J.G.de Araújo Jorge

Esse não é um poeta de minha predileção. Na verdade li muito pouco da obra dele, mas ainda assim lhe tenho um certo carinho. Inexplicável, para quem gosta de poemas completamente opostos ao lirismo de J.G.de Araújo Jorge. Mas penso que ele teve sua função dentro do panorama poético da época em que viveu. Cumpriu seu papel e como li em uma de suas biografias: “Foi um dos poetas mais lido, e talvez por isto mesmo, o mais combatido do Brasil. Hoje, completamente maltratado pelo esquecimento e pela crítica.”

Lembro ainda, a primeira vez que li seus poemas. Era um livro de capa vermelha, encadernação luxuosa, conveniente para época e o tema que trazia escrito em letras douradas: “Os mais belos poemas de amor de J.G.de Araújo Jorge.” Silêncio na Biblioteca, finalzinho de tarde e o sol pela janela refletia o brilho das letras. Talvez todas as tardes, o sol tenha refletido aquelas letras, mas naquele dia, era para lá, para aquele ponto da estante que eu olhava. Peguei o livro e abri. Lembro que identifiquei na hora o estilo lírico, excessivamente romântico de J.G.de Araújo Jorge, mas também foi naquele momento que o carinho pelo poeta nasceu. Carinho de pensar em quantas moças românticas, de um tempo em que o pudor ainda ruborizava faces, sonharam com seus versos e amores impossíveis. Deu saudade de um tempo mais fácil, onde o amor parecia tão simples como amar. E ainda hoje, quando um poema dele me cai nas mãos, penso que houve um tempo em que dizer “eu te amo” exigia pompa e circunstância, um certo recato, como se o peso das palavras selasse a eternidade.

J.G.de Araújo Jorge nasceu em 20 de maio de 1914, na Vila de Tarauacá, Estado do Acre e faleceu 27 de Janeiro de 1987.



E o resto é silêncio...

E então ficamos os dois em silêncio, tão quietos
como dois pássaros na sombra, recolhidos
ao mesmo ninho,
como dois caminhos na noite, dois caminhos
que se juntam
num mesmo caminho...
.
Já não ouso... já não coras...
E o silêncio é tão nosso, e a quietude tamanha
que qualquer palavra bateria estranha
como um viajante, altas horas...

Nada há mais a dizer, depois que as próprias mãos
silenciaram seus carinhos...

Estamos um no outro
como se estivéssemos sozinhos...



J.G.de Araújo Jorge

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