Bobagens legais


Vamos de bobagem legal nesta quinta só pra variar. Pra fazer igual ao que eu vou colocar aqui, é só clicar no link abaixo de cada imagem.

O primeiro é o quebra-cabeça. Pode me "montar", rss, no bom sentindo, claro. Se não der pra ver de cara, espera um cadinho que a imagem carrega.
A imagem original é essa:

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Jigsaw Puzzle by Crazyprofile.com



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Esse efeito é muito legal e quanto mais você passa o mouse em cima, mais a imagem se mexe. Claro que se colocar uma imagem condizente fica melhor ainda.






Water Effect by Crazyprofile.com

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Esse efeito entra para série fofinhos sim, porque não? Bom pra mandar recadinhos...
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Animated_Handwriting by Crazyprofile.com


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Quer fazer um poster bacanérrriimmoo daquele filme que você ama? Simples! Vai aqui nesse endereço: http://bighugelabs.com/flickr/poster.php e cria o seu.

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Que tal um calendário com suas próprias fotos? Mole! Clica aqui: http://bighugelabs.com/flickr/calendar.php Em tempo, essa foto no calendário é lá de casa ;)
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Anda precisando de imagens, gifs, coisinhas fofas e inúteis? Clica aqui que você acha, não só as imagens como os códigos para blog, orkut e afins, como esse abaixo.



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Qualquer dúvida ou dica, deixa uma mensagem nos meus "comentários" que eu respondo.

Milan Kundera

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"Achamos todos que é impensavel que o grande amor da nossa vida seja algo leve, algo que nao pesa nada."

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Ando relendo pela enésima vez “A insustentável leveza do ser”, de Milan Kundera. Amo esse cara e em especial esse livro. Quando preciso resolver certas questões, sempre volto a esse livro sem perceber. Leio e depois vejo o filme e nunca é como das outras vezes. Encontro respostas, tenho insights e melhor renovo perguntas.

Kundera consegue falar sobre o amor num triângulo amoroso dentro de uma história aparentemente simples.
A insustentável leveza do ser conta a história de Tomas um médico-cirurgião, auto-suficiente em tudo, tem por hábito não se apegar em nada e nem por ninguém, deste modo sua vida tem uma reviravolta quando conhece Teresa, que é seu oposto e vive buscando uma fortaleza alheia. Uma gripe desencadeia o fio condutor da trama: Tomas agora tem que cuidar dela e de certo modo desenvolve um sentimento de compaixão que acaba se confundindo com o do amor. Paralelo a isto está sua amante, Sabina, que funciona como uma válvula de escape, um mecanismo que faz ele se sentir leve quando necessário.
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Tomas, na verdade se recusa a carregar o peso da vida, vivendo sem nenhum compromisso com quaisquer problemas sejam de ordem política, nas relações amorosas, enfim, o personagem escolhe ser “leve”, ou seja, livre. Ele encontra paralelo na bela Sabina, uma espécie de Tomas de saia. Com ela, o sexo é ótimo, a troca intelectual também e a liberdade de ir e vir sem cobranças. Perfeito para Tomas, não fosse a insatisfação humana uma constante na vida de todos. Tão leve, tão fácil, mas e o peso da vida, o preço da liberdade, o amor e a responsabilidade que o envolve?
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Tomas e Sabina

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...
mas, na verdade, será atroz o peso e belo a leveza?
o mais pesado fardo nos esmaga, nos faz dobrar sob ele, nos esmaga contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso do corpo masculino. O fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da mais intensa realização vital. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira.
(trecho do livro " A insustentável leveza do ser", de Milan Kundera).

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E Teresa? Teresa é tudo que ele não queria na sua confortável vida.
Ele conhecera Teresa umas três semanas antes, numa cidadezinha tcheca. Não haviam passado sequer uma hora juntos. Ela o acompanhara até a estação, aguardando a seu lado até que ele embarcasse no trem. Dez dias mais tarde, foi visitá-lo. Fizeram amor no dia em que ela chegou. À noite, ela caiu de cama com febre e, gripada, passou uma semana inteira no apartamento dele.
Tomas acabou por nutrir um amor inexplicável por aquela completa desconhecida; ela lhe parecia uma criança, uma criança que alguém colocara num cesto de vime revestido de piche e enviara rio abaixo, para que Tomas o apanhasse às margens de sua cama.
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Devia chamá-la de volta a Praga para sempre? Temia a responsabilidade. Se a convidasse, ela viria, oferecendo-lhe a própria vida.
Ou devia evitar uma aproximação? Nesse caso, ela permaneceria sendo uma garçonete num restaurante de hotel de uma cidade do interior, e ele jamais a veria de novo.
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Queria ou não que ela viesse?
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Olhando por sobre o pátio para as paredes sujas, Tomas percebeu que não tinha a menor idéia se aquilo era histeria ou amor.
E afligiu-se por, numa situação na qual um homem de verdade saberia de imediato como agir, estar vacilando e privando de seu sentido os momentos mais belos que já vivera (ajoelhado à beira da cama, pensando que não sobreviveria se ela morresse).
Irritou-se consigo próprio, até perceber que, na verdade, era bastante natural que não soubesse o que queria.
Jamais nos é possível saber o que queremos, pois, vivendo uma única vida, não podemos compará-la a nossas vidas anteriores, ou aperfeiçoá-la em vidas futuras.
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Tomas e Teresa



“... deitar com uma mulher e dormir com ela, eis duas paixões não somente diferentes mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma série inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só mulher).”
Trecho- A insustentável leveza do ser - Milan Kundera

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“Para um amor se tornar inesquecível é preciso que, desde o primeiro momento, os acasos se reúnam nele como os pássaros nos ombros de São Francisco de Assis.” Trecho- A insustentável leveza do ser - Milan Kundera

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“O amor começa com uma metáfora. Ou, por outras palavras, o amor começa no preciso instante em que, com uma das suas palavras, uma mulher se inscreve na nossa memória poética.” Trecho- A insustentável leveza do ser - Milan Kundera

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Entre a Leveza e o Peso.
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Com qual das duas? Sabina e a leveza do descompromisso, a liberdade sem cobranças ou Teresa e o peso do compromisso, a volta pra casa ou melhor a volta para o lar?
O que procurava em todas essas mulheres? O que é que o atraía? O amor físico não é sempre a eterna repetição do mesmo?
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Não vou colocar aqui o final do livro e a escolha de Tomas, se é que houve uma escolha. Prefiro deixar um bom tema para se pensar.
Não cabe ao amor ser fácil. Se com Teresa, Tomas tinha diante de si um desafio constante. Ela era truncada, pra dentro e ainda assim vulnerável. Sabina era fácil de todos os modos, não sendo isso um defeito ou algo do gênero. Era apenas um acordo tácito de prazer carnal. Conveniente e satisfatório... mas até quando?

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[...] "Com as outras mulheres nunca dormia. Quando ia a casa delas, era fácil, porque podia sair quando lhe apetecia. O caso era mais delicado quando eram elas que vinham a sua casa e lhes explicava que, depois da meia-noite, tinha de levá-las porque sofria de insônia e não conseguia dormir ao lado de outra pessoa. Esta explicação não andava longe da verdade, mas a razão principal era menos nobre e Tomas não se atrevia a confessar às companheiras que, nos momentos que se seguem ao amor, sentia um desejo imperioso de ficar sozinho. Era profundamente desagradável acordar no meio da noite ao lado de uma criatura estranha; o despertar matinal do casal causava-lhe repugnância; não tinha vontade nenhuma que o vissem escovar os dentes no banheiro e a intimidade do pequeno-almoço a dois não lhe dizia nada. (...) Sentia-se quase tentado a dizer que o que procurava no ato sexual não era a volúpia mas o sono que se lhe segue". [..].
Trecho- A insustentável leveza do ser - Milan Kundera.





