A sombra e a Escuridão.


O filme é antigo, bem antigo, esta longe de ser um clássico, não há nenhuma interpretação que chame atenção, mas trata-se de uma história absolutamente incrível que aconteceu na África lá pelos idos de 1898. O filme não foi completamente fiel à história, mas nem por isso deixa de ser um bom filme ou melhor uma história espetacular. Se puder, assista.
Abaixo a verdadeira história dos Leões de Tsavo do ótimo site : Conhecimento hoje.


                                         Clique na imagem para ler a reportagem completa.



Os Leões de Tsavo


  O estudo de Yeakel e sua equipe é um bocado complexo, e se baseou na análise das proporções relativas de isótopos estáveis de carbono e nitrogênio no colágeno de ossos e dentes, e na queratina dos pelos. Para isso usou amostras de tecidos dos dois leões, de herbívoros diversos e leões da mesma região, e de humanos. Como os tecidos se regeneram em velocidades diferentes, pode-se inclusive determinar a dieta média durante a vida toda (colágeno de ossos e dentes) e nos últimos meses ou semanas de vida (queratina dos pelos). 

  Para os leões atuais a análise indicou uma dieta exclusiva de herbívoros (grazers). O leão FMNH 23969 apresentou um resultado não muito diferente dos leões atuais, mas o outro (FMNH 23970), nos últimos meses de vida teria 30% de sua dieta formada por carne humana. Este leão é o que apresenta sérios defeitos nos dentes e teria sido o principal matador, e o outro deve ter se acostumado à carne humana ao partilharem a presa. 

  Outros pesquisadores ofereceram hipóteses para explicar o comportamento dos dois leões : 

- A eclosão em 1898 de uma doença (Rinderpest disease) teria dizimado as presas usuais dos leões (herbívoros selvagens e gado doméstico), obrigando-os a procurar outra fonte de alimento. 

- Os leões teriam se acostumado a encontrar cadáveres nas imediações do vau do Rio Tsavo. Caravanas de escravos vindas de Zanzibar passavam rotineiramente por ali. 

- Cremação incompleta praticada por trabalhadores hindus da ferrovia. Os leões se habituaram a procurar os corpos e desenterrá-los. 

- Um dos leões tinha os dentes severamente danificados (já mencionado). Nem todas as presas naturais dos leões se limitam a fugir, algumas revidam o ataque. Girafas e zebras podem dar coices extremamente violentos, as zebras podem galopar e escoicear ao mesmo tempo (ver imagem). Um leão com a mandíbula fraturada é um leão morto, ele morrerá de fome. O leão FMNH 23970 pode ter levado um coice e ficado com os dentes defeituosos. 

  Quanto ao filme “A Sombra e a Escuridão” (“The Ghost and the Darkness”, 1996), considero-o um bom filme de aventura, com ótima fotografia e boa trilha sonora. Mas tem pouco a ver com os fatos narrados pelo Cel. Patterson em seu livro “The Man-Eaters of Tsavo and Others African Adventures”, publicado em outubro de 1907. O caçador profissional vivido por Michael Douglas jamais existiu, por outro lado, o vagão-armadilha realmente foi utilizado e falhou. O ataque ao hospital aconteceu. 

  Os leões treinados Bongo e César usados no filme, também aparecem em “George of the Jungle” de 1997, e são leões com juba, ao contrário dos originais. Acredito que a produção não tosou a juba dos leões para as filmagens porque achou que o público não aceitaria bem a imagem de leões sem juba. 

  A questão da falta de juba tem sido estudada, e causas como desequilíbrio hormonal (testosterona), parasitas e alimentação foram avaliadas. Um nível excessivo de testosterona poderia provocar um efeito similar à calvície nos leões e torná-los mais agressivos. Há inclusive casos documentados de uma situação oposta : leoas que desenvolveram jubas por desequilíbrio hormonal. 

  O livro do Cel. Patterson tornou-se de imediato um best-seller e foi reeditado duas vezes ainda em 1907, todos os anos de 1908 a 1914, e depois em 1917 e 1919. Isso deve ter-lhe rendido um bom dinheiro, e Patterson ainda vendeu em 1924 as peles e os crânios dos leões ao Field Museum de Chicago, por cinco mil dólares. É lá que os leões estão atualmente

  John Henry Patterson (1867-1947) nasceu na Irlanda e entrou para o Exército Britânico aos 17 anos. Lutou na Guerra dos Boers e na 1ª. Guerra Mundial, e deixou o exército em 1920 após 35 anos de serviço. Passou seus últimos anos na Califórnia junto com a esposa Francis, onde ambos faleceram. Apesar de protestante, foi um grande defensor do Sionismo, seu corpo foi cremado e as cinzas enviadas para Israel. 

