitaria, Georgie", respondeu ela. "Mas não podemos casar sem antes dormir juntos." Borges ficou de cabelo em pé e desapareceu, era muito para ele. Em 1967, o escritor argentino casou com Elsa Astete. O casamento durou três anos e acabou com Borges fugindo de casa, sem coragem para discutir a separação. A segunda mulher foi a sua ex-aluna Maria Kodama. Borges casou-se com Maria dias antes de morrer, em 1986.


"Amamos o que não conhecemos, o já perdido./ O bairro que foi arredores./ Os antigos que não nos decepcionarão mais/ porque são mito e esplendor./ Os seis volumes de Schopenhauer que jamais terminamos de ler./ A saudade, não a leitura, da segunda parte do Quixote./ O Oriente que, na verdade, não existe para o afegão, o persa ou o tártaro./ Os mais velhos, com quem não conseguiríamos/ conversar durante um quarto de hora./ As mutantes formas da memória, que está feita do esquecido./ Os idiomas que mal deciframos./ Um ou outro verso latino ou saxão que não é mais do que um hábito./ Os amigos que não podem faltar porque já morreram./ O ilimitado nome de Shakespeare./ A mulher que está a nosso lado e que é tão diversa./ O xadrez e a álgebra, que não sei."

Poema: "O Nosso" - Borges


Borges - para quem a vida era "assombro contínuo, uma contínua bifurcação do labirinto" - foi um mestre do conto, ensaísta, tradutor e um poeta singular, daqueles que nascem para o ofício da escrita.
Ele nos deixaria no 14 de Junho de 1986 com oitenta e seis anos de idade.


Leia: http://zonanon.org/artes/pm_030315.html
http://www.geocities.com/marco_lx_pt/bgsbio.htm



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