Coração, esse jovem impetuoso.

É preciso acrescentar qualquer comentário? Idade é só um número mesmo. O que move a vida definitivamente é a nossa capacidade de sentir. Seria raso dizer que é o amor. O amor é uma das consequências. A capacidade de sentir, vai além do que produz. Não desistir, não abdicar dessa capacidade em nome de qualquer coisa, isto sim nos leva adiante. Não importa a idade, não importa o corpo, o peso, as rugas, tudo isso são limitações que nos impomos, o que importa de fato é a capacidade de sentir e isso, meus dois amados leitores, devemos morrer mantendo. Até o fim tudo é possível. ;)

Idosa de 92 anos foge da clínica para ficar com namorado de 87.






Quem disse que fugir para ficar com namorado é coisa de adolescente? As loucuras da paixão não têm idade!
Na Noruega uma idosa de 92 anos de idade fugiu da casa de repouso onde estava para ficar com seu namorado, de 87 anos.
A vovó teria se encontrado com o amor de sua vida algumas vezes. Ele aparentemente a tinha visitado na clínica algumas vezes.
Este mês os cuidadores deram falta da idosa, depois que seu andador foi encontrado abandonado em um parque.
Imagine a correria para tentar a achar a vovó apaixonada na casa Vilberg, em Eidsvold, ao norte de Oslo, na Noruega.
As buscas só foram encerradas quando a direção da clínica descobriu tudo.
Sabe pra onde ela foi? Para a Estocolmo, na Suécia, ficar com seu namorado.
“Esta é realmente uma história de amor comovente”, disse a chefe da clínica, Janka Solstad.
“Imagine não ser capaz de passar um feriado romântico só porque você ja passou dos 90. A senhora não fez nada ilegal, mas ela causou algum desconforto para nós, porque não avisou que estava indo embora.”
As férias românticas da vovó apaixonada duraram 10 dias e ela já voltou para a clínica.
Com informações do Mirror
.Daqui.

Prosa boa de um autor muito jovem.




ANTES DE PROCURAR ALGUÉM, ENCONTRE VOCÊ





Não procure alguém só por estimação, pra preencher suas horas e ocupar os seus momentos, porque quando você é capaz de preencher sozinho a sua vida, você se ocupa por inteiro, e você passa não desejar qualquer coisa, a não aceitar nada além de alguém que se realize com você.
Não procure alguém que te complete, pra ser sincero, não procure ninguém. As melhores coisas da vida acontecem quando você menos espera. Acontecem quando tem que acontecer. Se for pra encontrar, encontre alguém pra sentar no sofá, bagunçar o teu cabelo e assistir aquele filme que você ama mais que sempre faz ele dormir. Encontre alguém que tenha assuntos pra conversar com você no final da noite, mesmo depois de um dia corrido, ou alguém que dispute quem de vocês faz mais pontos em Criminal Case. Se tenha por completo, esteja bem com você mesma, dê tempo pra você, porque quando a gente se basta o outro só chega pra somar. Antes de se apaixonar por alguém, se apaixone por você. Antes de querer alguém pra amar, ame-se e o outro chegará quando você menos esperar. Antes de correr atrás de alguém, lembre-se que ainda tem Netflix e uma temporada inteira daquela sua série favorita pra assistir.
Não procure alguém pra te tirar o tédio, pra dar as mãos, pra ocupar o lado esquerdo da cama e do peito se você não tiver certeza de que sozinha ocupa bem a cama e a si mesma, que sozinha você vai longe, que você não depende de ninguém pra isso, que também é capaz de encontrar os seus caminhos e que não precisa de ninguém pra te levar a lugar algum. Se carregue, se leve, seja livre, porque é de gente livre, leve e solta que o amor precisa. Quando você entende que a leveza da tua alma e a paz da tua vida não merece ser trocada por nenhum peso ou bagunça sentimental, o outro só chega pra seguir o fluxo de um amor tranquilo, pra te apresentar novos lugares e caminhos.
Não procure alguém só pra chamar de ''amor'' ou só pra apelidar de algum desses nomes fofos-clichês. Não procure alguém só pra ter quem apresentar no encontro com seus amigos, ou pra ter um colo pra pegar no sono quando o estresse do trabalho atormentar. Não se mantenha em lugares que só te perturbam, e isso também vale pra pessoas. Já perdemos muito tempo tentando seguir caminhos que não são os nossos, tentando aprender coisas que não queremos, ficando com pessoas que não suportamos. Onde não existir reciprocidade, não se demore.
Encontre alguém que, mesmo com nome e sobrenome, te faça entender o significado de chamá-lo de ''meu amor'', alguém que esteja disposto a te dar colo, carinho, afeto, não somente nos seus melhores, mas nos piores também, alguém que os seus amigos reconheçam como ''a pessoa certa pra você'' e concordem quando você sorri ao falar dele. Não procure alguém só pra te ligar e conversar sobre saudade, combinar um cinema num sábado a tarde, ou só pra te dizer que vai aparecer quando der. Encontre alguém que esqueça de te ligar pra te avisar e chegue na tua casa de surpresa pra matar a saudade. Não procure alguém pra ocupar a tua vida, porque às vezes a gente perde muito tempo com quem ocupa espaços que não merecem ocupar. Poupe seu tempo e sua paciência com quem só sabe te dizer: ''não sei/vou pensar/qualquer coisa eu te ligo''. Dê o seu tempo a quem te diz ''tô indo/abre a porta que eu já cheguei''.
Não procure alguém só por estimação, pra preencher suas horas e ocupar os seus momentos, porque quando você é capaz de preencher sozinho a sua vida, você se ocupa por inteiro, e você passa não desejar qualquer coisa, a não aceitar nada além de alguém que se realize com você, porque se for pra ser mais uma página a ser rasgada, melhor escrever o livro sozinho.
Autor:

