RIP PRINCE







21/04/2016 - Feriado. Queda de um trecho da ciclovia aqui no Rio de Janeiro. Com mortos. Prince nos deixa. Crise política. Povo dividido e francamente beligerante. São tempos sombrios...muito sombrios.


Impeachment - cenas do próximo capítulo

17/04/2016 

'Dia D' do impeachment: O que você precisa saber sobre a votação e os próximos passos


A votação na Câmara dos Deputados, em Brasília, começou pouco depois das 14 horas, com Jovair Arantes (PTB-GO), relator da Comissão Especial do Impeachment, lendo o parecer sobre o processo. Ele chamou as pedaladas fiscais de "condutas gravíssimas" que feriram a Constituição e geraram "consequências drásticas para a economia brasileira".

  • Os 513 deputados federais começaram a votar pouco antes das 18h. Ele devem votar apenas "sim" ou "não", ou seja, se são a favor da abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, ou se "não", se acreditam que o pedido deve ser arquivado. Nesse momento, não há espaço para discursos.
  • Para que a tramitação chegue ao Senado, ao menos 342 deputados, dois terços do total, precisam dizer o "sim". Votos "não", abstenções e ausências contam a favor da petista – se 172 ou mais votos se enquadrarem nesse grupo, ela está livre da ameaça de afastamento (ao menos com base na ação atual).
  • Segundo o rito determinado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a votação começará com os parlamentares de Roraima, seguidos pelos do Rio Grande do Sul; na sequência, virá outro Estado da região Norte e, depois, outro da Sul, e assim sucessivamente. Deputados de cinco Estados do Nordeste (Paraíba, Pernambuco, Bahia, Sergipe e Alagoas, nesta ordem) serão os últimos.

Quem falou:

Image copyrightAgencia Brasil
Image captionO primeiro a falar foi o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (PMDB-RJ)
Antes dos deputados começarem a votar, os líderes dos partidos discursaram.
  • O primeiro a falar foi o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), que disse que a orientação da bancada é votar a favor do processo de impeachment. Picciani também disse que respeita as posições de todos os parlamentares do partido.
  • Em seguida, foi a vez do PT. O deputado Afonso Florence (PT-BA), líder do PT na Câmara. Ele disse que "os regimes de excessão" se iniciam dessa forma. "Foi o que aconteceu em 1964."
  • Depois foi a vez do deputado Antonio Imbassahy (PDSB-BA), líder do PSDB na Câmara. "O PSDB irá votar pelo impeachment porque o Brasil não pode ser governado por uma presidente da República que maculou o cargo que lhe foi confiado."
  • O líder do PP na Câmara, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), falou em seguida sobre a orientação do partido na votação: a favor do impeachment.
  • O deputado Aelton Freitas (PR-MG), em seu discurso, disse que a orientação do partido é votar contra o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
  • O deputado Rogério Rosso (PSD-DF), presidente da comissão especial de impeachment e líder do partido na Câmara diz que bancada votará a favor do processo de impeachment.
  • Depois dele, ainda falaram Fernando Coelho Filho (PSB-PE), Pauderney Avelino (DEM-AM), Márcio Marinho (PRB-BA), Wilson Filho (PTB-PB), Weverton Rocha (PDT-MA), Genecias Noronha (SD-CE), Paulo Pereira da Silva (SD-SP) e Renata Abreu (PTN-SP), Daniel Almeida (PCdoB-BA), André Moura (PSC-SE), Rubens Bueno (PPS-PR), Givaldo Carimbão (PHS-AL), Uldurico Junior (PV-BA), Ronaldo Fonseca (PROS-DF) e Alessandro Molon (Rede-RJ). Alfredo Kaefer (PSL-PR), Junior Marreca (PEN-MA), Welinton Prado (PMB-MG), Miguel Haddad (PSDB-SP).

Onde estão ocorrendo protestos:

Image copyrightBBC Brasil
Image captionIntegrantes do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira (antiga Sociedade Brasileira de Defesa de Tradição, Família e Propriedade – TFP) participaram da manifestação pró- impeachment em Brasília
Durante a votação dos deputados, manifestações pró e contra o governo tomam diversas cidades do país.
  • Em Brasília, há um forte esquema de segurança na Esplanada dos Ministérios. De um lado, o público veste verde e amarelo e a outra, vermelho. Já no gramado em frente ao Congresso Nacional foi isolado por motivos de segurança. Como resultado, de dentro da Casa não se ouve qualquer barulho das manifestações.
  • Em São Paulo, manifestantes pró-impeachment se reúnem na avenida Paulista. Alguns manifestantes também fazem fila para tirar fotos com dupla fantasiada como o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff, que aparecem encarcerados. Já os que defendem a permanência de Dilma se concentram no Vale do Anhangabaú e em outros locais do centro da cidade. Tanto na Paulista como na região central, há telões exibindo a votação em Brasília.
  • No Rio de Janeiro, o grupo Furacão 2000 levou centenas de pessoas a Copacabana contra o impeachment, abrindo os protestos na cidade. A orla concentra protestos pró e contra o impeachment ao longo deste domingo. Diante de quatro telões distribuídos ao longo da orla, o clima é tranquilo e razoavelmente silencioso, com todas as atenções voltadas ao que acontece no Congresso.
  • Em Recife, um grupo contra o impeachment protesta aos gritos de "Fora, Cunha" diante de um telão que transmite a votação
  • Em Salvador, uma manifestação pró-governo ocorre na orla da Barra.

O que dizem os lados:

Image copyrightRodolfo Stuckert Camara dos Deputados
  • Acusação: segundo a parte do pedido de impeachment aceita pelo presidente da Câmara, Dilma cometeu crime de responsabilidade em 2015 ao atrasar repasses aos bancos públicos para o pagamentos de benefícios ou cobertura de taxas de juros subsidiadas, as chamadas "pedaladas fiscais", e ao assinar decretos de suplementação orçamentária sem a autorização do Congresso.
  • Defesa: diz que o TCU (Tribunal de Contas da União) só considerou as "pedaladas" como algo irregular no fim de 2015, e que alterou sua conduta após isso. Sobre os decretos, afirma que eles não elevaram os gastos totais do governo, pois só remanejaram recursos entre despesas previamente autorizadas pelo Legislativo.
  • Comissão Especial que analisou o tema: aprovou, por 38 votos a 27, o parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO), que recomenda processar a presidente. Segundo ele, Dilma desrespeitou a harmonia e independência entre os Poderes ao assinar os decretos sem o aval do Congresso, e as "pedaladas" configuram operações de crédito (empréstimos) entre governo e bancos públicos, o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

O que acontece depois:

Image copyrightEPA
  • Caso 342 ou mais votos sejam favoráveis à abertura do processo, o Senado será autorizado a julgar Dilma. Mas isso só ocorrerá, porém, se metade dos 81 senadores (41 votos) acompanharem a posição dos deputados. Essa decisão está prevista para ocorrer em meados de maio.
  • Se os senadores decidirem abrir o processo, Dilma ficará afastada por até 180 dias à espera do julgamento; enquanto isso, o vice Michel Temer (PMDB) assumiria o cargo interinamente.
  • No julgamento final pelo Senado, a presidente seria definitivamente deposta caso 54 senadores (dois terços do total) votarem pelo impeachment. Nesse caso, Temer assumiria o posto até a passagem do mandato para o próximo presidente eleito da República, em 1º de janeiro de 2019.

Fonte: BBC

Dia do café.



Vício.


sem mais.

Dia do beijo.









BeijoEu quero um beijo glauberiano,
que me devolva o insano riso
o instante impreciso das línguas
corrompendo as horas.

Eu quero um beijo,
tem que ser lá fora
no quintal do mundo, onde num
segundo os lábios se maltratam
mas não se desatam deste gosto quente,
deste gesto em frente toda vizinhança.

Eu quero um beijo que interrompa a
dança
desta despedida.
E que tire do sério todo este hemisfério
de razão contida.
Edmilson Felipe





(...)
O mundo é grande

O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.
(...)

Carlos Drummond de Andrade



Se tu viesses ver-me hoje à tardinha

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
Florbela Espanca



Beijo

Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no de abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mas beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.

E dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombra
se nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja
Jorge de Sena









Silêncio Amoroso I

Deixa que eu te ame em silêncio
Não pergunte, não se explique, deixe
que nossas línguas se toques, e as boca
se a pele
falem seus líquidos desejos.

Deixa que eu te ame sem palavras
a não ser aquelas que na lembrança ficarão
pulsando para sempre
como se o amor e a vida
fosse um discursode impronunciáveis emoções.

