Ciao, Omar Sharif...


Morre o ator Omar Sharif, aos 83 anos

Ele ficou conhecido por estrelar filmes como 'Lawrence da Arábia' e 'Doutor Jivago'

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Omar Sharif, em foto de 2009 - TONY GENTILE / REUTERS

RIO - Omar Sharif, estrela de clássicos do cinema como "Doutor Jivago" e "Lawrence da Arábia", morreu nesta sexta-feira aos 83 anos. Segundo seu agente, o ator sofreu um ataque cardíaco num hospital no Cairo, Egito, onde nasceu.
No início deste ano, foi confirmado que o ator, nascido Michel Demitri Chalhoub, em Alexandria, tinha sido diagnosticado com Mal de Alzheimer. De acordo com seu filho, Tarek El-Sharif, nos últimos tempos o pai fazia confusão entre os maiores filmes de sua longa carreira.
Além de ganhar três Globos de Ouro, Sharif foi indicado ao Oscar de ator coadjuvante por seu papel de Sherif Ali no épico "Lawrence da Arábia", de 1962. Três anos depois, ganhou um Globo de Ouro por "Doutor Jivago".
Além dos longas de David Lean, estrelou ainda dois filmes da série "Funny girl", na pele do vigarista Nicky Arnstein, ao lado de Barbra Streisand. Por causa do papel, em 1968 seus filmes foram banidos do Egito, por beijar a atriz judia em cena - estava em curso a Guerra dos Seis Dias, entre Egito, a frente de países árabes, e Israel.

As muitas nacionalidades de Omar Sharif

  • Peter O'Toole e Omar Sharif em 'Lawrence da Arábia' Foto: Reprodução

    Árabe

    O egípcio Omar Sharif incorporou as mais variadas nacionalidades no cinema, de alemão a argentino. Um de seus papéis mais famosos, o Sherif Ali de "Lawrence da Arábia" (1962), era uma mistura de referências de líderes árabes, como Sharif Nassir. Isso voltaria a acontecer em " O 13º guerreiro", de 1999, e em "Mar de fogo", de 2004.

  • Omar Sharif como o Major Grau em 'A noite dos generais' Foto: Reprodução

    Alemão

    Em "A noite dos generais", de 1967, o Major Grau de Sharif era alemão. No filme sobre a Segunda Guerra Mundial, que estrelou novamente ao lado de Peter O'Toole, seu colega em "Lawrence da Arábia", ele vive um oficial da inteligência nazista. Para encarnar o personagem germânico, clareou os cabelos e tirou o famoso bigode.
  • Omar Sharif com Sophia Loren em 'Felizes para sempre' Foto: Reprodução

    Espanhol

    E, quem diria, o ator egípcio também encanaria um latin lover. Com pinta de conto de fadas, em "Felizes para sempre", de 1967, ele colocou seu bigodinho a serviço do príncipe espanhol (!!!) Rodrigo Fernandez para conquistar a personagem de Sophia Loren.
  • Omar Sharif com Barbra Streisand em 'Funny girl' Foto: Reprodução

    Americano

    Em "Funny girl", ele viveu, ao lado de Barbra Streisand, um americano. Seu Nicky Arnstein era o segundo marido da Fanny Brice de Barbra. O personagem, de origem judaica, causou problemas para Sharif em sua terra natal: o filme foi lançado bem na época da Guerra dos Seis Dias, que opôs o Egito a Israel. Com isso, seus filmes foram banidos do país.
  • Omar Sharif como Che Guevara Foto: Reprodução

    Argentino

    Omar Sharif não viveu um argentino qualquer. Ele viveu Che Guevara em "Causa perdida", de 1969. Como se não pudesse ficar mais estapafúrdio, ao lado do egípcio, atuou Jack Palance, que tem origens ucranianas, na pele de Fidel Castro. O filme não agradou ao público, com nota de apenas 4,8 no IMDb.
  • Omar Sharif em 'A queda do Império Romano' Foto: Reprodução