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Assassino procurado passa 17 anos escondido em buraco.
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Um criminoso procurado pela polícia chinesa foi encontrado escondido em um túnel que ele cavou debaixo de sua própria casa. Ele passou os últimos 17 anos vivendo como "homem-toupeira". A polícia do vilarejo de Zhangxu, na cidade chinesa de Siunam, conseguiu arrancar Hui Guangwen de sua toca depois de uma denúncia anônima, segundo informações publicadas pelo site Ananova.com. "Obtivemos a informação de que ele estava escondido em sua casa, então fizemos uma procura de surpresa e encontramos o túnel", disse um policial envolvido na operação.

Hui esteve desaparecido por 17 anos depois de assassinar uma pessoa numa vila vizinha durante uma discussão. Ele confessou que nunca foi para lugar algum depois do incidente e que o túnel foi cavado por ele e por sua mulher. "Era bem chato lá", confessou.


Aquecimento global?

pizdau.com



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O pulha tem blog:

http://www.blogdojefferson.com/index.aspx



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Homem quebra perna de namorada para receber indenização.

Indenização seria de 100 mil libras (cerca de R$ 480 mil)
Um britânico quebrou intencionalmente a perna da namorada numa tentativa de fraude contra o governo local para receber uma indenização de 100 mil libras (R$ 480 mil).
O homem, que gravou a fraude pelo celular, enfrenta processo judicial em Plymouth, sul da Inglaterra.
No incidente, ocorrido em outubro de 2006, Thomson colocou um tijolo embaixo do joelho da namorada Elizabeth Hingston e pulou com os dois pés em cima da perna com intenção de quebrá-la. Na gravação do telefone celular de Thomson é possível ouvir o barulho do osso se quebrando.
Thomson entrou então com um pedido de compensação no governo local de Plymouth, alegando que um muro havia caído em cima da perna na namorada.
A fraude foi descoberta quando a polícia fez uma busca não relacionada ao incidente na casa de Thomson e encontrou o telefone celular com a gravação.

BBC





sem comentários.



Manual da malandragem literária.


Jerônimo Teixeira

As bibliotecas podem ser tanto fonte de prazer quanto de angústia. Estão lá todos os livros que você não leu, e cada lombada parece olhar em sua direção com uma censura silenciosa. Reforçando essa cobrança dos séculos, há uma pressão social sobre o leitor. Dependendo da roda que se freqüenta, pode ser embaraçoso admitir que não se leu um romance de Tolstoi ou de Machado de Assis. Mentir, nesses casos, é uma alternativa arriscada: e se você for convocado a dar uma opinião informada sobre um livro que nunca chegou nem a folhear? Um livro lançado recentemente na França pretende aliviar a culpa do não-leitor. De autoria de Pierre Bayard, psicanalista e professor de literatura francesa da Universidade Paris VIII, o ensaio se intitula Comment Parler des Livres que l'On n'A pas Lus? (Como Falar dos Livros que Não Lemos?). Soa como um incentivo descarado à fraude intelectual, um manual de sobrevivência para filistinos. Com alguma malícia, é, sim, possível aprender uma malandragem ou outra com Bayard (veja o quadro). Mas o livro é, sobretudo, um ensaio inteligente sobre as várias formas de apreciar um livro. A leitura da primeira à última página, em ordem e sem saltos, é apenas uma entre inúmeras possibilidades – e nem sempre a mais compensadora.

O livro que foi largado na metade, ou logo nas primeiras páginas, ou lido aos pedaços, ou apenas folheado – todos eles fazem parte do histórico do leitor. Esse destino atinge não apenas os clássicos mais portentosos e exigentes, mas também as obras de consumo rápido. Uma pesquisa recente na Inglaterra colocou Harry Potter e o Cálice de Fogo, best-seller mundial de J.K. Rowling, em segundo lugar na lista dos livros que os entrevistados compraram mas não chegaram a ler. E O Alquimista, de Paulo Coelho, aparece em sétimo (o primeiro lugar coube a Vernon God Little, de DBC Pierre, vencedor do mais prestigioso prêmio literário da Inglaterra, o Man Booker, em 2003. É compreensível que seja pouco lido: o livro é de uma ruindade atroz).
Essas quase-leituras são, de acordo com Bayard, tão válidas quanto a leitura total. Aliás, a idéia de que se pode ler um livro por inteiro seria ilusória. Esse esforço de completude é comprometido por uma limitação humana: o esquecimento. As pessoas começam a esquecer uma página quando ainda estão lendo a seguinte. Com o tempo, vão embaralhando as diversas obras que leram, quando não as esquecem totalmente. Sempre que chamadas a dar sua opinião sobre uma obra literária, acabam falando não do livro efetivo, mas da lembrança imperfeita, distorcida, que guardaram dessa obra.

A exigência de ler tudo de todos os livros é, claro, irreal. Existem até advertências clássicas sobre o excesso de leitura. Sobre Livros e Leitura, ensaio magistral de Arthur Schopenhauer, vai nessa linha. O filósofo alemão recomenda parcimônia ao mergulhar nas bibliotecas: a arte de não ler é importantíssima. Só assim é possível selecionar, no meio da mediocridade que predomina em qualquer época, aquelas poucas obras que realmente valem a pena. "Para ler o bom, uma condição é não ler o ruim: porque a vida é curta, e o tempo e a energia, escassos", pontifica o filósofo. O problema é que o tempo de uma vida mortal é escasso mesmo para quem se atenha somente ao "bom". Todo leitor acaba fazendo algum tipo de recorte na biblioteca dos séculos, para constituir sua coleção íntima. O escritor americano Ernest Hemingway recorda, em Paris É uma Festa, a ocasião em que perguntou ao poeta Ezra Pound o que ele achava de Dostoievski. Pound tinha uma cultura poética assombrosa, trafegando com facilidade dos clássicos gregos e latinos aos trovadores provençais e aos modernistas. Mas sua resposta decepcionou Hemingway: "Para lhe ser franco, nunca li os russos". Pound, que era fã de Stendhal, aconselhou o amigo a ler "os franceses".


O caso não é citado em Como Falar dos Livros que Não Lemos?, mas serviria para ilustrar a sugestão mais polêmica de Bayard: qualquer um pode ter uma opinião legítima sobre um livro, mesmo sem tê-lo lido. Pound, afinal, não se limitou a confessar sua ignorância da literatura russa. Ele insinuou que Dostoievski, afinal, é dispensável para quem já leu Stendhal. Trata-se de uma opinião para lá de discutível, sem dúvida – mas toda opinião literária tem sua dose de capricho pessoal. Bayard lembra que há várias maneiras indiretas de conhecer um livro: pela crítica, por resumos, pelo que os amigos falam, pela posição do livro em catálogos e bibliotecas. Pound com certeza sabia quem é Dostoievski. Teria até uma noção exata de sua importância – e não será descabido especular que sua preferência pelos franceses não mudaria com a leitura de Crime e Castigo. Pois todo leitor, argumenta Bayard, carrega consigo uma biblioteca virtual, um repertório de livros que lhe permite se posicionar diante de qualquer obra – mesmo que não a tenha lido.

