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É dia de Robert Redford.
Redford nasceu em 18 de agosto de 1937, na Califórnia. Bonito desde sempre, foi na juventude um bad boy, inclusive chegou a ser preso. Nada sério, talvez a revolta de ter perdido a mãe prematuramente, aos 18 anos.

Antes de se tornar ator, Robert viajou muito, foi atleta, chegou a pintar durante a temporada que passou em Paris e Florença. Cansado da vida boêmia, resolve voltar para os EUA onde acaba por conhecer, Lola Van Wagenen, com quem viria a se casar.
Por incentivo dela vai fazer um curso para se tornar cenógrafo de teatro, mas um de seus professores lhe disse que para se tornar um bom cenógrafo teria que fazer um curso de ator. Ele se inscreve na American Academy of Dramatic Art, onde é descoberto por um agente teatral.
No entanto, o reconhecimento mundial só viria muitos anos depois. Robert era avesso ao pensamento que imperava em Hollywood e não queria que fizessem dele mais um galã. Por isso, recusou vários papéis principais preferindo atuar como coadjuvante.




Entre os outros papéis recusados pelo ator está o de protagonista em ''A Primeira Noite de um Homem'', que consagrou Dustin Hofman, e "Quem tem Medo de Virginia Woolf."
Apesar de atuar em vários filmes, somente em ''Butch Cassidy e Sundance Kid'' ao lado de Paul Newman, alcança o estrelato. Tanto foi o sucesso da dupla, que os dois voltariam a contacenar juntos em ''Golpe de Mestre'', filme vencedor do Oscar em 1973. Com o sucesso veio a produtora. A partir daí, Redford passa a produzir seus próprios filmes.

Em 1979, cansado de atuar resolve se tornar diretor e logo na estréia com o filme "Gente como a gente" ganha três Oscars, inclusive de melhor filme e diretor.
Em 1981 o ator criou o Sundance Institute, realizado em Park City, em Utah, nos Estados Unidos. Um festival de cinema independente que atrai filmes do mundo todo e a cada ano tem ganho mais peso como festival.

Muitos filmes depois, separado, noivo de uma alemã de 51 anos, com quem vive há 12 anos, quatro filhos, sendo um já falecido, Robert Redford continua na ativa aos 71 anos e porque não dizer, ainda desperta suspiros por onde quer que passe.



Sydney Pollack





Sydney Pollack nasceu em Lafayette, cidade do Indiana em 1934, “era um verdadeiro deserto (...) muito anti-semita” onde não havia “muitos judeus” como eles, disse em 2002 numa entrevista ao "The Guardian". O pai era farmacêutico porque não tinha tido dinheiro para o curso de Medicina e teve de ficar por ali (também era pugilista semi-profissional, coisa que ele nunca poderia ter sido: “Eu só via os socos quando eles já estavam demasiado perto”), a mãe tornou-se alcoólica depois do divórcio e acabou por morrer quando ele tinha 16 anos. Nessa altura, Sydney Pollack já sabia o que queria ser na vida: ator.

“Quando se tem uma carreira como a minha, tão identificada com Hollywood, com os grandes estúdios e as grandes estrelas, é inevitável que uma pessoa se pergunte se não devia ir à sua vida e fazer aquilo que o mundo considera filmes pessoais. Mas eu acho que enganei toda a gente. Eu sempre fiz filmes pessoais – só que os fiz noutro formato.”


O formato dele não tinha as pretensões iconoclastas que teve o trabalho da geração seguinte – a geração de Scorsese, Coppola e Spielberg, depois da qual tudo mudou. Geração que ele adorava, mas não fazia parte dela – tinha preocupações que eram ao mesmo tempo comerciais e autorais: “Como realizador, tenho primeiro de satisfazer as necessidades de uma arte popular e tenho depois de levantar questões que sejam suficientemente intrigantes. Não quero que os meus filmes sejam intelectualmente insultuosos.”

Não eram. Filmes como O Nosso Amor de Ontem , Tootsie e sobretudo África Minha tornaram o cinema dele suficientemente relevante – mais do que suficientemente intrigante – para o
grande público.
Fez alguns dos filmes mais influentes e mais memoráveis das últimas três décadas. Tinha uma sensibilidade política muito aguda e um profundo sentido do que estava em jogo a cada
momento; sabia quais eram as questões a que o cinema tinha de dar resposta. E avançou e mudou à medida que o mundo avançou e mudou, não ficou fechado e engavetado numa década, escreveu a ensaísta Jeanine Basinger ao Los Angeles Times.

Nos últimos anos, e sobretudo depois do fracasso de Havana, Sydney Pollack foi cada vez menos realizador e cada vez mais ator, o que também não deixou de ser um ganho para aqueles que o admiravam.

Sydney Pollack faleceu hoje em casa, num subúrbio de Los Angeles, aos 73 anos. Sabia que tinha cancro há dez meses, mas os médicos nunca descobriram de onde vinha.

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...falando de amor
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O trauma do amor
Todo amor busca compensar um desastre amoroso passado; somos feridos antes da batalha.
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NESTES DIAS, reencontrei Gérard Pommier, um colega e amigo que não via há quase 15 anos. Ele está de passagem pelo Brasil, palestrando.
Num fim de tarde, sentados na minha cozinha, colocamos a conversa em dia: filhos, trabalho e, claro, divórcios, separações e novos amores.

No capítulo "divórcios e separações", prevaleceu o tema (tragicômico) das indenizações financeiras. Como era de se esperar numa conversa entre homens, constatamos a curiosa contradição entre a reivindicação feminina de autonomia e, por outro lado, o fato de que muitas mulheres, ao se separarem, exigem uma reparação monetária.

Por estarmos ambos sóbrios, não discutimos o fundamento das pensões alimentícias para as crianças nem o da retribuição pelos anos em que uma mulher pode ter renunciado à sua vida profissional para se dedicar ao lar. Apenas estranhávamos o tipo de demanda raivosa que dá a impressão de pedir indenização pelo amor perdido.

Nos homens como nas mulheres, os amores que acabam deixam a sensação de um dano quase físico, material ("retiraram uma parte de mim") - um dano, portanto, que poderia ser compensado. Deve ser por isso que tanto os homens quanto as mulheres, às vezes, "curam" as dores de uma separação com aquisições extravagantes. "Ela me deixou? Compro uma moto."

Mas as mulheres, freqüentemente, preferem que a reparação do dano seja o ônus do ex-parceiro. Mesmo quando a iniciativa da separação foi da própria mulher (ou compartilhada por ela) e não houve "infidelidade" do lado do homem, as mulheres tendem a viver a separação como uma traição, como uma crueldade que lhes foi feita, uma sacanagem.

Há como explicar essa diferença, mas isso, hoje, não vem ao caso. O fato é que a conversa com Pommier foi interrompida porque eu fui assistir ao filme de Wong Kar-wai, "Um Beijo Roubado", que acaba de estrear. Pommier, que já tinha visto o filme na França, prometeu que ele tinha a maior relação com nossa conversa daquela noite.

De fato, o filme de Kar-wai é uma esplêndida elegia sobre o trauma amoroso. Os quatro personagens principais são todos inválidos da guerra das paixões. Ficam num canto lambendo suas feridas ou saem pelo mundo afora para esquecê-las ou cicatrizá-las, mas, de qualquer forma, para eles, um novo amor é a tentativa de compensar um desastre passado, que os deixou sem chaves para as portas da vida.

