RIP Belchior


Poeta.




A geração que encontrou o sucesso no pedido de demissão.

Fantástico texto sobre: como você pretende tornar sua vida em uma experiencia única?  





A GERAÇÃO QUE ENCONTROU O SUCESSO NO PEDIDO DE DEMISSÃO

O cenário é mais ou menos esse: amigo formado em comércio exterior que resolveu largar tudo para trabalhar num hostel em Morro de São Paulo, amigo com cargo fantástico em empresa multinacional que resolveu pedir as contas porque descobriu que só quer fazer hambúrguer, amiga advogada que jogou escritório, carrão e namoro longo pro alto para voltar a ser estudante, solteira e andar de metrô fora do Brasil, amiga executiva de um grande grupo de empresas que ficou radiante por ser mandada embora dizendo “finalmente vou aprender a surfar”.
Você pode me dizer “ah, mas quero ver quanto tempo eles vão aguentar sem ganhar bem, sem pedir dinheiro para os pais.”. Nada disso. A onda é outra. Venderam o carro, dividem apartamento com mais 3 amigos, abriram mão dos luxos, não ligam de viver com dinheiro contadinho. O que eles não podiam mais aguentar era a infelicidade.
Engraçado pensar que o modelo de sucesso da geração dos nossos avós era uma família bem estruturada. Um bom casamento, filhos bem criados, comida na mesa, lençóis limpinhos. Ainda não havia tanta guerra de ego no trabalho, tantas metas inatingíveis de dinheiro. Pessoa bem sucedida era aquela que tinha uma família que deu certo.
E assim nossos avós criaram os nossos pais: esperando que eles cumprissem essa grande meta de sucesso, que era formar uma família sólida. E claro, deu tudo errado. Nossos pais são a geração do divórcio, das famílias reconstruídas (que são lindas, como a minha, mas que não são nada do que nossos avós esperavam). O modelo de sucesso dos nossos avós não coube na vida dos nossos pais. E todo mundo ficou frustrado.
Então nossos pais encontraram outro modelo de sucesso: a carreira. Trabalharam duro, estudaram, abriram negócios, prestaram concurso, suaram a camisa. Nos deram o melhor que puderam. Consideram-se mais ou menos bem sucedidos por isso: há uma carreira sólida? Há imóveis quitados? Há aplicações no banco? Há reconhecimento no meio de trabalho? Pessoa bem sucedida é aquela que deu certo na carreira.
E assim nossos pais nos criaram: nos dando todos os instrumentos para a nossa formação, para garantir que alcancemos o sucesso profissional. Nos ensinaram a estudar, investir, planejar. Deram todas as ferramentas de estudo e nós obedecemos. Estudamos, passamos nos processos seletivos, ocupamos cargos. E agora? O que está acontecendo?
Uma crise nervosa. Executivos que acham que seriam mais felizes se fossem tenistas. Tenistas que acham que seriam mais felizes se fossem bartenders. Bartenders que acham que seriam mais felizes se fossem professores de futevôlei.
Percebemos que o sucesso profissional não nos garante a sensação de missão cumprida. Nem sabemos se queremos sentir que a missão está cumprida. Nem sabemos qual é a missão. Nem sabemos se temos uma missão. Quem somos nós?
Nós valorizamos o amor e a família. Mas já estamos tranquilos quanto a isso. Se casar tudo bem, se separar tudo bem, se decidir não ter filhos tudo bem. O que importa é ser feliz. Nossos pais já quebraram essa para a gente, já romperam com essa imposição. Será que agora nós temos que romper com a imposição da carreira?
Não está na hora de aceitarmos que, se alguém quiser ser CEO de multinacional tudo bem, se quiser trabalhar num café tudo bem, se quiser ser professor de matemática tudo bem, se quiser ser um eterno estudante tudo bem, se quiser fazer brigadeiro para festas tudo bem?
Afinal, qual o modelo de sucesso da nossa geração?
Será que vamos continuar nos iludindo achando que nossa geração também consegue medir sucesso por conta bancária? Ou o sucesso, para nós, está naquela pessoa de rosto corado e de escolhas felizes? Será que sucesso é ter dinheiro sobrando e tempo faltando ou dinheiro curto e cerveja gelada? Apartamento fantástico e colesterol alto ou casinha alugada e horta na janela? Sucesso é filho voltando de transporte escolar da melhor escola da cidade ou é filho que você busca na escolinha do bairro e para para tomar picolé de uva com ele na padaria?
Parece-me que precisamos aceitar que nosso modelo de sucesso é outro. Talvez uma geração carpe diem. Uma geração de hippies urbanos. Caso contrário não teríamos tanta inveja oculta dos amigos loucos que “jogaram diploma e carreira no lixo”. Talvez- mera hipótese- os loucos sejamos nós, que jogamos tanto tempo, tanta saúde e tanta vida, todo santo dia, na lata de lixo.
Ruth Manus

















Que venha 2017!!