Em tempo: Como Falar dos Livros que Não Lemos? não tem previsão para ser lançado no Brasil. Mas agora ninguém pode impedir que se fale dele – mesmo sem ler.


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O BOM FINGIDOR



As malandragens que o psicanalista francês Pierre Bayard sugere a quem deseja falar de um livro que ainda não leu.

NÃO TENHA VERGONHA
Todos têm lacunas na sua formação cultural. Nas rodas em que se discute literatura, não há por que imaginar que o sujeito ao seu lado conheça mais de uma obra do que você.

IMPONHA SUAS OPINIÕES
Opiniões sobre literatura são sempre um tanto arbitrárias. Fale bem ou mal de um livro, mas fale com convicção – e ninguém desconfiará que você não o leu.

INVENTE LIVROS
Todo leitor é traído pela memória. Assim, você pode inventar novos episódios para um livro, ou até falar de autores e livros que não existem. Se alguém apontar o erro, diga, rindo, que sua memória confundiu as coisas.

FALE DE SI MESMO
Oscar Wilde ensina que a crítica literária é uma forma de autobiografia. Fale do significado pessoal que um livro tem para você – mesmo que não o tenha lido.
Revista Veja, 16 de maio de 2007.

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www.malvados.com.br



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Piadinha:

- Alô? Quem tá falando?
- É o ladrão.
- Desculpe, eu não queria falar com o dono do banco.
Tem algum funcionário aí?
- Não, os funcionário tá tudo como refém.
- Eu entendo.
Trabalham quatorze horas por dia, ganham um salário ridículo,
vivem levando esporro, mas não pedem demissão porque não encontram outro emprego, né? Vida difícil.
Mas será que eu não poderia dar uma palavrinha com um deles?
- Impossível. Eles tá amordaçado.
- Foi o que pensei. Gestão moderna, né?
Se fizerem qualquer crítica, vão pro olho da rua.
Não haverá, então, algum chefe por aí?
- Claro que não, meu amigo. Quanta inguinorânça!
O chefe tá na cadeia, que é o lugar mais seguro pra se comandar um assalto.
- Bom... Sabe o que que é? Eu tenho uma conta...
- Tamo levando tudo, ô bacana. O saldo da tua conta é zero.
- Não, isso eu já sabia. Eu sou professor.
O que eu queria mesmo era uma informação sobre juro.
- Companheiro, eu sou um ladrão pé-de-chinelo.
Meu negócio é pequeno.
Assalto a banco, vez ou outra um seqüestro.
Pra saber de juro é melhor tu ligar pra Brasília.
- Sei, sei. O senhor tá na informalidade, né?
Também, com o preço que tão cobrando por um voto hoje em dia...
Mas, será que não podia fazer um favor pra mim?
É que eu atrasei o pagamento do cartão e queria saber quanto vou pagar de taxa.
- Tu tá pensando que eu tô brincando? Isso é um assalto!
- Longe de mim. Que é um assalto, eu sei perfeitamente.
Mas queria saber o número preciso. Seis por cento, sete por cento?
- Eu acho que tu não tá entendendo, ô mané. Sou assaltante.
Trabalho na base da intimidação e da chantagem, saca?
- Ah, já tava esperando.
Vai querer vender um seguro de vida ou um título de capitalização, né?
- Não... Eu... Peraí, bacana, que hoje eu tô bonzinho e vou quebrar o teu galho.
(um minuto depois)
Alô? O sujeito aqui tá dizendo que é oito por cento ao mês.
- Puxa, que incrível!
- Tu achava que era menos?
- Não, achava que era isso mesmo.
Tô impressionado é que, pela primeira vez na vida,
consegui obter uma informação de uma empresa prestadora de serviço, pelo telefone, em menos de meia hora e sem ouvir Pour Elise.
- Quer saber? Fui com a tua cara.
Dei umas bordoadas no gerente e ele falou que vai te dar um desconto.
Só vai te cobrar quatro por cento, tá ligado?
- Não acredito!
E eu não vou ter que comprar nenhum produto do banco?
- Nadica. Tá acertado.
- Muito obrigado, meu senhor. Nunca fui tratado dessa...
- Ih, sujou! (tiros, gritos) A polícia!
- Polícia? Que polícia? Alô? Alô?
- (sinal de ocupado)
- Alô?... Droga! Maldito Estado.
Sempre intervindo nas relações entre homens de bem!
Outsiders ou a vida pela vitrine.
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Outsiders são aquelas pessoas que não se enquadram em lugar nenhum. Se enquadrou nessa definição? Então pense melhor. Não se trata de um período ou uma fase, estar sozinho ou ser um solitário. Trata-se de ser assim sempre. Ver a vida como se estivesse fora dela. Nada empolga o bastante nem entristece o suficiente. Tem amigos, nenhuma dificuldade com homens e mulheres, dependendo do gosto e do gênero, mas ainda assim não estão ali.

São aqueles que passam apressados ou não, não importa o destino, eles sabem o que os esperam. São aqueles que beijam apaixonadamente, mas nada lhes chega ao coração. Nada nem ninguém aquece. Eles sabem. O corpo está ali, entregue, disposto, mas a pele não. E sabem o que virá. Não são necessariamente tristes ou visivelmente tristes, pelo contrário, não há traços de tristeza aparente, mas ela existe. Quase ninguém desconfia, quase ninguém estende a mão para romper essa bolha. E os dias se repetem infinitamente.

Alguns tomam a decisão de sair fora mais cedo. Decisão lúcida e não louca. Loucos são os que ficam encarando as trevas e vendo a luz.
Os outsiders são sobreviventes de outros tempos e por isso essa lucidez aguda de olhos que não vêem, enxergam.
O mundo lá fora continua o mesmo, eles também. Trabalham, estudam, voltam pra casa, saem dela, olham, escutam rádio. Pessoas passam por suas vidas e eles sabem, estão só de passagem. Findo o interesse, constatado o desinteresse, seguem. Sem maiores problemas, são bocas que não se encaixam, pele que não combina e um tesão que se evapora. Já é tudo passado distante, uma vaga lembrança do que poderia ter sido e não será.

Outsiders seguem sempre, outras bocas virão, peles, pêlos, papos, nenhuma surpresa, o roteiro é sempre o mesmo.
Outsiders vivem intensamente porque entendem o momento único e sabem da inexistência do futuro. Não planejam nunca, não têm plano B ou saída de emergência.

Outsiders estão sempre de passagem.

