Para sempre Chaplin...

"A vida é uma tragédia quando vista de perto,
mas uma comédia quando vista de longe"
Charles Chaplin

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VI
Já não penso em ti. Penso no ofício
a que te entregas. Estranho relojoeiro
cheiras a peça desmontada: as molas unem-se,
o tempo anda. És vidraceiro.
Varres a rua. Não importa
que o desejo de partir te roa; e a esquina
faça de ti outro homem; e a lógica
te afaste de seus frios privilégios.

Há o trabalho em ti, mas caprichoso,
mas benigno,
e dele surgem artes não burguesas,
produtos de ar e lágrimas, indumentos
que nos dão asa ou pétalas, e trens
e navios sem aço, onde os amigos
fazendo roda viajam pelo tempo,
livros se animam, quadros se conversam,
e tudo libertado se resolve
numa efusão de amor sem paga, e riso, e sol.

O ofício é o ofício
que assim te põe no meio de nós todos,
vagabundo entre dois horários; mão sabida
no bater, no cortar, no fiar, no rebocar,
o pé insiste em levar-te pelo mundo,
a mão pega a ferramenta: é uma navalha,
e ao compasso de Brahms fazes a barba
neste salão desmemoriado no centro do mundo oprimido
onde ao fim de tanto silêncio e oco te recobramos.

Foi bom que te calasses.
Meditavas na sombra das chaves,
das correntes, das roupas riscadas, das cercas de arame,
juntavas palavras duras, pedras, cimento, bombas, invectivas,
anotavas com lápis secreto a morte de mil, a boca sangrenta
de mil, os braços cruzados de mil.

E nada dizias. E um bolo, um engulho
formando-se. E as palavras subindo.
Ó palavras desmoralizadas, entretanto salvas, ditas de novo.
Poder da voz humana inventando novos vocábulos e dando sopros exaustos.
Dignidade da boca, aberta em ira justa e amor profundo,
crispação do ser humano, árvore irritada, contra a miséria e a fúria dos ditadores,
ó Carlito, meu e nosso amigo, teus sapatos e teu bigode
caminham numa estrada de pó e de esperança.
Fragmento - Canto ao Homem do Povo - Charles Chaplin - Carlos Drummnod de Andrade.



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Charles Spencer Chaplin nasceu no dia 16 de abril de 1889 às 20 horas, em um subúrbio de Londres. Sua mãe era atriz e ele já pequeno era levado por ela as suas apresentações, numa dessas idas, aos cinco anos, Chaplin fez sua estréia.
A primeira etapa da vida de Chaplin foi muito triste. O pai abandonou a família e ele vivia em orfanatos quando sua mãe não podia cuidar dele. Foi nessas passagens que Chaplin conseguiria involuntariamente adquirir subsídios para criar o doce vagabundo, que faria dele um dos comediantes mais famosos de todos os tempos. Pouco depois, a morte de seu pai e a internação da sua mãe em um sanatório marcariam a vida de Chaplin profundamente, nessa época assinou seu primeiro contrato estável como ator, interpretando um mensageiro em uma versão de Sherlock Holmes, melhorando sua condição financeira.
Foi em Paris, que conheceu os irmãos Lumiére, George Méliés e Max Linder fizeram nascer a magia do cinematógrafo. Ficou encantado com a tal "mágica".
O seu primeiro filme, estreado em fevereiro de 1914, mostrava as aventuras de um personagem cômico na redação de um jornal. Em seu segundo filme, Corrida de automóveis para meninos (1914), criou um personagem que logo seria identificado pelo público. Sennett pediu-lhe que se vestisse de maneira engraçada. “Pensei que poderia usar umas calças muito grandes e uns sapatos enormes, além de uma bengala e um chapéu coco. Queria que tudo fosse contraditório: as calças folgadas, o paletó apertado, o chapéu pequeno e os sapatos enormes. Assim nasceu o famoso “Tramp” (que os povos dos países de idioma espanhol passaram a chamar de “Carlitos”).


PhotobucketAs disputas com outros diretores e a ambição dificultaram sua relação com a Keystone, depois de ter filmado 35 longas-metragens em apenas um ano. Insatisfeito com os estúdios da Essanay em Chicago e em São Francisco, instalou-se em Los Angeles. Desde o primeiro dos quinze filmes que realizou para essa produtora, teve a colaboração de Rollie Totheroth, seu fiel câmera durante sua carreira nos Estados Unidos. Contratou Edna Purviance como primeira atriz dos filmes que realizaria nos próximos quinze anos , logo após ter começado a dirigir, percebeu “que o posicionamento da câmera não era apenas uma questão psicológica, ms também constituía a articulação da cena; na verdade, era a base do estilo cinematográfico”. O sucesso de Chaplin foi consolidado pelo contrato com a Mutual em 1916.