Sou recifense, 24 anos, apaixonado por cafés, seriados e filmes, mas amo cervejas e novelas se houver um bom motivo pra isso. Além de escrever em meu blog pessoal e por aqui, escrevo também no blog da Isabela Freitas, sou colunista do Superela e lancei o meu primeiro livro em Novembro de 2014 pela Editora Penalux

12/06/2016 - É o que temos pra hoje.





Sou como Joana. ;)

Muhammad Ali.




RIP 1942 - 2016



1. “Cassius Clay é o nome de um escravo. Não foi escolhido por mim. Eu não o queria. Eu sou Muhammad Ali, um homem livre”.
2. “Somente um homem que sabe o que sente ao ser derrotado pode ir até o fundo de sua alma e tirar dali aquilo que lhe resta de energia para vencer um combate equilibrado”.
4. “Sei aonde vou e sei o que é a verdade. E não tem por que ser o que você quer que seja. Sou livre para ser aquilo que quero ser”.
3. “Odiei cada minuto de treinamento, mas não parava de repetir a mim mesmo: ‘não desista, sofra agora para viver o resto de sua vida como campeão’”.
5. “Impossível é apenas uma palavra usada pelos fracos que acham mais fácil viver no mundo que lhes foi determinado do que explorar o poder que possuem para muda-lo. O impossível não é um fato consumado. É uma opinião. Impossível não é uma afirmação. É um desafio. O impossível é algo potencial. O impossível é algo temporário. Nada é impossível”.
6. “Sou o maior. Disse isso a mim mesmo inclusive antes de saber que o era”.
7. “Não vou percorrer 10.000 quilômetros para ajudar a assassinar um país pobre simplesmente para dar continuidade à dominação dos brancos sobre os escravos negros”.
8. “Quando criança, eu pedia ao meu irmão Rudy que jogasse pedras sobre mim.Era assim que eu aprendia a fazer meus movimentos, esquivando-me de pedradas”.
9. “No golfe eu também sou o melhor. O único problema é nunca joguei golfe”.
10. “Um homem que enxerga o mundo aos 50 anos da mesma forma que aos 20perdeu 30 anos de vida”.
11. “Não divido o mundo entre os homens modestos e os arrogantes. Divido o mundo entre os homens que mentem e os que dizem a verdade”.
12. “Não suporto ver sangue. Em muitas das minhas lutas, eu tinha de olhar para o lado”.
13. “O silêncio vale ouro quando não se consegue achar uma boa resposta”.
14. “É apenas um trabalho. O mato cresce, os pássaros voam, as ondas acariciam a areia... Eu me bato em um ringue”.
15. “Não conte os dias: faça com que os dias contem”.
16. “Quando você tem razão, ninguém se lembra disso; quando está errado, ninguém esquece”.
17. “Outro dia fui ao cinema ver um filme de terror. Ele se chama Baron Blood. Comparado com isso, ter ganho de Foreman foi apenas mais um dia na academia”.
18. “O boxe é um monte de brancos vendo como um negro vence outro negro”.
19. “Servir aos outros é como o aluguel que se tem de pagar por uma casa na Terra”.
20. “Eu fui o Elvis do boxe, o Tarzan do box, o Super-Homem do boxe, o Drácula do boxe. O grande mito do boxe”