  Patterson foi comissionado em 1898 pela Companhia Britânica da África do Leste para supervisionar a construção da ponte ferroviária sobre o rio Tsavo, e chegou à Mombasa, na costa, em 1º. de março. Viajou o mais depressa que pôde para Tsavo, a mais de 160 quilômetros da costa, onde encontrou uma paisagem de árvores baixas e esquálidas, espessa vegetação rasteira e espinheiros. 

  Poucos dias após sua chegada soube que dois leões haviam sido vistos nos arredores, e trabalhadores (eram indianos) começaram a desaparecer. Inicialmente os ataques aos acampamentos muitas vezes fracassavam, mas logo os leões ganharam experiência e se tornaram atrevidos. As “bomas” (cercas de espinhos) construídas depois em volta dos acampamentos não detinham os ataques, os leões pulavam por cima ou encontravam um ponto mais fraco e forçavam a entrada. Fogueiras e dispositivos barulhentos construídos com latas vazias não os assustavam. No início somente um entrava e o outro esperava no mato, mas depois os dois passaram a entrar, o que dobrava a chance de pegarem alguém. Chegavam a devorar tranquilamente suas presas a poucas dezenas de metros dos acampamentos, sem se perturbar com saraivadas de tiros disparados em sua direção, no escuro. Os ruídos dos leões se alimentando era plenamente audível e apavorava os trabalhadores. Estes passaram a acreditar que os leões eram demônios que não podiam ser mortos, e a coincidência infeliz do início dos ataques com a chegada de Patterson fez com que lhe atribuíssem má sorte. Foram nove meses de ataques cada vez piores, até que em dezembro o terror era tanto que a construção da ponte chegou a ficar paralisada por três semanas. 

  Patterson realizou incontáveis vigílias noturnas sem resultado, e até construiu um vagão-armadilha, mas quando um dos leões finalmente se deixou apanhar, os atiradores indianos do outro lado das barras (trilhos de trem) ficaram tão apavorados que apenas conseguiram feri-lo levemente. Uma bala perdida soltou uma das barras da porta e o leão escapou. Este episódio do vagão-armadilha foi muito bem realizado no filme. 




  A morte do primeiro leão, 09/dezembro/1898 : 

Patterson e o leão FMNH 23970 morto em 09-12-1898


  Pela manhã os leões haviam atacado um dos acampamentos, mas só conseguiram matar um burro. Ao seguir os rastros, Patterson descobriu um dos leões escondido em um espesso matagal. Reunindo um bando de trabalhadores indianos, fez com que avançassem em direção ao matagal, produzindo grande barulho com latas e gritos. Patterson colocou-se do lado oposto e aguardou. Como esperado, o leão, perturbado pela barulhada crescente, abandonou o burro morto e fugiu exatamente na direção do caçador. Patterson fez cuidadosa pontaria e puxou o gatilho, mas o rifle, que recebera emprestado recentemente, falhou. O susto foi grande e Patterson esqueceu-se de disparar o cano esquerdo (Nota 1), pois estava acostumado com seu próprio rifle, que era de repetição. Felizmente o leão só pensava em fugir e não o atacou. No último momento Patterson disparou o cano esquerdo e atingiu o leão, sem detê-lo contudo. 

  Como o burro ainda estava quase inteiro, Patterson supôs que um dos leões poderia voltar à noite e mandou construir um “machan” a uns três metros da carcaça, pois não havia qualquer árvore apropriada por perto. O “machan” tinha quatro metros de altura, constituído por quatro postes cravados no chão, inclinados para dentro, sustentando no topo uma tábua que servia de assento. 