O LAÇO E O ABRAÇO
(Mário Quintana)


"Meu Deus! Como é engraçado!
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas. Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço. E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando... devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita. Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços. E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço. Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!"

Feliz Natal!


 Por um Natal com mais amor e menos desigualdade!
Que todos sejam acolhidos com amor e dignidade em qualquer País, em um simples abraço ou dentro dos corações.

Feliz Natal!!!




Para sempre Gullar.


Quarto dos 11 filhos do casal Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart, ele nasceu José Ribamar Ferreira no dia 10 de setembro de 1930 em São Luiz, no Maranhão. No início da década de 1950, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde, em 1956, participou da exposição concretista que é considerada o marco oficial do início da poesia concreta. Três anos depois criou, com Lígia Clark e Hélio Oiticica, o neoconcretismo, que valoriza a expressão e a subjetividade em oposição ao concretismo ortodoxo.

Militante do Partido Comunista, exilou-se na década de 1970, durante a ditadura militar, e viveu na União Soviética, na Argentina e Chile. Retornou ao país em 1977 e foi preso por agentes do Departamento de Polícia Política e Social no dia seguinte ao desembarque, no Rio. Foi libertado depois de 72 horas de interrogatório graças à intervenção de amigos junto a autoridades do regime. Depois disso, retornou aos poucos às atividades de critico, escritor e jornalista.

Eleito em 2014 para a Academia Brasileira de Letras, colecionava uma vasta lista de prêmios. Em 2002, foi indicado por nove professores dos Estados Unidos, do Brasil e de Portugal para o Prêmio Nobel de Literatura. Em 2007, seu livro "Resmungos" ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro de ficção do ano. A obra, editada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, reúne crônicas de Gullar publicadas no jornal Folha de S. Paulo ao longo de 2005.


Em 2010, foi agraciado com o Prêmio Camões, o mais importante prêmio literário da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. No mesmo ano, foi contemplado com o título de Doutor Honoris Causa na Faculdade de Letras da UFRJ. Um ano depois ganhou o Prêmio Jabuti com o livro de poesia "Em alguma parte alguma".


FERREIRA  GULLAR



















'Não há vagas'
O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
– porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira.
'Os mortos'
os mortos vêem o mundo
pelos olhos dos vivos
eventualmente ouvem,
com nossos ouvidos,
certas sinfonias
algum bater de portas,
ventanias
Ausentes
de corpo e alma
misturam o seu ao nosso riso
se de fato
quando vivos
acharam a mesma graça
'Minha medida'
Meu espaço é o dia
de braços abertos
tocando a fímbria de uma e outra noite
o dia
que gira
colado ao planeta
e que sustenta numa das mãos a aurora
e na outra
um crepúsculo de Buenos Aires
Meu espaço, cara,
é o dia terrestre
quer o conduzam os pássaros do mar
ou os comboios da Estrada de Ferro Central do Brasil
o dia
medido mais pelo pulso
do que
pelo meu relógio de pulso
Meu espaço — desmedido —
é o nosso pessoal aí, é nossa
gente,
de braços abertos tocando a fímbria
de uma e outra fome,
o povo, cara,
que numa das mãos sustenta a festa
e na outra
uma bomba de tempo.

FERREIRA GULLAR
10 de setembro de 1930
4 de dezembro de 2016

De volta pra casa do Pai.




28/11/2016 - 71 mortos 
Força CHAPE!!!

RIP - El Comandante - Fidel


13 de agosto de 1926 
25 de novembro de 2016

Vitória de Trump ou Uma imagem vale mais que mil palavras...



sem mais para hoje - 09/11

Flávio Gikovate - 1943 - 2016







O amor como meio, não como fim

- É hora de substituir o ideal romântico do amor, que basta em si mesmo (por isso não dura), por uma relação que traga crescimento individual.

Há algo de errado na forma como temos vivido nossas relações amorosas. Isso é fácil de ser constatado, pois temos sofrido muito por amor. Se o que anda bem tem que nos fazer felizes, o sofrimento só pode significar que estamos numa rota equivocada.

