25 anos da estreia de Anos Incríveis

Sou suspeita para falar dessa série, eu amava de paixão. Adorava a voz em off narrando os sentimentos de Kevin, era pura poesia. Um dia ainda consigo os episódios completos em DVD. Tenho fé! Isso sem falar na trilha sonora  que era simplesmente maravilhosa.
 
 
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25 anos da estreia de Anos Incríveis
 
No dia 31 de janeiro de 1988 estreava nos Estados Unidos uma das séries mais cativantes de todos os tempos: Anos Incríveis. Criada por Carol Black e Neal Marlens, era ambientada no final dos anos 60 e início dos anos 70, era centrada na família do jovem Kevin Arnold, um garoto típico suburbano norte-americano que era apaixonado pela vizinha que morava ao lado, sofria nas mãos do irmão do meio, tentava entender a cabeça da irmã mais velha e sempre era auxiliado pelo melhor amigo.
Além dos problemas que todos sofrem durante a passagem da infância para a adolescência, a série abordava as transformações sociais e políticas daquele período nos Estados Unidos. Difícil não se identificar com os personagens e seus dramas, apesar da diferença entre países e estilos de vida. A trilha sonora impecável foi outro dos grandes destaques da série, a começar pela música de abertura: a versão de Joe Coker para "With a Little Help From My Friends", dos Beatles. O seriado foi exibido pela ABC entre 1988 e 1993. No Brasil, Anos Incríveis foi transmitido pela TV Cultura, Rede Bandeirantes, Canal 21 e Multishow.
Duas curiosidades sobre a série: O comediante Daniel Ster (o bandido parceiro de Joe Pesci em "Esqueceram de Mim 1 e 2") fazia a voz do adulto Kevin Arnold, que narrava todos os episódios da série. Josh Saviano, o amigo Paul Pfiffer, NÃO é o Marilyn Manson, como muitos acreditavam.
Personagens e atores:
Kevin Arnold (Fred Savage)

Caçula da família Arnold, estudante mediano, apaixonado pela vizinha Winnie Cooper e melhor amigo de Paul Pfifer. Narrador e personagem principal da série que tenta acompanhar os efeitos das mudanças sociais e políticas dos Estados Unidos durante a sua infância e asolescência.
Fred Savage atuou em filmes pequenos, estrelou outra série, porém sem sucesso. Atualmente foi para trás das câmeras e trabalha como produtor e diretor. Dirigiu o filme "Acampamento do Papai" e episódios de séries como "It's Always Sunny in Philadelphia", "Franklin & Bash", "Happy Endings", "Modern Family" e "2 Broke Girls". 
Winnie Cooper (Danica Mckeller)


Vizinha e grande amor de Kevin Arnold. Sua vida sofre uma grande transformação após o irmão morrer na guerra do Vietnã.
Depois de Anos Incríveis, Danica participou de filmes pequenos e se dedicou a faculdade de Matemática. Escreveu um livro para meninas sobre o tema e apareceu recentemente em um episódio de The Big Bang Theory. 
Paul Pfeiffer (Josh Saviano)


Melhor amigo de Kevin Arnold. Judeu, inteligente e alérgico a praticamente tudo, Paul era o braço direito de Kevin e sempre esteve presente quando o amigo mais precisava.
Josh Saviano abandonou a TV após a série. Fez raríssimas participações em programas e se formou em direito, assim como o seu personagem em Anos Incríveis. 
Jack Arnold (Dan Lauria)


O patriarca da família Arnold é o típico adulto dos anos 60. Veterano da Guerra da Coréia, disciplinador, cara de poucos amigos e centralizador. No começo da série ocupava uma posição mediana na Norcom. Com o passar dos anos começa seu próprio negócio construindo e vendendo mobília feita a mão.
Dan Lauria nunca parou de atuar. Sempre fazendo papéis pequenos em filmes pequenos e participações em séries de sucesso. Atualmente interpreta Jack Sullivan na série Sullivan & Son.
Norma Arnold (Alley Mills)


Mãe de Kevin e dona-de-casa. Abandonou a faculdade para casar com Jack Arnold. Típica dona-de-casa que cansada da vida doméstica começa a despertar com as mudanças sociais da época.
Alley Mills participou de alguns projetos depois de Anos Incríveis, atuando em filmes menores. Atualmente está no elenco da novela The Bold and the Beautiful, interpretando Pamela Douglas. 
Karen Arnold (Olivia d'Abo)