  Ao anoitecer Patterson assumiu sua posição, e horas depois, na escuridão, ouviu o leão se aproximar denunciado por ligeiros ruídos no mato. Mas o leão ignorou a carcaça do burro e ficou mais de duas horas rodeando o “machan” e rugindo. Com os nervos à flor da pele, Patterson esperava que a qualquer momento o leão tentasse escalar a frágil estrutura ou pulasse até ele. Como se não bastasse, uma coruja veio voando e chocou-se contra sua cabeça, dando-lhe tremendo susto. Finalmente Patterson conseguiu distinguir a forma do leão o suficiente para tentar um disparo; o leão respondeu com tremendo rugido e começou a saltar em todas as direções. Patterson não podia mais vê-lo mas continuou atirando seguidamente na direção dos ruídos, que cessaram afinal. Só ao amanhecer Patterson desceu do “machan” e encontrou o leão morto, atingido duas vezes : uma bala entrou atrás do ombro esquerdo e atingiu o coração, e a outra atingiu uma perna traseira. 

  A falha do rifle, a espera no “machan” e até a coruja desnorteada aparecem no filme, mas de modo bem diferente. 

  A morte do segundo leão, 29/dezembro/1898 : 


O leão FMNH 23969 morto em 29-12-1898


  Por sorte o primeiro leão morto era o maior matador de pessoas, e Patterson não relata em seu livro novas mortes. Ele não diz o dia exato em que, ao vigiar as carcaças de algumas cabras mortas pelo leão restante, conseguiu acertá-lo no ombro usando uma espingarda de dois canos carregada com balas sólidas (slugs). O leão foi derrubado mas levantou-se e fugiu antes que Patterson pudesse usar o rifle. 

  Menciona então que decorreram uns dez dias de calma, até que na noite do dia 27 o leão reapareceu e tentou agarrar alguns indianos que dormiam em uma árvore, e ele só pôde espantá-lo a tiros. Na noite seguinte Patterson e seu ajudante Mahina ficaram na mesma árvore, na esperança que o leão voltasse. E voltou mesmo; Patterson conta que ficou fascinado ao observar a fera habilmente usar cada arbusto disponível para se aproximar desapercebida. Esperou o leão se aproximar bastante, menos de vinte metros, e disparou seu rifle .303, acertando no peito, sem derrubá-lo. O leão fugiu em grandes saltos, e mais três tiros foram disparados, acertando o último. 

  Logo que amanheceu, Patterson arranjou um rastreador nativo e também levou Mahina com uma carabina Martini. Haviam percorrido menos de meio quilômetro quando o leão os atacou; o primeiro tiro somente o tornou mais furioso, e o segundo o derrubou. Mas o leão se levantou e continuou avançando, e um terceiro tiro não causou efeito aparente. Ao tentar pegar a Martini, Patterson descobriu que Mahina havia se apavorado e já estava no alto de uma árvore. Só restava a Patterson fugir também para a árvore, o que conseguiu por pouco. O leão, apesar de uma perna traseira quebrada por um dos tiros, quase o agarrou. Apoderando-se da carabina, Patterson atirou, e o leão caiu e ficou quieto. Empolgado, Patterson desceu da árvore imprudentemente e dirigiu-se para o leão, que imediatamente se levantou e atacou de novo. Mas um tiro no peito e outro na cabeça o mataram finalmente, e o leão tombou a menos de cinco metros de Patterson. Havia seis buracos de bala no corpo, e Patterson encontrou também uma das balas da espingarda cravada superficialmente na carne. 

  No filme, além de muitas outras alterações, os roteiristas optaram por uma versão “politicamente correta”: o ajudante negro, Mahina, não foge. Pelo contrário, ele vence seu medo dos leões e corre corajosamente para ajudar Patterson em dificuldades. 

  Patterson encerra o caso dos dois leões contabilizando não menos de 28 indianos mortos e um número não determinado de africanos. 

Nota 1 : Hoje em dia quando se fala em arma longa de dois canos, logo pensamos em espingardas. Mas na época das grandes caçadas na África e na Índia, durante o século XIX e início do século XX, quando os caçadores realmente se arriscavam, era diferente. Muitos preferiam usar um rifle com dois canos, ao invés de um rifle de repetição. Apesar da desvantagem do peso maior, os dois canos permitiam dois tiros seguidos quase simultâneos. Quando se tratava de animais agressivos e ágeis como tigres e leões, essa era uma enorme vantagem. Se o primeiro tiro não derrubasse o animal, o tempo de acionamento do ferrolho do rifle de repetição podia ser fatal. Foram fabricados rifles de dois canos nos mais variados calibres, desde os menores como o .375 até o poderoso .577 Nitro Express. 


Patterson em frente à sua tenda

Dia do Amigo...