Para um psicanalista, é um prato cheio: confirma-se, indiretamente, a idéia de que nos apaixonamos pelos outros porque não nos foi permitido ficar com a mãe e ou com o pai. Todo amor corrigiria uma grande decepção amorosa, forçada e originária, todo amor seria um paliativo contra as dores da renúncia a nossas paixões edipianas. Ou seja, atrás de nossa vida amorosa, sempre há um dano inicial. "Será que alguém paga um dia?", diriam as mulheres evocadas na conversa com Pommier.

Tudo bem, mas o complexo de Édipo, que se tornou sabedoria psicológica comum, não deixa de ser um mistério. Por que seríamos saudosos de uma única relação que nos foi proibida para que todas as outras fossem permitidas? Por que seríamos para sempre queixosos de uma única perda que nos libertou e nos soltou pelo mundo?

Mais misterioso: é raro que a lembrança de nossos primeiros afetos amorosos (com a mãe, especialmente) seja a de um idílio; em geral, ela vem junto com a queixa de termos sido, de uma maneira ou de outra, preteridos ou mesmo traídos. Talvez essa lembrança queixosa seja influenciada pelo que vem depois: a gente veria nossa primeira infância pelo prisma das dores da autonomia, do crescimento e da separação.

Mas talvez haja algo mais, algo que nos torna feridos antes da batalha, queixosos de ter sofrido um dano antes de qualquer amor, inclusive antes daquela primeira relação, miticamente feliz, com a mãe. Talvez a sensação de que fomos traídos, e não nos foi dado o que queríamos e esperávamos anteceda o amor e suas frustrações. Talvez todos os amores, inclusive o edipiano, sejam apenas compensações frustrantes por um dano que, aliás, inevitavelmente, eles renovam. Mas de que dano estou falando?

De qual sensação originária de que o mundo sempre nos priva porque nunca responde à altura de nossos pedidos?
A resposta seria complicada e incerta, mas há um atalho. Pergunte para qualquer jovem mãe esbaforida: "Afinal, o que quer um bebê?".
Contardo Calligaris
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e por falar de amor...
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Lacan disse certa vez : «O amor é darmos uma coisa que não temos a alguém que não precisa dela». O mesmo Lacan também explicitou que amamos no outro precisamente aquilo que ele não tem. E o outro fica fascinado com esse objeto de fascínio que é aquilo que imaginamos nele. O que o outro deseja não é aquilo que lhe podemos dar, mas aquilo que imaginamos nele. E que de fato não existe.
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e amor...
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Não falo do AMOR romântico, aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento. Relações de dependência e submissão, paixões tristes. Algumas pessoas confundem isso com AMOR. Chamam de AMOR esse querer escravo, e pensam que o AMOR é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada. Pensam que o AMOR já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado. Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta. A virtude do AMOR é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado. O AMOR está em movimento eterno, em velocidade infinita. O AMOR é um móbile. Como fotografá-lo? Como percebê-lo? Como se deixar sê-lo? E como impedir que a imagem sedentária e cansada do AMOR nos domine?

Minha resposta? O AMOR é o desconhecido.

Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o AMOR será sempre o desconhecido, a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão. A imagem que eu tenho do AMOR é a de um ser em mutação. O AMOR quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante.

A vida do AMOR depende dessa interferência. A morte do AMOR é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta. Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos, e nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim. Não, não podemos subestimar o AMOR não podemos castrá-lo.


O AMOR não é orgânico. Não é meu coração que sente o AMOR. É a minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve. O AMOR faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito. Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas. O AMOR brilha. Como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza e despedida, o AMOR grita seu silêncio e nos dá sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do AMOR, se estivermos também a devorá-lo.

O AMOR, eu não conheço. E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo, me aventurando ao seu encontro. A vida só existe quando o AMOR a navega. Morrer de AMOR é a substância de que a Vida é feita. Ou melhor, só se Vive no AMOR. E a língua do AMOR é a língua que eu falo e escuto.

Paulinho Moska

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A verdadeira mulher melancia





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Outro dia lendo sobre a nova - antiguissima - estética feminina, me deparo com a história de Saartjie Baartman (1789 - 1815). História triste, mas tão atual nesse mercado de carne em que vivemos.
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Saartjie Baartman

Saartjie Baartman (1789-1815) foi a mais famosa de, pelo menos, duas mulheres hotentotes usadas como atracções secundárias de circo na Europa do século XVIII sob o nome de Vénus Hotentote.
Saartjie Baartman nasceu no seio de uma família khoisan em Gamtoos Valley, na actual província do Cabo Oriental, na África do Sul. Esta é a forma africânder do seu nome; o seu nome original não é conhecido. Saartjie (pronunciado "Sarqui") é traduzido como "Pequena Sarah".

Baartman servia fazendeiros holandeses que moravam perto da Cidade do Cabo. Hendrick Cezar, irmão do patrão de Baartman, sugeriu que ela se exibisse na Inglaterra, prometendo que isso a tornaria rica. Lord Caledon, governador do Cabo, permitiu a viagem, embora tenha lamentado isso após saber o seu verdadeiro propósito.
Ela foi para Londres em 1810, tendo viajado por toda a Inglaterra exibindo as suas "inusitadas" dimensões corporais, segundo a perspectiva europeia - formando-se a opinião que estas eram típicas entre os hotentotes.
Senhora de volumosas nádegas (esteatopigia), o que era considerado estranho e perturbador para o europeu à época, os seus exibidores permitiam aos visitantes tocar as suas nádegas mediante um pagamento extra.
A sua exibição em Londres causou escândalo tendo a benevolente sociedade African Association sido criticada pela sua iniciativa. Baartman foi interrogado em tribunal na Holanda, tendo declarado que a mulher não estava restringida e entendia perfeitamente que eram seus metade dos proveitos das exibições.


Mais tarde viajou para Paris onde foi exibida durante 15 meses por um treinador de animais. Foi visitada pelo anatomista francês Georges Cuvier e outros naturalistas, tendo sido objeto de inumeras ilustrações científicas no Jardin du Roi.

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Baartman morreu a 29 de Dezembro de 1815 de uma doença inflamatória. A sua autópsia foi conduzida e os resultados publicados por Henri de Blainville em 1816 e por Cuvier em Memoires du Museum d'Histoire Naturelle em 1817. Cuvier anotou, nessa monografia, que Baartman era uma mulher inteligente, que possuia uma excelente memória e falava holandês fluentemente. O seu esqueleto, orgãos genitais e cérebro, conservados, estiveram em exibição em Paris, no Musée de l'Homme, até 1985.
Houve apelos esporádicos para o regresso dos seus restos mortais desde a década de 1940, mas o caso só ganhou relevância após o biólogo norte-americano Stephen Jay Gould ter pubicado The Hottentot Venus na década de 1980.
Quando Nelson Mandela se tornou presidente da República da África do Sul, requereu formalmente à França o regresso dos restos mortais de Baartman. Após inúmeros debates e questiúnculas legais a Assembléia Nacional francesa acedeu ao pedido em 6 de Março de 2002.
Os restos mortais foram devolvidos à sua terra natal, Gamtoos Valley, a 3 de Maio de 2002.