Desde crianças, aprendemos que o amor não deve ser objeto de reflexão e de entendimento racional; que deve ser apenas vivenciado, como uma mágica fascinante que nos faz sentir completos e aconchegados quando estamos ao lado daquela pessoa que se tornou única e especial.

Aprendemos que a mágica do amor não pode ser perturbada pela razão, que devemos evitar esse tipo de “contaminação” para podermos usufruir integralmente as delícias dessa emoção – só que não tem dado certo.

Vamos tentar, então, o caminho inverso: vamos pensar sobre o tema com sinceridade e coragem. Conclusões novas, quem sabe, nos tragam melhores resultados.

Vamos nos deter em apenas uma das ideias que governam nossa visão do amor.

Imaginamos sempre que um bom vínculo afetivo significa o fim de todos os nossos problemas. Nosso ideal romântico é assim: duas pessoas se encontram, se encantam uma com a outra, compõem um forte elo, de grande dependência, sentem-se preenchidas e completas e sonham em largar tudo o que fazem para se refugiar em algum oásis e viver inteiramente uma para a outra usufruindo o aconchego de ter achado sua “metade da laranja”. Nada parece lhes faltar.

Tudo o que antes valorizavam – dinheiro, aparência física, trabalho, posição social etc. – parece não ter mais a menor importância. Tudo o que não diz respeito ao amor se transforma em banalidade, algo supérfluo que agora pode ser descartado sem o menor problema.

Sabemos que quem quis levar essas fantasias para a vida prática se deu mal. Com o passar do tempo, percebe-se que uma vida reclusa, sem novos estímulos, somente voltada para a relação amorosa, muito depressa se torna tediosa e desinteressante.

Podemos sonhar com o paraíso perdido ou com a volta ao útero, mas não podemos fugir ao fato de que estamos habituados a viver com certos riscos, certos desafios. Sabemos que eles nos deixam em alerta e intrigados; que nos fazem muito bem.

De certa forma, a realização do ideal romântico corresponde à negação da vida. Visto por esse ângulo, o amor é a antivida, pois em nome dele abandonamos tudo aquilo que até então era a nossa vida.

No primeiro momento até podemos achar que estamos fazendo uma boa troca, mas rapidamente nos aborrecemos com o vazio deixado por essa renúncia à vida. A partir daí, começa a irritação com o ser amado, agora entendido como o causador do tédio, como uma pessoa pouco criativa e desinteressante.

O resultado todos conhecemos: o casal rompe e cada um volta à sua vida anterior, levando consigo a impressão de ter falido em seus ideais de vida.

Os doentes acham que a saúde é tudo. Os pobres imaginam que o dinheiro lhes traria toda a felicidade sonhada. Os carentes – isto é, todos nós – acham que o amor é a mágica que dá significado à vida. O que nos falta aparece sempre idealizado, como o elixir da longa vida e da eterna felicidade.

Diariamente, porém, a realidade nos mostra que as coisas não são assim, e acho importante aprendermos com ela. Nossas concepções têm de se basear em fatos, nossos projetos têm que estar de acordo com aquilo que costuma dar certo no mundo real.

Fantasias e sonhos, ao contrário, têm origem em processos psíquicos ligados à lembranças e frustrações do passado.

É importante percebermos que o que poderia ser uma ótima solução aos seis meses de idade, como voltar ao útero materno, será ineficaz e intolerável aos 30 anos. A bicicleta que eu não tive aos 7 anos, por exemplo, não irá resolver nenhum dos meus problemas atuais.

É preciso parar de sonhar com soluções que já não nos satisfazem e adaptar nossos sonhos à realidade da condição de vida adulta.

Se é verdade, então, que o amor nos enche de alegria, vitalidade e coragem – e isso ninguém contesta -, por que não direcionar essa nova energia para ativar ainda mais os projetos nos quais estamos empenhados?

Quando amamos e nos sentimos amados por alguém que admiramos e valorizamos, nossa auto-estima cresce, nos sentimos dignos e fortes. Tornamo-nos ousados e capazes de tentar coisas novas, tanto em relação ao mundo exterior como na compreensão da nossa subjetividade.

Em vez de ser um fim em si mesmo, o amor deveria funcionar como um meio para o aprimoramento individual, nos curando das frustrações do passado e nos impulsionando para o futuro. Casais que conseguem vivê-lo dessa maneira crescem e evoluem e, sob essa condição, seu amor se renova e se revitaliza.