Irmã mais velha de Kevin. Hippie e totalmente independente para desespero do ultra-conservador Jack Arnold. Depois de viver em comunidade com outros hippies ela se casa e muda para o Alasca.
Olivia d'Abo participou de filmes e séries após Anos Incríveis e emprestou sua voz para animações como Lanterna Verde: Primeiro Vôo, Star Wars: The Clone Wars - Republic Heroes, Star Wars: The Clone Wars - Republic Heroes e Generator Rex. 
Wayne Arnold (Jason Hervey) 


Filho do meio e irmão mais velho de Kevin, típico adolescente idiota que se diverte torturando fisicamente e psicologicamente Kevin e Paul. De inteligência mediana para baixo, se alista no exército, mas não é aceito por um pequeno problema físico. Vai trabalhar com o pai na nova empresa e assume os negócios da família após a morte de Jack.
Jason Hervey depois de Anos Incríveis não fez nada relativamente grande na televisão, ampliou seu trabalho atuando como relações públicas, se envolveu no segmento de Luta Livre e atualmente comanda uma produtora de vídeo.
Fonte: Daqui.

Uma DIVA até o fim.






 
Ela foi a musa de Hubert de Givenchy - mas o designer de sapatos Salvatore Ferragamo também caiu aos seus pés. Tanto que criou uma sapatilha em sua homenagem na década de 1950. Com o corpo delgado, fora dos padrões hollywoodianos da época, Audrey Hepburn conseguiu se impor como referência de beleza e elegância, quando o que importava eram as curvas generosas de Marylin Monroe e Kim Novak. Passados vinte anos de sua morte, no dia 20 de janeiro de 1993, a atriz nascida na Bélgica continua aclamada como um dos maiores ícones do cinema e seu estilo atemporal ainda influencia a moda em pleno século XXI.

— Ela era uma espécie de editorial de moda em movimento. A imagem dela é impecável até hoje: extremamente cuidadosa, relevante, moderna e elitizada. Nada que ela usou envelheceu — diz a consultora de moda Costanza Pascolato.
O involuntário porte de modelo da atriz, que nasceu em maio de 1929, foi mesmo fruto da genética e de um período de subnutrição durante a Segunda Guerra Mundial. Audrey morava em uma pequena cidade na Holanda no período da ocupação nazista no país. Era filha de uma baronesa holandesa e um banqueiro inglês, que abandonou a família quando Audrey tinha seis anos.
Alguns dos looks que usou nas superproduções hollywoodianas continuam até hoje no imaginário coletivo, principalmente os criados por Givenchy. Quem não lembra do clássico tubinho preto em “Bonequinha de Luxo” (1961)? O vestido foi considerado um das peças mais icônicas do cinema, e uma cópia foi leiloada pela Christie’s, em 2006, por cerca de US$ 920 mil. Isso sem falar no comentadíssimo decote reto do modelito usado em “Sabrina” (1954), que marcou o início da parceria entre a atriz e o estilista.
Audrey já era dona de um Oscar quando bateu à porta do estilista francês. Conta-se que o costureiro esperava que a Ms. Hepburn agendada fosse Katharine — a estrela dos filmes “Levada da Breca” e “Adivinhe Quem Vem para Jantar”. Depois de “Sabrina”, Audrey Hepburn vestiu a maison em mais 15 filmes, entre 1953 e 1979. O fascínio pela diva era tanto que a grife francesa dedicou a ela uma das suas fragrâncias mais célebres — L’Interdit, criada em 1957. O perfume foi reeditado em 2002.
— A relação deles era muito além de profissional, eram confidentes, amigos de verdade. Ela notabilizou as criações dele na América — diz Costanza.