Affonso Romano de Sant'Anna





Beijo

sua boca uva rubra
roça meus lábios
e por segundos
somos murmúrios úmidos
seiva cósmica de línguas
púrpuras

Virgínia Schall



Desencontro
Seguro um pescoço desconhecido
Familiar é o perfume que exala
Embriagado de sobriedade
Nulo de paixões ou vontade
Objetos começam a cair
Caem saias meias pudores
Cadeiras pratos corpos
Religiões e amores
Ah! que se danem os rumores
Tocamo-nos em beijo
O peito arfa embaça teu rosto
Quando o vejo não me vejo
Não és o reflexo meu
Nunca te procurei nem quis
Te achei por aí

Carlos Bencke





Quero lhe beijar a boca

Quero lhe beijar a boca
morder seus lábio
se brincar sua língua na minha.
Quero lhe beijar a nuca
lhe arrepiar inteiro
encostar meu peito no seu
até os corações se compassarem
as mãos entrelaçadas suarem.
Quero um abraço eterno
de guardar seu cheiro na minha pele.
Quero me queimar no seu fogo
e guardar pra sempre a cicatriz escarlate
desse nosso encontro.

cigana






Ouve, meu anjo
Ouve, meu anjo:
Se eu beijasse a tua pele?
Se eu beijasse a tua boca
Onde a saliva é mel?

Tentou, severo, afastar-se
Num sorriso desdenhoso;
Mas aí!,
A carne do assasssino
É como a do virtuoso.

Numa atitude elegante,
Misterioso, gentil,
Deu-me o seu corpo doirado
Que eu beijei quase febril.

Na vidraça da janela,
A chuva, leve, tinia...

Ele apertou-me cerrando
Os olhos para sonhar -
E eu lentamente morria
Como um perfume no ar

Antonio Botto








Poemas de saliva
Deslizo poemas de saliva
No rascunho da tua pele
Rimas profanas, estrofes abissais
O sentido profundo de um verso
Fala a língua dos teus gestos
Em convulsões gramaticais
Poemas recatados na tua pele sem pecado
Poemas de navalha no teu corpo sem perdão
A figura de linguagem do desejo
Fala a língua do meu beijo
Sem tradução
Ricardo Kelmer



Tua Voz

Tua voz me entra pelos ouvidos
me preenche o corpo
de outros líquidos

percorre pêlos e pele
desliza suave
grave
escorrendo obscena

Tua boca
porta lasciva
é semente dos meus beijos
escolhe caminhos
contorna o pescoço
e me sorri macia
abafando entrecortado suspiro...

andrea augusto©angelblue83









Baton nas bordas

Aviado o encontro
dedal de vinho.

Tateio os olhos
fivelo carícias
arremato intenções
entreteço moldes
alinhavo idéias
com fios da seda.

Veneno têxtil
me dispo te visto
casulo do tempo.

Abro casas
descubro rendas
saboreio mangas
tricotando gemidos

Zipe incontido
cadarço na agulha
vai vem da costura

Acarecio botões
colchete de peles
novelo de orgasmo
carretéis em volúpias
bordando teu nome
em meu coração,
Amor Tecido.


Beto Quelhas

Reflexões de um suposto coxinha - Artur Xexéo



Reflexões de um suposto coxinha

Gente que dividia comigo a mesma ideologia hoje se comporta como inimiga. Um muro foi erguido para me separar desses amigos
Ando sensível. Acho que já contei isso aqui. Choro à toa. Antes era com comercial de margarina, cenas de novela, trechos do filme. Agora, é lendo jornal. Cada notícia da Lava-Jato, de início, me enche de indignação. Em seguida, fico triste. É aí que choro. Ando tendo vontade de chorar também em discussões com amigos. Gente que tempos atrás dividia comigo a mesma ideologia hoje se comporta como inimiga. Ou sou eu o inimigo? De qualquer maneira, num mundo que derrubava muros, de repente, um muro foi erguido para me separar desses amigos. Tento explicar como vejo o trabalho de Sergio Moro e nunca consigo terminar o raciocínio. No meio da discussão, me emociono, fico com vontade de chorar e prefiro interromper o pensamento. “Coxinha”, me xingam nas redes sociais. Bem, se o mundo está obrigatoriamente dividido entre coxinhas e petralhas, não tenho como fugir: sou coxinha!

