Pra sempre, Janis.


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No dia 18 de janeiro de 1943 nascia Janis Joplin e a música nunca mais seria mesma. Gostava de cantar blues e folk music e quando diziam que ela cantava música negra, costumava responder: "Eu canto música negra para tirar dinheiro dos brancos."
Janis Joplin afirmava que sua maior influência era a cantora de blues Bessie Smith, tanto que ajudou a custear, em 1970, uma lápide mais "decente" para ela (a original nem tinha seu nome). O custo foi dividido com o último produtor de Bessie, John Hammond.
Embora tenha caído no mundo aos 17 anos, em 1960, quando juntou o dinheiro da mesada e foi tentar ser cantora na Califórnia, Janis Joplin só surgiu para o grande púbico a partir de sua eletrizante apresentação no festival Monterey Pop, em 67.

A carreira fonográfica de Janis foi curta, a rigor ela só gravou de 67 a 70 e conseguiu mudar o rumo da história. O último show de Janis aconteceu em 12 de agosto de 1970, no Harvard Stadium. Em setembro, grava o LP Pearl e dá sua última entrevista.

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Embora Janis, tenha morrido em decorrência de uma overdose de heroína, seu maior vício era o uísque - mais precisamente o "Southern Comfort", tanto que, em 1968, a engarrafadora resolve presenteá-la com um casaco de lince (quer propaganda maior que esta?), e promete um certo "patrocínio" à cantora, que no final das contas, acaba não se concretizando.
Ela abominava certos tipos "difundidos" de drogas (maconha, LSD e alucinógenos em geral) pois ela dizia que a faziam pensar demais... e ela queria esquecer. Janis era adepta de estimulantes, como anfetaminas, heroína e álcool.
Ok, droga é uma droga. Concordo plenamente e Janis era muito mais do que isso. Sua personalidade, sua maneira de ser, seus conflitos, sua voz e a fome de viver, isso era Janis. Janis não queria pensar, queria acelerar o tempo, fugir sempre mesmo que fosse encarando de frente um futuro que nunca chegaria.

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Janis era assim, ia até o fim, vinda de uma conservadora família de classe média, disse certa vez: "Nos meus shows, a maioria das garotas estão procurando liberação, e elas pensam que eu vou lhes mostrar como se consegue isso. Mas na primeira fila sempre ficam as grã-fininhas, as comportadinhas, as putinhas reprimidas que ficam esperando todo mundo começar a gritar e dançar para poderem dançar e gritar também. Elas chegam num determinado ponto que eu sei que estão prontas, mas não têm coragem. Então precisam de um pé-na-bunda para se levantarem também. Aí é que eu entro: eu lhes dou esse chute na bunda! eu fui criada exatamente como elas. Sim. Logo, eu sei o que elas têm nessas cabecinhas estúpidas e vazias."

Pois é, um dia ela saiu de casa sem precisar de nenhum pé-na-bunda que não fosse sua própria necessidade de viver a vida até a última gota. Foram parcos 27 anos de vida e a eternidade marcada na voz rouca e sensual. No dia 4 de outubro de 1970 ela nos deixava. Foi cremada e as cinzas jogadas no mar da Califórnia. Para quem era livre, um caixão seria totalmente impróprio.
No seu testamento ela deixou uma grana para “a festa de sua morte”. Eram 200 convidados e no convite estava escrito Drinks are on Pearl, traduzido como bebida por conta de pérola, um de seus apelidos. Fazia alusão ao hábito de diluir "pérolas" nas bebidas.

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Ciao, Janis.




Frases:



"No palco eu faço amor com 25.000 pessoas, depois vou sozinha para casa."

"Estão me pagando US$50.000 por ano para que eu seja como eu sou."

"Sou uma tartaruga escondida em seu casco, bem protegida."

"Eu nunca vou conseguir ser um astro com Dylan ou Hendrix por que eu sempre falo a verdade."

"Se me importo com o que dizem de mim? O pior que podem falar de mim é que nunca estou satisfeita com nada."

"Costumo ter problemas nos bares por causa de minha aparência. Entao, ou você fica furiosa e vai embora, ou mostra o dinheiro e obriga os idiotas a engolirem você."

"Às vezes olho para minha própria cara e acho que ela está bem 'rodada'. Mas, considerando tudo pelo que já passei, não me acho tão mal assim."

"Tenho medo de acabar me tornando uma dessas velhas bêbadas e roucas que ficam vadiando pela rua da amargura assediando rapazinhos."

"Posso não durar tanto quanto outras cantoras mas sei que posso destruir-me agora se me preocupar demais com o amanhã."