Chaplin teve uma vida riquíssima, grandes filmes, sucesso absoluto, criação de sua própria companhia, e alguns escândalos e envolvimentos com várias mulheres, a sua maioria bem mais jovens que ele. Superou a tudo, mas talvez a maior mágoa de sua vida foi a suspeita sobre a sua militância comunista, a falta de patriotismo que tinha impedido a sua nacionalização e a suspeita de adultério. Eram os últimos dias de Chaplin nos Estados Unidos. Passou a viver em Londres com sua última esposa, Oona O’Neil.

Apesar disso, o cineasta ainda viveu o suficiente para receber vários prêmios. Em 1971, a Academia de Hollywood quis restaurar a sua reputação nos Estados Unidos com um Oscar especial “pela incalculável contribuição à arte do século: o cinema”. Um ano mais tarde recebeu outro Oscar com um sabor especial, o de melhor trilha sonora pelo filme Luzes da Ribalta, que por não ter estreado em Los Angeles pôde ser candidato ao Oscar vinte anos depois. Nessa ocasião Chaplin decidiu voltar aos Estados Unidos e pisou um palco pela última vez, sendo aplaudido durante muitos minutos. Três anos mais tarde, a rainha da Inglaterra o nomeou cavaleiro do Império Britânico.

Algum tempo depois o doce vagabundo morreria num dia de Natal. 


"Aos que me podem ouvir eu digo: `Não desespereis!' A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia, da amargura dos homens que temem o avanço humano..." 

Charles Chaplin


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Simone de Beauvoir.


"... Que nada nos limite/ Que nada nos impeça/ Que nada nos sujeite/ Que a liberdade seja/ A nossa própria substância" (Simone de Beauvoir)


Morreu numa tarde de primavera, vítima de edema pulmonar, num hospital à margem esquerda do Sena, em Paris, a escritora e filósofa Simone de Beauvoir. Exatamente um dia antes do sexto aniversário da morte do filósofo Jean-Paul Sartre. Juntos e separados eles viveram, desde 1929, um dos maiores amores do século 20". Jornal do Brasil 



Conta a história que uma amiga de Simone de Beauvoir, professora universitária como ela, encontrou-a no corredor e disse: "Escolhi uma turma só de meninos. Eles são melhores, mais atentos. Já as meninas ficam sonhando e fazem cada pergunta fraca..." Simone não deu ouvidos. Sorte da colega, que escapou de enfrentar a fúria de uma feminista nata, sensível e inteligente. Aos 17 anos, Simone já era bacharel em Filosofia pela Sorbonne e, aos 21, dava aulas na universidade. Convicta de sua crença na necessidade de uma revolução das mulheres, vociferava até contra os livros de história infantil: meninas medrosas, sempre salvas pelos garotos. Para a escritora, é assim que se começa a lavagem cerebral. Entre os livros que escreveu está o clássico O segundo sexo (1949), em que ataca o casamento e a maternidade como formas de submissão. Com o filósofo Jean-Paul Sartre, seu companheiro por mais de 50 anos, teve um relacionamento inédito na época. Eles nunca se casaram, viveram em casas separadas, embora vizinhos de porta, e foram assumidamente infiéis. Além do amor por Sartre, a escritora nutriu paixões homossexuais, como a que veio à tona nos anos 90, com a aluna Bianca Lamblin, que revelou a história em livro.



Claro que esse é o resumo do resumo da história dela. Simone era uma intelectual de inteligência privilegiada. Participante do grupo de escritores filósofos que deram uma transcrição literária dos temas do Existencialismo, ela é conhecida primeiramente por seu tratado Le Deuxième Sexe (1949 - O Segundo Sexo), um apelo intelectual e apaixonado pela abolição do que ela chamou o mito do "eterno feminino". Esta notável obra tornou-se um clássico da literatura feminista.