Flávio Gikovate
11/01/1943 - 13/10/2016










Amizade - Leandro Karnal



Leandro Karnal

28 Agosto 2016 | 02h00

João deitou a cabeça no peito de Jesus. Era a confiança absoluta no Mestre durante a última ceia. Poucas horas depois, o gesto era retribuído e magnificado: Jesus entregou-lhe a guarda da pessoa mais importante. “Filho, eis aí tua mãe”. A cena sob a Cruz mostra algo sublime: a amizade tornara João parte da família. 

Amizades surgem entre pessoas que se admiram. A estreita relação entre os filósofos Montaigne e Étienne de la Boétie resulta numa das mais belas frases já escritas sobre este tipo de afeto. Nos seus ensaios, o nobre tenta explicar por que amava La Boétie. Só consegue dizer que a causa central era “porque era ele, porque era eu”. O autor dos Ensaios reconhece que, na especificidade absoluta do outro, está a chave da fusão elevada a que chamamos amizade. 

A cabeça pendente de João e a afirmação de Montaigne mostram que a amizade encontra um campo além da razão: algo entre a fraternidade adotada e a entrega ao mistério da afinidade afetiva. Fraternidade adotada porque o amigo torna-se um irmão por desejo recíproco. O mistério da afinidade afetiva porque, diante do amigo, torno-me, de fato, quem sou. Não existe uma racionalidade que abarque isso. A amizade é uma epifania lenta. 

Há pedras no caminho. Amigos também possuem egos e as circunstâncias, por vezes, sufocam tudo. Desde que se conheceram na Paris ocupada, Sartre e Camus perceberam uma atração afetiva imediata. Já admiravam a obra um do outro. Dois homens diferentes: Sartre, burguês e bem formado; Camus de família pobre e nascido na Argélia. Também havia o fato de que o parisiense se esforçava muito para agradar às mulheres, mas era feio como uma cólica. Camus era bonito, mas sem a lábia retórica do autor de A Náusea. Havia uma admiração recíproca e uma concorrência entre ambos. Sartre apoiou a URSS mais do que Camus gostaria e as conversas foram ficando ácidas. Numa carta endereçada à revista que Sartre dirigia (Les Temps Modernes), ocorreu o afastamento definitivo. Sartre respondeu no mesmo número com um texto muito duro, duvidando até da capacidade de compreensão filosófica do ex-amigo. A trágica morte de Camus impediu uma reaproximação. Sartre escreveu um lindo obituário. A morte vencera o ego. 

Vaidades e disputas afastam amigos. Alguns afirmam que ex-amigos, de fato, nunca foram amigos de verdade. 

Ocorrera algo similar no Brasil. Oswald de Andrade jogou sobre Mário de Andrade duas palavras que evisceravam os pontos mais dolorosos do autor de Macunaíma: chamou-o de “boneca de pixe”. Atacando Mário como mulato e homossexual, Oswald causou uma ferida que nunca cicatrizou. Amigos se aproximam do coração e, quando isto resulta em estocada, ela quase sempre é fatal. Amigos baixam a guarda uns para os outros e este setor não defendido, ao ser flechado, magoa como poucas coisas. 

Talvez a amizade seja sempre um desafio. Entregar-se à relação com um amigo é observar-se num espelho pouco generoso. Os amigos nos conhecem e, para eles, as cenografias sociais são inúteis. Sim, nossos amigos nos amam, e nos conhecem, e nunca saberemos se nos amam por nos conhecer ou apesar de nos conhecer. Mas a entrega à amizade intensa é uma entrega a uma jornada de intimidade e apoio. 

O olhar do amigo não tem a doçura absoluta do materno e escapa do tom acre e ressentido do inimigo. Assim, longe do mel estrutural e do fel defensivo, é um olhar de sinceridade. Para ter um amigo, preciso de condições específicas. Eu identificaria três fundamentais. 

A primeira é a capacidade de se observar e continuar em frente. Uma conversa genuína com um amigo é uma dissecação anatômica da minha alma. Nem todos conseguem isso. Não é fácil atender ao preceito socrático: conhece a ti mesmo. Na minha experiência, conhecer aos outros é infinitamente mais fácil do que conhecer a si. Se os filósofos já garantiram que homens maus não possuem amigos, mas apenas cúmplices, eu acrescentaria que pessoas superficiais possuem apenas colegas e conhecidos, mesmo que os denominem amigos. 