Leio na internet que “coxinha” é uma gíria paulista cujo significado se aproxima muito do ultrapassado “mauricinho”. Mas, desde a reeleição de Dilma, esse conceito se ampliou. Serviu para definir de forma pejorativa os eleitores de Aécio Neves. Seriam todos arrumadinhos, malhadinhos, riquinhos e votavam em seu modelo. Isso não tem nada a ver comigo. Mas, nesta briga de agora, estou do lado que é contra Lula, logo sou contra os petralhas, logo sou coxinha.
Gostaria de falar em nome da democracia. Mas não posso. A democracia agora é direito exclusivo dos meus amigos que estão do outro lado do muro. Só eles podem falar em nome dela. Então, como coxinha assumido, deixo uma pergunta. Vocês acharam muito normal o ex-presidente Lula incentivar os sindicalistas para os quais discursou esta semana a irem mostrar ao juiz Sergio Moro o mal que a Operação Lava-Jato faz à economia brasileira? Vocês acreditam sinceramente nisso? O que a Operação Lava-Jato faz? Caça corruptos pelo país. Não importa se são pobres ou ricos. Não importa se são poderosos. Não era isso o que todos queríamos, quando estávamos todos do mesmo lado, quando ainda não havia um muro nos separando, e fomos às ruas pedir Diretas Já? Não era no que pensávamos quando voltamos às ruas para gritar Fora Collor? E, principalmente, não era nisso que acreditávamos quando votamos em Lula para presidente uma, duas, três, quatro, cinco vezes!!! Não era o Lula quem ia acabar com a corrupção? Ele deixou essa tarefa pro Sergio Moro porque quis.


Como, do lado de cá do muro, me decepcionei com o ex-líder operário, o lado de lá deu pra dizer que sou de direita. Se for verdade, está aí mais um motivo para eu estar com raiva de Lula. Foi ele quem me levou pra direita. Confesso que tenho dificuldades de discutir com qualquer petralha que não se irrita quando Lula diz se identificar com quem faz compras na Rua 25 de Março. Vem cá, já faz tempo que os ternos de Lula são feitos pelo estilista Ricardo Almeida. Será que Ricardo Almeida abriu uma lojinha na rua de comércio popular de São Paulo? Por mim, Lula pode se vestir com o estilista que quiser. Mas ele tem que admitir que o discurso da 25 de Março ficou fora do contexto. A gente não era contra discursos demagógicos? O que mudou?


Meus amigos petralhas dizem que é muito perigoso tornar Sergio Moro um herói. Que o Brasil não precisa de um salvador da pátria. Mas, vem cá, não foi como salvador da pátria que Lula foi convocado para voltar ao governo? Não é ele mesmo quem diz que é “a única pessoa” que pode incendiar este país? Não é ele mesmo quem diz que é a “única pessoa” que pode dar um jeito “nesses meninos” do Ministério Público? Será que o verdadeiro perigo não está do outro lado do muro? Não é lá que estão forjando um salvador da pátria?


Há muitas décadas ouço falar que as empreiteiras brasileiras participam de corrupção. Nunca foi provado. Agora, chegou um juiz do Paraná, que investigava as práticas de malfeito de um doleiro local, e, no desenrolar das investigações, botou na cadeia alguns dos homens mais poderosos do país. Enfim, apareceu alguém que levou a sério a tarefa de desvendar a corrupção que há muitos governos atrapalha o desenvolvimento do país. E, justo agora, quando a gente está chegando ao Brasil que sempre desejamos, Lula e seus soldados querem limites para a investigação. Pensando bem, rejeito a acusação de ser coxinha, rejeito ser enquadrado na direita, rejeito o xingamento de antidemocrata, só porque apoio o juiz Sergio Moro e a Operação Lava-Jato. Coxinha é o Lula que se veste com Ricardo Almeida e mantém uma adega de razoáveis proporções no sítio de Atibaia. E, para encerrar, roubo dos petralhas sua palavra de ordem: sinto muito, mas não vai ter golpe. Sergio Moro vai ficar.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/reflexoes-de-um-suposto-coxinha-18960834#ixzz4495agbJG 



A recusa de Marlon Brando.




Marlon Brando recusa Oscar de melhor ator por ‘O Poderoso Chefão’

Em protesto contra o tratamento aos índios Sioux pela televisão e o cinema americano, o ator Marlon Brando recusa Oscar de melhor ator

Marlon Brando recusa Oscar de melhor ator por ‘O Poderoso Chefão’
Marlon Brando recebeu o prêmio pelo papel de Don Vito Corleone, em 'O Poderoso Chefão' (Foto: Flickr)