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Se por um lado, essa "nova" estética está mais de acordo com as mulheres "normais", aquelas que vemos nos ônibus, andando pela cidade, nas praias, nos subúrbios cariocas do que a estética imposta pela mídia, por outro o comércio continua.
A história se repete em cada menina que se deslumbra por ter um corpão ou mais especificamente, uma bela e gigantesca bunda. Nisso, na bunda em si, não há problema nenhum, os americanos idolatram os seios e cada cultura valoriza o que é de gosto comum. O problema começa quando se pergunta: mais é só isso?
Fica a pergunta enquanto observamos bundas que chegam, que se vão, que dão lugar a outras, tudo consumido rapidamente por uma mídia voraz. Tão rapidamente que muitas vezes nem sabemos qual é a "fruta" da estação.
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Zélia Gattai e Amado

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Ontem, 17/05/2008, a escritora Zélia Gattai faleceu. Fiquei feliz por ela, porque algumas vezes ficar por aqui quando se perde uma parte de si não faz sentido. Foram 56 anos ao lado de Jorge Amado, mais que uma vida, uma eternidade.

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ÉPOCA - Você conseguiu se recuperar da falta dele?
Zélia
- Não. Procuro levar a vida como ele gostaria que eu a levasse: com tranqüilidade, sem me aborrecer, me ocupando. Mas sinto a falta dele.

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Trecho do livro Memorial do Amor, de Zélia Gattai.
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Despedida
Sobre nossa casa, de Jorge e minha, na rua Alagoinhas, 33, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador da Bahia, muito já se disse, muito se cantou. Citada em prosa e verso, sobra-me, no entanto, ainda o que dela falar.
Fico pensando se alcançarei escrever todas as histórias, tantas, de gente e de bichos que nela passaram nesses quarenta anos lá vividos.
Neste momento, quando me despeço do lugar onde passei o melhor tempo de minha vida, ao deixar Jorge repousando sob a mangueira por nós plantada no jardim, mil lembranças afloram-me à cabeça. Lembro-me de coisas que para muitos podem parecer tolas, mas que para mim não são.
Lembro-me, por exemplo, de duas mimosas lagartixas que viviam atrás de um quadro de Di Cavalcanti, acima da televisão da sala, e que tanto nos divertiram. Um belo dia elas apareceram, sem mais nem menos: uma toda rosada, quase transparente; a outra com listras escuras em volta do corpo. Jorge foi logo escolhendo: 'A zebrinha é minha.' A mais bonita, pois, ficou sendo a dele. A outra, que jeito? De dona Zélia.
Recostados em nossas poltronas, após o jantar, para assistir aos noticiários de TV, vimos, pela primeira vez, as duas saírem de seu esconderijo, uma atrás da outra, direto para uma lâmpada acesa, no alto, reduto de mosquitos e de bichinhos atraídos pela luz.
— Elas agora vão jantar — disse Jorge.
Dito e feito: as duas se aproximaram docemente da claridade, estancaram a uma pequena distância da lâmpada e, imóveis, na moita, só observando. De repente, o bote fatal foi desfechado e lá se foi um dos insetos para o bucho da lagartixa de Jorge. Diante do perigo, quem era de voar voou, quem era de correr, correu, lá se foram os bichinhos, não sobrou um pra remédio, o campo ficou limpo.
Estáticas, as duas sabidas aguardaram pacientes a volta das vítimas, que, inocentes, aos poucos foram criando coragem e se chegando para, ainda uma vez, cair na boca do lobo. Ainda uma vez o lobo foi a zebrinha, que, como num passe de mágica, abocanhou um mosquito. Encantado, Jorge ria de se acabar, provocando-me: 'A tua não é de nada!' Eu protestei e ele riu mais ainda.
Brincadeira boba, inocente, passou a ser nosso divertimento durante muitas e muitas noites, muitas e muitas noites voltamos à nossa infância.

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"Quantos amaram seus momentos de radioso encanto.
Quantos amaram sua beleza com falso ou verdadeiro amor,
Mas um homem amou a alma peregrina em você,
E amou as mágoas do seu rosto cambiante"

Yeats



"Só se vive uma vez. E da maneira que eu vivo, uma vez basta."

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Francis Albert Sinatra nasceu raquítico, tímido, tendo como poucos companheiros uns meninos de rua tão sem esperança quanto ele, chegou a acreditar que se transformaria num marginal e morreria cedo, crivado de balas. Morreu de ataque cardíaco depois de uma longa e fascinante vida, com todos os seus percalços.

Sinatra gravou de tudo, até música de discoteca. Fez filmes bons e ruins, arrasou os corações adolescentes, foi feliz e infeliz em seus casamentos, naufragou na bebida, desapareceu num período de decadência, ressuscitou e voltou ao trono, mas tudo isso, em graus variados de intensidade e valor, ocorreu também com outros artistas. Conquistou seu espaço com talento e muque (aos 20 anos, deu na cara de um anônimo freguês do Onyx, um boteco de Nova York onde cantava, porque o homem falava alto demais). Mas outros também fizeram isso e não se transformaram em Frank Sinatra. Algo o distinguia dos artistas comuns.

Aqueles olhos azuis, aquela voz de barítono e pronúncia cristalina eram para durar para sempre. Pouco se lhes dava se seu ídolo tivesse ficado gordo ou careca; eles também haviam ficado. Tampouco se incomodaram com o fato de Sinatra ter deixado de ser o falso liberal da corte de John Kennedy, na versão americana da esquerda festiva, para aliar-se a Richard Nixon e Ronald Reagan e outros mamutes republicanos: muitos deles também fizeram isso.
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"Sinatra tinha talento demais e caráter nenhum. Por isso espalha no ar essa espécie de eletricidade que excita todo mundo" disse certa vez o excelente Billy Wilder.


/Em 1939, aos 24 anos, Frank se casou com Nancy Barbato, uma namoradinha de infância e teve três filhos.
Em 1940, juntou-se à orquestra de Tommy Dorsey, popularíssima, e ficou famoso. Dorsey, descrito por seus músicos como um tipo intratável, solitário e sovina, encostou o seu crooner na parede e cobrou-lhe 33% do que havia ganho nos dois anos de parceria. Sinatra fingiu concordar, mas Willie Moretti, um gângster sifilítico que foi amigo do cantor até morrer, em 1950, anulou o acordo enfiando um cano de revólver na boca do maestro. Terminado o serviço, enfiou uma nota de 1 dólar no bolso de Dorsey.
Apesar de ser exaustivamente investigado, jamais ficou provado seu envolvimento com a máfia, muito embora, Lucky Luciano, nas suas memórias,
diga com todas as letras: "Demos dinheiro a ele e ajudamos a transformá-lo num grande astro."

Sinatra era louco pelo poder, tinha momentos de cólera absoluta, o que fazia com que seus rompantes de generosidade atingissem a mesma magnitude. Reza a lenda que certa vez Sinatra interrompeu a farra num hotel de Los Angeles e foi ao hospital onde o ator Lee J. Cobb agonizava depois de um ataque cardíaco. Pagou a conta e desapareceu. Em outra ocasião, bancou as operações cardíacas do ex-campeão mundial de peso pesado Joe Louis, feitas pelo cirurgião Michael DeBakey, o mesmo que atuou como observador do presidente russo Boris Ieltsin operou.

Fez mais de sessenta filmes, entre eles belos musicais, como Marujos do Amor, ao lado de Gene Kelly, Alta Sociedade, com Grace Kelly, e Eles e Elas, com Marlon Brando, além de um papel dramático que lhe valeu um Oscar de ator coadjuvante em 1953, em A Um Passo da Eternidade, que o salvou do ostracismo. Naquela época, ele vivia bêbado e deprimido por causa de seu casamento com Ava Gardner, chamada pelo escritor e cineasta francês Jean Cocteau de "o mais belo animal do mundo". Ela provocou o aborto de um filho que teriam, traiu-o com vários homens e quase o levou ao suicídio.