A segunda é o tempo. Não se criam amigos de um dia para o outro. Amigos demandam história, repertório de casos, vivências em conjunto. Amigos precisam viajar juntos. Assim, os afetos integram as vidas das respectivas famílias. Amigos acompanham nossos sucessos e fracassos amorosos, choram e riem com nossa biografia. Quem adicionei ontem na minha rede social é um fantasma, um fóton, jamais um amigo. Amigos precisam de cultivo constante. Todo amigo é, dialeticamente, um frágil bonsai e frondoso carvalho.

A terceira é o controle do próprio orgulho. A mais espaçosa dama da alma é a vaidade. Quando ela preenche o ambiente, sobram poucos assentos livres. Pessoas vaidosas são frágeis e temem a entrega da amizade. O amor é privilégio de maduros, dizia Carlos Drummond. Talvez a amizade também o seja. Talvez não seja apenas para maduros, mas, com certeza, é um privilégio. Encerro com o conselho sábio dado por um tolo. Polônio prescreve ao filho Laertes (peça Hamlet): “Os amigos que tens por verdadeiros, agarra-os a tu’alma em fios de aço; mas não procures distração ou festa com qualquer camarada sem critério”. O cortesão infeliz sintetiza tudo o que tentei escrever aqui. Já falou com seu amigo hoje? Um bom domingo a todos vocês!



Sonho.





Millôr Fernandes

 16/08/1923.







As 5 Fases do Luto.


As 5 Fases do Luto

Um Processo de Cura

O Luto e Suas Fases

Um amigo me pediu para eu o ajudar com materiais para ele trabalhar com temáticas em uma clínica, dentre elas tenho a do luto, isso me fez lembrar das temáticas que eu fazia para dependentes químicos em recuperação.
Pensando nisso tive a ideia de tratar de um assunto que todos nós vivemos em nossa rotina diária e nem sempre percebemos.
Um assunto que nos mostra com muita clareza o turbilhão de sentimentos que passamos quanto perdemos qualquer coisa.
Mais conhecido por muitas das vezes estar ligada ao falecimento das pessoas que amamos ou conhecemos, mas que tem um significado e todos nós passamos quando perdemos qualquer coisa, vamos abordar neste artigo as 5 fases do luto.
As 5 fases do luto ocorrem de uma forma a prepararmos nosso psicológico a lidar com a perda, é um processo que dependendo do valor que a perda tem para nós ex.: se eu perder R$5,00, vou passar pelo mesmo processo do que se tiver perdido R$5.000, mas com certeza as 5 fases do Luto serão mais demoradas e doloridas com a perca de R$5.000 do que com R$5,00.
As fases não têm uma ordem cronológica, podem e as vezes ocorrem juntas e posso ficar preso a alguma delas e retroceder ao processo.
Objetivo de todo o processo é chegarmos a aceitação da perda e continuarmos a viver sem a dor ou a imagem constante daquilo que perdemos.
Perdas associadas as 5 fases do luto
  • Dinheiro
  • Familiares
  • Emprego
  • Amigos
  • A autoestima.
  • A autoimagem.
  • A Razão de viver.
Bom dito isto vamos começar a estudar as fases e ver suas peculiaridades.

As 5 fases do Luto

Negação:

A primeira de todas as 5 fases do luto é a negação.
A negação funciona como um amortecedor psicológico, para evitar um choque completo no nosso sistema emocional a negação nos impede de admitir a perda.
O primeiro impacto, quando perdemos qualquer coisa, repare como a primeira coisa que falamos é “não acredito” ou simplesmente dizemos “não”.
Quanto maior tiver sido a perda, com certeza será nossa negação de que isso aconteceu.
Apesar de ser benéfico ao nosso emocional e psicológico de primeira instância do acontecimento da perca em todas as 5 fases do luto.
A negação pode ser extremamente prejudicial se nos mantivermos presos a ela e isso pode nos impedir de começar a admitir, mesmo que não vislumbremos ainda a aceitação da perca, deixando aqui bem claro que a admissão não é a aceitação, pense comigo.
Eu posso admitir que estou careca, pois meu cabelo está caindo e resolvi adotar esse corte, admito isto. Mas aceitar que não tenho mais cabelo, que não posso mais passar um gel e arrumar meu cabelo como gostava antes, ah isso eu ainda não aceitei.

