Rimbaud mostra-se um adolescente revoltado, do tipo que arrota na mesa e quebra objetos alheios. Numa nota mais positiva, urina num escritor medíocre, numa roda de poesia.

O comportamento revolucionário e livre do pupilo genial ("o que eu já fiz é muito bom, mas o que você escreve é genial", diz Verlaine, a certa altura) atrai Verlaine, que não tem na sua esposa rica, bonita e burra a ressonância para as suas idéias sobre a vida. Os dois embarcam num romance, selado físicamente na noite em que Mathilde dá à luz ao primeiro filho dela com Verlaine.



A vida tranqüila que Verlaine levava cai por terra. Abandona mulher e filho para seguir o jovem Rimbaud. Partem para Bruxelas.

Sucedem rupturas e reconciliações. Eles formam um par tumultuado. As complicações de um relacionamento homossexual na França do final do século passado são intensificadas pela natureza dos dois amantes. Rimbaud é sempre o mais questionador, por isso, o mais maduro dos dois. Verlaine fica entre admirador apaixonado e homem confuso, sexual e socialmente. O romance de natureza passional caminha para um desfecho trágico.

"Mas quem sofre mesmo nisso tudo é Verlaine. Ele é a própria contradição. Um homem casado, com a mulher grávida, que se vê envolvido numa paixão que nasce da afinidade poética. Verlaine tem alma parnasiana. Ele não mergulha no desregramento como Rimbaud, ele vai e volta o tempo todo e acaba com a alma dilacerada nesse processo"

Em Bruxelas, em 1873, Verlaine dá um tiro de pistola em Rimbaud.
Ele é preso, condenado e passará dois anos na prisão. Em 1874, em seu cárcere de Mons, ele compõe poemas místicos, marcas de um sincero arrependimento.

Ao sair da prisão em 1875, Verlaine embarca para a Inglaterra, onde será professor durante dois anos. Ele volta lá em 1879, onde vive com seu novo amante Lucien Létinois, um ex-aluno da instituição em que Verlaine ensinou durante dois anos, em Rethel, nas Ardennes. Eles foram expulsos de lá por causa de sua "amizade particular".

Os últimos anos que viveu foram particularmente duros. Morou em pardieiros com prostitutas e errava de hospital em hospital, de café em café. Independente disso, publicou seus poemas em diversos livros e foi eleito "príncipe dos poetas". Verlaine morre em Paris, aos cinqüenta e dois anos, em 8 de janeiro de 1896.


Leia: http://www.ambafrance.org.br/abr/label/label26/letras/verlai.html
http://carcasse.com/revista/rimbaud/arthur.htm

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