Sinatra foi o melhor cantor popular de todos os tempos porque era o mais sensível, o mais romântico e até o mais inteligente. Vários motivos contribuíram para a criação do mito. Antes de qualquer um deles, porém, está o jeito único de cantar. O charme do Sinatra cantor sempre existiu. O passar dos anos só ajudou a lapidá-lo.

O envolvimento com músicos de jazz também ajudou Sinatra a definir sua cadência. Ele aprendeu a importância de destacar a voz do resto dos instrumentos. Não fazia isso cantando mais alto, mas sim reforçando trechos vocais nos momentos em que a banda soava menos intensa. Atacava no instante em que o acompanhamento recuava, deixando sua voz soar onipresente. Sua maneira natural de encontrar o tempo certo de cada canção acabaria influenciando todos os cantores que o seguiram.

Ele soube interpretar baladas como ninguém e deu à música popular deste século vários de seus melhores momentos. Basta lembrar de My Way, Let Me Try Again, New York, New York e tantas outras canções que embalaram as lembranças mais felizes, ou até mesmo infelizes, de milhões de homens e mulheres ao redor do mundo. Old Blue Eyes faz muita falta por aqui.
Leia mais e mais.

"Chega desse papo de 'tragédia da fama'. A tragédia da fama é quando ninguém aparece e você está cantando para a faxineira num botequim vazio que não recebe um cliente pagante desde o dia de São Nunca."


“...chora palhaço da sua tristeza, sorrindo como se a alma estivesse em festa. Chora palhaço da sua tristeza quando o mundo e as coisas que te cercam dizem NÃO..." Claudio Rizzo


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Marina Silva era a melhor integrante do governo Lula, possuía um conhecimento profundo das relações entre a economia e o meio ambiente, fato totalmente ignorado pelos economistas, pela ciência econômica e pelos institutos. Os economistas trabalham com a hipótese que o sistema econômico é neutro para o meio ambiente e que o planeta é inesgotável. Marina Silva sabia que isso não era verdade. Enquanto esse modelo vigorar, estamos perdidos. Os países ricos e a China só cresceram e só crescem porque exploram a natureza de países como o Brasil. A tentativa de se igualar aos países ricos dentro desse modelo econômico irá causar o colapso civilizatório. As pessoas ignoram que a comida só chega no nosso prato por causa das abelhas, que respiramos oxigênio produzido pelo fitoplâncton dos oceanos, que nosso coração só bate porque tem um ser vivo que aprisiona a luz do sol. A natureza é finita e a economia é infinita. Para o Ministério do Meio Ambiente conciliar esse erro é uma tarefa impossível.

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Durante a tarde de ontem recebi esse email do Hugo e confesso que fiquei arrasada. Admiro Marina Silva, não só pela sua história pessoal, como pela luta inglória que ela abraçou desde sempre.
Mas sabe o que me deixa inconformada? Ter acreditado no Lula. Pois é, a minha porção loira acreditou ingenuamente que dessa vez seria diferente e não foi, não é e não será. Decpecionante é o mínimo que posso falar desse governo. Ter ouvido no jornal da noite que o Lula ficou irritado com a saída dela, foi o cúmulo e a certeza de que a esperança é um fio tênue.
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Pois é, depois de responder desanimada ao email do Hugo sobre o pedido de demissão da Ministra, recebo hoje sua resposta e confesso que se já o admirava antes, agora tô virando devota. Leiam:
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Otimismo é uma construção abstrata que deve levar à ação. Nâo é baseada em fatos reais, mas baseado naquilo que queremos para o futuro. Portanto, não deixe de ser otimista, porque isso significa que não adianta mais fazer nada e não é isso que achamos. Podemos até perder essa guerra, Andrea, mas vamos perder lutando até o fim. Para o futuro universal das nossas almas e energia, isso será importante. Tudo isso que estamos vivendo é uma escola, como saberíamos o que é o bem ou o que é certo se não conhecêssemos isso tudo? Sei que é uma resposta tímida para tantas incertezas existenciais. Persevere.

Beijo Hugo
PS: ela sair desmascara o governo Lula e a contradição do sistema econômico com o meio ambiente, é pior para ele e melhor para ela.

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Acho que o Brasil anda carecendo de mais brasileiros assim e nisso me incluo porque certas coisas dentro da política me desanimam fácil. Ainda bem que existem pessoas como ele que a despeito de tudo não perdem a esperança.

Respondi que ele parecia o beija-flor da fábula do incêndio na floresta, enquanto todos fugiam ele levava o tantinho de água no bico para debelar o incêndio, qdo o Leão em fuga fala: Vc acha que vai conseguir apagar o incêndio com isso? E ele responde: Posso até não conseguir, mas ao menos fiz a minha parte.
Acho que o Hugo é um belo de um beija-flor e dá até pra acreditar que ele realmente vai conseguir apagar o incêndio.

Bodas de Pixel

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Hoje eu nem ia postar nada, mas como adoro histórias de amor que dão certo, resolvi deixar o início dessa aqui...

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Nos esbarramos pela primeira vez há cerca de dois anos, por coincidência: ele viu meu nome no Orkut; eu tinha uma foto igual a dele. Parecíamos irmãos.
Nos encontramos pessoal e despretensiosamente em um dia chuvoso de julho. Eu de cabelo preso (ele odeia meu cabelo preso). Ele de tênis de corrida (eu odeio tênis de corrida).
Fomos almoçar em um
restaurante indiano que tinha fila de espera na porta. Ainda de pé, na fila, vi o rosto dele ganhar um certo ar de decepção quando eu disse displicente:
- Já vim aqui antes.
Comemos, bebemos, rimos, passeamos pelas ruas, brincamos de top 5 como se não houvesse amanhã e até escolhemos um presente para meu quase-namorado da época. Ele dizendo:
-Eu adoraria ganhar isso.
Eu nem pensando:
- Será uma indireta?
Nos despedimos na Av. Paulista. Eu soltei o cabelo e fui para uma festa. Ele sorriu e foi trabalhar.

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O resto vocês terminem de ler no simpático blog da moça, o Chiqueiro Chic. E que venham mais bodas por aí!
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Adoro quando dá certo. Já tive namorados que conheci pela net, dois pra ser exata. Um chegou a ser meu noivo e hoje é um amigo querido, o outro, me ensinou que há diferença entre infidelidade e deslealdade e foi os dois, infiel e desleal. Mas o mais forte foi o que nunca aconteceu. Nos conhecemos, trocamos muitos emails e na única vez que estivemos juntos, toda absolutamente toda afinidade intelectual, afetiva, cultural não foi capaz de nos preparar para um detalhe: pele. Não houve um pêlo meu que desejasse estar misturado ao dele. Nunca fiquei com alguém com quem eu não sentisse nada, mas nada mesmo.
Hoje vejo que foi melhor assim. Observando o modus operandi dele no Orkut e depois pelos poucos emails que ainda trocamos, vi que era mais do mesmo. Estava longe, muito longe de ser o cara que eu pensava e que durante um tempo admirei, não só pelo que parecia ser, como também pelo trabalho que fazia. Acabada a admiração, pouco ficou.
Engraçado como num dia esperamos intensamente por um email e no outro tanto faz se ele chega ou não. C´est la vie...



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Conforme prometi ao Hugo, este blog esta a disposição dele para as notícias que envia.
Por que reciclar?
Porque não existe o jogar fora, os materiais que dispensamos no meio ambiente ficam conosco e para piorar, muitos possuem compostos que a natureza não sabe lidar e causam enormes estragos.
Antes de reciclar devemos fazer algo?
Sim, a reciclagem é a última coisa. A principal é reduzir o consumo.