Geminianos.







sem mais.

A impossibilidade de voltar.






Dizem que antes de um rio entrar no mar, ele treme de medo.
Olha para trás, para toda a jornada que percorreu, para os cumes, as montanhas, para o longo caminho sinuoso que trilhou através de florestas e povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto, que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entrar no oceano é que o medo desaparecerá, porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas de tornar-se oceano...
Osho




CHEIOS DE FOME - LEANDRO KARNAL



*CHEIOS DE FOME* LEANDRO KARNAL - O ESTADO DE S.PAULO

LEANDRO KARNAL É HISTORIADOR E PROFESSOR DE HISTÓRIA CULTURAL DA UNICAMP

Que ninguém acuse o PMDB de incoerência e contradição. Para negar valores é preciso primeiro que eles existam, diz historiador

Escrevo com o Brasil já sob nova administração. Crônica de uma morte longamente anunciada, a presidente Dilma foi afastada do cargo e o vice, Michel Temer, assumiu o posto máximo do Executivo. Vices são fundamentais no Brasil. A história da República tem tantos que seria prudente colocar em primeiro plano, nas próximas eleições, as ideias e a biografia do eventual substituto. Deodoro foi nosso primeiro presidente, mas renunciou meses após ter sido eleito. Seu vice- Floriano Peixoto, trouxe energia e ideologia ao cargo, e é chamado de “consolidador da República”. Nosso primeiro presidente civil, Prudente de Morais, tinha saúde frágil e o vice, o médico Manuel Vitorino Pereira, teve oportunidade de substituí-lo. A morte do presidente Afonso Pena, em 1909, levou o vice Nilo Peçanha ao poder. A gripe espanhola levou o eleito Rodrigues Alves e seu vice, Delfim Moreira, assumiu entre 1918 e 1919. O assassinato de um vice, João Pessoa, em 1930, foi o estopim de um movimento que levou Getúlio Vargas ao Catete. Sem vice ao subir, Getúlio caiu sem vice em 1945, levando o presidente do STF (José Linhares) a se tornar a alternativa possível. Outro vice, Café Filho, assumiu quando do suicídio de Vargas, em 1954, sendo o primeiro protestante a subir à presidência do Brasil. Outro vice, João Goulart, tornou-se presidente em 1961, com a renúncia de Jânio Quadros. Pedro Aleixo foi impedido de assumir quando o marechal Costa e Silva teve um problema de saúde. Daqui em diante a memória de muita gente ajuda: desde a redemocratização, 3 vices (Sarney, Itamar e Temer) tornaram-se presidentes. Os três últimos apresentam em comum serem membros do PMDB. Partido surgido com o Ato Institucional número 2 (outubro de 1965) que dissolveu o pluripartidarismo e criou MDB e ARENA, uma oposição confiável e um partido da situação. Curiosamente, nas justificativas para o ato institucional, os militares usaram um argumento que, de alguma forma, foi repetido por muitas pessoas nas votações da Câmara e do Senado recentes. Dizia o texto : “A Revolução é um movimento que veio da inspiração do povo brasileiro para atender às suas aspirações mais legítimas: erradicar uma situação e um Governo que afundavam o País na corrupção e na subversão.” É uma característica quase universal dos movimentos políticos invocarem que falam em nome do povo e não de interesses partidários ou pessoais. Desde que o conceito povo entrou no vocabulário político do Ocidente, com a Revolução Francesa, ele tem sido usado para tudo, menos para os interesses do povo propriamente ditos. O nome povo sempre foi sagrado, mas o povo real sempre foi alvo de gás de pimenta. O MDB virou PMDB e continuou sendo uma frente ampla, sem uma posição clara sobre a maioria das questões. Acima de tudo, o partido virou peça estratégica. Por quê? Ele é suficientemente variado e amplo para poder estar associado a qualquer projeto político mais claro. Pode estar ao