Em 27 de março de 1973, o ator americano Marlon Brando boicotou a cerimônia do Oscar e recusou a premiação de melhor ator pela atuação em O Poderoso Chefão. A atitude do ator foi um protesto contra o tratamento dado pelos americanos aos índios Sioux na televisão e no cinema.
No dia da cerimônia de entrega, o ator enviou em seu nome a ativista descendente indígena  Sacheen Littlefeather, conhecida como a Pequena Pluma, que recusou a estatueta e leu trechos de um discurso de Brando. O discurso na íntegra foi divulgado para a imprensa depois da cerimônia e três dias depois o jornal New York Times publicou o texto completo.
O prêmio pelo papel de Don Vito Corleone no filme dirigido por Francis Ford Coppola foi o segundo Oscar vencido por Marlon Brando. Antes, havia recebido o prêmio em 1955 com o filme Sindicato de Ladrões.
Marlon Brando foi o segundo ator na história a rejeitar a estatueta do Oscar. O primeiro foi George C. Scott, por Patton, Rebelde ou Herói em 1971, que na época dirigiu críticas à Academia de Cinema. Scott havia recusado anteriormente a indicação de melhor ator coadjuvante em Desafio à Corrupção, em 1961.
Durante anos Marlon Brando esteve envolvido em causas sociais. Nos anos 1940, se manifestou a favor da criação de um Estado judeu, e também ficou conhecido por apoiar a luta por direitos civis da população negra nos Estados Unidos. Marlon Brando morreu em 1º de julho de 2004 por insuficiência respiratória.
Via: Opinião e Notícia.


Nelson Rodrigues.



"Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível." 

Nelson Rodrigues





Cazuza...sempre







Lulla, Dilma e reaças afins...




Francis Bacon

Chico Toicinho 2016 
Na palestra de Curitiba, nova capital do país, citei a obra de Francis Bacon (1561-1626). Gênio precoce (entrou no Trinity College com onze anos), chegou ao mais alto posto da Inglaterra: lorde chanceler. Acusado de corrupção , reconheceu ter aceitado suborno e foi condenado à prisão e multa. Acabou ficando pouco tempo na Torre e teve a multa perdoada, pois sua influência e dinheiro eram grandes. Nos anos finais de vida, dedicou-se à reflexão filosófica. Sua mais conhecida contribuição, fala dos ídolos que atrapalham ou impedem a reflexão. São os ídolos da tribo, ídolos da caverna, ídolos do mercado e ídolos do teatro. No fundo ele toca em como as pessoas buscam argumentos que comprovem suas ideias prévias. Quase todas as pessoas, pensava ele, não ouvem argumentos distintos ou não elaboram ideias fora dos seus limites, mas aceitam ou rejeitam a partir de premissas anteriores. Como era terrível a Inglaterra do início do século XVII !
Leandro Karnal

Para quem ainda não teve a honra/sorte de conhecer Leandro Karnal. Procure, leia, estude e pense sobre tudo que ele já escreveu e falou em suas palestras. Afora o fato de ser um gênio da atualidade, ele é coerente com suas opiniões e pensamentos.

Alias, não é golpe!

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Umberto Eco






05/01/1932 - 19/02/2016
via wwmarina




Dia da Mulé! ;)









“Ela é uma moça de poses delicadas, sorrisos discretos e olhar misterioso. Ela tem cara de menina mimada, um quê de esquisitice, uma sensibilidade de flor, um jeito encantado de ser, um toque de intuição e um tom de doçura. Ela reflete lilás, um brilho de estrela, uma inquietude, uma solidão de artista e um ar sensato de cientista. Ela é intensa e tem mania de sentir por completo, de amar por completo e de ser por completo. Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. Ela tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna.”

Caio Fernando Abreu








O racional do amor – Flávio Gikovate






As pessoas buscam de tudo no mundo virtual; a internet serve para a obtenção de informações, serve para encontrar amigos, parceiros sexuais...
Um fato curioso é que, em nosso meio, existe um enorme preconceito quando se trata do uso de sites de relacionamento para fins sentimentais.
As poucas pessoas que tiveram sucesso fazendo uso de sites de relacionamento tratam de esconder das pessoas o meio usado para se conhecerem.
O que está em vigor entre nós é a tese de que se valer de qualquer tipo de intermediação para conhecer um namorado é humilhante e vergonhoso.
O mesmo acontece com encontros "arranjados" na vida real: é como se denunciassem a incapacidade de se buscar um parceiro por meios próprios!
As pessoas acham mais legal se conhecerem na noite, em bares ou baladas, bêbados, do que serem apresentadas a alguém pelas mãos de um amigo.
Por vezes penso que a maior parte das pessoas continua a achar que o amor tem que ser um fenômeno mágico, algo como a flechada do Cupido.

Para a maioria, qualquer interferência da razão e do bom senso nos encontros amorosos subtrai a mágica e estraga tudo. Não é minha opinião!

O racional do amor

Parece que existe um preconceito em relação ao amor; muitas pessoas não querem nem pensar na possibilidade dele ter um ingrediente racional.