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Saiba como reciclar lâmpadas fluorescentes
CYRUS AFSHARd a Folha de S.Paulo


A empresa de reciclagem Apliquim faz o serviço de recolhimento de no mínimo 50 lâmpadas na Grande São Paulo, por R$ 0,60 a unidade. Mas como elas duram vários anos, a saída para o consumidor é se organizar --no condomínio ou numa associação de bairro-- para juntar essa quantidade.

Se não der certo, tem a loja de materiais elétricos Cime, em São Paulo, que recebe as lâmpadas e as encaminha para a própria Apliquim. Se for feita uma venda casada (você deixa a sua velha e compra uma nova), você não paga nada. Para quem quiser descartar a lâmpada sem comprar uma nova, a taxa cobrada pelo serviço é de R$ 0,50 por unidade.

No Rio, a recicladora Elrec, que faz o recolhimento de grandes quantidades de lâmpadas para empresas, começa este ano a atuar em condomínios e cobra R$ 0,60 por unidade.

Em Curitiba, a prefeitura faz o recolhimento gratuito de no mínimo 10 lâmpadas por pessoa, nos 24 terminais de ônibus da cidade (um dia por mês em cada terminal). Depois o material é encaminhado para a empresa Megareciclagem, que faz a descontaminação.
Prefeitura de Curitiba
, www.curitiba.pr.gov.br/Secretaria.aspx?idf=37&servico=26
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Apliquim (SP), (19) 3884-8140Cime, (11) 3674-3000Elrec, (21) 9803- 2186
Dica do ecoeconomista Hugo Penteado - Autor do excelente livro:
Ecoeconomia - uma nova abordagem.
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Enquanto isso, o ambientalista Luis Felipe Cesar dá conta III Conferência Nacional do Meio Ambiente.

Notas desde a CNMA, Brasília, em 8/5/08.

Reunir quase 3 mil pessoas de todo o Brasil num processo de debate sobre Meio Ambiente, alicerçado em prévias conferências municipais, regionais e estaduais é uma façanha digna de reconhecimento e admiração. As notas abaixo visam compartilhar observações e sentimentos que apenas grandes eventos produzem e em hipótese alguma comprometem o brilho e a importância desta Conferência.

Em tempos de comunicação eletrônica, massificada, telegráfica, ainda existem militantes que no decorrer de suas falas são tomados por lágrimas que visivelmente sobem desde o coração. São pessoas que lembram outros momentos da história, porque se empolgam, se exaltam, emocionam, resvalam na inconveniência, mas despertam sentimentos importantes que alimentam a energia necessária para as mudanças.

A gestão do tempo é um problema. Palestras, mesas redondas e demais atividades se prolongam e muitas vezes começam atrasadas. As oportunidades de debate se transformam em fóruns de considerações que quase sempre se perdem da objetividade, embora reflitam anseios e formas de expressão legítimos, que contribuem para conhecer melhor o povo brasileiro.

Aprovar regimentos internos sempre é epopéia de paciência. Aqui não é exceção. As “questões de ordem” existem e persistem. Procedimentos são rediscutidos em detalhes incríveis e perde-se muito tempo em burilar a forma, com risco de perder horas preciosas de discussão das propostas e moções que deverão nortear a política ambiental brasileira. Apesar dos excessos, a grande maioria das votações revela maturidade da plenária, que tende a decidir em apoio às propostas já encaminhadas pela organização da conferência.

Observadores internacionais convidados refletem a importância do Brasil e expressam respeito ao processo participativo em andamento. Nosso país tende a ser referência ambiental pelo patrimônio natural que possui, além da favorável situação econômica e institucional que definitivamente não mais justifica desmazelos e atropelos imediatistas que vendem o futuro em troca de ganhos não sustentáveis no presente.

A presença de índios de diversas etnias, seja na condição de delegados ou de artesãos, provoca mistura de esperança e dor. Cocares, colares, instrumentos musicais, arcos e flechas, relatos sobre a vida nas aldeias, olhos, peles, sopros de idiomas ancestrais desconhecidos para os brancos... Impressões que me encaminham ao silêncio...

As palestras do dia confirmaram fatos já consagrados, mas cuja lembrança sempre é bem vinda:
O capitalismo é insustentável.
A lógica do consumismo e do acúmulo é o suicídio da humanidade.
O aprimoramento tecnológico é parte da solução da crise ambiental e climática. Mas é apenas parte. Construir e exercer novos paradigmas e sistemas de produção, consumo e modo de viver é fundamental para continuarmos vivos.
Cada um deve fazer a sua parte, mas é preciso que as partes formem o todo e que o todo se reforme numa nova lógica planetária.
A temperatura está esquentando e os fenômenos climáticos de impacto serão cada vez mais freqüentes.
Política ambiental não se faz de forma isolada. Implica no compromisso e articulação de todos os segmentos, inclusive dentro dos governos - municipais, estaduais e federais.
A partir de sexta-feira começam as oficinas temáticas, voltadas para medidas de adaptação e de mitigação às mudanças do clima. Termino por hoje com esperança. Novas notas seguem assim que houver inspiração e tempo.
Saudações,
Luis Felipe Cesar




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Meio Ambiente-se


Pelo mundo


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Guerrilheiros de jardins
De repente, na calada da noite, guerrilheiros andam por Londres à procura de ervas daninhas. Armados de enxadas e ancinhos, os guerrilheiros invadem jardins públicos. A guerrilha na cidade começou há quatro anos e tem uma rede que inclui as cidades de Berlim, Montreal, Vancouver, Nova York e São Francisco. São quatro mil pessoas que se comunicam por um site e telefones celulares e ativam os guerrilheiros de jardins. Clique aqui e conheça o site destes guerrilheiros.
Via: Pelo Mundo.
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O povo das árvores


George Steinmetz é famoso por suas fotos aéreas, amplamente publicadas por revistas com o National Geographic. Duvido que alguém não conheça fotos como a famosa sombra dos camelos da África.
Pois em 1995, ele foi para Indonésia, aonde conheceu o povo das árvores, uma tribo isolada do mundo que não utiliza roupas, ferramentas sofisticadas ou sequer metais, e onde o canibalismo é utilizado como forma de punição criminal. O apelido se deve ao fato de que estas pequenas tribos possuem o hábito de construir suas casas em árvores altísimas e de difícil acesso.
Via: Doutrina


Dia das Mães


É preciso comparar


Eu deveria ter contado tudo a ela. Mamãe adora histórias. Não é tão ruim quando se pensa. Poderia ter sido pior. Pense em como acabou aquele rapaz que foi a Boston implantar um rim novo. Ficou famoso nas notícias mas acabou morrendo.

Penso na Laika, a cadelinha espacial. Foi colocada dentro do Sputinik e enviada ao espaço. Ligaram fios no coração e no cérebro dela para observar seu estado. Não creio que ela se sentia bem. Girou lá em cima cinco meses até a comida dela acabar. Morreu de fome. É importante ter coisas assim para comparar.

Penso naquela mulher que foi a Etiópia como missionária. Ela foi morta a pauladas no meio do sermão. Precisa-se sempre comparar. Penso no cara que foi ao cinema ver o filme "Tarzan na lagoa". Depois pendurou-se num fio de alta tensão e morreu na hora. Nunca se deve bancar o Tarzan. Eu deveria ter contado tudo enquanto ela tinha saúde. Histórias da vida. Mamãe gostava delas. Fazia coleção. É preciso ter alguma coisa para contar a ela. Gosto muito quando ela ri porque aí esquece os livros. Ela lê demais. Esse é o problema. É bom... faz com que pense em outras coisas. Acho que amo a Sickan tanto quanto a mamãe.

