Lord Byron
"Os espinhos que colhi são da árvore Que plantei; picaram-me, e sangro;
Eu deveria ter sabido que espécie de fruto essa semente iria dar."


George Gordon Noel Byron: 1788 - 1824



Se alguém aproveitou a vida até o limite da impossibilidade foi George Gordon Noel Byron, Lord Byron.
Nascido em Londres em 22 de janeiro de 1788, logo de pronto herda um título de nobreza entrando nas altas rodas da sociedade local.
Adolescente toma consciência do seu poder de atração, poder esse que seduziria homens e mulheres durante toda sua vida.
Conta a lenda que Lady Caroline Lamb era a mais notória e determinada a conquistar Byron. Emocional e excêntrica, Caroline era da alta corte e casada. Ela chegou, inclusive, a lhe enviar seus pêlos pubianos. Byron, para escapar das garras de Caroline, confessou sua preferência sexual por garotos. Então, ela apareceu em seu quarto, vestido de oficial do exército, na tentativa de conquistá-lo.
E foi pelas mãos de Caroline que tratou de espalhar boatos sobre a sodomia do poeta que a sociedade londrina fecharia suas portas a ele.
Nada que o perturbasse muito, Byron teria espaço em qualquer lugar naquela época.
O cinismo e o pessimismo de sua obra haveriam de criar, juntamente com o mirabolante de sua vida, uma legião de jovens poetas "byronianos" por todo o mundo.

Em 1822, Allegra, sua filha, morreu de febre. Byron ficou devastado. Em fevereiro de 1824, teve um ataque epilético. Dois meses depois, após enfrentar uma tempestade enquanto cavalgava, pegou um resfriado do qual nunca se recuperou. Em 19 de abril do mesmo ano, na cidade de Missolonghi, um Domingo de Páscoa chuvoso, aos 36 anos de idade, sua voz se calou após sofrer de delírios por dias a fio. O mundo perdia um dos mais empolgantes escritores de todos os tempos.


Estâncias para a música

Alegria não há que o mundo dê, como a que tira. Quando, do pensamento de antes, a paixão expira na triste decadência do sentir; não é na jovem face apenas o rubor que esmaia rápido, porém do pensamento a flor vai-se antes de que a própria juventude possa ir.
Alguns cuja alma bóia no naufrágio da ventura aos escolhos da culpa ou mar do excesso são levados; O ímã da rota foi-se, ou só e em vão aponta a obscura praia que nunca atingirão os panos lacerados.
Então, frio mortal da alma, como a noite desce; Não sente ela a dor de outrem, nem a sua ousa sonhar; toda a fonte do pranto, o frio a veio enregelar; Brilham ainda os olhos: é o gelo que aparece.
Dos lábios flua o espírito, e a alegria o peito invada, na meia-noite já sem esperança de repouso: É como na hera em torno de uma torre já arruinada, verde por fora, e fresca, mas por baixo cinza anoso.
Pudesse eu me sentir ou ser como em horas passadas, ou como outrora sobre cenas idas chorar tanto; Parecem doces no deserto as fontes, se salgadas: No ermo da vida assim seria para mim o pranto.

Lord Byron

Leia: http://www.speculum.art.br/bio.php?a_id=389

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