Educada em instituições privadas, Simone depois freqüentou a Sorbone onde, em 1929, concluiu filosofia e conheceu Jean-Paul Sartre, começando com ele um companheirismo por todo o resto da vida. Ela ensinou em várias escolas (1931-43) antes de voltar-se para escrever para se manter. Em 1945 ela e Sartre fundaram e começaram a editar Les Temps modernes, uma revista mensal, da qual eles próprios eram os principais colaboradores.


Suas novelas abordavam os principais temas Existenciais, demonstrando sua concepção do compromisso do escritor com sua época. L'Invitée (1943 - "A convidada") descreve a destruição do relacionamento de um casal sutilmente provocada pela permanência prolongada de uma jovem em sua casa, e também trata do difícil problema de relacionamento de uma consciência para com outra, cada consciência individual sendo fundamentalmente predadora da outra.

Preocupada também com o problema da velhice, que ela aborda em Une Mort très douce (1964 - "Uma morte suave"), sobre a morte de sua mãe num hospital, e La Vieillesse (1970; Old Age), uma amarga reflexão sobre a indiferença da sociedade pelos velhos. Em 1981 ela escreveu La Cérémonie des adieux ("Cerimônia do adeus"), um doloroso relato dos últimos anos de Sartre.

Considerada uma mulher corajosa e íntegra, Simone de Beauvoir viveu de acordo com sua própria tese de que as opções básicas de um indivíduo devem ser feitas sobre a premissa e uma vocação igual para o homem e a mulher fundadas na estrutura comum de seus seres, independentemente de sua sexualidade.




Trecho de A Força da Idade.

"Para que minha vida me bastasse, precisava dar seu lugar à literatura. Em minha adolescência e minha primeira juventude, minha vocação fora sincera mas vazia; limitava-me a declarar: "Quero ser uma escritora". Tratava-se agora de encontrar o que desejava escrever e ver em que medida o poderia fazer: tratava-se de escrever. Isso me tomou tempo. Eu jurara a mim mesma, outrora, terminar com vinte e dois anos a grande obra em que diria tudo; e tinha já trinta anos quando iniciei o meu primeiro romance publicado, A convidada. Na minha família e entre minhas amigas de infância, murmurava-se que eu não daria nada. Meu pai agastava-se: "Se tem alguma coisa dentro de si, que o ponha para fora". Eu não me impacientava. Tirar do nada e de si mesma um primeiro livro que, custe o que custar, fique em pé, era empresa, bem o sabia, exigente de numerosíssimas experiências, erros, trabalho e tempo, a não ser em virtude de um conjunto excepcional de circunstâncias favoráveis. Escrever é um ofício, dizia-me, que se aprende escrevendo. Assim mesmo dez anos é muito e durante esse período rabisquei muito papel. Não creio que minha inexperiência baste para explicar um malogro tão perseverante. Não era muito mais esperta quando iniciei A convidada. Cumpre admitir que encontrei então "um assunto" quando antes nada tinha a dizer? Mas há sempre o mundo em derredor; que significa esse nada? Em que circunstâncias, por que, como as coisas se revelam como devendo ser ditas?
A literatura aparece quando alguma coisa na vida se desregra; para escrever - bem o mostrou Blanchot no paradoxo de Aytré - a primeira condição está em que a realidade deixe de ser natural; somente então a gente é capaz de vê-la e de mostrá-la."


Trecho de A Força da Idade (La Force de l'Age - 1960), livro de memórias de Simone de Beauvoir, no qual relembra o início de sua aventura literária, nos anos 30 e 40, ao lado de Sartre a quem o livro é dedicado.


Simone de Beauvoir faleceu no dia 14 de abril de 1986.

leia mais: Aqui  , Aqui e Aqui



Dia do Beijo


Dia do Beijo








Beijo

Eu quero um beijo glauberiano,
que me devolva o insano riso
o instante impreciso das línguas
corrompendo as horas.

Eu quero um beijo,
tem que ser lá fora
no quintal do mundo, onde num
segundo os lábios se maltratam
mas não se desatam deste gosto quente,
deste gesto em frente toda vizinhança.

Eu quero um beijo que interrompa a
dança
desta despedida.
E que tire do sério todo este hemisfério
de razão contida.


Edmilson Felipe





(...)
O mundo é grande

O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.
(...)

Carlos Drummond de Andrade




Se tu viesses ver-me hoje à tardinha

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...


Florbela Espanca



Beijo

Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no de abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mas beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.

E dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombra
se nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja


Jorge de Sena




Silêncio Amoroso I

Deixa que eu te ame em silêncio
Não pergunte, não se explique, deixe
que nossas línguas se toques, e as boca
se a pele
falem seus líquidos desejos.