Mamãe era fotógrafa, antes de adoecer. Tinha um atelier. Teve que parar. Poderia ter sido pior. É importante lembrar isso. Lembro-me do desastre sobre o qual li. Um trem chocou-se com um ônibus em Chyeksbo. Seis pessoas morreram, catorze ficaram feridas. Deve-se comparar. É preciso ter cuidado com os ônibus. Eu poderia estar naquele. Me dá pena quando penso na pobre cadela Laika. Maldade mandarem a coitada na astronave... sem comida o bastante. Ela teve de servir ao progresso do homem. Não pediu para ir. Eu deveria ter contato tudo a ela... enquanto ela gozava de boa saúde. Ela tem bom senso de humor. Sobre o cabelo verde do Manne, e a cuia voadora que o pai dele fez. Do Fransson no telhado e dos malucos daqui. Ela teria rido muito. Garanto. Realmente tenho tido sorte, comparado aos outros. É preciso comparar para sentir a distância entre as coisas, como a Laika. Ela deve ter visto as coisas em perspectivas. É importante manter certa distância.

Penso no cara que tentou um recorde mundial saltando sobre ônibus numa motocicleta. Ele alinhou trinta e um ônibus. Tivesse deixado por trinta, ainda estaria vivo. Imagine, não bateu o recorde do mundo por um ônibus. O último. Bateu com a roda traseira nele.
Penso naquele sujeito que atravessou o campo da praça de esportes. Um dardo atravessou o peito dele. Atravessou o peito dele. Ele deve ter ficado muito surpreso. É estranho como não consigo deixar de pensar na Laika. Eu não devia pensar tanto! O tempo cura as feridas, como diria a Sra Arvidsson. Ela diz muita coisa sábia. Aconselha a gente a esquecer. É importante comparar. Pense numa cachorra como a Laika. Eles sabiam desde o começo que ela não voltaria viva. Sabiam que ela ia morrer. Eles simplesmente a mataram.
Do filme Minha Vida de Cachorro
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Feliz Dia das Mães

Artur da Távola

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Tem algumas pessoas que eu adoraria conhecer pessoalmente. Sentar num café daqueles de cinema, pequeno, aconchegante, todo de madeirinha. Pedir um café, uns biscoitinhos e prosear, prosear...até o dia virar noite e o escritor Artur da Távola era um desses.

Não só pelo que escreveu, como escreveu, mas pelo modo como falava. A voz calma e mansa, o tom conciliador, uma respiração pausada. É assim que lembro dele nas entrevistas que assisti.
Tem pessoas que nos prendem menos pelo que fazem e mais pelo modo como fazem. Não sei se deu pra entender, mas pra mim ele era assim. /
Bom, amanhã é Dia das Mães e pra mim que lembro da minha todos os dias, é sempre uma data difícil. Some-se a isso o fato de estar mais do que gripada, de cama e sonhando vê-la entrando pela porta com o tal leitinho queimado mineiro, tão quente quanto doce para esquentar e fazer o remédio descer melhor, mais difícil fica. Por isso, deixo um texto de extrema doçura de Artur da Távola sobre Dona Magdalena, a mãe dele.

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Lembranças de Dona Magdalena

A memória me traz alguns fatos de 1991, quando minha mãe partiu para o Reino dos Esplendores. Enquanto aguardava prepararem o corpo, derradeira maquiagem de uma atsef (festa ao contrário) eu não quis ver , recebi seus amigos e amigas a chegar, e os parentes: ela havia sido um ser humano admirável e admirada por quem a conhecia. Dona Magdalena!!! Coloco três pontos de exclamação ao mencionar-lhe o nome, consigo ainda ver-lhe o porte altivo e sua fragilidade de mulher forte.
A morte tem o condão de revelar o valor de uma vida em segundos, e cada um desses segundos é portador de alguma lição que ela gostava de dar e dava, mesmo sem pretender, pela dignidade, sobriedade e solidão, vale dizer, pelo exemplo.
Não estou aqui, porém, para elogiar minha mãe porque morreu há quase dezesseis anos, mas para dizer que, no recato de minha dor e na interiorização do meu sentir, mais que todos, podia eu pensá-la com orgulho e egoísmo: sim, egoísmo, porque o que era teor de dona Magdalena em caráter e exemplo, agora me pertenceria mais que a todos. Fui seu cúmplice toda a vida, e aprendi as admirações que lhe tributei.
A morte nos permite essa apropriação sem inventário. Meses antes, vidente me vaticinara que iria herdar forças de minha mãe, quando ocorresse a sua passagem.
Tudo isso me passava rápido na mente, enquanto aguardava a maquiagem do corpo para o féretro. Admiração por sua vida dedicada em doses certas, primeiro aos seus, depois ao trabalho. Medito na minha incapacidade de atender com atenção aos próximos a quem tanto quero, ocupado que sou pela vida pública.
Obsessão de servir ao geral, com imperdoável falta de cuidado com os de perto. Nisso não a soube imitar. Mesmo assim, é herança ética. Por outro lado, naquele distante 1991, via-a feliz por saber-me homem público, e recordo o conselho: Fique contra e lute, porém jamais faça ataques pessoais . Isso se transformou numa realidade em minha vida. Logo ela, tão valente e brigona em jovem, viúva, gaúcha braba e brava, sábia e lutadora, a sugerir-me a temperança na política e no jornalismo, isso num país de política que só se destaca pelo seu lado doentio.
No momento em que escrevo esta crônica, como em quase todos os dias de minha atual maturidade, sua imagem retorna a mim, conselheira: Faça o que lhe cabe, não espere compreensão, agradeça o que chegar e tenha paciência, que o reconhecimento virá, sobretudo quando sua atual vaidade não precisar mais dele e bastar-se com o que faz e com o que é.
Artur da Távola

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Contardo Calligaris

Definitivo.


A turba do "pega e lincha"



Querem linchar para esquecer que ontem voltaram bêbados e não sabem em quem bateram.

NA ÚLTIMA sexta-feira, passei duas horas em frente à televisão. Não adiantava zapear: quase todos os canais estavam, ao vivo, diante da delegacia do Carandiru, enquanto o pai da pequena Isabella estava sendo interrogado.
O pano de fundo era uma turba de 200 ou 300 pessoas. Permaneceriam lá, noite adentro, na esperança de jogar uma pedra nos indiciados ou de gritar "assassinos" quando eles aparecessem, pedindo "justiça" e linchamento.


Mais cedo, outros sitiaram a moradia do avô de Isabella, onde estavam o pai e a madrasta da menina. Manifestavam sua raiva a gritos e chutes, a ponto de ser necessário garantir a segurança da casa. Vindos do bairro ou de longe (horas de estrada, para alguns), interrompendo o trabalho ou o descanso, deixando a família, os amigos ou, talvez, a solidão -quem eram? Por que estavam ali?

A qual necessidade interna obedeciam sua presença e a truculência de suas vozes?
Os repórteres de televisão sabem que os membros dessas estranhas turbas respondem à câmera de televisão como se fossem atores. Quando nenhum canal está transmitindo, ficam tranqüilos, descansam a voz, o corpo e a alma. Na hora em que, numa câmera, acende-se a luz da gravação, eles pegam fogo.