lado de um político tradicional como Tancredo Neves ou ao lado de um emergente da política como Collor. Também não faz má figura ao lado de um ex-operário socialista como Lula. Não existe contradição em termos porque não existem termos no PMDB. Não há negação de valores porque isto implicaria a existência deles. Eventualmente, críticos do governo FHC podem levantar pontos e medidas que contrariam a tradição sociológica do ex-presidente ou a alegada social-democracia do seu partido. Da mesma forma, inimigos da era Lula-Dilma podem demonstrar que o mercado financeiro foi beneficiado de forma estranha para a orientação esquerdista de ambos. Esqueçam o que escrevi ou deletem quem eu fui são frases inerentes ao exercício do poder real no Brasil. Porém, seria injusto alegar qualquer incoerência com o PMDB. Incoerência em relação a qual princípio? O PMDB foi convidado para estas chapas eleitorais não pelos valores, mas pela sua presença no legislativo federal e nas prefeituras, pela sua imensa atomização e maleabilidade. Sei exatamente o que pensam os deputados Bolsonaro ou Jean Wyllys. E um deputado do PMDB? O novo presidente da República, Michel Temer, anunciou que constituiria um ministério de notáveis e com cortes no absurdo número daquela esplanada. Retrocedeu nas duas decisões. Lógica da Realpolitik: não é o idealismo da transformação que marca a ação nem de Temer e nem do PMDB, mas da já gasta ideia do príncipe de Salina de Lampedusa, da mudança superficial para garantir a manutenção estrutural. Dilma levou tempo para entender que o cão de guarda furioso ajuda o dono, desde que muito bem alimentado. O curioso é que o PMDB foi escolhido por representar esta segurança. Sarney era o líder do partido que apoiou a ditadura e seu nome deveria acalmar conservadores sobre as intenções da Nova República. Itamar Franco era o contrapeso à ação coruscante de Collor. Temer cumpriu o mesmo papel. O PMDB garantia a blindagem do governo e esta quase autonomia bonapartista que marca Brasília em relação à nação. O poder dos bastidores, o conchavo de sacristia, as reuniões que decidem tudo antes de levar a questão já acordada para o plenário foram e são as marcas dos políticos profissionais. A politica assim concebida, só entende valores como “clamor das ruas”, “respeito à constituição”, “bandeira da ética” ou outra qualquer como óleo a ser usado para lubrificar as engrenagens do poder. Democracia e povo são fundamentais, desde que, claro, não contrariem o objetivo prático e imediato do interesse político. Mas há um risco em passar de vice a titular. É o risco inerente a toda amante que deseja ser esposa. A vida alternativa tinha quase todos os benefícios e pouca exposição. Agora, a vidraça está exposta ao sol e ao alcance dos estilingues. Poderíamos inverter a frase de Jesus no Calvário: “Pai, eles podem ser perdoados? Não sei, mas eles sabem exatamente o que fazem”. Não duvide disto, leitor!

Ausência Recorrente - para sempre no Dia das Mães.








Chuva permanente


Quando se perde alguém querido, sempre resta algo de irreal na ausência
Mando um zap-zap para uma amiga que dias antes perdeu o pai. Como ela e a mãe estão indo? Responde que tudo agora parece muito estranho. Ocorre-me que é isto mesmo: uma perda torna irreal aquilo que antes nos era familiar. Afinal, o luto é o período durante o qual essa irrealidade vai lentamente se impondo como nova realidade.

Retrocedendo nos dias e anos, desapareceram na minha família ou no círculo de amizades: outro pai, um tio-avô, uma irmã, um marido, duas tias, cinco amigos... Por mais que o tempo passe, porém, não “cura” nada. Sempre restará algo de irreal nessas ausências. Paradoxo: elas continuarão presentes para todo o sempre. O nosso sempre.