Entre piscinas, closets e filantropia
Audrey gostava de moda (não tanto quanto de chocolates) e o mundo fashion, diga-se de passagem, sempre a amou. Em 1999, a maison Ferragamo montou a exposição “Audrey Hepburn: A Woman, The Style”, com peças imortalizadas pela atriz, no museu da grife, em Florença. Entre os seus criadores favoritos estava Valentino, que lhe foi apresentado no período em que morou em Roma, em 1968. “Algumas pessoas sonham em ter uma piscina enorme. Eu sonho com closets”, declarou ao jornal “The New York Times”, em 1965.
— Audrey foi uma das mais mulheres mais elegantes do século XX, tanto que foi exemplo para Maria Callas. Inspirada no seu visual requintado e esguio, a soprano fechou a boca, emagreceu e começou a usar Givenchy. E sempre admitiu a influência — conta Evânio Alves, autor do livro “As divas na cozinha — Histórias e receitas das estrelas da música e do cinema”.
Mesmo circulando pelo jet set dos Estados Unidos e da Europa, a “Cinderela” um dia expandiu seus horizontes e colocou os pés onde nem os filmes de Hollywood costumavam chegar. A partir de 1988, passou a se dedicar ao trabalho de Embaixadora da Boa Vontade da Unicef, viajando por mais de vinte países na África, Ásia e América Latina. Suas peregrinações por comunidades pobres durou até poucos meses antes de sua morte, quando perdeu a guerra contra um câncer de cólon. Audrey morreu em sua casa na Suíça, ao lado dos dois únicos filhos, Sean e Luca, frutos de seus dois casamentos. “A obrigação humana é ajudar as crianças que sofrem. O resto é luxo”, disse Audrey ao jornal “The Independent”, em 1992. Com elegância, Audrey Hepburn soube transitar entre esses dois mundos.


Fonte: aqui

Os dias escuros - Carlos Drummond de Andrade

A atualidade desse texto de 1966 é incrível. A história não muda quando nada é mudado, apenas se repete.





Imagem das chuvas em 1966 (Fonte:reprodução/jorwiki.usp.br)

 

‘Os dias escuros’, por Drummond

Texto publicado no extinto jornal 'Correio da Manhã' no dia 14 de janeiro de 1966 - por Carlos Drummond de Andrade

 
Amanheceu um dia sem luz — mais um — e há um grande silêncio na rua. Chego à janela e não vejo as figuras habituais dos primeiros trabalhadores. A cidade, ensopada de chuva, parece que desistiu de viver. Só a chuva mantém constante seu movimento entre monótono e nervoso. É hora de escrever, e não sinto a menor vontade de fazê-lo. Não que falte assunto. O assunto aí está, molhando, ensopando os morros, as casas, as pistas, as pessoas, a alma de todos nós. Barracos que se desmancham como armações de baralho e, por baixo de seus restos, mortos, mortos, mortos. Sobreviventes mariscando na lama, à pesquisa de mortos e de pobres objetos amassados. Depósito de gente no chão das escolas, e toda essa gente precisando de colchão, roupa de corpo, comida, medicamento. O calhau solto que fez parar a adutora. Ruas que deixam de ser ruas, porque não dão mais passagem. Carros submersos, aviões e ônibus interestaduais paralisados, corrida a mercearias e supermercados como em dia de revolução. O desabamento que acaba de acontecer e os desabamentos programados para daqui a poucos instantes.

Este, o Rio que tenho diante dos olhos, e, se não saio à rua, nem por isso a imagem é menos ostensiva, pois a televisão traz para dentro de casa a variada pungência de seus horrores.

Sim, é admirável o esforço de todo mundo para enfrentar a calamidade e socorrer as vítimas, esforço que chega a ser perturbador pelo excesso de devotamento desprovido de técnica. Mas se não fosse essa mobilização espôntanea do povo, determinada pelo sentimento humano, à revelia do governo incitando-o à ação, que seria desta cidade, tão rica de galas e bens supérfluos, e tão miserável em sua infraestrutura de submoradia, de subalimentação e de condições primitivas de trabalho? Mobilização que de certo modo supre o eterno despreparo, a clássica desarrumação das agências oficiais, fazendo surgir o improviso, entre a dor, o espanto e a surpresa, uma corrente de afeto solidário, participante, que procura abarcar todos os flagelados.

Chuva e remorso juntam-se nestas horas de pesadelo, a chuva matando e destruindo por um lado, e, por outro, denunciando velhos erros sociais e omissões urbanísticas; e remorso, por escondê-lo? Pois deve existir um sentimento geral de culpa diante de cidade tão desprotegida de armadura assistencial, tão vazia de meios de defesa da existência humana, que temos o dever de implantar e entretanto não implantamos, enquanto a chuva cai e o bueiro entope e o rio enche e o barraco desaba e a marte se instala, abatendo-se de preferência sobre a mão de obra que dorme nos morros sob a ameaça contínua da natureza; a mão de obra de hoje, esses trabalhadores entregues a si mesmos, e suas crianças que nem tiveram tempo de crescer para cumprimento de um destino anônimo.

No dia escuro, de más notícias esvoaçando, com a esperança de milhões de seres posta num raio de sol que teima em não romper, não há alegria para a crônica, nem lhe resta outro sentido senão o triste registro da fragilidade imensa da rica, poderosa e martirizada cidade do Rio de Janeiro.