Há os que querem ser vistos por parentes e amigos do bar, e fazem sinais ou erguem cartazes.
Mas, em sua maioria, os membros da turba se animam na hora do "ao vivo" como se fossem "extras", pagos por uma produção de cinema. Qual é o script?
Eles realizam uma cena da qual eles supõem que seja o que nós, em casa, estamos querendo ver. Parecem se sentir investidos na função de carpideiras oficiais: quando a gente olha, eles devem dar evasão às emoções (raiva, desespero, ódio) que nós, mais comedidos, nas salas e nos botecos do país, reprimiríamos comportadamente.

Pelo que sinto e pelo que ouço ao redor de mim, eles estão errados. O espetáculo que eles nos oferecem inspira um horror que rivaliza com o que é produzido pela morte de Isabella.
Resta que eles supõem nossa cumplicidade, contam com ela. Gritam seu ódio na nossa frente para que, todos juntos, constituamos um grande sujeito coletivo que eles representariam: "nós", que não matamos Isabella; "nós", que amamos e respeitamos as crianças -em suma: "nós", que somos diferentes dos assassinos; "nós", que, portanto, vamos linchar os "culpados".
Em parte, a irritação que sinto ao contemplar a turma do "pega e lincha" tem a ver com isto: eles se agitam para me levar na dança com eles, e eu não quero ir. As turbas servem sempre para a mesma coisa. Os americanos de pequena classe média que, no Sul dos Estados Unidos, no século 19 e no começo do século 20, saíam para linchar negros procuravam só uma certeza: a de eles mesmos não serem negros, ou seja, a certeza de sua diferença social.

O mesmo vale para os alemães que saíram para saquear os comércios dos judeus na Noite de Cristal, ou para os russos ou poloneses que faziam isso pela Europa Oriental afora, cada vez que desse: queriam sobretudo afirmar sua diferença.
Regra sem exceções conhecidas: a vontade exasperada de afirmar sua diferença é própria de quem se sente ameaçado pela similaridade do outro.
No caso, os membros da turba gritam sua indignação porque precisam muito proclamar que aquilo não é com eles.
Querem linchar porque é o melhor jeito de esquecer que ontem sacudiram seu bebê para que parasse de chorar, até que ele ficou branco. Ou que, na outra noite, voltaram bêbados para casa e não se lembram em quem bateram e quanto.

Nos primeiros cinco dias depois do assassinato de Isabella, um adolescente morreu pela quebra de um toboágua, uma criança de quatro anos foi esmagada por um poste derrubado por um ônibus, uma menina pulou do quarto andar apavorada pelo pai bêbado, um menino de nove anos foi queimado com um ferro de marcar boi. Sem contar as crianças que morreram de dengue. Se não bastar, leia a coluna de Gilberto Dimenstein na Folha de domingo passado.

A turba do "pega e lincha" representa, sim, alguma coisa que está em todos nós, mas que não é um anseio de justiça. A própria necessidade enlouquecida de se diferenciar dos assassinos presumidos aponta essa turma como representante legítima da brutalidade com a qual, apesar de estatutos e leis, as crianças podem ser e continuam sendo vítimas dos adultos.

CONTARDO CALLIGARIS
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*Eu jurei que não ia comentar sobre o caso Nardoni por aqui, mas depois de ler o Contardo consegui dar voz ao que penso. É isso.
WALY DIAS SALOMÃO
Quem fala de mim tem paixão
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Devenir, devir

Término de leitura
de um livro de poemas
não pode ser o ponto final.

Também não pode ser
a pacatez burguesa do
ponto seguimento.

Meta desejável:
alcançar o
ponto de ebulição.

Morro e transformo-me.

Leitor, eu te reproponho
a legenda de Goethe:
Morre e devém

Morre e transforma-te.
Waly Salomão
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Verborrágico, por vezes polêmico e até contraditório, Waly marcaria para sempre a cena poética com o excelente livro: "Me segura qu’eu vou dar um troço" lançado em 1971. Os poemas presentes no título de estréia foram escritos durante a temporada na prisão, rabiscados na cela que ocupava no Carandiru.

A partir da década de 70, o poeta se tornou uma referência constante na produção artística do país. Criou, junto com Torquato Neto, a emblemática revista Navilouca (1974), marco da poesia alternativa (marginal) brasileira.





"Eu me sinto miscigenado – já que sou filho de uma sertaneja com sírio, mas sou também mixigenado nas técnicas de poesia. Para mim não é só um veio literário, tem outros registros em que estou antenado, que me dizem coisas sobre o mundo e compõem minha poesia."










Acredita que a poesia tenha função transformadora?
É alguma das funções. Eu sempre tenho medo de pomposidade. Acho que a função da poesia não pré-existe ao que você vai fazendo no mundo. O que não se pode aceitar é um mundo constituído e anti-poético e o poeta ficar em um nicho. Tem que abrir brechas, mixigenar. Mesmo que volte para casa como um animal abatido, “um animal ferido”, sem reciprocidade, sem retorno, sem nada. Você tem que continuar batendo nos diversos lugares. Tem que ser corajoso e estar sempre experimentando.



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Amante da Algazarra
Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto.
É ela !!!
Todo mundo sabe, sou uma lisa flor de pessoa,
Sem espinho de roseira nem áspera lixa de folha de figueira.

Esta amante da balbúrdia cavalga encostada ao meu sóbrio ombro
Vixe!!!
Enquanto caminho a pé, pedestre -- peregrino atônito até a morte.
Sem motivo nenhum de pranto ou angústia rouca ou desalento:
Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto
E se apossou do estojo de minha figura e dela expeliu o estofo.

Quem corre desabrida
Sem ceder a concha do ouvido
A ninguém que dela discorde
É esta
Selvagem sombra acavalada que faz versos como quem morde.
Waly Salomão




Como surgiu o poeta Waly Salomão?
Sempre tive esse sonho. Quando estava na escola primária, pedi a minha mãe um bolo de aniversário em forma de livro. Desde que me entendo por gente já me entendo traça de livro. Na mudança da infância para a adolescência ia diariamente à biblioteca de Jequié. Minha irmã falou que hoje a biblioteca é muito ruim porque muitos livros foram roubados. Tenho cadernos – claro que ridículos – do tempo de adolescente em que fazia pequenas resenhas de filmes e livros. Eu lia muito, era comum na minha família, minha mãe sempre leu muito — hoje está com problema de vista. Ela diz que é uma espécie de ética, de caldo cultural. Minha mãe conversava sobre “Guerra e paz,” de Tolstói com os filhos mais velhos, uma irmã e um irmão, como se discute novela de TV, com paixão, com intensidade. Quando saiu “Gabriela Cravo e Canela,” lá em casa tinha três volumes. É um livro maravilhoso. Portanto eu era traça de livro, roía livro. Leio até hoje sem parar.
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já não me habita mais nenhuma utopia. animal em extinção,
quero praticar poesia
–a menos culpada de todas as ocupações.
Waly Salomão







/Vítima de um câncer no intestino, ele morreu na manhã do dia 5 de maio daquele ano, no Rio de Janeiro, aos 59 anos. O corpo foi velado na Biblioteca Nacional e cremado no Cemitério do Caju, ambos no Rio de Janeiro. O poeta era casado com Marta Braga, com quem teve dois filhos: Khalid e Omar, este último também poeta.
E é do filho poeta, Omar, o poema abaixo, feito pela ocasião da morte do pai.
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/Lacuna

Brusco movimento
E como num truque de mágica
A vida se esvai.

Indefeso e aflito
O vazio rasga-me as entranhas
e delas faço poesia.