Platão, há 25 séculos atrás, dizia que o amor deriva da admiração, que é um fenômeno racional. Convém abandonar a ideia do amor como mágica!
As escolhas amorosas têm lógica e, ao conhecermos melhor seus fundamentos, saberemos buscar parcerias amorosas adequadas, fonte de felicidade.
Quando alguém intermedeia a aproximação de duas pessoas tem sempre em mente a provável existência de grandes afinidades no modo delas serem.
Nos sites de relacionamento, o princípio que governa a busca de parceiros tem a ver com afinidades, com faixa etária, com projetos de vida...
No mundo virtual, o conhecer e se encantar por alguém começa a partir de se conhecer melhor o íntimo da pessoa. O processo é mais racional.
O relacionamento que começa como virtual é de dentro para fora e de cima para baixo: a razão dá o primeiro aval e aí o par vai se encontrar.
O encontro físico é importantíssimo, pois o amor exige, além do aval da razão, o do coração (gostar do jeito da pessoa) e, claro, o erótico!

A verdadeira história de Hugh Glass.

Há anos, quando li sobre a história desse aventureiro, lembro que pensei imediatamente: Que filme daria essa história! E finalmente chegou as telonas a história desse homem que mais parece ficção e ainda dizem que a vida imita a arte...







Abandonado para morrer
Fonte : Revista Seleções
Data : Novembro de 1979
Autor : Winfred Blevins


Em 1822, Glass se juntou a uma expedição para subir o rio Missouri para o comércio de peles. 
Hugh Glass, de 40 anos, era tão obstinado e independente como qualquer caçador de peles das montanhas. Numa manhã de agosto de 1823, viajando com outros 10 homens, ele atravessava as planícies quase áridas do território que é hoje Dakota do Sul, depois de acompanhar até a nascente do rio Grande, para ir caçar nas montanhas Rochosas.

Glass ia bem na frente do grupo principal, procurando frutinhas silvestres, quando se viu frente a frente com uma enorme ursa parda e seus dois filhotes. A ursa o atacou e com um golpe deitou-o por terra. Depois atirou-se de novo contra o corpo inerte, arrancando-lhe um pedaço de carne. Quando o resto do grupo chegou atraído pelos gritos de Glass, encontrou-o corajosamente desferindo facadas na ursa, mas esta o feria cada vez mais, a cada investida. Vários homens dispararam seus rifles e finalmente o animal tombou. Todos ficaram surpresos por encontrar Glass ainda vivo. Suas costelas tinham sido esmagadas; de um buraco enorme na garganta o sangue borbulhava cada vez que ele respirava. Seu corpo estava todo lanhado e qualquer daqueles 15 ferimentos seria suficiente par matar um homem. Era incrível a coragem de qualquer um capaz de viver pelo menos alguns minutos depois de tão maltratado. Resolveram acampar. De qualquer forma, depois do enterro não haveria mesmo tempo de prosseguir caminho naquele dia. De manhã, entretanto, o velho Glass ainda resistia. A situação estava começando a ficar problemática. Claro que era bom que Glass estivesse vivo, mas o fato de ter sobrevivido àquela noite criava um perigo: o grupo tinha sido atacado por índios há apenas dois dias e com isso haviam morrido dois homens.

O chefe do grupo, major Andrew Henry, fez o que tinha que fazer. Os índios poderiam estar em qualquer lugar, e o essencial era sair rápido do território deles. Não fazia sentido nenhum arriscarem 10 vidas à espera de que outro homem morresse a fim de poderem cumprir um ritual. Os homens já estavam ansiosos, mas Henry não seria capaz de abandonar um homem que ainda se apegava à vida. Isso era coisa que qualquer pessoa decente jamais faria. Por isso ele adotou um meio-termo: pediu que dois voluntários ficassem com Glass até que o velho passasse desta para melhor; depois disso, deveriam enterra-lo e correr para alcançar o grupo.
Imediatamente o mais jovem entre os homens se apresentou como voluntário. Era um rapaz de 19 anos, sem nada de especial, chamado Jim Bridger. Henry olhou para os outros. John Fitzgerald achava que não era justo. Quem ficasse ali estaria convidando os índios a levarem seu escalpo. Poderia até mesmo perder a caça do outono, se não conseguisse chegar ao forte bem depressa. Mas talvez Henry recompensasse o tempo perdido...