Minha mãe morreu há mais de duas décadas, depois de quase dois meses lúcida numa CTI. Era relativamente jovem, 63 anos, sofria do coração. Até a internação, eu ligava para ela todos os dias, no final de tarde, começo de noite, que é quando os cadernos de Cultura costumam fechar. Vinte anos. Pois ainda hoje, após jornadas de trabalho muito intensas em casa, eu tenho o impulso de passar a mão no telefone para ouvir a sua voz (que luto para não esquecer). Quem sabe, numa realidade paralela, uma senhora franzina e silenciosa aguarde em vão uma ligação do filho.

Uma de minhas cunhadas morreu há cinco anos. Era ainda mais jovem, 40 anos, teve meningite. Morava no interior de Minas. Víamo-nos sempre que possível, logo sempre menos que o desejável. Só consegui retornar à sua cidade em outubro, para a festa de 75 anos de minha sogra. Saber que não encontraria minha cunhada antecipava um problema de difícil superação. Mesmo tendo ido a seu enterro, pareceu-me absurdo que ela não estivesse mais lá. Quem sabe, numa realidade paralela, uma moça bonita e engraçada aguarde a visita da irmã e do cunhado que moram no Rio.

Não diferencio os objetos de nossos amores — e, portanto, de nossos lutos — pela sua família animal. Um de meus gatos, uma fêmea siamesa, morreu no ano passado. Era idosa, tinha quase 19 anos, viveu o que tinha para viver, em boa forma até os meses finais. Enquanto estou em casa, sua ausência preenche todos os cantos. Está na poltrona arranhada do escritório, entre os travesseiros da cama do casal, na porta em que eu tamborilava para que saltasse. Ela só pode ter se escondido em algum lugar, a safada.

Quando escrevi sobre minha gata, recebi inúmeras mensagens de solidariedade e carinho. Numa delas, a leitora contava que, depois de perder um cão muito querido, tinha enorme dificuldade de subir da portaria para o apartamento e constatar que ele não estava lá — isso todo dia, todo dia, um pesadelo recorrente. Entendo. Voltar aqui para casa tem sido dar pela falta de um dos gatos. (Por enquanto, um.) Meus olhos a procuram pelos cômodos e, quando caio na real, uma bigorna se reinstala em meu peito.

Não é verdade que, como escreveu Nietzsche, “o que não nos mata nos torna mais fortes”, frase tão popular que serviu de epígrafe para o “Conan, o bárbaro” com Arnold Schwarzenegger. Em “Altos voos e quedas livres”, livro concluído por um ensaio sobre a morte da mulher, Julian Barnes rebateu o filósofo alemão: “Há muitas coisas que não nos matam, mas que nos enfraquecem para sempre”. Acho que, se tanto, tornam-se o metro pelo qual medimos outros sofrimentos. Lembro-me da avó que eu chamava de “minha gata”, a mãe de minha mãe: “Só não há remédio para a morte”.

Leio “1913 — antes da tempestade”, do historiador de arte alemão Florian Illies. É um almanaque culto, mês a mês, do ano que precedeu a eclosão da Primeira Guerra Mundial. Antes, em 1912, após ser traído por Fernande Olivier, Picasso tomara como amante Marcelle Humbert, a quem rebatizou de Eva Gouel. Refugiou-se com ela em Céret, nos Pireneus, para conseguir trabalhar. “Para Picasso, como sempre acontecia com o surgimento de uma nova amante, a vida e a arte transformaram-se por completo”, escreve Illies. O pintor passava do cubismo inicial, analítico, ao cubismo sintético.

Em março de 1913, Picasso e Eva estão de volta a Céret, mas as coisas não vão bem. O pai do pintor, José Ruiz y Blasco, que o ensinara a desenhar, está morrendo, em Barcelona. Eva também cai doente, com câncer. A cadela Frika agoniza. Quando o veterinário diz que não há mais nada a fazer, o pintor pede a um inspetor de caça que dê o tiro de misericórdia. “Até o final de sua vida. Picasso não esquecerá o nome do atirador — ‘El Ruquetó’ – e também o quanto ele chorou naqueles dias”, conta Illies. “O pai morto, o cão morto, a amante doente de morte e, lá fora, uma chuva permanente. Picasso enfrenta, na primavera de 1913, em Céret, sua maior crise psíquica”.

