"Aqui estou eu tentando viver, ou melhor, tentando ensinar a morte dentro de mim a viver."
Jean Cocteau
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Funeral Blues

Parem os relógios
Cortem o telefone
Impeçam o cão de latir
Silenciem os pianos e com um toque de tambor tragam o caixão
Venham os pranteadores
Voem em círculos os aviões escrevendo no céu a mensagem:

"Ele está morto"

Ponham laços nos pescoços brancos das pombas
Usem os policiais luvas pretas de algodão.

Ele era meu norte, meu sul, meu leste e oeste.
Minha semana de trabalho e meu domingo
Meu meio-dia, minha meia-noite.
Minha conversa, minha canção.


Pensei que o amor fosse eterno, enganei-me.
As estrelas são indesejadas agora, dispensem todas.

Embrulhem a lua e desmantelem o sol
Despejem o oceano e varram o bosque Pois nada mais agora pode servir.
W. H. Auden
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Um mês de falecimento e a dor é infinita.
Agradeço aos amigos pela força, pelo carinho e pela indispensável presença.
Vocês e você Eduardo têm salvo a minha vida um pouquinho a cada dia.
Obrigada.

1 comentários:

    Como contribuição, gostaria de deixar minha tradução do poema:

    Blues Fúnebre

    Parem todos os relógios, que os telefones emudeçam.
    Para calar o cachorro, um bom osso lhe ofereçam.
    Silenciem os pianos, e em surdina os tambores
    Acompanhem o féretro. Venham os pranteadores.

    Que aviões a sobrevoar em círculos lamurientos
    Rabisquem no céu o Anúncio de Seu Falecimento.
    Que nas praças as pombas usem coleiras de crepe, em luto,
    E os guardas de trânsito calcem luvas negras em tributo.

    Ele foi meu norte, meu sul, meu nascente, meu poente.
    Foi o labor da minha semana, meu domingo indolente.
    Foi meu dia, minha noite, meu falar e meu cantar.
    Julguei ser o amor infindo. Como pude assim errar?

    Já não me importam as estrelas: fique o céu todo apagado.
    Empacotem e embrulhem a lua; seja o sol desmantelado.
    Esvaziem os oceanos, do mundo sejam as florestas varridas.
    Porque agora, para mim, nada resta de bom nesta vida.

    Tradução de Humberto Kawai