:P




A porta do lado – por Drauzio Varella


A porta do lado – por Drauzio Varella

a-porta-do-lado-drauzio_varella- viva_50

Em entrevista, o médico Drauzio Varella disse que a gente tem um nível de exigência absurdo em relação à vida, que queremos que absolutamente tudo dê certo, e que, às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada.
E aí ele deu um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente…
É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na garagem (ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping). Em vez de simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia.
Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de algumas pessoas melhor, e de outras, pior.
Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos, mas não entende por que eles parecem ser tão mais felizes. Será que nada dá errado para eles? Dá aos montes. Só que, para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor diferença.
O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote. Que “audácia” contrariá-los! São aqueles que nunca ouviram falar em saídas de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato.
Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente. O mundo versus eles.
Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também. É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel. E com esse, a maioria dos nossos problemões podem ser resolvidos assim, rapidinho. Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um deixar barato.
Eu ando deixando de graça… Para ser sincero, vinte e quatro horas têm sido pouco para tudo o que eu tenho que fazer, então não vou perder ainda mais tempo ficando mal-humorado.
Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e gente idem; pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia. Então eu uso a “porta do lado” e vou tratar do que é importante de fato.
Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom humor, a razão por que parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado.
Quando os desacertos da vida ameaçarem o seu bom humor, não estrague o seu dia… Use a porta do lado e mantenha a sua harmonia. Lembre-se, o humor é contagiante – para o bem e para o mal – portanto, sorria, e contagie todos ao seu redor com a sua alegria.
A “porta do lado” pode ser uma boa entrada ou uma boa saída… Experimente!

Pablo Neruda.



Neruda

No dia 12 de julho de 1904, nasceu Pablo Neruda, um dos principais poetas da língua espanhola e do Chile.


"Nasci no começo do século, no centro do Chile. Mas, ainda bebê meus pais me levaram para o extremo sul do país, para Temuco. Era, na época, uma aldeiazinha. ... Temuco é minha paisagem, o essencial de minha poesia." E como se define o "essencial" na poesia de Ricardo Eliecer Naftali Reyes y Basoalto, ou seja, Pablo Neruda? Ele mesmo responde:
"É descrever o que se sente verdadeiramente, a cada instante da existência. Não acredito num sistema poético, numa organização poética. Irei mais longe: não creio nas escolas, nem no Simbolismo, nem no Realismo, nem no Surrealismo. Sou absolutamente desligado dos rótulos que se colocam nos produtos. Gosto dos produtos, não dos rótulos".

Um poeta como Pablo Neruda não se enquadra em rótulos, definições, escolas literárias, características de qualquer espécie. Ele era poeta, vocês sabem, aqueles que estão em castas superiores. Aqueles que dão cor as palavras, que levam som ao silêncio que transformam cinza em prata. Neruda foi um deles, era natural que não gostasse de rótulos.



"Foi tão belo viver enquanto vivias!
O mundo é mais azul
E mais terrestre de noite
Quando durmo
Enorme, dentro de tuas breves mãos"

Pablo Neruda



Um poeta que procurou dar "ao homem o que é do homem: sonho, amor, luz e noite, razão e paixão". Versou guerra, saudade, solidão, seu país, o mar e sobretudo ou em tudo, amor.
Em Neruda vida e poesia se coadunam e se entrelaçam ultrapassando os limites da própria inspiração poética e há de tudo em pouco: desde os versos amorosos da juventude em "Veinte Poemas de Amor", à maturidade tenra, sensual, melancólica e apaixonante de "Los Versos del Capitan" (1952), à imersa depressão do autor em solidão, num mundo de subterrânea escuridão e forças demoníacas de "Residência en La Tierra" (1925-31), até à poesia épica melhor representada em "Canto General" (1950), onde tenta reinterpretar o passado e o presente da América Latina, a luta de seu povo oprimido e subjugado nos seus ideais de libertação. Por sua inspiração político-social e por seu amor a seu povo, Neruda era frequentemente referido como "o poeta da humanidade escravizada".


Antes de amar-te...



Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.




