Funeral Blues - W. H. Auden


2022 Miria - 09/10/2022



Cyntia - 12/09/2022


Hoje, como no poema de Auden, gostaria que os relógios parassem, que os telefones ficassem mudos, que tudo fosse silêncio no mundo. O mesmo silêncio que tomou conta de mim essa semana.
Duas amigas se foram, com elas parte da minha história se tornou lembrança.
Não sei como continuar sem a gargalhada de Cyntia, sem a animação de Miria. Como se vive no dia a dia quando uma parte se vai? 
Já perdi tantos e tantas foram as dores pelo meio do caminho que um dia cheguei a pensar que não doeria tanto,  mas nada disso te prepara, nada apazigua a dor da perda repentina.
Pensar que nunca mais escutarei a voz, o riso, os papos do dia a dia, nada mais como antes, dá um vazio tão grande. 
Acho que Drummond resumiu bem esse sentimento ao dizer:

"Viver é saudade prévia...plantamos hoje a saudade de amanhã."

Agora só me resta a saudade.


Funeral Blues


Parem todos os relógios, desliguem o telefone

Impeçam o cão de latir com um osso suculento

Silenciem os pianos e com tambor abafado

Tragam o caixão, deixem as carpideiras vir


Deixem os aviões gemendo

rabiscarem no céu a mensagem Ele Está Morto

Ponham laços de crepe nos pescoços brancos

das pombas de rua

Deixem os guardas de trâsito usarem

luvas pretas de algodão


Ele era o meu norte, meu sul, meu leste e oeste

Minha semana de trabalho e meu descanso de domingo

Meu meio-dia, minha meia-noite

minha conversa, minha canção

Pensei que o amor ia durar para sempre

eu estava errado


As estrelas já não são necessárias

joguem fora cada uma

Embrulhem a lua e desmantelem o sol

Esvaziem o oceano e varram a floresta

Pois nada mais agora pode ter algum valor


W. H. Auden

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