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É dia de Clark Gable que segundo Paulo Francis, era o único macho certificado do cinema. E põe macho nisso.
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Durante uma década, ele foi o Rei absoluto da Metro-Goldwyn-Mayer. De 1932 a 1942, ele era o cara, foi o auge de Gabe, muito embora ele viesse a falecer em 1960.
Mas vamos "começar do começo".
William Clark Gable nasceu em 1901, em Ohio, filho de descendentes de alemães. Perdeu sua mãe aos 7 meses de vida. Clark estudou apenas até os 16 anos de idade, quando passou a trabalhar com o pai na extração de petróleo em Oklahoma. Alguns anos mais tarde, decidiu que seria ator e foi.
Não foi fácil e tem alguma lógica. Gable quando novo era uó. Orelhas de abano, um rosto que em nada fazia prever o ícone de sensualidade que se tornaria. Mas ele não desistiu e tratou de fazer figuração enquanto aquele rosto ganhava mais personalidade. Alias, têm homens que a idade só faz melhorar e quando as rugas chegam adquirem uma masculinidade quase palpável. Com Gabe foi assim. A idade deu personalidade e aquele sorrisinho meio de lado que seria uma marca registrada dele.
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Gable e Garbo
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Com o início do cinema falado, no começo dos anos 30, Gable, não só já tinha adquirido um visual mais interessante, como pode revelar uma voz marcante, o que vamos combinar, faz toda diferença num homem. Um homem de 1,85 com uma voz que não fosse poderosa, não rolava.
A época era favorável para tipos como ele. Junto com o fim do cinema mudo, galãs românticos, nobres não cabiam mais na telona. O mundo pedia homens decididos em suas vidas e dispostos a baixar a bola das mocinhas mimadas.
Cabe aqui uma pausa. Enquanto Gable fazia suas pontas e aos poucos ia cavando seu lugar ao sol, ia também casando. Foram cinco casamentos, inclusive com Carole Lombard que antes do casamento foi sua amante por longos sete anos.

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Loretta Young e Gable
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Gable era o cara e até quando fazia vilões, o público vibrava junto. Um exemplo disso foi um tapa devolvido a Norma Shearer no filme "A free soul". Desferido o tapa, Gable, que viveu um gangster nesse filme, tinha o platéia no bolso.
Em 1933, ele dá um trato no orelhão e nos dentes, surge definitivamente o galã.
Foi aí que o ego falou mais alto e ele achou que podia recusar papéis, mas Louis B. Mayer não concordava e o cara tinha fama de mau. Pela ousadia, ele terminou emprestado à Columbia que era um estudiozinho na época. Mas o que poderia ser um tremendo azar acabou rendendo um belo Oscar para ele. Lá ele estrelaria "Aconteceu naquela noite" com Claudette Colbert e deu no que deu...

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Clark Gable e Vivian Leight

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Muitos filmes depois e fama consolidada, Gable faria o papel que lhe daria acesso a eternidade. Obviamente trata-se de Rhett Butler, o cafa mais famoso do cinema e o filme "E o vento levou".
Em 1939, mesmo ano do filme, Gable resolve a parada com a atriz Carole Lombard, sua amante. Abandona a espora e se casa com ela. Tudo perfeito, tão perfeito que uma fatalidade muda o rumo dessa história. A bela atriz Carole Lombard morre prematuramente em um acidente aéreo.
Deprimido, Gable se alista e parte para lutar na Segunda Guerra mundial de onde voltaria somente em 1945, após o término do conflito.

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Depois da guerra nada seria como antes, alias, para ninguém e também para ele. Fez mais alguns filmes, até que 1960 filmou "Os desajustados". Seria o último de sua carreira.
Clark Gable morreria antes da estréia do filme vitimado por um enfarte fulminante.







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Bancário Fada é demitido

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Kevin Colvin, caixa de uma das filiais americanas do banco irlandês Anglo Irish Bank, mentiu para conseguir dispensa do trabalho e poder comparecer a uma festa de Halloween em Nova York. Uma foto na Internet, entretanto, delatou a mentira e ele acabou sendo demitido.
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Segundo o site The Inquirer, Colvin queria o dia de folga e contatou seu chefe alegando uma emergência familiar. Mas um de seus colegas resolveu visitar a página de Colvin na rede social Facebook e encontrou uma foto do dia da folga: a imagem mostrava o bancário se divertindo numa festa, vestido de fada madrinha e carregando uma varinha de condão.
O gerente Paul Davis teve acesso à foto e respondeu ao pedido de dispensa do funcionário de maneira irônica, dizendo que esperava que tudo se ajeitasse com a família, ao mesmo tempo que elogiava a varinha de condão.
A resposta foi enviada em cópia oculta para todos os funcionários, e um deles teve a idéia de encaminhá-la ao site ValleyWag que reproduziu a notícia. Além da humilhação, o bancário também foi demitido.
A primeira 'moral da história' é que não se deve mentir. E o caso também serve como lembrete: privacidade não existe na era da Internet e todos devem estar atentos para não serem pegos de calças curtas, ou vestidinhos verdes, como no caso de Colvin.
by
M@u
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Posição 68, a preferida deles...
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O cara chega em casa, cansado e encontra a mulher, toda arrumada, usando uma lingerie novinha, toda cheirosa.
Ela pula no pescoço dele e diz:
- Benhê, hoje eu estou a fim! Vamos fazer um 69?
- Ah, amor, tô cansadão.Vamos fazer um 68.- 68? Como é que se faz 68?
- É simples. Você chupa e eu fico lhe devendo uma.
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Chávez, o feio.


A manipulação digital de fotografias para melhorar as feições de personagens de capa de revistas não é propriamente uma novidade. Raro -e mais difícil de justificar- é uso do Photoshop ou similar para enfeiar uma pessoa. Foi o que fez a revista "Época" nesta semana.
A imagem de Hugo Chávez foi alterada para que o presidente venezuelano parecesse mais ameaçador na capa que destaca a reportagem "O Brasil deve ter medo dele?"
O fato foi revelado pelo próprio diretor de Arte da revista, Marcos Marques, no blog "Faz Caber". Terra Magazine procurou o diretor de redação de Época, Hélio Gurovitz, em busca de explicações para o fato. Não houve resposta até o momento.
A distorção da imagem ocorre num momento em que o venezuelano é alvo de críticas da imprensa brasileira por conta de seu projeto que estabelece a possibilidade de reeleição ilimitada. Também mereceu certo destaque o fato de Chávez ter sido eleito o quinto homem mais sexy da Venezuela, segundo uma pesquisa da Fedecámaras - a entidade empresarial que patrocinou a tentativa de golpe contra o presidente em abril de 2002.
By Charles.

Che e a inVEJA

Fiz um post sobre Che Guevara (http://literatus.blogspot.com/2007/10/40-anos-sem-che-guevara-e-verdades.html) que eu sei não foi nenhum herói, mas tem seu mérito na construção da história e pra isso li a reportagem da inVeja. Reportagem essa pra lá de parcial, tendensiosa, nada isenta sobre Guevara, tanto que deixei de lado e fui a outra fonte.
Agora o
C@t, Carlos Alberto teixeira, jornalista amigo do InfoEct, do Globo faz circular esse email dando conta da tal reportagem da Veja. Leiam, vale a pena!


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13/11/07 13:06 - fonte Blog do Nassif



Veja, Che Guevara e Jon Lee Anderson, seu biógrafo.


O repórter Jon Lee Anderson, biógrafo de Che Guevara, foi procurado há umas semanas pelo também repórter Diogo Schelp, da editoria Internacional da Veja. O objetivo era uma entrevista curta para a composição da reportagem que saiu na revista a respeito dos 40 anos da morte de Guevara. É um entrevistado natural – afinal, Che Guevara, uma biografia, é a principal referência ao tema.
A própria revista, na reportagem que Anderson critica, descreve seu livro como ‘a mais completa biografia de Che’. Mas a cobertura daquele aniversário de morte já foi assunto deste Weblog.
Anderson respondeu a Diogo mas acabou não sendo procurado. Na semana passada, o veterano repórter de guerra da New Yorker teve acesso e leu a reportagem. Foi sua a decisão de tornar pública esta resposta a Schelp, que começou a circular por email entre os jornalistas brasileiros.