Henry disse então que oferecia 40 dólares a quem ficasse ali. Fitzgerald declarou que aceitava. Afinal aquele dinheiro representava o pagamento de dois ou três meses de trabalho. O resto do grupo se afastou, deixando Bridger e Fitzgerald encarregados de enterrar Glass.
Ao chegar a manhã, os dois descobriram que Glass ainda estava vivo. E se o velho resistisse duas semanas? Que é que iam poder fazer? Na quarta manhã Bridger por um momento ficou em dúvida sobre se Glass estava vivo ou morto; parecia ter mergulhado num sono semelhante à morte.

Naquela tarde Fitzgerald insinuou que ele e Bridger eram homens formidáveis por haverem ficado tanto tempo com Glass, arriscando suas cabeças. Evidentemente o serviço que haviam feito valia mais de 40 dólares.
Na manhã seguinte o obstinado Glass abriu os olhos. Estavam vidrados. Bridger não teve certeza de que o velho fosse capaz de enxergar. Contou a Fitzgerald, que havia começado a arrumar suas coisas.
“Vou dar o fora daqui, Bridger”, informou Fitzgerald. “Já ficamos mais do que devíamos. De qualquer maneira, Henry não tencionava que esperássemos cinco dias só por 40 dólares. Ele pensou que a gente ia embora logo. Isso não é razoável.” Bridger não disse nada. Olhou para Glass, que balançava a cabeça para frente e para trás. Era possível que estivesse apenas delirando, mas Bridger imaginou que talvez Glass pudesse ver o que estava acontecendo e provavelmente ouvir tudo também. Olhou para ele com firmeza.
“Estou pronto”, disse Fitzgerald. “Vai ficar ou vai embora?”
“Não posso ir embora”, disse Bridger pensativo.
“Rapaz, você sabe o que os índios vão fazer com você, não sabe? Talvez meter-lhe varas de pinho e acende-las, para assar você lentamente. Ou talvez o esfolem vivo.” Bridger nada disse.
“Vamos indo!” ordenou Fitzgerald. “Você ainda não está em idade para jogar tudo fora, e muito menos por um cadáver.”

Bridger olhou para Fitzgerald, sem acreditar no que ouvia, enquanto este lhe berrava: “Pegue o rifle, a faca e tudo mais. Não se abandonam as coisas de um homem quando é enterrado, a gente as leva. E nós enterramos o velho Glass. Não se esqueça disso, rapaz.”
Bridger pôs-se a caminha ao lado do cavalo, como se fosse um autômato. Já estavam alguns quilômetros dali quando conseguiu voltar ao normal. Ai sentiu uma fúria incontrolável e uma espécie de enjôo no estômago.
Quando Glass despertou, entendeu o que havia acontecido. Pronunciou suas primeiras palavras e estas lhe deram certeza da situação: “Desgraçados, foram embora e me deixaram aqui para morrer! Levaram todas as minhas coisas.” Passou o resto do dia pensando nisso. Quando chegou a manhã, havia resolvido que ia ajustar contas com Bridger e Fitzgerald. A ânsia de acertar as dívidas sobreveio-lhe como uma febre.

Glass calculava que ele e os companheiros haviam viajado 400 km desde Fort Kiowa, mas essa distância era muito menor que a que o grupo havia prosseguido viagem. Além disso, dali até For Kiowa o terreno de modo geral só descia.
Antes de terminar aquele primeiro dia, Glass caiu de exaustão. Tinha começado rastejando, acompanhando um ribeiro. A cada movimento uma das feridas se abria e sangrava. Quase perdeu a consciência umas duas vezes por causa da dor, e estava tão fraco que se sentia como se carregasse uma mula nas costas. Só havia conseguido percorrer um quilômetro e meio o dia inteiro; fez outro tanto no seguinte, e não se sentia nada melhor. No terceiro dia achou que avançara um pouco mais, mas nunca conseguiria percorrer 400km daquela maneira.
Dias depois encontrou lobos que despedaçavam um filhote de búfalo. Quando o animal já estava meio devorado e os lobos satisfeitos e preguiçosos, Glass pôs-se de pé com dificuldade, com ajuda de um grande bastão, e soltou um grito fantástico. Os lobos sumiram.
Foi então até onde estava o búfalo e ajoelhou-se devagar, tentando evitar que as feridas se abrissem mais. Pensou que o sangue que estava perdendo ele o recuperaria ali mesmo. Arrancou pedaços de carne crua do búfalo, metendo grandes nacos na boca. Vou viver, disse para consigo. Eu vou viver.

