(...)
"Amar também é bom: porque o amor é difícil. O amor de duas criaturas humanas talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta, a maior e última prova, a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação. Por isso, pessoas jovens que ainda são estreantes em tudo, não sabem amar: tem que aprendê-lo. Com todo o seu ser, com todas as suas forças concentradas em seu coração solitário, medroso e palpitante, devem aprender a amar. Mas a aprendizagem é sempre uma longa clausura. Assim, para quem ama, o amor, por muito tempo e pela vida afora, é solidão, isolamento cada vez mais intenso e profundo. O amor, antes de tudo, não é o que se chama entregar-se, confundir-se, unir-se a outra pessoa. Que sentido teria, com efeito, a união com algo não esclarecido, inacabado, dependente? O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo em si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser; é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamado para longe."
(...)

Rainer Maria Rilke, in Cartas a um jovem poeta.



"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."

Carlos Drummond de Andrade






"Amar é como pegar uma arma e declarar: Tome. Só você pode me machucar."
Antonio Gala





(...) Mas duas pessoas não se equilibram muito tempo lado a a lado, cada qual com seu silêncio; um dos silêncios acaba sugando o outro, e foi quando me voltei para ela, que de mim não se apercebia. Segui observando seu silêncio, decerto mais profundo que o meu, e de algum modo mais silencioso. E assim permanecemos outra meia hora, ela dentro de si e eu imerso no silêncio dela, tentando ler seus pensamentos depressa, antes que virassem palavras húngaras. (...)
Chico Buarque, in Budapeste




Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa


Sophia de Mello Breyner Andresen





dos diários

...às vezes penso que sou posterior a tudo, de alguma forma, chego sempre quando há uma ordem pré-estabelecida e dá uma tristeza profunda de inadequação no tempo e nos aBRAÇOS que não são destinos meus. Queria você limpo como folha branca, para que pudesse me escrever inscrever por dentro da sua pele, palavras soltas, livres, como toda palavra e a vida devem ser. Seria como um lar que não fosse de madeira, pedra ou tijolo, a sensação de retorno, ainda que fosse no meio da sua história, dentro do espaço de um pensamento só meu, nada que pudesse ser dividido que não entre nós dois
e lá fora, apesar da chuva constante
seria sol.

andrea augusto©angelblue83 - 04/07- Fonte da Saudade.

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