Pablo Neruda




A voz do poeta, Pablo Neruda, calou-se com sua morte no dia 23 de Setembro de 73, na Isla Negra , vítima de um câncer na próstata. Morre um regime e morre um grande poeta. Havia uma grande desolação na alma do povo chileno, tanto para os que ficaram oprimidos no país, quanto para os que se exilaram. Na verdade, o câncer já o havia debilitado sensivelmente, mas o coração do poeta se enfraquecera ainda mais ante ao que seus olhos viram ocorrendo no Chile que ele amou profundamente. Uma narrativa popular acerca de sua morte conta-nos que os militares foram culpados de negligência, por retardarem o envio de uma ambulância à isolada residência do poeta, com efeito deixando-o padecer até à morte sem assistência, numa evidência de que Neruda fora de fato um seu inimigo.





Leia: http://www.suigeneris.pro.br/cangerpn.htm
http://www.rabisco.com.br/08/neruda.htm

Ciao, Omar Sharif...


Morre o ator Omar Sharif, aos 83 anos

Ele ficou conhecido por estrelar filmes como 'Lawrence da Arábia' e 'Doutor Jivago'

por

Omar Sharif, em foto de 2009 - TONY GENTILE / REUTERS

RIO - Omar Sharif, estrela de clássicos do cinema como "Doutor Jivago" e "Lawrence da Arábia", morreu nesta sexta-feira aos 83 anos. Segundo seu agente, o ator sofreu um ataque cardíaco num hospital no Cairo, Egito, onde nasceu.
No início deste ano, foi confirmado que o ator, nascido Michel Demitri Chalhoub, em Alexandria, tinha sido diagnosticado com Mal de Alzheimer. De acordo com seu filho, Tarek El-Sharif, nos últimos tempos o pai fazia confusão entre os maiores filmes de sua longa carreira.
Além de ganhar três Globos de Ouro, Sharif foi indicado ao Oscar de ator coadjuvante por seu papel de Sherif Ali no épico "Lawrence da Arábia", de 1962. Três anos depois, ganhou um Globo de Ouro por "Doutor Jivago".
Além dos longas de David Lean, estrelou ainda dois filmes da série "Funny girl", na pele do vigarista Nicky Arnstein, ao lado de Barbra Streisand. Por causa do papel, em 1968 seus filmes foram banidos do Egito, por beijar a atriz judia em cena - estava em curso a Guerra dos Seis Dias, entre Egito, a frente de países árabes, e Israel.

As muitas nacionalidades de Omar Sharif

  • Peter O'Toole e Omar Sharif em 'Lawrence da Arábia' Foto: Reprodução

    Árabe

    O egípcio Omar Sharif incorporou as mais variadas nacionalidades no cinema, de alemão a argentino. Um de seus papéis mais famosos, o Sherif Ali de "Lawrence da Arábia" (1962), era uma mistura de referências de líderes árabes, como Sharif Nassir. Isso voltaria a acontecer em " O 13º guerreiro", de 1999, e em "Mar de fogo", de 2004.

  • Omar Sharif como o Major Grau em 'A noite dos generais' Foto: Reprodução

    Alemão

    Em "A noite dos generais", de 1967, o Major Grau de Sharif era alemão. No filme sobre a Segunda Guerra Mundial, que estrelou novamente ao lado de Peter O'Toole, seu colega em "Lawrence da Arábia", ele vive um oficial da inteligência nazista. Para encarnar o personagem germânico, clareou os cabelos e tirou o famoso bigode.
  • Omar Sharif com Sophia Loren em 'Felizes para sempre' Foto: Reprodução

    Espanhol

    E, quem diria, o ator egípcio também encanaria um latin lover. Com pinta de conto de fadas, em "Felizes para sempre", de 1967, ele colocou seu bigodinho a serviço do príncipe espanhol (!!!) Rodrigo Fernandez para conquistar a personagem de Sophia Loren.
  • Omar Sharif com Barbra Streisand em 'Funny girl' Foto: Reprodução

    Americano

    Em "Funny girl", ele viveu, ao lado de Barbra Streisand, um americano. Seu Nicky Arnstein era o segundo marido da Fanny Brice de Barbra. O personagem, de origem judaica, causou problemas para Sharif em sua terra natal: o filme foi lançado bem na época da Guerra dos Seis Dias, que opôs o Egito a Israel. Com isso, seus filmes foram banidos do país.
  • Omar Sharif como Che Guevara Foto: Reprodução

    Argentino

    Omar Sharif não viveu um argentino qualquer. Ele viveu Che Guevara em "Causa perdida", de 1969. Como se não pudesse ficar mais estapafúrdio, ao lado do egípcio, atuou Jack Palance, que tem origens ucranianas, na pele de Fidel Castro. O filme não agradou ao público, com nota de apenas 4,8 no IMDb.
  • Omar Sharif em 'A queda do Império Romano' Foto: Reprodução

