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Consciência pode curar?
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(...) Senhora já próxima dos 50 anos, alimentava como grande sonho de vida encontrar um homem com quem pudesse casar-se.

(...) A meu ver, sua criança interior encontrava-se totalmente paralisada, em pânico mesmo. Desejava desesperadamente encontrar afeto, mas algo em seu inconsciente proibia-a de buscá-lo na prática (reflexos provavelmente de uma infância marcada por rejeições, abandono ou violências sofridas).

A espontaneidade da criança havia cedido lugar à sensação de absoluta impotência. A qual, por sua vez, era compensada por devaneios a respeito da chegada do homem - pai perfeito, que a libertaria daquele isolamento tão doloroso. É claro que em torno deste núcleo carente, havia se desenvolvido uma casca protetora de auto suficiência e orgulho. Reconhecer que precisava de ajuda seria uma declaração de derrota.

(...) Nessas situaçãoes, sabemos, a confiança na existência é absolutamente inócua. Precisamos é de confiança em nós mesmos, para romper com a apatia e o conformismo.

Casos como este não são raros. Enquanto houver inconsciente, estaremos todos nós, vez por outra, esbarrando em nossa própria sombra, míopes para lidar com o que realmente acontece, uma ferida não cicatrizada sofrida por nossa criança interior.

(...) Por quê insistimos em respostas antigas, condicionadas, se as situações que se apresentam são novas? Segundo Bradshaw, porque a dor da situação original nunca foi usada, conscientizada nem muito menos liberada: nossos mecanismos de defesa simplesmente nos impedem de saber que esta dor ao menos existe.

(...) As pessoas com vidas adultas aparentemente racionais podem também estar levando uma vida de tempestades emocionais. Suas tempestades continuam, porque sua dor original não foi encarada.

(...) Suportar tal pressão por tantos anos só é possível porque a mente alimenta o vazio interior com doses regulares de argumentos aparentemente lógicos. No exemplo da senhora casadoira pode ser: "o homem certo ainda não apareceu", "nem todo mundo é feliz no amor", "antes só do que mal acompanhado", "se tiver que acontecer, acontecerá" e inúmeras jóias semelhantes.

Tudo para calar a voz da criança ferida, que pede ação objetiva, que pede ajuda concreta.

Trechos d'O Caminho do Mago, de Veet Vivarta
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Pois é...

3 comentários:

    Absolutamente este tipo de situação aconteceu várias vezes na minha vida, Anja. Não é agradável lutar contra o que a consciência revela. E é um baita desafio... aff... talvez, de alguma forma, meu último texto, "O Sombrio", reflita um pouco disso.

    Ei, peguei Depois do Vendaval, na semana passada. Tem John Wayne dirigido por John Ford. Nem deve ser bom... eh eh eh!

    Beijão pra tiiiiiiii! :D

    Muito verdadeiro, o texto de Veet Vivarta (que eu não conhecia, é um psicanalista hindu-americano?). E tanta gente vive toda uma vida sem atender às necessidades da "criança ferida"!...
    Beijo grande pra você.

    Interessante teoria. Fiquei até curiosa para ler o texto completo. :) Bjos!