A original é em inglês, esta que segue é uma tradução:

Caro Diogo,
Fiquei intrigado quando você não me procurou após eu responder seu email. Aí me passaram sua reportagem em Veja, que foi a mais parcial análise de uma figura política contemporânea que li em muito tempo. Foi justamente este tipo de reportagem hiper editorializada, ou uma hagiografia ou – como é o seu caso – uma demonização, que me fizeram escrever a biografia de Che. Tentei por pele e osso na figura super-mitificada de Che para compreender que tipo de pessoa ele foi. O que você escreveu foi um texto opinativo camuflado de jornalismo imparcial, coisa que evidentemente não é.
Jornalismo honesto, pelos meus critérios, envolve fontes variadas e perspectivas múltiplas, uma tentativa de compreender a pessoa sobre quem se escreve no contexto em que viveu com o objetivo de educar seus leitores com ao menos um esforço de objetividade. O que você fez com Che é o equivalente a escrever sobre George W. Bush utilizando apenas o que lhe disseram Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad para sustentar seu ponto de vista.
No fim das contas, estou feliz que você não tenha me entrevistado. Eu teria falado em boa fé imaginando, equivocadamente, que você se tratava de um jornalista sério, um companheiro de profissão honesto. Ao presumir isto, eu estaria errado. Esteja à vontade para publicar esta carta em Veja, se for seu desejo.
Cordialmente,
Jon Lee Anderson.


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No original

From: Jon Lee Anderson
Date: Tue, 23 Oct 2007 13:14:11 +0100
To: <...@abril.com. br>
Conversation: Interview for VEJA Magazine/jlanderson
Subject: Re: Interview for VEJA Magazine/jlanderson

Dear Diogo,

I was intrigued as to why I never heard back from you when I replied to this email you sent me (see below). And then I saw the article you wrote in Veja, which was the most one-sided perspective on a contemporary political figure I have seen in a long time. It was precisely this kind of highly-editorialize d reporting, either hagiographically in favor, or -- as in your case -- demonizingly against, that led me to write my biography. I sought to put some flesh and blood on Che’s overly-mythified bones in order to understand what kind of person he really was. What you have written is an OpEd piece camouflaged as a piece of accurate journalism, which, of course, it is not. Honest journalism, to my knowledge, involves incorporating different sources of information and perspectives, and attempting to place the person or situation you are writing about into context, so as to educate your readers with at least a semblance of objectivity. What you have done with Che is equivalent to writing about, say, George W. Bush, and relying almost entirely on quotes from Hugo Chavez and Mahmoud Ahmadinejad to bolster your own point of view. I am, glad, in the end, that you did not follow up with me for the interview, because I would have spoken to you in good faith, under the mistaken assumption that you were a serious journalist, and an honest colleague. And In that assumption, I would have been sadly mistaken. Please feel free to publish my letter in Veja if you wish.

Yours, Jon Lee Anderson



On 9/24/07 8:46 PM, "[Jon Lee Anderson" wrote:


Dear Mr. Jon Lee Anderson,

I hope this email finds you well. I´m a brazilian journalist for VEJA Magazine. Some time ago we had the opportunity to have lunch together at the restaurant of Abril, the publishing company where you gave a speech at our Journalism Club. That day, we had a very interesting talk about Hugo Chávez.

I´m preparing for the next issue (to be published this weekend) a special report about Che Guevara, on th 40th anniversary of his death. I ´ve been reading you book on him. I really would like to make a short interview with you about Che. If you agree please let me know the best phone number for me to call, and when.

Thank you for your help.

Best regards,

Diogo Schelp
Editor de Internacional / Editor for International News
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Nesse feriado, cuidado nas estradas...

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Outro dia estava procurando textos, poemas sobre amor. Queria fazer um post sobre esse tema que eu adoro. Adoro ler, falar, e claro viver o amor.
Acabei indo parar no blog do Carpinejar e quase amanheci com ele. Li muito sobre amor, assunto que ele domina com maestria.
No blog, além dos textos, tem uma espécie de "consultório sentimental", no qual a pessoa escreve relatando seus problemas e ele responde. Li alguns e fiquei pensando como é fácil resolver o problema dos outros. Isenção sentimental faz diferença. É tudo tão claro que de certa forma dá pena porque as pessoas estão tão envolvidas que fazem perguntas de uma ingênuidade pueril. Enfim, não teria graça se fosse fácil. O caminho até o amor é que é interessante. Lembro de um pensamento que resume bem o que penso sobre isso.

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"Ame como a chuva fina que cai silenciosa, mas que faz transbordar rios."
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Acho que o que mais se aproxima dessa espécie de amor, é o virtual. A visão interfere sempre, a ausência dela aguça outros sentidos. Percepção aumentada e cada entrelinha, mais do que as linhas dizem tanto. É um processo lento e por isso mesmo perfeito para os apreciadores da boa degustação. É um sentir quase palpável e ganhar pela palavra sem a sedução da imagem, é para poucos. Na verdade, os relacionamentos virtuais, são os pingos da chuva, não sendo ainda amor, vão devagarzinho se infiltrando.
Quem dá importância a pingos de chuva? São só pingos, tão finos, tão pequenos. Talvez por isso mesmo. Caem paulatinamente, aos pouquinhos e quando se vê transbordam rios, redefinem as margens, arrancam da terra troncos, flores, folhas, mudam o curso da vida...E é muito bom que seja assim, se antes perdido, agora a correnteza pode levar porque qualquer lugar é uma espécie de lar, afinal conhecemos cada um daqueles pingos.







AMOR VIRTUAL
Fabrício Carpinejar



Acredito em amor virtual. Não adianta se valer do ceticismo da carne e dizer que a distância engana, que as pessoas não se conhecem, que pode haver desfeita e desilusão. Acredito em amor virtual. Pois nada é mais expansivo e verdadeiro do que se conhecer pela linguagem. Nada é mais íntimo e pessoal do que se doar pela linguagem.

Não serei convencido da frieza do relacionamento na web, da articulação de fachadas e pseudônimos, da ironia e dos subterfúgios denunciados nos chats. O que acontece na internet reproduz a vida com seus defeitos e virtudes, não se pode exagerar na desconfiança. O amor virtual é tão real quanto o sangue. Não preciso enxergar o sangue para verificar se ele corre. O amor virtual trabalha com a expectativa e a ansiedade. Como um teatro que se faz de improviso, com a ardência de ser aceito aos poucos, sem o temor e os avisos em falso do rosto.

Na correspondência, há a esperança de ser amado e de entreter as dores. A esperança aceita tudo, transforma todo troco em investimento. Um gesto de redobrada atenção, uma resposta alentada, uma frase diferente, um cuidado excessivo, a cordialidade do eco e o amor se instala.

Não há o julgamento pelas aparências (que se assemelha a uma execução sumária), mas o julgamento em função do que se imagina ser, do que se deseja, do que se acredita. São raros os momentos em que se pode fechar os olhos para adivinhar. Adivinhar é delicioso - é se dedicar com intensidade às impressões mais do que aos fatos. Alguns dirão que é alienação permanecer horas e horas teclando ou diante de uma câmera e do computador. Mas é envolvimento, amizade, compromisso. É pressentir o cheiro, formigar os ouvidos, seduzir devagar. Não conheço paixão que não ofereça mais do que foi pedido.