Na fase seguinte, o “cubismo de cristal”, destilaria uma geometria minimalista, quase abstrata. É tentador pensá-la como uma resposta às perdas acumuladas. Se meu chute tiver alguma validade, mais do que até então Picasso ensaiaria ali uma nova realidade alternativa, tentativa de replicar nos quadros a irrealidade dos lutos.
______
Voltarei a “1913”.


Arthur Dapieve

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/chuva-permanente-19238610#ixzz47vXlnNLG 

RIP PRINCE







21/04/2016 - Feriado. Queda de um trecho da ciclovia aqui no Rio de Janeiro. Com mortos. Prince nos deixa. Crise política. Povo dividido e francamente beligerante. São tempos sombrios...muito sombrios.


Impeachment - cenas do próximo capítulo

17/04/2016 

'Dia D' do impeachment: O que você precisa saber sobre a votação e os próximos passos


A votação na Câmara dos Deputados, em Brasília, começou pouco depois das 14 horas, com Jovair Arantes (PTB-GO), relator da Comissão Especial do Impeachment, lendo o parecer sobre o processo. Ele chamou as pedaladas fiscais de "condutas gravíssimas" que feriram a Constituição e geraram "consequências drásticas para a economia brasileira".

  • Os 513 deputados federais começaram a votar pouco antes das 18h. Ele devem votar apenas "sim" ou "não", ou seja, se são a favor da abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, ou se "não", se acreditam que o pedido deve ser arquivado. Nesse momento, não há espaço para discursos.
  • Para que a tramitação chegue ao Senado, ao menos 342 deputados, dois terços do total, precisam dizer o "sim". Votos "não", abstenções e ausências contam a favor da petista – se 172 ou mais votos se enquadrarem nesse grupo, ela está livre da ameaça de afastamento (ao menos com base na ação atual).
  • Segundo o rito determinado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a votação começará com os parlamentares de Roraima, seguidos pelos do Rio Grande do Sul; na sequência, virá outro Estado da região Norte e, depois, outro da Sul, e assim sucessivamente. Deputados de cinco Estados do Nordeste (Paraíba, Pernambuco, Bahia, Sergipe e Alagoas, nesta ordem) serão os últimos.

Quem falou:

Image copyrightAgencia Brasil
Image captionO primeiro a falar foi o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (PMDB-RJ)
Antes dos deputados começarem a votar, os líderes dos partidos discursaram.
  • O primeiro a falar foi o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), que disse que a orientação da bancada é votar a favor do processo de impeachment. Picciani também disse que respeita as posições de todos os parlamentares do partido.
  • Em seguida, foi a vez do PT. O deputado Afonso Florence (PT-BA), líder do PT na Câmara. Ele disse que "os regimes de excessão" se iniciam dessa forma. "Foi o que aconteceu em 1964."
  • Depois foi a vez do deputado Antonio Imbassahy (PDSB-BA), líder do PSDB na Câmara. "O PSDB irá votar pelo impeachment porque o Brasil não pode ser governado por uma presidente da República que maculou o cargo que lhe foi confiado."
  • O líder do PP na Câmara, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), falou em seguida sobre a orientação do partido na votação: a favor do impeachment.
  • O deputado Aelton Freitas (PR-MG), em seu discurso, disse que a orientação do partido é votar contra o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
  • O deputado Rogério Rosso (PSD-DF), presidente da comissão especial de impeachment e líder do partido na Câmara diz que bancada votará a favor do processo de impeachment.
  • Depois dele, ainda falaram Fernando Coelho Filho (PSB-PE), Pauderney Avelino (DEM-AM), Márcio Marinho (PRB-BA), Wilson Filho (PTB-PB), Weverton Rocha (PDT-MA), Genecias Noronha (SD-CE), Paulo Pereira da Silva (SD-SP) e Renata Abreu (PTN-SP), Daniel Almeida (PCdoB-BA), André Moura (PSC-SE), Rubens Bueno (PPS-PR), Givaldo Carimbão (PHS-AL), Uldurico Junior (PV-BA), Ronaldo Fonseca (PROS-DF) e Alessandro Molon (Rede-RJ). Alfredo Kaefer (PSL-PR), Junior Marreca (PEN-MA), Welinton Prado (PMB-MG), Miguel Haddad (PSDB-SP).