Deixa que eu te ame sem palavras
a não ser aquelas que na lembrança ficarão
pulsando para sempre
como se o amor e a vida
fosse um discursode impronunciáveis emoções.

Affonso Romano de Sant'Anna





Beijosua boca uva rubra
roça meus lábios
e por segundos
somos murmúrios úmidos
seiva cósmica de línguas
púrpuras

Virgínia Schall






Desencontro
Seguro um pescoço desconhecido
Familiar é o perfume que exala
Embriagado de sobriedade
Nulo de paixões ou vontade
Objetos começam a cair
Caem saias meias pudores
Cadeiras pratos corpos
Religiões e amores
Ah! que se danem os rumores
Tocamo-nos em beijo
O peito arfa embaça teu rosto
Quando o vejo não me vejo
Não és o reflexo meu
Nunca te procurei nem quis
Te achei por aí
Carlos Bencke





Quero lhe beijar a boca

Quero lhe beijar a boca
morder seus lábio
se brincar sua língua na minha.
Quero lhe beijar a nuca
lhe arrepiar inteiro
encostar meu peito no seu
até os corações se compassarem
as mãos entrelaçadas suarem.
Quero um abraço eterno
de guardar seu cheiro na minha pele.
Quero me queimar no seu fogo
e guardar pra sempre a cicatriz escarlate
desse nosso encontro.
cigana






Ouve, meu anjo
Ouve, meu anjo:
Se eu beijasse a tua pele?
Se eu beijasse a tua boca
Onde a saliva é mel?

Tentou, severo, afastar-se
Num sorriso desdenhoso;
Mas aí!,
A carne do assasssino
É como a do virtuoso.

Numa atitude elegante,
Misterioso, gentil,
Deu-me o seu corpo doirado
Que eu beijei quase febril.

Na vidraça da janela,
A chuva, leve, tinia...

Ele apertou-me cerrando
Os olhos para sonhar -
E eu lentamente morria
Como um perfume no ar
Antonio Botto





Poemas de saliva
Deslizo poemas de saliva
No rascunho da tua pele
Rimas profanas, estrofes abissais
O sentido profundo de um verso
Fala a língua dos teus gestos
Em convulsões gramaticais
Poemas recatados na tua pele sem pecado
Poemas de navalha no teu corpo sem perdão
A figura de linguagem do desejo
Fala a língua do meu beijo
Sem tradução


Ricardo Kelmer






Tua Voz
Tua voz me entra pelos ouvidos
me preenche o corpo
de outros líquidos

percorre pêlos e pele
desliza suave
grave
escorrendo obscena

Tua boca
porta lasciva
é semente dos meus beijos
escolhe caminhos
contorna o pescoço
e me sorri macia
abafando entrecortado suspiro...
andrea augusto©angelblue83




Baton nas bordas

Aviado o encontro
dedal de vinho.

Tateio os olhos
fivelo carícias
arremato intenções
entreteço moldes
alinhavo idéias
com fios da seda.

Veneno têxtil
me dispo te visto
casulo do tempo.

Abro casas
descubro rendas
saboreio mangas
tricotando gemidos

Zipe incontido
cadarço na agulha
vai vem da costura

Acarecio botões
colchete de peles
novelo de orgasmo
carretéis em volúpias
bordando teu nome
em meu coração,
Amor Tecido.
Beto Quelhas




Modéstia às favas é a minha especialidade mais perfeita, mais completa mesmo... Dedico - me a arte do beijo desde sempre com o ardor das primeiras vezes, sempre único, úmido, inteiro, eis a verdadeira penetração explícita de duas línguas mútuas e recorrentes, quentes serpentes a percorrer todos os viés e papilas gustativas.








Amor e Sexo.


Genial pra dizer o mínimo! Essa palestra do Flavio Gikovate. deveria fazer parte do currículo escolar para formar pessoas mais sadias nessas questões. Assista, vai fazer muita, muita diferença no seu modo de pensar sobre esse assunto.





Em algum lugar do passado...

Em algum lugar do passado...
aqui no presente.
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Agora no Telecine Cult, na verdade escrevo e vejo aqui na TV ao lado, o  filme "Em algum lugar do passado" .São 23:18 de uma sexta-feira.