Quem reclamava da ausência de preliminares deve comemorar o amor virtual? Nunca se teve tanta preliminar nas relações, rodeios, educação. Fica-se excitado por falar. Devolve-se à fala seu poder encantatório de persuadir. Afora o espaço democrático: um conversa e o outro responde. Findou o temporal de um perguntar para outro fingir que está ouvindo. No amor virtual, a linguagem é o corpo. Dar a linguagem é entregar o que se tem de mais valioso. É esquecer as roupas na corda para escutar a chuva. É recordar de memórias imprevistas como do tempo em que se ajudava à mãe a contornar com o garfo a massa do capeletti. Conversa-se da infância, dos fundos do pátio, do que ainda não se tinha noção, sem ficar ridículo ou catártico. Abre-se a guarda para olhares demorados nos próprios hábitos. A autocrítica se converte em humor; a compreensão, em cumplicidade. É uma distração para concentrar. Uma distração para dentro. Vive-se com mais clareza para contar e se narrar.

Amor virtual é conhecer primeiro a letra, para depois conhecer a voz. A letra é o quarto da voz.

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"O mesmo acontece com o amor. Quando não se entende o que se sente é a melhor parte. O trecho da paixão, a vontade de se aproximar sem pensar. A vontade de se encontrar para permanecer mudo. A vontade de telefonar para não dizer coisa alguma, apenas respirar ofegante e gemer diante do aparelho como operador do telessexo. Os namorados se beijam loucamente nem sempre para beijar, e sim para não ter que falar. As palavras são incômodas. A palavra destrói o amor, o beijo cura. " Carpinejar

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"Em matéria de amor,
o excesso
é o mínimo
que peço"

Luiz Paulo Vasconcellos
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Quantas vezes você assassinou o amor?

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Eu já errei muito com o amor. Todo mundo erra, mas errei sempre pela mesma causa: procurava no amor o meu reconhecimento. Procurava corrigir o que estava torto em mim e alimentar meu narcisismo.
Queria ser louvado, endeusado, salvo da autocrítica. Amar seria uma vingança ao menino tímido, ao menino feio, ao menino ingênuo. Um escudo para as ofensas que recebi e humilhações que passei. Não me interessava que o amor passasse a limpo meus rascunhos. Tinha a obrigação de queimar o que fui.
As relações não poderiam dar certo. Quem aguarda o elogio, afasta a verdade. Esperava contar com a imunidade amorosa. Não buscava um contraponto, e sim uma religião. Não amava uma mulher, eu me amava a partir dela. Ou me amava pelas suas observações e rituais.
Pensava que o amor fosse esquecer o passado. Não, o amor carrega o passado e ainda separa o lixo seco do orgânico. Amadurecer não consistia em mudar de personalidade, mas conviver com todas as personalidades, inacabadas e falhas.
Fui um sedutor no início de relacionamentos: fácil se apaixonar, fácil o encontro, em que tudo é novidade e interação, em que fazemos vista grossa aos defeitos. Havia resistência em prolongar a união. Ao mínimo sinal de casamento, de escova de dente no mesmo copo, escapava. Porque não admitia que alguém me conhecesse. Eu me conhecia e não gostava de mim, e não desejava que ela me acompanhasse no desgosto. Nem permitia sua aproximação. Fingia gostar de mim no começo, fugia de mim no final.

O amor, na maioria das vezes, não acontece pelo medo que cada um tem de se conhecer. O medo é o mais orgulhoso dos sentimentos. Tente obrigar uma pessoa com claustrofobia ficar num elevador? Tente convencer alguém que não nada a pular numa piscina de cinco metros?
O amor é perigoso para quem não resolveu seus problemas. O amor delata, o amor incomoda, o amor ofende, fala as coisas mais extraordinárias e apocalípticas sem recuar. O amor é a boca suja, o beijo na boca suja. O amor não pretende a salvação, o amor nos tortura com as lembranças que não inventamos. O amor repetirá na cozinha o que foi contado em segredo no quarto. O amor vai arejar sua casa, abrir o assoalho, o porão proibido, fazer faxina em sua memória. Colocar fora o que precisava, reintegrar ao armário o que temia rever. O amor depende de nossa capacidade de enfrentar a honestidade.
Añais Nin está certa quando escreveu que o amor nunca morre de morte natural. Morre porque o matamos ou porque o deixamos morrer. Morre enforcado na mesa, morre esfaqueado pelas costas, morre eletrocutado pela sinceridade, morre atropelado pela grosseria. Não morre de velhice, em paz com a cama e com os olhos.O amor é assassinado. Assassinado porque o outro conviveu com o nosso lado escuro e não admitimos ter sido menos do que uma promessa. Não admitimos tropeçar e voltar atrás. Não admitimos o fracasso de pedir ajuda. Não admitimos que o nosso sofrimento conheça a alegria da compreensão. Assassinado pela arrogância da dor e pelo orgulho do medo.

Assassinado principalmente no ventre, pois para confiarmos a nossa vida para outra pessoa, devemos saber o que fizemos antes com ela.

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Pode chorar em minha boca
Fabrício Carpinejar


Quando a gente ama, a cidade encolhe.

Quando a gente ama, atravessa-se a cidade sem contar as quadras. Rodoviária é perto de qualquer lugar. É como nadar em uma raia infinita. Não se percebe o trajeto, não se controla o esforço, não se repara no cansaço. Desenhos em portas, fruteiras e fachadas antigas estimulam o gosto de seguir adiante. Os bares e lugares são descobertos ao acaso, como gravuras avulsas de um livro. Caminha-se ao som dos anéis, embalado pelas conversas que não terminam, pelo muro que se sobe para testar as molas dos pés na descida, pelas escadarias que são o sofá dos namorados noturnos.

Quando se ama, a cidade baixa os telhados. Não é preciso se escorar para respirar. Não precisamos de bengalas, aldravas, guarda-chuvas, esteios, muletas, corrimões, maçanetas e trincos. Não se envelhece, a gente se espalha.

Quando se ama, não há fim, não há mapa, não há tristeza sozinha, não há taxímetro estipulando preço. As paredes dão licença. As estátuas conspiram datas. As praças mudam de lugar. É uma corrida solta, dispersa, distraída, como uma alegria nova. A voz não sobe mais do que um pássaro. A cidade se torna menor do que a amizade, menor do que os cílios engavetando a lua. A cidade se torna pequena, que caberia no bolso do casaco como um isqueiro. Caberia no bolso do casaco como uma aspirina. Caberia no bolso do casaco como um preservativo. Caberia no bolso do casaco como um relógio quebrado.

Quando se ama, as ruas escorrem como calçadas lavadas. Escorrem como temporal. O meio-fio incha de barcos. As garagens perdem seu declive. As ruas ficam líquidas, as lombas só descem, as curvas acentuam as luzes.

Fácil ir, pois não tem volta; fácil ir, pois não tem a cobrança do retorno; fácil ir, pois a mão descansa do ônibus; fácil ir, pois não procuramos moedas e o contorno dos nomes. Não existe velocidade comparável a dois corpos decididos, doados, dados, esculturas mais juntas do que fogo.

Quando se ama, as vitrines são as janelas das pernas. Consulta-se o retrovisor para ajeitar a carne dos lábios. A camisa está dobrada no corpo com a sobra de uma mala. Vontade de viajar pela língua e pela ponta dos dedos.

Já quando a gente se separa, a cidade aumenta.