As 5 Fases do Luto

Raiva

A segunda das fases que abordaremos de todas as 5 fases do luto é a raiva.
A raiva é um estado em que tendemos a ficar revoltados com a situação da perda, acusando as pessoas, as situações e até mesmo Deus de por que aquilo está acontecendo conosco.
Temos raiva de perder aquilo que estávamos tão acostumados a ter ao nosso alcance, nos gera raiva de percebermos que não teremos mais aquela pessoa, ou aquele emprego, aquele carro, ou seja, o que for que tenhamos perdido.
Nesta fase costumamos a falar o que não devemos, sem pensar, simplesmente com a intenção de magoar ou ferir.
Como que um mecanismo de defesa, pois estamos sofrendo a perda e não estamos ainda prontos a aceitar isso, acabamos que por culpabilizar as situações ou nós mesmos pelo acontecimento da perda, seja lá do que for.
O maior problema da raiva é que ela pode regar e cultivar outros sentimentos como a amargura ou a mágoa.

As 5 fases do luto

D.D.D. (Dor, Desespero e Depressão)

A terceira das fases de todas as 5 fases do luto é o D.D.D.
A sigla é por uma mescla e confusão de sentimentos que acabam por nos assolar, a dor da perda, o desespero e a depressão da mesma.
Essa fase é considerada como a mais ‘tensa” e perigosa de todas.
Acabamos por pensar que o luto é isto, quando que esta é só mais uma das fases deste processo.
Começamos a ter noção de que aquilo não nos pertence mais, parece que não faz mais sentido continuar sem o que perdemos, tudo que olhamos sentimos falta daquilo, começamos a pôr na balança o valor perdido e começamos a pensar que isso será insubstituível e que jamais superaremos a perda.
A dor é tão intensa que se reflete em choro constante, o desespero de perder nos faz tomarmos atitudes antes jamais pensadas, a depressão toma conta nesta fase e temos que tomar muito cuidado, pois dependendo do valor que a perda tenha para nós, não é difícil de ficarmos num loop constante nesta fase e pararmos ou atrasarmos o processo que o luto exerce, para podermos aceitar essa perda.
Falamos constantemente sobre o assunto ou sobre o que perdemos, isso é extremamente normal e saudável.
Para podermos tratar nosso emocional e nos livrarmos desse pesar que nos assola, assim como rituais de sepultamento, nos aliviam no momento de nos despedirmos, falar sobre a perda nos ajuda a nos “despedir” do que seja que tenhamos perdido.

As 5 fases do luto

Negociação

A Negociação é a penúltima fase de todas as 5 fases do luto.
Neste momento estamos ainda que por querer estar no controle da situação, começamos a nos convencer de que podemos viver sem aquilo, mas ainda não que totalmente.
Para entendermos, quando perdemos uma namorada ou namorado e vemos que não conseguiremos mais ter aquele relacionamento de amor que tínhamos, é normal querermos ser só “amigos”, estou entendendo que estou perdendo, mas ainda quero negociar para que não perca de uma vez.
A negociação é uma fase de acordo com a perda, tipo estou perdendo, mas ainda posso isso ou aquilo, não perdi completamente, ainda tenho nem que for uma “pontinha” comigo.
Presentes, vestes e outros adereços podem ainda ter que estar conosco como uma forma de barganhar a perda.
Ainda nos impede de encarar a realidade da perda, nos protege do colapso de ter que aceitar que perdemos.
Mecanismo de defesa extremamente eficaz, a negociação nos deixa mais calmos com a situação de não termos mais aquilo que perdemos.

As 5 fases do luto

Aceitação

De Todas as 5 fases do Luto a Aceitação é o acordo com a realidade.
Neste momento aceitamos e seguimos em frente, encontramos a paz e a cura das nossas dores emocionais devido a perda, erguemos a cabeça e continuamos a viver, nossa fé se fortalece, pois, acreditamos e vemos que é possível vencer o medo de não ter mais aquilo que perdemos
Podemos viver sem aquilo, aceitamos a situação e a vida como ela é.

As 5 fases do Luto

Conselhos

  • Sinta os sentimentos
  • Se sentir medo não perca o controle, continue.
  • Quando se zangar, zangue-se, diga NÃO as pessoas.
  • Escreva aquilo que perdeu.
  • Cante e assobie
  • Reze e medite
  • Leia
  • Preencha seu tempo Livre com atividades e amigos
  • Seja bom com você.
  • Não temos o controle sobre as coisas e as pessoas
  • O luto é um processo inevitável em qualquer fase da vida.
  • Devemos ser honestos em encarar nossa realidade e defeitos.
  • Não devemos estagnar ou recuar ao processo isso pode ser fatal.
Gilvan Marcos Taveira de Medeiros

Coração, esse jovem impetuoso.

