Hoje são dois aniversários importantes, um de vida e outro de morte. Não gosto muito dessa expressão aniversário de morte, prefiro lembrança de vida e claro não dava para deixar a lembrança da Cássia passar impunimente, não para quem sempre marcou presença no mundo, e o outro aniversário não menos importante é o da Lu do blog, Racional Demais. Deveria ser sentimental demais, rss, ela é puro coração e alma e é demais mesmo!

É pra você Lu essa pequena lembrança, já me desculpando pelo nada que é perto da arte que você faz. Um grande beijo, um Feliz Aniversário e muitos, muitos anos de vida pela frente e ao nosso lado!














Cássia: paixão visceral

Uma trajetória fulminante que começou há exatos 20 anos. Aqui mesmo, em Brasília. Em 1981, Cássia participou de um espetáculo de Oswaldo Montenegro – Veja você Brasília. Logo depois, integrou o trio elétrico Massa Real. Depois, cantou forró. Em seguida entrou numa trip de se tornar corista de ópera. A timidez não venceu a estrela. "Perdi o medo que eu tinha de palco nessa época”, confessou a mim.

Em 1983, ela entrou para o grupo Malas & Bagagens e chegou a participar de um dos primeiros grandes festivais de rock da capital: o RockWay 2. Entre 1985 e 1988, já fora da banda, Cássia passou a cantar na noite. Fez a fama no circuito underground brasiliense com seu repertório calcado no blues e no rock, apresentando-se, quase semanalmente, no extinto Bom Demais. O bar era point dos estudantes universitários, além de boêmios e alternativos. Uma de suas melhores lembranças, vejam só, era a sopa. “Maravilhosa”, resumiu.

A garota tímida, descobrira sua vocação e já virava um “monstro” no palco. Com os amigos, era sapeca e cheia de molecagem. Em público, fora dos palcos, esquivava-se sempre que um repórter chegava perto. A paixão, no entanto, bateu mais forte. Música já era tudo para Cássia. Ainda em 1988, ela gravou sua primeira fita demo, registrando uma versão belíssima de "Ne Me Quitte Pas" – famosa na voz de Nina Simone – acompanhada do piano de Renato Vasconcellos. Outras três pérolas fazem parte desta primeira incursão de Cássia por um estúdio: "Labirinto", do brasiliense Márcio Faraco; um blues de Duke Ellington e "Já Deu Prá Saber", de Itamar Assumpção.

Talvez essa fita seja a melhor coisa que Cássia gravou. Mas nem ela, nem ninguém da própria família, a tinha mais. Perdeu-se no tempo.

A morte leva Cássia no auge. Justo agora, quando ela se preparava para uma nova etapa na carreira. Quando esteve em Brasília há sete dias, para passar o Natal com a família, anunciou a amigos que estava nos seus planos e nos da gravadora uma nova frente. O Brasil já era pouco. A gravadora Universal planejava lançar agora os dois últimos discos, "Acústico" e "Com você... meu mundo ficaria completo", no mercado internacional. Até mesmo uma apresentação no tradicional Festival de Montreaux estava sendo cogitada.

A música pop brasileira perdeu mais uma voz. A mais blueseira. E, certamente, a mais roqueira. Os velhos amantes da música estão de luto. Mas, quem sabe o que Renato e Cazuza prepararam como recepção para Cássia Rejane Eller lá em cima? Ao som dos Beatles, vão fazer uma festa celestial. Digna, visceral e cheia de luz.

Aqui, muita saudade.

Olímpio Cruz Neto

Brasília, 30 de dezembro de 2001.

http://www.abordo.com.br/rockbrasilia/reportagens/artigo_cassia.htm



Escute aqui:


Escute Get Back do album póstumo de Cassia Eller. Clique em "alta" e esperem carregar, vale a pena. Espero que vocês consigam escutar, é simplesmente visceral. Não sei quanto a vocês, mas eu chorei pela perda dessa voz. Era muita vida para tão pouco tempo entre nós.
Outras músicas aqui: http://mtv.msn.com.br/exclusivos/cassia.shtml


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