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Escondo o amor na amizade
Fabrício Carpinejar



Eu respirava pela boca. A boca obrigada a falar e respirar ao mesmo tempo. O nariz preguiçoso, mais alto e forte, mandava nela. E ela obedecia.

Não descansava os lábios. Entreabertos. Cumprindo um turno pela voz e o outro pelo sopro. Os dentes como lápis apontados pelo vento.

Os lábios sem cola, sem comissura, sem liga. Os lábios levantando-se ao beijo todo sempre. No meio da escada.

Meus lábios não dormiram sequer uma vez em minha vida.

Do mesmo modo que trocava a boca pelo nariz, confundia a amizade com o amor.

Não amei nenhuma mulher pela atração simples e direta. Pela beleza fulminante. Pela sedução lacônica e apressada.

Não amei uma mulher à primeira vista. Meus amores foram a prazo, bem parcelados. Com o carnê cheio de folhinhas. Conversados longamente para encontrar a quietude. Observados, desesperados, lentos. Segurar inicialmente os braços, depois as mãos, bem depois o rosto.

Amei pela convivência, pelas afinidades, pelas discussões, pelos cantos da chuva, pelo sol pintado do meio-fio. Amei na continuidade, no alinhamento do riso, nas brincadeiras involuntárias. Amei ao expor confidências ¿ as confidências já eram provas de que amava. Desabafei muito antes de amar, pedi muito ajuda antes de amar, fui incompreendido muito antes de amar.

Amei durante a semana mais do que nos finais de semana.

Amigo leal e pontual de uma menina, amigo inseparável, não tinha jeito: queria namorá-la. Não conseguia parar o corpo. O amor aparecia como compreensão inteira, dedicada. Não desejava uma mulher que não me entendesse, desejava quando ela me entendia. Percebia o amor como um segredo desde a escola. Um amigo secreto. Ele gosta de alguém e ninguém sabe. Ela gosta de alguém e ninguém sabe. Guardava-se uma paixão com coração e iniciais, sorrateiramente, na última página do caderno de matemática. Não era assim?

Escondia o amor dentro da amizade. Não havia melhor esconderijo.

A amizade me levava ao amor. Mas o amor, logo que encerrava, renunciava a amizade do começo. Não dava para voltar à amizade quando me declarava. Para continuar, a amizade não pode ter a consciência do amor. A amizade termina se o amor surge, a amizade termina igualmente se o amor acaba.

Não mudei com o tempo. Amo pela amizade, respiro pela boca, converso pela respiração.

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Lei que proíbe embebedar peixes é eleita a mais bizarra do mundo

Pesquisa apontou leis mais absurdas aprovadas na Grã-Bretanha e em outros países.Uma sondagem realizada por uma televisão britânica escolheu uma leido Estado americano de Ohio que proíbe embebedar peixes como a 'mais ridícula' já implementada no mundo. A pesquisa da UKTV Gold, que ouviu 3.931 pessoas, teve como objetivo listar as legislações mais bizarras da Grã-Bretanha e de outros países.


A lei que estabelece que é proibido morrer dentro do Parlamento foi eleita a mais absurda da Grã-Bretanha, seguida por uma outra que diz ser traição colar um selo da rainha ou do rei de cabeça para baixo.Logo depois está a legislação que estabelece que as mulheres de Liverpool, no norte do país, só podem fazer topless em público se trabalharem em uma peixaria.No ranking das leis internacionais mais bizarras, a lei de Ohio foi seguida por uma legislação da Indonésia que pune com decapitação as pessoas que se masturbarem. Outras leis americanas estiveram entre as mais cotadas, como a que proíbe dirigir com os olhos vendados no estado no Alabama, e a punição com prisão para as mulheres solteiras que saltarem de pára-quedas na Flórida aos domingos. Outro destaque entre as mais votadas foi a lei que proíbe dar o nome de Napoleão a porcos na França.
BBC Brasil
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Vaca cai de penhasco sobre carro em estrada nos EUA

Charles e Linda Everson voltavam ao hotel onde estavam hospedados no Estado americano de Michigan quando a minivan em que viajavam foi atingida por uma vaca de 272 quilos.
O casal não se feriu, mas a vaca, que caiu de um penhasco, teve que ser sacrificada.
A vaca, de um ano, despencou de uma altura de aproximadamente 61 metros e caiu sobre o capô da minivan do casal, causando graves danos ao veículo.
O chefe dos bombeiros do Condado de Chelan, Arnold baker, disse que o casal não morreu no acidente por uma questão de centímetros.
O casal viajava para comemorar seu primeiro aniversário de casamento. Everson, 49, disse não ter visto a vaca caindo.

Folha Online.
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Blog do Josias

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O post de quinta ia ser engraçado, irônico do começo ao fim, mas ao tomar conhecido das histórias abaixo, não deu.
Não são histórias de quinta, são muito mais do que isso. Não são só trágicas, envolve muito mais, transcende o entendimento porque nos remete a tempos sombrios, idade das trevas onde a civilização se formava cambaleante. Mas agora? Como ler isso e pensar que não estamos falando desses tempos? Que abrimos um livro de história na Idade Média e começamos a ler relatos de crueldade e barbárie com alguma condescendência, afinal era a Idade Média, mas nos dias de hoje? Tempos atuais???
Tenho cá minhas dúvidas e às vezes a vontade de juntar as coisas e escapar daqui se torna quase uma obsessão.



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Ciao, Bella.


Hina Saleem

2006 - Vivendo na Itália, esta jovem muçulmana pensou que era livre para viver como lhe agradasse, morando na casa do namorado italiano, segundo as leis do Ocidente.
O pai dela discordou.
Junto com familiares do sexo masculino trataram de resolver a "desonra", assassinando-a.
Para não deixar dúvidas que o que o moveu foi a religiosidade: o cadáver da menina foi encontrado com a garganta aberta e a cabeça voltada para Meca.
O velho fiel a Maomé confessou o crime.
Orgulhosamente.
Detalhes aqui.
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Mona Mahmudnizhad

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A história de Mona

Poucos incidentes são mais chocantes — ou revelador do fato de ser a religião a justificativa para as perseguições contra os bahá'ís, como também para mostrar a coragem com que enfrentaram tais provações — do que o ocorrido com um grupo de dez mulheres bahá'ís em Shiraz, no dia 18 de junho de 1983.
O crime delas foi ministrar aulas sobre religião para crianças bahá´ís — o equivalente a professoras de “escolas dominicais” conforme são chamadas no Ocidente.
Variando em idade entre 17 a 57 anos, as dez mulheres bahá´ís foram levadas ao cadafalso e enforcadas uma após a outra. As autoridades aparentemente esperavam que pelo menos algumas delas, vendo suas amigas passando por um estrangulamento lento até a morte, certamente renunciariam à sua fé.
Mas, de acordo com relatórios de testemunha ocular, as mulheres caminharam para o seu destino cantando e entoando orações, como se estivessem desfrutando de uma excursão agradável.
Um dos homens que presenciaram o enforcamento confiou a um bahá'í: “Tentamos salvar a vida delas até o último momento, mas uma a uma, primeiro as senhoras mais idosas, então as jovens, foram enforcadas enquanto as outras eram forçadas a assistir tudo, na expectativa das autoridades de que diante do que viam elas acabariam renegando sua fé. Chegamos até mesmo a dizer-lhes que bastava negar serem bahá´ís para serem salvas, mas nenhuma delas concordou – todas preferiram a execução.”
Todas elas foram interrogadas e torturadas durante os meses que precederam a data de suas execuções. Realmente, algumas delas ainda tinham feridas visíveis em seus corpos, o que pôde ser visto no necrotério onde seus corpos foram colocados lado a lado após os enforcamentos.

