"Esteja descansado, pois, se alguém aqui lhe tocar um dedo, três dias e três noites não chegariam para enterrar seus mortos!"

Com essas palavras, Zé do Telhado, outro preso, assegurava a vida de Camilo que temia ser assassinado... Que Camilo? Camilo Castelo Branco, of course! Mas vamos mudar o rumo dessa prosa e começar do começo: a história de Ana Plácido e Camilo Castelo Branco, esse amor de perdição e salvação, como escreveu o autor português.



O ano era 1856, Ana Plácido, uma mulher casada se apaixona por Camilo Castelo Branco. Essa paixão plenamente correspondida os levaria para cadeia por um longo tempo. Naquela época, adultério era crime grave e quando envolvia um escritor de renome, virava um escândalo dentro da sociedade.
Ana era casada com um brasileiro Pinheiro Alves quando conheceu Camilo. Consta que Manuel Plácido, filho de Ana e - legalmente - do capitalista, tenha Camilo como progenitor. Manuel Plácido nasceu em 1858, altura em que Ana Plácido afirmava ao marido amar Camilo e ser este o único homem capaz de fazê-la feliz. Desesperado com a insistência de Ana em permanecer na companhia do amante, Pinheiro Alves instaurou um processo de adultério em 1860.
Em 1861, os amantes são presos por adultério. Ana é presa primeiro e Camilo se entrega logo em seguida. Amor de Perdição é escrito na cadeia em duas semanas e publicado no ano seguinte. O livro, sua obra mais conhecida, conta uma paixão que leva o protagonista ao crime e ao exílio. A própria Ana, influenciada por Camilo, começaria a escrever. Colaborou em diversas publicações, fez traduções, ajudou Camilo em alguns textos e dedicou-se, também, à poesia.
Os dois são absolvidos pelo juiz, curiosamente, pai de outra grande figura das letras, Eça de Queirós.
Mas, infelizmente essa história não tem um final feliz. O casal ainda teria dois filhos, ambos problemáticos. A perda progressiva da visão, problemas financeiros e os filhos, acabariam por deixar Camilo totalmente sem esperanças de melhora e apesar do grande sucesso que obteve como escritor acabaria cometendo o suicídio.
A poeta Ana Plácido morreria em 20/09/1895.

E o Zé do Telhado? Ah! Essa é outra história...


Leia: http://www.citi.pt/cultura/literatura/romance/c_castelo_branco/m_fatal.html
http://www.ipn.pt/literatura/camilo.htm


* Sobre o Gabriel, leia aqui.

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