dos diários

Todos os dias tenho saudades. Nos dias de chuva, os pingos agravam, dilatam o estado de saudade.
"saudade é do rio a outra margem / mudança de estação / estiagem..." escrevi há tanto tempo e foi ontem, é hoje sempre. Essa melancolia de rua fracamente iluminada. Fim de noite em outro tempo qualquer.
Lá fora é a chuva fina na janela embaçada, aqui dentro a tentativa de sol todos os dias sempre e pontualmente falha. A chuva continua a cair a despeito das tentativas. Uma ausência avoluma-se a ponto de preencher o ambiente. Sempre foi assim, passas do estado fluídico para ausência presente. Quando olho para trás o passado não se transforma em estátua de sal, há nele os mesmos sons e cheiros, inocência de que a vida é para sempre e o amor eternizado naquele azul dos teus olhos. Nesse momento não há lugar nenhum no mundo para ir, ainda que por vontade própria ou imprópria intervenção do destino.
Chove.




no way out

pelo olho giramundo
um buraco no escuro
transitam sombras

pende um corpo
parapeito imundo
de onde se jogou
da janela para o mundo.


andrea augusto©angelblue


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