A mais jovem desses mártires chamava-se Mona Mahmudnizhad, uma estudante de 17 anos de idade, a qual, devido à sua pouca idade e inocência comprovada, tornou-se, de um certo modo, um símbolo do grupo. Na prisão, foi chicoteada nas solas dos pés com um cabo de aço e forçada a caminhar com os pés sangrando.
Ainda assim, ela nunca titubeou em sua fé, chegando até mesmo a beijar as mãos de seu carrasco, e então a corda, antes de ela mesmo colocá-la em volta de sua garganta.
Outra jovem mulher, Zarrin Muqimi-Abyanih, com a idade de 28 anos, falou corajosamente aos seus interrogadores, que tinham a intenção de faze-la renegar sua fé: “Vocês aceitando ou não, afirmo ser bahá´í. Vocês não podem tirar minha fé. Sou bahá'í, com todo o meu ser e todo o meu coração.”
Durante o julgamento de ainda outra das mulheres, Roya Ishraqi, uma estudante veterinária de 23 anos de idade, o juiz lhe disse: “Você pode se livrar de toda essa agonia com apenas uma palavra. Basta dizer que não é bahá´í e farei com que .... seja libertada....” A jovem Roya respondeu: “Não trocarei minha fé nem pelo mundo inteiro.”
Outras mulheres enfocadas no dia 18 de junho de 1983. Todas acreditavam ser um dever sagrado prover educação às crianças bahá´ís, em especial os ensinamentos morais e espirituais de sua Fé, — especialmente porque o governo havia excluído as crianças bahá'ís de freqüentar as escolas regulares.

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Em 1985, os Bahá’ís do Canadá produziram um vídeo-clip sobre o martírio de Mona Mahmudnizhad, a mais jovem das dez mulheres. Esse vídeo está disponível on-line aqui na Médiathèque Baha'ie .
No vídeo há uma série de cenas que correspondem a momentos reais que foram testemunhados por diversas pessoas:

* Mona dava aulas para crianças quando foi presa; na prisão encontrou outras mulheres que também tinham sido presas.
* Uma das torturas a que foram sujeitas foi o espancamento da palma dos pés (no filme vê-se uma prisioneira a ser arrastada para a cela deixando pegadas de sangue).
* Quando eram levadas para o enforcamento, as mulheres iam cantando orações; o motorista não conseguiu conter as lágrimas.
* Mona foi a última a ser enforcada; beijou a corda antes de a colocar no pescoço.
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Site: http://adressformona.org/monaslife.htm

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No rádio rola Wild World de Cat Stevens e eu penso em como esse mundo pode ser realmente selvagem.
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Oh, baby, baby, it's a wild world
It's hard to get by just upon a smile
Oh, baby, baby, it's a wild world
I'll always remember you like a child, girl...
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Tudo que O Passado retém




Fomos ver “O passado” e como é comum quando assisto esse tipo de filme, sai calada, pensando. Logo em seguida, ele me perguntou: E aí? Gostou?
Gostei, mas não gostei de ter de admitir que o passado não passa. De alguma maneira, todos os amores e experiências afins ficam, deixam registro seja no pensamento, em um cheiro que nos invade o nariz e subitamente nos atira de volta ao passado, um lugar que nos evoca uma tarde qualquer, um azul de outono no céu limpo. Enfim, tudo esta ali e acredito que apenas sublimamos, tratamos de viver o dia-a-dia sem pensar muito no passado, afinal tudo passa...ou não? Não, nada passa, nós é que passamos por tudo por várias razões. É preciso continuar, seguir o caminho, tentar deixar o passado no lugar dele, ainda que nos refugiemos vez ou outra, em tempos mais felizes.
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Fomos jantar e a conversa rendeu tanto que veio para o blog. Ele me falou de outro filme, A Via Láctea, que trata, entre outras coisas, da incomunicabilidade entre um casal. O filme, segundo ele magistralmente bem montado fala de um pedido de tempo por parte dela (Alice Braga) e de como ele (Marco Ricca) passa o filme inteiro dentro do seu carro tentando chegar à casa de dela - porque não há mil palavras equivocadas que um único beijo não cure.
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Releia:
porque não há mil palavras equivocadas que um único beijo não cure.
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Eu ainda não entendi porque fiquei imediatamente com os olhos cheios d´água quando ele falou. Achei essa frase sublime, apesar de ser de uma simplicidade tocante. Talvez porque, apesar dos homens não acharem, as mulheres são tão simples, quase básicas. Lembro de ter lido um texto de Danuza Leão no qual ela dizia:
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Os homens não entendem as mulheres. Por que será? Elas são seres simples, e basta prestar um pouquinho de atenção para saber o que passa em suas mentes. Mas, como elas não costumam dizer o que sentem, e eles não costumam perguntar, permanece a incompreensão. Para começar, uma mulher precisa, acima de tudo, se sentir desejada o tempo todo. Nada lhe agrada mais do que entrar num restaurante e sentir que todos olham para ela. Mulher sente isso no ar, e tem mais: não é necessário que seja um homem ao qual ela dedicaria ao menos um minuto de seus pensamentos. Se uma mulher receber o galanteio de um feirante - não que eles sejam os reis da sutileza ou, aliás, por isso mesmo -, se acha o máximo. E existem algumas que, quando estão com o moral baixo, vão dar uma volta no centro comercial da cidade, onde os homens são mais sensíveis ao charme feminino. Bem mais, seguramente, do que nos desfiles de moda.
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Passado, desencontros e simplicidade. Comecei falando de um filme, passei por outro e acabei com Danuza que em poucas linhas resumiu muito bem a simplicidade das mulheres. Óbvio que não é uma questão de cantar ou não uma mulher, mas uma habilidade toda especial que alguns homens têm de inaltecer uma mulher seja ela como for. Aquele cara que GOSTA de mulher, do gênero feminino na essência, que sabe ver em cada uma delas uma especialidade, uma particularidade que a torna diferente. Conheço um cara assim. Da senhora do café a gata do RH, ele sempre tem o que dizer e quando as olha, dedica a elas um olhar exclusivo, presta atenção no que vestem, no que dizem, no que fazem e não se trata do galinha profisssional, longe disso, ele sabe quem ele realmente quer. Se trata de um cara que gosta de mulher no melhor sentido. Gosta tanto que presta atenção nos detalhes. Um batom mais forte, uma roupa diferente, um olhar triste ou mesmo alegre, a cor da praia, qualquer coisa é o mote para comentar, para se notar naquela mulher e invariavelmente arrancar um sorriso.
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Mas também nem é preciso ser um cara assim, nem todos conseguem e muitos deturpam, chegam as raias da grosseria, não entendem a linha tênue que separa o gostar do atacar qualquer coisa que se mova. Não é preciso muita coisa, às vezes apenas saber o que dizer. Ao invés de, estou procurando uma namorada, quero me apaixonar por eu quero você pra mim. Dar nome, identidade a quem se quer e não deixar no ar que serve qualquer uma essa é a diferença. O detalhe que torna tudo especial e se ainda assim não ficar claro, não há nada que um único beijo não resolva.