É preciso acrescentar qualquer comentário? Idade é só um número mesmo. O que move a vida definitivamente é a nossa capacidade de sentir. Seria raso dizer que é o amor. O amor é uma das consequências. A capacidade de sentir, vai além do que produz. Não desistir, não abdicar dessa capacidade em nome de qualquer coisa, isto sim nos leva adiante. Não importa a idade, não importa o corpo, o peso, as rugas, tudo isso são limitações que nos impomos, o que importa de fato é a capacidade de sentir e isso, meus dois amados leitores, devemos morrer mantendo. Até o fim tudo é possível. ;)

Idosa de 92 anos foge da clínica para ficar com namorado de 87.






Quem disse que fugir para ficar com namorado é coisa de adolescente? As loucuras da paixão não têm idade!
Na Noruega uma idosa de 92 anos de idade fugiu da casa de repouso onde estava para ficar com seu namorado, de 87 anos.
A vovó teria se encontrado com o amor de sua vida algumas vezes. Ele aparentemente a tinha visitado na clínica algumas vezes.
Este mês os cuidadores deram falta da idosa, depois que seu andador foi encontrado abandonado em um parque.
Imagine a correria para tentar a achar a vovó apaixonada na casa Vilberg, em Eidsvold, ao norte de Oslo, na Noruega.
As buscas só foram encerradas quando a direção da clínica descobriu tudo.
Sabe pra onde ela foi? Para a Estocolmo, na Suécia, ficar com seu namorado.
“Esta é realmente uma história de amor comovente”, disse a chefe da clínica, Janka Solstad.
“Imagine não ser capaz de passar um feriado romântico só porque você ja passou dos 90. A senhora não fez nada ilegal, mas ela causou algum desconforto para nós, porque não avisou que estava indo embora.”
As férias românticas da vovó apaixonada duraram 10 dias e ela já voltou para a clínica.
Com informações do Mirror
.Daqui.

Prosa boa de um autor muito jovem.




ANTES DE PROCURAR ALGUÉM, ENCONTRE VOCÊ





Não procure alguém só por estimação, pra preencher suas horas e ocupar os seus momentos, porque quando você é capaz de preencher sozinho a sua vida, você se ocupa por inteiro, e você passa não desejar qualquer coisa, a não aceitar nada além de alguém que se realize com você.
Não procure alguém que te complete, pra ser sincero, não procure ninguém. As melhores coisas da vida acontecem quando você menos espera. Acontecem quando tem que acontecer. Se for pra encontrar, encontre alguém pra sentar no sofá, bagunçar o teu cabelo e assistir aquele filme que você ama mais que sempre faz ele dormir. Encontre alguém que tenha assuntos pra conversar com você no final da noite, mesmo depois de um dia corrido, ou alguém que dispute quem de vocês faz mais pontos em Criminal Case. Se tenha por completo, esteja bem com você mesma, dê tempo pra você, porque quando a gente se basta o outro só chega pra somar. Antes de se apaixonar por alguém, se apaixone por você. Antes de querer alguém pra amar, ame-se e o outro chegará quando você menos esperar. Antes de correr atrás de alguém, lembre-se que ainda tem Netflix e uma temporada inteira daquela sua série favorita pra assistir.
Não procure alguém pra te tirar o tédio, pra dar as mãos, pra ocupar o lado esquerdo da cama e do peito se você não tiver certeza de que sozinha ocupa bem a cama e a si mesma, que sozinha você vai longe, que você não depende de ninguém pra isso, que também é capaz de encontrar os seus caminhos e que não precisa de ninguém pra te levar a lugar algum. Se carregue, se leve, seja livre, porque é de gente livre, leve e solta que o amor precisa. Quando você entende que a leveza da tua alma e a paz da tua vida não merece ser trocada por nenhum peso ou bagunça sentimental, o outro só chega pra seguir o fluxo de um amor tranquilo, pra te apresentar novos lugares e caminhos.
Não procure alguém só pra chamar de ''amor'' ou só pra apelidar de algum desses nomes fofos-clichês. Não procure alguém só pra ter quem apresentar no encontro com seus amigos, ou pra ter um colo pra pegar no sono quando o estresse do trabalho atormentar. Não se mantenha em lugares que só te perturbam, e isso também vale pra pessoas. Já perdemos muito tempo tentando seguir caminhos que não são os nossos, tentando aprender coisas que não queremos, ficando com pessoas que não suportamos. Onde não existir reciprocidade, não se demore.
Encontre alguém que, mesmo com nome e sobrenome, te faça entender o significado de chamá-lo de ''meu amor'', alguém que esteja disposto a te dar colo, carinho, afeto, não somente nos seus melhores, mas nos piores também, alguém que os seus amigos reconheçam como ''a pessoa certa pra você'' e concordem quando você sorri ao falar dele. Não procure alguém só pra te ligar e conversar sobre saudade, combinar um cinema num sábado a tarde, ou só pra te dizer que vai aparecer quando der. Encontre alguém que esqueça de te ligar pra te avisar e chegue na tua casa de surpresa pra matar a saudade. Não procure alguém pra ocupar a tua vida, porque às vezes a gente perde muito tempo com quem ocupa espaços que não merecem ocupar. Poupe seu tempo e sua paciência com quem só sabe te dizer: ''não sei/vou pensar/qualquer coisa eu te ligo''. Dê o seu tempo a quem te diz ''tô indo/abre a porta que eu já cheguei''.
Não procure alguém só por estimação, pra preencher suas horas e ocupar os seus momentos, porque quando você é capaz de preencher sozinho a sua vida, você se ocupa por inteiro, e você passa não desejar qualquer coisa, a não aceitar nada além de alguém que se realize com você, porque se for pra ser mais uma página a ser rasgada, melhor escrever o livro sozinho.
Autor:

Sou recifense, 24 anos, apaixonado por cafés, seriados e filmes, mas amo cervejas e novelas se houver um bom motivo pra isso. Além de escrever em meu blog pessoal e por aqui, escrevo também no blog da Isabela Freitas, sou colunista do Superela e lancei o meu primeiro livro em Novembro de 2014 pela Editora Penalux

12/06/2016 - É o que temos pra hoje.





Sou como Joana. ;)

Muhammad Ali.




RIP 1942 - 2016



1. “Cassius Clay é o nome de um escravo. Não foi escolhido por mim. Eu não o queria. Eu sou Muhammad Ali, um homem livre”.
2. “Somente um homem que sabe o que sente ao ser derrotado pode ir até o fundo de sua alma e tirar dali aquilo que lhe resta de energia para vencer um combate equilibrado”.
4. “Sei aonde vou e sei o que é a verdade. E não tem por que ser o que você quer que seja. Sou livre para ser aquilo que quero ser”.
3. “Odiei cada minuto de treinamento, mas não parava de repetir a mim mesmo: ‘não desista, sofra agora para viver o resto de sua vida como campeão’”.
5. “Impossível é apenas uma palavra usada pelos fracos que acham mais fácil viver no mundo que lhes foi determinado do que explorar o poder que possuem para muda-lo. O impossível não é um fato consumado. É uma opinião. Impossível não é uma afirmação. É um desafio. O impossível é algo potencial. O impossível é algo temporário. Nada é impossível”.
6. “Sou o maior. Disse isso a mim mesmo inclusive antes de saber que o era”.
7. “Não vou percorrer 10.000 quilômetros para ajudar a assassinar um país pobre simplesmente para dar continuidade à dominação dos brancos sobre os escravos negros”.
8. “Quando criança, eu pedia ao meu irmão Rudy que jogasse pedras sobre mim.Era assim que eu aprendia a fazer meus movimentos, esquivando-me de pedradas”.
9. “No golfe eu também sou o melhor. O único problema é nunca joguei golfe”.
10. “Um homem que enxerga o mundo aos 50 anos da mesma forma que aos 20perdeu 30 anos de vida”.
11. “Não divido o mundo entre os homens modestos e os arrogantes. Divido o mundo entre os homens que mentem e os que dizem a verdade”.
12. “Não suporto ver sangue. Em muitas das minhas lutas, eu tinha de olhar para o lado”.
13. “O silêncio vale ouro quando não se consegue achar uma boa resposta”.
14. “É apenas um trabalho. O mato cresce, os pássaros voam, as ondas acariciam a areia... Eu me bato em um ringue”.
15. “Não conte os dias: faça com que os dias contem”.
16. “Quando você tem razão, ninguém se lembra disso; quando está errado, ninguém esquece”.
17. “Outro dia fui ao cinema ver um filme de terror. Ele se chama Baron Blood. Comparado com isso, ter ganho de Foreman foi apenas mais um dia na academia”.
18. “O boxe é um monte de brancos vendo como um negro vence outro negro”.
19. “Servir aos outros é como o aluguel que se tem de pagar por uma casa na Terra”.
20. “Eu fui o Elvis do boxe, o Tarzan do box, o Super-Homem do boxe, o Drácula do boxe. O grande mito do boxe”