Onde estão ocorrendo protestos:

Image copyrightBBC Brasil
Image captionIntegrantes do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira (antiga Sociedade Brasileira de Defesa de Tradição, Família e Propriedade – TFP) participaram da manifestação pró- impeachment em Brasília
Durante a votação dos deputados, manifestações pró e contra o governo tomam diversas cidades do país.
  • Em Brasília, há um forte esquema de segurança na Esplanada dos Ministérios. De um lado, o público veste verde e amarelo e a outra, vermelho. Já no gramado em frente ao Congresso Nacional foi isolado por motivos de segurança. Como resultado, de dentro da Casa não se ouve qualquer barulho das manifestações.
  • Em São Paulo, manifestantes pró-impeachment se reúnem na avenida Paulista. Alguns manifestantes também fazem fila para tirar fotos com dupla fantasiada como o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff, que aparecem encarcerados. Já os que defendem a permanência de Dilma se concentram no Vale do Anhangabaú e em outros locais do centro da cidade. Tanto na Paulista como na região central, há telões exibindo a votação em Brasília.
  • No Rio de Janeiro, o grupo Furacão 2000 levou centenas de pessoas a Copacabana contra o impeachment, abrindo os protestos na cidade. A orla concentra protestos pró e contra o impeachment ao longo deste domingo. Diante de quatro telões distribuídos ao longo da orla, o clima é tranquilo e razoavelmente silencioso, com todas as atenções voltadas ao que acontece no Congresso.
  • Em Recife, um grupo contra o impeachment protesta aos gritos de "Fora, Cunha" diante de um telão que transmite a votação
  • Em Salvador, uma manifestação pró-governo ocorre na orla da Barra.

O que dizem os lados:

Image copyrightRodolfo Stuckert Camara dos Deputados
  • Acusação: segundo a parte do pedido de impeachment aceita pelo presidente da Câmara, Dilma cometeu crime de responsabilidade em 2015 ao atrasar repasses aos bancos públicos para o pagamentos de benefícios ou cobertura de taxas de juros subsidiadas, as chamadas "pedaladas fiscais", e ao assinar decretos de suplementação orçamentária sem a autorização do Congresso.
  • Defesa: diz que o TCU (Tribunal de Contas da União) só considerou as "pedaladas" como algo irregular no fim de 2015, e que alterou sua conduta após isso. Sobre os decretos, afirma que eles não elevaram os gastos totais do governo, pois só remanejaram recursos entre despesas previamente autorizadas pelo Legislativo.
  • Comissão Especial que analisou o tema: aprovou, por 38 votos a 27, o parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO), que recomenda processar a presidente. Segundo ele, Dilma desrespeitou a harmonia e independência entre os Poderes ao assinar os decretos sem o aval do Congresso, e as "pedaladas" configuram operações de crédito (empréstimos) entre governo e bancos públicos, o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

O que acontece depois:

Image copyrightEPA
  • Caso 342 ou mais votos sejam favoráveis à abertura do processo, o Senado será autorizado a julgar Dilma. Mas isso só ocorrerá, porém, se metade dos 81 senadores (41 votos) acompanharem a posição dos deputados. Essa decisão está prevista para ocorrer em meados de maio.
  • Se os senadores decidirem abrir o processo, Dilma ficará afastada por até 180 dias à espera do julgamento; enquanto isso, o vice Michel Temer (PMDB) assumiria o cargo interinamente.
  • No julgamento final pelo Senado, a presidente seria definitivamente deposta caso 54 senadores (dois terços do total) votarem pelo impeachment. Nesse caso, Temer assumiria o posto até a passagem do mandato para o próximo presidente eleito da República, em 1º de janeiro de 2019.

Fonte: BBC

Dia do café.



Vício.


sem mais.

Dia do beijo.









BeijoEu quero um beijo glauberiano,
que me devolva o insano riso
o instante impreciso das línguas
corrompendo as horas.