    Armênio

    No épico "A queda do império romano", de 1964, em que dividiu a cena com Sophia Loren, Omar Sharif deu vida a Soemo, rei da Armênia.
  • Omar Sharif em 'Doutor Jivago', de 1965 Foto: Divulgação

    Russo

    Outro de seus personagens marcantes, o Yuri Andreyevich Zhivago de "Doutor Jivago", de 1965, era, como o nome dá a entender, russo. Provando sua versatilidade, Sharif encantou multidões com sua atuação.
  • Omar Sharif como o Genghis Khan Foto: Reprodução

    Mongol

    Ainda no rol de personagens poderosos, o ator encarnou até mesmo Genghis Khan, o lendário imperador mongol, no filme homônimo, de 1965.

  • Omar Sharif em 'A pantera Cor de Rosa' 

    Egípcio

    Fora de seu país natal, o ator teve pouquíssimas chances de viver um egípcio nos cinemas, e justamente a principal não foi creditada. Ele aparece de surpresa como um assassino egípcio em "A nova transa da Pantera Cor de Rosa", de 1976.
Sharif, que falava cinco idiomas, se tornou o mais famoso ator egípcio em mais de seis décadas de carreira. Como hobby, jogava bridge tão bem que foi considerado um dos 50 melhores do mundo. "Atuar é minha profissão, bridge é a minha paixão", dizia.
‘Atuar é minha profissão, bridge é a minha paixão’

Graças à sua dedicação ao esporte, Sharif assumiu, em meados da década de 1970, uma coluna ao lado de Charles Goren sobre bridge, publicada em centenas de jornais. O ator também escreveu dois elogiados livros sobre o jogo, em 1983 e 1994.
De ascendência síria e libanesa, Michel Chalhoub nasceu em 10 de abril de 1932, em Alexandria, filho de um proeminente comerciante de madeira. A família se mudou para o Cairo quando ele ainda era jovem, onde sua mãe costumava jogar cartas com o rei Farouk.
Mandado para o colégio interno, estudou matemática e física, e depois trabalhou para o pai. Católico de família, se converteu ao islamismo e mudou seu nome. Começou a carreira já como protagonista no filme "Siraa Fil-Wadi", ainda no Egito.

Omar Sharif em 'Doutor Jivago', de 1965 - Divulgação

Em 1955, casou-se com Faten Hamama, com quem contracenou no longa. O relacionamento acabou quase dez anos mais tarde, durante as filmagens de "Doutor Jivago". Sharif nunca mais se casou.
Não demorou muito para que ele se tornasse o ator mais popular do Egito. O convite de David Lean para estrelar "Lawrence da Arábia" ao lado de Peter O'Toole, morto em 2013, mudou sua vida.
"Eu fui colocado em um avião rumo ao deserto para encontrar David", disse ele, em entrevista. "E conforme nós íamos nos aproximando do chão, podíamos vê-lo sentado sozinho. Aterrissamos ao lado dele, mas ele não deu um passo. Quando eu saí do avião, ele não disse oi. Ele simplesmente andou em volta de mim para ver meu perfil".

"Finalmente, ele disse: 'está muito bom, Omar. Vamos para a tenda de maquiagem'. Eu experimentei um bigode, e decidiu-se que eu deveria deixar crescer um. Eu raspei para um par de filmes, mas fora isso eu o mantive desde então".
Em 2004, ganhou o César, o Oscar da França, pela atuação em "Uma amizade sem fronteiras". Pelo trabalho, levou também o prêmio do público no Festival de Veneza. O longa-metragem, que conta a história de um lojista turco em Paris que fica amigo de um adolescente judeu, ainda foi indicado ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e ao Goya de melhor filme europeu.
Seu último trabalho foi o curta-metragem para a campanha "1001 inventions and the world of Ibn Al-Haytham", da Unesco, que celebra o cientista Ibn al-Haytham, e tem lançamento previsto para este ano. Em 2013, participou do longa francês "Rock the casbah".


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/filmes/morre-ator-omar-sharif-aos-83-anos-16724168#ixzz3fXjQve6Q

Carpinejar, como sempre, certeiro!