Eu não sou saudosista, mas tenho muita saudade de alguns dias da minha vida e esse filme me lembra tanto o primeiro amor... Altíssimo, cabelos pretos e olhos azuis. Às vezes, penso que o único amor puro na essência é o primeiro mesmo, e não precisa ser necessariamente na adolescência, basta ser numa idade em que ainda não se aprendeu a jogar, que dizer "eu te amo" com medo de ser o primeiro a dizer, nem passa pela cabeça. Que demonstrar  amor não gera no outro um sentimento de poder, de estar  no domínio da situação, apenas um conforto, um calor aconchegante no coração dizendo: em algum lugar tem alguém que pensa em mim com  amor.
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Coisa difícil nos dias de hoje e por isso mesmo continuo achando que nasci na época errada. Admiro o tempo em que um fio de barba, uma palavra dada era o necessário para se fechar acordo, cumprir promessas.

Hoje não, nada nos garante sequer que alguém está dizendo a verdade, muito menos seria uma temeridade aceitar uma palavra sem lavrar em cartório. Uma pena, que tudo isso tenha se perdido.
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Passam os séculos, mudam os anos e os tempos modernos nos falam da independência amorosa, das noites onde o desencontro esta marcado em algum bar, festa ou lugar, onde estamos, mas ele nunca esta. Ele? Ele mesmo, esse tipo de amor ou melhor vontade de amar que o tempo não supera ou apaga.
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Esse que quando estamos sem ele, o objeto amado, continuamos sentindo sua presença onde não mais se encontra. Ou que telefonamos, escrevemos só para nos certificarmos de sua presença no mundo. É quando se percebe que mesmo o desejo de esquecê-lo é o mais forte estímulo para dele se lembrar.


Não há solução, como disse Nietz, quando descobriu "a fórmula da grandeza do homem : amor fati". Não evitar nem se conformar e muito menos dissimular, mas afirmar o necessário, amar o que não pode ser mudado.
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A décima oitava variação de Rapsódia, de Rachmaninoff, é o toque do meu celular quando quem liga não tem música própria. Não há quem não reclame, quando toca dizendo que é fúnebre. Não acho e pensando bem, talvez seja uma forma de me manter ligada a um passado que faz parte da minha história.
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...mas deixa eu continuar a ver o filme.







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O quê?




 O quê??????


Amor pleno - Flavio Gikovate




Os que estão mais preparados para um relacionamento amoroso correspondido buscam um parceiro com igual disposição e essa já é uma afinidade!
Quem ousa mergulhar numa relação correspondida experimenta um medo difuso e aparentemente inexplicável: apesar da intensidade, é inofensivo.
O medo que acompanha as relações amorosas onde existem enormes afinidades é bom indício: os que o enfrentam viverão uma história fascinante.
Paixão é o amor intenso entre pessoas afins associado ao medo. Quando o medo se atenua e a dependência inicial também, vive-se o amor pleno.
O elo amoroso de boa qualidade surge entre pessoas afins e ponderadas: é isento de brigas, desrespeito, intolerância e tolera as diferenças.
As relações de qualidade tornam os parceiros íntimos e cúmplices; conhecem os pontos fracos um do outro e jamais se valem disso contra eles!
As relações amorosas entre afins se aproximam mais que tudo das amizades, talvez a mais madura e sincera forma de interação entre os humanos.
Os casais que são, ao mesmo tempo, amigos e amantes vivenciam algo que é bem mais do que amor (no sentido usual do termo): esse é o +amor!
Flavio Gikovate


Dúvidas Pascais - Luís Fernando Veríssimo


DÚVIDAS PASCAIS     

- Papai, o que é Páscoa?

- Ora, Páscoa é ...... bem ...... é uma festa religiosa! 
        
- Igual Natal?                                                

- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na     Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.   

- Ressurreição?
                  
- É, ressurreição. Marta, vem cá!                            

- Sim?                                                

- Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu jornal.              

- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?
  
- Mais ou menos ....... . Mamãe, Jesus era um coelho?

- Que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que esse menino foi batizado! Jorge, esse menino não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma Educação cristã! Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola? Ave Maria! 

-  Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus?
                          
-  É filho, Jesus e Deus são a mesma pessoa. Você vai estudar isso no catecismo. Chama-se a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.        

-  O Espírito Santo também é Deus? É sim.
            
- E Minas Gerais?                                                

- Sacrilégio!!!                                       

- É por isso que a Ilha da Trindade fica perto do Espírito Santo?                 

- Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe entende direito. Mas quando você for no
catecismo  a professora explica tudinho!                

-  Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?

-  Eu sei lá! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de presente ele traz ovinhos.               

- Coelho bota ovo?                 

-  Chega! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais!

- Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?
- Era, era melhor, ou então urubu.    
                                      
-  Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né? Que dia que ele morreu?                             

-  Isso eu sei: na sexta-feira santa.
                 
-  Que dia e que mês?                        

- ??????? Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.
        
- Um dia depois.                                              

-  Não, três dias.                                

-  Então morreu na quarta-feira.
       
-  Não, morreu na sexta-feira santa ....... ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois!                  
- Como?                                              

-  Pergunte à sua professora de catecismo!
 
-  Papai, por que amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?                 

- É que hoje é sábado de aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.
                
-  O Judas traiu Jesus no sábado?
                     
-  Claro que não! Se ele morreu na sexta!!!
  
-  Então por que eles não malham o Judas no dia certo?

- É, boa pergunta. Filho, atende o telefone pro papai. Se for um tal de Rogério diz que eu saí.
                                                   
-  Alô, quem fala?                                                  

- Rogério Coelho Pascoal. Seu pai está?
                 
-  Não, foi comprar ovo de Páscoa. Ligue mais tarde, tchau.
-  Papai, qual era o sobrenome de Jesus?
- Cristo. Jesus Cristo.        

- Só?               

- Que eu saiba sim, por quê?

- Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?                      

- Coitada!                       

- Coitada de quem?      

-  Da sua professora de catecismo!!!

Luis Fernando Veríssimo



Para sempre,Brando...


Marlon Brando


"Sofri muita miséria em minha vida por ser famoso e rico"
Marlon Brando



Marlon Brando nasceu em 3 de abril de 1924, em Omaha, no Estado americano de Nebraska, filho de um vendedor e de uma atriz que liderava um grupo de teatro local. Anos depois, ele foi mandado para uma academia militar em Minnesota, mas acabou sendo expulso.
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Brando tornou-se a expressão de uma interpretação verdadeira e realista, que nunca teria existido sem ele. Reconhecido por ser metódico, reescreveu as regras de atuação e, com sua impactante sensualidade, redefiniu a forma do astro de cinema masculino.

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(FSP, 19/07/90) Brando, Marlon - Brando foi um dos homens mais bonitos do século. Sua beleza está registrada indelevelmente em filmes como Espíritos indômitos, The men, e Uma rua chamada Pecado. A street-car named Desire. Brando tinha movimentos de felino. Ele sempre disse que foi o fato de lhe quebrarem o nariz, numa luta de boxe, entortando-o, que o fez ter um rosto diferente. Waaal, os traços dele são muito bons, os olhos são fundos e, claro, talento não se explica. Queimava o resto do elenco em Espíritos indômitos pelo simples ato de olhar para eles. Em uma rua chamada Pecado, quando o estão gozando por suas maneiras rudes, ele dá com a mão num prato e, já observei várias vezes, apesar de o filme ser em preto e branco, ele fica pálido de raiva. É a extraordinária capacidade de auto-introspecção de Brando e sua capacidade de projetá-la que o tornaram unicamente célebre. Ele não precisava fazer nada, apenas ser em cena.
Paulo Francis


"Sempre penso que se eu não fosse ator teria sido um vigarista e acabado na cadeia. Ou talvez tivesse enlouquecido."

"A profissão mais antiga do mundo não é a prostituição, é a representação. Até os macacos representam."

"Nunca me esforcei para ser um sucesso. Simplesmente aconteceu. Eu apenas tentava sobreviver."

"Passei a maior parte da vida com medo de ser rejeitado, e acabei rejeitando a maioria das pessoas que me ofereceram amor porque não conseguia confiar nelas."

"Eu dou risada das pessoas que dizem que fazer filmes é arte e que os atores são artistas. Artistas foram Rembrandt, Beethoven, Shakespeare e Rodin; os atores são formigas operárias que participam de um negócio e labutam por dinheiro."

"Temos [nos Estados Unidos] uma abundância de coisas materiais, mas uma sociedade bem sucedida deveria produzir pessoas felizes, e acho que nós produzimos mais gente infeliz do que praticamente qualquer outro lugar da terra."

Talvez nem fosse preciso fazer pesquisa e colocar aqui resumidamente o que Brando foi e representou. No caso dele, acredito, bastava uma foto e tudo estaria ali. Irretocável.