Eu quero um beijo,
tem que ser lá fora
no quintal do mundo, onde num
segundo os lábios se maltratam
mas não se desatam deste gosto quente,
deste gesto em frente toda vizinhança.

Eu quero um beijo que interrompa a
dança
desta despedida.
E que tire do sério todo este hemisfério
de razão contida.
Edmilson Felipe





(...)
O mundo é grande

O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.
(...)

Carlos Drummond de Andrade



Se tu viesses ver-me hoje à tardinha

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
Florbela Espanca



Beijo

Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no de abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mas beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.

E dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombra
se nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja
Jorge de Sena









Silêncio Amoroso I

Deixa que eu te ame em silêncio
Não pergunte, não se explique, deixe
que nossas línguas se toques, e as boca
se a pele
falem seus líquidos desejos.

Deixa que eu te ame sem palavras
a não ser aquelas que na lembrança ficarão
pulsando para sempre
como se o amor e a vida
fosse um discursode impronunciáveis emoções.

Affonso Romano de Sant'Anna





Beijo

sua boca uva rubra
roça meus lábios
e por segundos
somos murmúrios úmidos
seiva cósmica de línguas
púrpuras

Virgínia Schall



Desencontro
Seguro um pescoço desconhecido
Familiar é o perfume que exala
Embriagado de sobriedade
Nulo de paixões ou vontade
Objetos começam a cair
Caem saias meias pudores
Cadeiras pratos corpos
Religiões e amores
Ah! que se danem os rumores
Tocamo-nos em beijo
O peito arfa embaça teu rosto
Quando o vejo não me vejo
Não és o reflexo meu
Nunca te procurei nem quis
Te achei por aí

Carlos Bencke





Quero lhe beijar a boca

Quero lhe beijar a boca
morder seus lábio
se brincar sua língua na minha.
Quero lhe beijar a nuca
lhe arrepiar inteiro
encostar meu peito no seu
até os corações se compassarem
as mãos entrelaçadas suarem.
Quero um abraço eterno
de guardar seu cheiro na minha pele.
Quero me queimar no seu fogo
e guardar pra sempre a cicatriz escarlate
desse nosso encontro.

cigana






Ouve, meu anjo
Ouve, meu anjo:
Se eu beijasse a tua pele?
Se eu beijasse a tua boca
Onde a saliva é mel?

Tentou, severo, afastar-se
Num sorriso desdenhoso;
Mas aí!,
A carne do assasssino
É como a do virtuoso.

Numa atitude elegante,
Misterioso, gentil,
Deu-me o seu corpo doirado
Que eu beijei quase febril.

Na vidraça da janela,
A chuva, leve, tinia...

Ele apertou-me cerrando
Os olhos para sonhar -
E eu lentamente morria
Como um perfume no ar

Antonio Botto








Poemas de saliva
Deslizo poemas de saliva
No rascunho da tua pele
Rimas profanas, estrofes abissais
O sentido profundo de um verso
Fala a língua dos teus gestos
Em convulsões gramaticais
Poemas recatados na tua pele sem pecado
Poemas de navalha no teu corpo sem perdão
A figura de linguagem do desejo
Fala a língua do meu beijo
Sem tradução
Ricardo Kelmer



Tua Voz

Tua voz me entra pelos ouvidos
me preenche o corpo
de outros líquidos

percorre pêlos e pele
desliza suave
grave
escorrendo obscena

Tua boca
porta lasciva
é semente dos meus beijos
escolhe caminhos
contorna o pescoço
e me sorri macia
abafando entrecortado suspiro...

andrea augusto©angelblue83









Baton nas bordas

Aviado o encontro
dedal de vinho.

Tateio os olhos
fivelo carícias
arremato intenções
entreteço moldes
alinhavo idéias
com fios da seda.

Veneno têxtil
me dispo te visto
casulo do tempo.

Abro casas
descubro rendas
saboreio mangas
tricotando gemidos

Zipe incontido
cadarço na agulha
vai vem da costura

Acarecio botões
colchete de peles
novelo de orgasmo
carretéis em volúpias
bordando teu nome
em meu coração,
Amor Tecido.


Beto Quelhas