"Acho que nunca mais encontrarei um grupo tão bom. Ainda gosto muito deles, como sempre gostei. Acho que nossa separação não foi culpa de ninguém, simplesmente aconteceu. A gente vivia numa atividade contínua desde que a gente explodiu, e eu te digo, isso é muito desgastante. Chegou uma hora que não havia mais sinceridade onde eu cantava." Janis em 1970, uma de suas últimas entrevistas.

"Acho que o público gosta de ver seus artistas prediletos sofrendo. Especialmente se forem cantores de blues! 'Oh... Billie Holliday é Junkie... ela morreu... oh...' Bem, eu digo que não vou dar esse gostinho à ninguém: estou aqui para me divertir e vou tentar curtir a vida ao máximo." Janis, num comentário sobre Billie Holliday.

"Eu quero ver como vai ser a música daqui a uns cinco anos. Eu comecei com música rudimentar, mas os jovens de hoje têm uma base musical incrível: eles possuem a liberdade completa que o rock conseguiu! eles cresceram ouvindo Jefferson Airplane, Milles Davis, Grateful Dead, enfim, todo mundo. Ah! Mal posso esperar para ver o que essa garotada vai estar tocando daqui a cinco anos!!! Só espero estar por lá nesta época. Quero cantar com eles, ou, pelo menos, ter grana para vê-los tocar." Janis, semanas antes de morrer.



Essa era Janis.



Simpatia é quase amor

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Engraçado como algumas expressões, frases surgem e a gente nem sabe de onde vieram ou até acha que foi inspiração de alguém criativo. Mas não, no caso de "simpatia é quase amor" trata-se de uma frase poética de Casimiro de Abreu, nascido em 4/01/1839.
Casimiro de Abreu, poeta romântico foge um pouco daquelas histórias de pobreza, embriaguez, infortúnio dos poetas romanticos. Na verdade Casimiro de Abreu era filho de um rico comerciante português, tendo inclusive estudado em Portugal. E foi lá que estudou literatura e ficou conhecido pelos poemas que cantavam o amor e a saudade.
Lembram-se de:

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Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
...
(trechinho de Meus oito anos de Casimiro de Abreu)

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Nosso poetinha, dos poemas simples, românticos despediu-se da vida muito cedo, aos 21 anos e embora não tenha deixado vasta obra é lembrado até hoje...merecidamente.
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Que é - simpatia

Simpatia - é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.

Simpatia - são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.

São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.

Simpatia - meu anjinho,
É o canto de passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d'agosto
É o que m'inspira teu rosto...
- Simpatia - é quase amor!

Casimiro de Abreu

POSSE

                                                                  Elliott Erwitt, Brasília 1961
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Não votei na Dilma, alias, não votei em ninguém, preferi anular o voto. Meu protesto não foi eleger um palhaço que levou na bagagem toda uma legenda, foi simplesmente não votar. Ainda assim assisti a posse ontem, pela primeira vez. Sintomático. Infelizmente nada me emocionou. No twitter, alguns se diziam chorando, mas eu não. Muitos anos de janela, talvez, o fato é que eu desejo sorte a ela. Torcer contra é torcer contra nós mesmos, mas sempre há quem torça e vibre quando acerta. Bobagem.
No mais vou chamá-la de Presidente, porque Presidenta é muito feio. Penso como a minha amiga poeta Leila Miccolis que sempre diz: "Poeta, porque em poetisa todo mundo pisa"
É mais ou menos assim.

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Voltando aos pouquinhos. Devagar e nem sei se para sempre. Nada é para sempre, né? Mas deu vontade de voltar a escrever. Infelizmente o tempo sobra e é aleatório a minha vontade, me foi imposto.
Ano Novo, de novo. Tenho medo dos anos ímpares. 1983 morreu meu pai. 2005 morreu minha mãe, 2009 meu irmão e sua família (esses últimos continuam vivos, mas mortos para mim. Não pergunte porque).
Enfim, anos ímpares nunca foram bons, ainda assim a astrologia prevê um bom ano para os nativos do meu signo, gêmeos. Ano regido por mercúrio. Que assim seja então.
Tenho aproveitado o tempo para estudar, me estudar. Nunca estive tão comigo mesma e nunca me surpreendi tanto com o que ando aprendendo, A verdade é que às vezes você precisa parar, mas não pára, daí a vida se encarrega de fazer com que você pare. Se não vai por bem, vai por mal mesmo. De repente pinta uma doença que te obriga a ficar quieta, ou um pé quebrado, desemprego etc. O fato é que você pára e aí começa o trabalho duro: ficar a sós com você mesma e aproveitar isso.
Bom, eu não quero uma volta melancólica, até porque estou muito bem, eu só quero voltar a esse cantinho, aos poucos, bem devagar...


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Bom Ano a TODOS!