QUEM CONCORDA COM TUDO NÃO ESTÁ MAIS CASADO

POR FABRÍCIO CARPINEJAR
Dead Leaves
Obediência é sinal de abandono de relacionamento.
Você pode acreditar que o outro lado finalmente se rendeu, deu o braço a torcer, aceitou mudar seus defeitos e que agora ambos viverão em harmonia o resto dos dias.
Você pode elogiar a transformação completa do temperamento de sua companhia aos amigos e familiares:
- Está tão manso, nem discutimos mais, aceita qualquer coisa que eu diga, sem oposição, sem pegar no pé.
Mas é uma ilusão, uma miragem comportamental. É exatamente o oposto. Entenderá, então, que fingir o orgasmo nada é perto da desfaçatez de quem é capaz de simular um bom-dia.
Se o marido ou a mulher passa a concordar com tudo, nem perde tempo defendendo a sua opinião, é que já pulou para fora do casamento, preparou as malas, dividiu os bens, avisou a vizinhança do desastre conjugal.
A paz é desistência. A suspensão das discussões demarca o fim do fôlego, jamais o fim das diferenças. 
Quem ama nunca termina de se entender e de produzir debates acalorados para ver quem tem razão.
Quando o par suspende sua implicância cotidiana, cessa as crises de insegurança, se deixa o outro absolutamente livre e solto para sair e voltar na hora que quiser, longe do charme da preocupação, por mais que pareça maturidade, é que acabou o amor.
Discernimento demais representa desinteresse.
O disposto a terminar parece que está feliz, mas só pretende se livrar da conversa chata o quanto antes, mesmo que tenha que mentir e contrariar suas convicções.
Não está mais encarnado ali naquela aliança. Começou a economizar sua disposição para futuros romances, não gastará energia à toa numa convivência fracassada. Virou uma ovelha de propósito, com a ambição de engrossar a lã, esperar a poda e aquecer novos corpos.  
A submissão matrimonial sempre esconde o golpe de estado, a virada de mesa, a vingança. O sim e o ok compulsivos são disfarces.
O marido, agora bajulador, ou a mulher, estranhamente calada, cansou de apostar na vida de casal. A ruptura acontecerá dentro de poucos meses. A despedida vive seu permanente ensaio: dormir é planejar como se despedir e o que escrever no bilhete.
Desconfie das respostas excessivamente bondosas. Talvez represente o ocaso da paciência e da esperança de uma das partes. Alguém mudou de alma e mantém o endereço por mera formalidade.

Inspiração.





Durante a segunda guerra, Irena conseguiu permissão para entrar no Gueto de Varsóvia como encanadora, e para fazer limpeza de esgoto. Toda vez que ela saia do gueto, escondia uma criança no fundo de sua sua caixa de ferramentas, ou em sacos de lixo. Ela adestrou um cão, para fazer barulho quando ela deixava o gueto, e assim atrair a atenção dos guardas nazistas. Ela salvou 2500 crianças da morte. Nos momentos finais da guerra, ela foi descoberta, e os nazistas quebraram as pernas e braços dela. Cada criança salva tinha o nome escrito em papel, e escondido em uma jarra enterrada no quintal dela. Após a guerra, ela pegou o registro de cada uma das crianças, e tentou achar os parentes. As crianças que ficaram definitivamente sem parentes vivos foram orientadas para adoção. Em 2007 ela foi indicada ao prêmio Nobel da paz, mas quem ganhou foi o Al Gore, por seu power-point sobre mudanças climáticas... Ela morreu em 2008, e seu trabalho é hoje continuado, em uma organização que se chama "vida numa jarra" (life in a jar)

http://www.irenasendler.org/ 


Via Riany Botelho.


Causos, ditos e pensamentos do Seu Onofrinho...


Cabelo da Terra

Passeando por uma grande área de mato rasteiro, lá bem na beirinha da lagoa, comentei: 
"Engraçado, ainda tem uns matinhos verdes por aqui, né? Esse veneno não acaba com tudo não..."
Ao que ele responde: "Mas Andréa (voz de espanto explicativo), o capim é o cabelo da terra, e cabelo cresce, minha filha!!!!"
Olhei para ele, sorri pensando na bela frase que ele distraidamente  cunhara e respondi: "É Onofrinho, cabelo cresce..."
E retornamos rindo e conversando sobre o cabelo da terra e suas derivações.

Pessoas...






Sem mais para hoje.