Dias depois, quando deixou a carcaça, Glass finalmente caminhava ereto. Isso o fez sentir-se ótimo. Agora seria capaz de matar um coelho ou um texugo, se fosse rápido e tivesse sorte. Suas feridas estavam melhorando. Se caminhasse devagar e regularmente, poderia percorrer 15 km por dia. Sua mente saltava entre o júbilo por viver e o desejo de vingança por ter sido abandonado para morrer. Foram essas duas coisas que o impeliram para o rio Grande, em direção à confluência deste com o Missouri, e dali rumo a Fort Kiowa seguindo o imenso rio. Em Fort Kiowa ele conseguiria ferramentas, provisões e coisas assim, e, ato contínuo, daria meia-volta e subiria o rio, para pegar os homens que o haviam abandonado.
Chegou a Fort Kiowa na segunda semana de outubro. Fazia sete semanas que a ursa o atacara. Ele sobrevivera seis delas sozinho e, depois de ser quase um cadáver, havia conseguido rastejar e caminhar cerca de 400 km em território hostil, sem ter como conseguir carne e sem nenhuma proteção contra os índios. Deixou estupefato o comerciante que dirigia Fort Kiowa.
Mais ou menos dois dias depois, partiu em busca de seus dois desertores. A viagem levou-o por montanhas cobertas de neve, subindo os rios Missouri e Yellowstone, até Big Horn. Cobriu cerca de 1.000 km em menos de 12 semanas.

Glass pegou o jovem Bridger na noite de 31 de dezembro de 1823, quando o grupo do maior Henry estava comemorando o Ano Novo dentro do Fort Henry. Glass entrou com passadas firmes na sala em que os homens se divertiam. Fez-se silêncio mortal, e ele encarou o homem que havia perseguido por quase 1.500 km.
“Sou Glass, Bridger.. o homem que voce abandonou para morrer... e a quem roubou as coisas que poderiam ajuda-lo a sobreviver, sozinho e machucado, nas planícies. Voltei porque jurei que ia matar você.”

Bridger tinha o aspecto de um homem pronto a ser morto e a penar no inferno por seu pecado mortal. Não tinha nada a dizer. Ficou com um ar patético e parecia estranhamente infantilizado.
Glass hesitou. “Você está envergonhado e arrependido”, disse. “Acho que teria ficado comigo se Fitzgerald não o tivesse convencido. Não precisa ter medo de mim. Eu o perdôo. Você não passa de um garoto. ” Glass sentiu-se mais aliviado e mais à vontade por haver despejado aquelas palavras de uma vez só. Sentou-se, alguém lhe passou um copo de uísque e minutos depois ele havia desmaiado.

Bridger sentia-se quase nauseado de culpa e vergonha. Havia sido poupado porque era um menino. Preferia ter sido morto. Bridger, que morreu em 1881, viria a tornar-se o mais famoso dos caçadores das montanhas, comerciando desde o Novo México até a fronteira do Canadá. Acredita-se que tenha sido o primeiro branco a avistar o Grande Lago Salgado, e as trilhas que ele abriu em busca de peles seriam de imenso valor para os colonizadores que vieram depois.
Só passados seis meses e mais 1.500 km, Glass encontrou John Fitzgerald. Descobriu-o em Fort Atkinson, em Council Bluffs. Exultou ao encontrar Fitzgerald, mas só até descobrir uma coisa. Fitzgerald pertencia agora ao exército dos Estados Unidos, e mata-lo significaria assinar sua própria sentença de morte. Glass entrou como um furacão no gabinete do capitão Riley, exigindo justiça. O oficial trouxe Fitzgerald. Finalmente ali estava Fitzgerald, arrependido como queria Glass. O engraçado, pensou, era que ele não conseguia odiá-lo tanto quanto desejava. “Você fugiu e me deixou morrendo”, acusou ele. “Você ficou com medo e fugiu; e roubou as coisas que me ajudariam a viver. Acho que você tem uma coisa em que pensar o resto de sua vida. ”

Riley mandou Fitzgerald sair e fez uma proposta a Glass. Se ele fosse embora, Riley lhe daria de volta a arma e os outros pertences e o aprovisionaria com tudo de que necessitasse para recomeçar. Glass aceitou. Durante nove anos Glass caçou nos rios do Sudoeste norte-americano e na região de Yellowstone.


Em 1833 os índios o mataram e o escalpelaram. Glass, porém, havia-se tornado um personagem lendário. Recusando-se a morrer, havia demonstrado aptidão, resistência e uma coragem inacreditáveis. Sobreviveu a seu infortúnio e até hoje vive nas lendas dos Estados Unidos.dinheiro