    Armênio

    No épico "A queda do império romano", de 1964, em que dividiu a cena com Sophia Loren, Omar Sharif deu vida a Soemo, rei da Armênia.
  • Omar Sharif em 'Doutor Jivago', de 1965 Foto: Divulgação

    Russo

    Outro de seus personagens marcantes, o Yuri Andreyevich Zhivago de "Doutor Jivago", de 1965, era, como o nome dá a entender, russo. Provando sua versatilidade, Sharif encantou multidões com sua atuação.
  • Omar Sharif como o Genghis Khan Foto: Reprodução

    Mongol

    Ainda no rol de personagens poderosos, o ator encarnou até mesmo Genghis Khan, o lendário imperador mongol, no filme homônimo, de 1965.

  • Omar Sharif em 'A pantera Cor de Rosa' 

    Egípcio

    Fora de seu país natal, o ator teve pouquíssimas chances de viver um egípcio nos cinemas, e justamente a principal não foi creditada. Ele aparece de surpresa como um assassino egípcio em "A nova transa da Pantera Cor de Rosa", de 1976.
Sharif, que falava cinco idiomas, se tornou o mais famoso ator egípcio em mais de seis décadas de carreira. Como hobby, jogava bridge tão bem que foi considerado um dos 50 melhores do mundo. "Atuar é minha profissão, bridge é a minha paixão", dizia.
‘Atuar é minha profissão, bridge é a minha paixão’

Graças à sua dedicação ao esporte, Sharif assumiu, em meados da década de 1970, uma coluna ao lado de Charles Goren sobre bridge, publicada em centenas de jornais. O ator também escreveu dois elogiados livros sobre o jogo, em 1983 e 1994.
De ascendência síria e libanesa, Michel Chalhoub nasceu em 10 de abril de 1932, em Alexandria, filho de um proeminente comerciante de madeira. A família se mudou para o Cairo quando ele ainda era jovem, onde sua mãe costumava jogar cartas com o rei Farouk.
Mandado para o colégio interno, estudou matemática e física, e depois trabalhou para o pai. Católico de família, se converteu ao islamismo e mudou seu nome. Começou a carreira já como protagonista no filme "Siraa Fil-Wadi", ainda no Egito.

Omar Sharif em 'Doutor Jivago', de 1965 - Divulgação

Em 1955, casou-se com Faten Hamama, com quem contracenou no longa. O relacionamento acabou quase dez anos mais tarde, durante as filmagens de "Doutor Jivago". Sharif nunca mais se casou.
Não demorou muito para que ele se tornasse o ator mais popular do Egito. O convite de David Lean para estrelar "Lawrence da Arábia" ao lado de Peter O'Toole, morto em 2013, mudou sua vida.
"Eu fui colocado em um avião rumo ao deserto para encontrar David", disse ele, em entrevista. "E conforme nós íamos nos aproximando do chão, podíamos vê-lo sentado sozinho. Aterrissamos ao lado dele, mas ele não deu um passo. Quando eu saí do avião, ele não disse oi. Ele simplesmente andou em volta de mim para ver meu perfil".

"Finalmente, ele disse: 'está muito bom, Omar. Vamos para a tenda de maquiagem'. Eu experimentei um bigode, e decidiu-se que eu deveria deixar crescer um. Eu raspei para um par de filmes, mas fora isso eu o mantive desde então".
Em 2004, ganhou o César, o Oscar da França, pela atuação em "Uma amizade sem fronteiras". Pelo trabalho, levou também o prêmio do público no Festival de Veneza. O longa-metragem, que conta a história de um lojista turco em Paris que fica amigo de um adolescente judeu, ainda foi indicado ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e ao Goya de melhor filme europeu.
Seu último trabalho foi o curta-metragem para a campanha "1001 inventions and the world of Ibn Al-Haytham", da Unesco, que celebra o cientista Ibn al-Haytham, e tem lançamento previsto para este ano. Em 2013, participou do longa francês "Rock the casbah".


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