Vocifero em vão
O som não mais se propaga
Em meu peito.
Omar Salomão
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É dia de Al Pacino.
Pacino nasceu no dia 25 de abril de 1940, em Nova York, EUA. Filho único de Salvatore Pacino, um agente de seguros, e de Rose Pacino. Os pais de Al se divorciaram quando ele tinha apenas 2 anos e ele e sua mãe foram morar com os pais dela num bairro pobre, perto do zoológico do Bronx. Seus avós são da região de Corleone, na Sicília, coincidentemente, o sobrenome do personagem que elevou o nome de Pacino ao status de astro. Mas isso só aconteceria muito mais tarde.


Antes viveria uma infância pobre e superprotegida pelos avós. Tão superprotegido que só saiu a rua sozinho aos 7 anos de idade.
Ainda pequeno interessou-se pelas artes cênicas. Reza a lenda que costumava contar histórias fantasiosas sobre sua vida com riqueza de detalhes. Talvez para fugir da realidade na qual vivia.
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Não foi um aluno brilhante, na verdade era reprovado em todas as matérias, menos inglês. Desmotivado, largou os estudos aos 17 anos e foi tratar da vida. Passou por vários empregos chegando até a ser porteiro do Carnegie Hall.
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A sorte começaria a mudar quando ele começou a fazer bons cursos de teatro. Estudou no Herbert Berghof Studio (N.Y.) e no conceituado Actor's Studio, onde aprendeu bastante com o lendário Lee Strasberg. Foi assim que chamou atenção para si e os convites começaram a surgir.
Sua estréia foi com com "Me, Natalie"(1969) e "Os Viciados"(1971), trabalho para o qual realizou uma intensa pesquisa sobre os hábitos dos usuários de heroína.
Tendo sido muito bem recebido pela crítica, Al Pacino recebeu um convite que mudaria sua vida. Foi convidado para interpretar Michael Corleone em "O Poderoso Chefão"(1972). Com 1,68 de altura, Al, sofreu bastante resistência dos produtores contrários a sua
escalação. Acabou vencendo e convencendo que era capaz de desempenhar papel tão importante.
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Vários sucessos viriam depois. As continuações de "O Poderoso Chefão", "Sérpico", o excelente "Scarface" etc. Mas foi somente em 1992 com o filme "Perfume de Mulher", que Pacino ganharia o merecido Oscar.
Mas Al também ficaria famoso pela recusa de grandes papéis.
Papéis em filmes de sucesso como: "Kramer vs. Kramer"(1979); "Nascido em 4 de Julho" (1989); "Apocalypse Now" (1979); "Uma Linda Mulher" (1990); "Maré Vermelha" (1995); o papel de Han Solo, em "Star Wars". Sobre a recusa em "Apocalipse Now", Pacino alegou que faria qualquer coisa por Francis Ford Coppola, o diretor do filme, menos ir à guerra. E lá se foi mais um belo papel que poderia ser dele.
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Discreto na sua vida pessoal, Al Pacino nunca se casou, mas nem por isso se privou de deixar herdeiros. Com Beverly D'Angelo, teve os gêmeos Anton e Olivia, no início de 2001. Além dos gêmeos, Pacino tem uma outra filha, Julie Marie, fruto de seu relacionamento com a professora de interpretação Jan Tarrant.
Vida longa para Al Pacino.

Meio Ambiente
ou
Seis graus de separação.





pizdaus

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O Cântico da Terra

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda a vida.
[...]
Eu sou a grande Mãe universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás
Cora Coralina

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O post de hoje não pretende ser uma continuação do anterior. Na verdade, eu não vou escrever sobre o que o Hugo falou acerca do meio ambiente. Eu vou escrever sobre pessoas como ele.
Se vocês verificarem os comentários do post anterior, vão ver que o ecoeconomista Hugo Penteado entrevistado por Marília Gabriela de alguma forma veio parar nesse blog e deixou comentários pra lá de generosos.
Vai daí que pensando sobre coincidências, acasos e destino, lembrei de um filme chamado "Seis graus de separação", que na verdade é também uma teoria.
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Do que trata, afinal, a teoria dos seis graus de separação? A premissa desta teoria, também chamada de small world phenomenon, é de que existe uma relação direta entre as pessoas no mundo, através de uma cadeia de relacionamentos de até seis contatos intermediários entre uma pessoa e a outra, mesmo que vivam em lados opostos do mundo. Como exemplo, eu e qualquer leitor deste blog, estaríamos relacionados com um espaço de até seis conhecidos entre nós.


O meu querido amigo Carlos Alberto Teixeira , do Jornal O Globo diz: que tudo começou com Marconi, inventor do telégrafo, ao afirmar que depois que o telégrafo fosse difundido, seria possível encontrar qualquer pessoa no planeta, conectando-se a 5,83 pessoas. Arredondando os números, eis os famosos seis graus.
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Verdade ou não, essa teoria é a prova de que o mundo é literalmente uma alcaparra.
Sendo assim, estamos inexoravelmente interligados. Somos elos de uma mesma corrente. Estamos juntos nessa querendo ou não. De alguma forma, o que se faz hoje, agora, nesse minuto vai repercutir em algum lugar na vida de alguém, seja esse "alguém" vegetal, animal ou mineral.
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Tomando-se consciência disso, imediatamente nos tornamos responsáveis de fato por nossas atitudes. Estamos vinculados, como bem disse o Hugo algumas vezes durante a entrevista.
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Para a minha sorte, zapeando a TV a Cabo, a entrevista do Hugo conseguiu prender minha atenção e acabou gerando um post totalmente descompromissado, mas muito interessado em conseguir colocar por escrito o que ouvi dele e que tanto mexeu comigo no que diz respeito a esse assunto: o meio ambiente. Depois ele veio parar aqui, comentou, mandou email, foi acessível e generoso.
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Seis graus de Separação? Talvez, e é um privilégio ver que essa teoria vem se desenhando há tempos. Desde do Direito Ambiental na faculdade, depois o fato de morar num lugar onde o mar circunda a casa. O mesmo mar onde aprendi a nadar, onde mergulhei tantas vezes para tirar o lixo do fundo. Com um imenso quintal onde aprendi a ter amor pelos seres vivos com uma mãe que era incapaz de matar qualquer um deles. Com um irmão de apropriado nome Francisco que desde pequeno recolhia na rua os bichinhos que via abandonado. E mais recentemente ter conhecido um ambientalista de Resende, para então chegar a essa entrevista e ao cara bacana que o Hugo é.

Seis graus de separação? Não, acho que diante disso tudo, não cabe a palavra separação nem que seja para explicar uma teoria. Nesse caso, só vale a união que gera a força capaz de provocar mudanças, renovar crenças, resgatar o contato ancestral com a natureza e a certeza de que a nossa Pátria é o planeta.
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"Eu sempre sonho que uma coisa gera,
nunca nada está morto.
O que não parece vivo, aduba.
O que parece estático, espera."
Adélia Prado
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Está em nossas mãos.

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* Em tempo: De agora em diante este blog está a disposição do Hugo e por consequência do Planeta para posts sobre o meio ambiente e afins. Ecochatos, xiitas, visionários ameaçadores e previsões do fim do mundo estão fora. Dá gastura só de pensar nessas pessoas e em como tratam o assunto. Em geral possuem uma habilidade toda especial para afastar pessoas, criar uma atmosfera contrária a tudo e todos que se mobilizam de verdade na tentativa de parar, minimizar e afastar o caos. Todos os outros serão bem-vindos. 0:)