Imagem - Cinema Clássico - Facebook
91 anos de nascimento.
3 de abril de 1924 - 1 de julho de 2004

Não, não é para nenhum dos meus 7 leitores.


Vai com Deus. 
Caminho de Luz, de verdade, 
porque você esta tão na treva que não consegue mais enxergar,  nem a si nem o caminho.

Vá se cuidar, vá procurar uma ajuda espiritual, um mentor pra te ensinar o que são "vozes", vá se doar aos outros apesar da falta total de empatia e por consequência direta, falta de amor, de consideração, carinho, cuidado com o outro  ou troque tudo isso por um belo curso de teatro e aprimore-se no fingir, no encenar. Mas antes de tudo e antes de mais nada, cuide do seu olhar. Seus olhos são dois cacos de vidro, inertes, sem vida, sem emoção. Ainda que você seja incapaz de sentir e nisso se incluem toda forma de sentimento, tente aprimorar esse olhar morto porque os mais espertos notarão que o que sai da sua boca não consegue respaldo dos seus olhos, esses sim, as janelas da alma.
Aprimore-se na arte de encenar porque treinar a empatia, já adianto será um fracasso. Empatia é orgânica, se nasce com ela, não se aprende, esquece. Torne-se um melhor ator.

E como a minha porção ariana não poderia deixar de se manifestar, deixo um beijo pra você.

Sinceramente e fora a brincadeira.
Vá com Deus.


ciao.



Quando um médium desconhece seu dom.





Espíritos obsessores, em geral se apropriam daqueles que estão desprotegidos. Por desprotegidos entendam que se trata de pessoas que não dão a importância necessária a sua própria espiritualidade. A conseqüência direta disso é para eles próprios, claro porém a influencia desse descuido nos ambientes que frequentam é considerável, ainda mais quando se trata de um médium.

Um médium que não se sabe médium mas vivencia fenômenos é como uma energia desgovernada. Sem rumo, sem entender o que se passa com eles, tem a tendência a interpretar os fenômenos que vivenciam de maneira errada. Um exemplo prático disso são os médiuns audientes, aqueles que escutam vozes e que acreditam ser uma forte intuição levando a sério tudo que escutam ou pior, interpretando de maneira errada. Nem sempre a voz que se escuta vem de bons espíritos ou mesmo de seu mentor, em muitos casos trata-se de espíritos zombeteiros que querem apenas confundir o instrumento. Sem estudo, desconhecendo como discernir o bom do mal podem agir ou tomar atitudes que causarão todo tipo de atraso a sua evolução ou mesmo a sua existência terrena colocando a perder bons negócios, bons empregos, boas amizades, relacionamentos e tudo que fazem para viver em sociedade.

A má interpretação, ocasionada pela falta de estudo e cuidado nesse caso é de fato o mais prejudicial. Ainda que se tenha a sorte de ser influenciado por bons espíritos, a má interpretação pode colocar tudo a perder porque terá por conseqüência o foco errado.
O "aviso" de um acidente, por exemplo seja de que espécie for, pode dizer respeito a si mesmo e não necessariamente a outrem e vice versa. Enquanto se espera que algo aconteça com outra pessoa em um carro, por exemplo pode-se sofrer um acidente, às vezes até mais de um no mesmo dia ou semana. Houve o aviso, mas foi mal interpretado.
Estudar para conhecer e entender é a única saída.

A grande ironia é quando esse dom é dado a alguém cujo o desconhecimento do que seja consideração, empatia e mesmo amor ao próximo  é patente. O trabalho então será redobrado, pois não bastará estudar, há que se vencer o próprio egoísmo e se entregar a um sentimento maior, a doação de si mesmo. Não sei se conseguirá, querido leitor que se identifica e não conseguindo continuará contaminando ambientes, sendo desagradável, colecionando bolinhas de água no próprio copo, destruindo suas próprias conquistas e pior achando que o negativo, o mal esta no outro, fora de si e não o contrário. Não esta. O foco é você. Você é o denominador comum. 
Quer que tudo mude? Quer compreender o que acontece com você, quer saber o que é essa voz, quer fechar esse quebra-cabeça e ver que finalmente todas as pedras se encaixam? Comece por você. Todas as respostas estão em você.





Pessoas idealistas - Flavio Gikovate




Pessoas mais generosas costumam ser idealistas: como conseguem sair de si e se colocar no lugar dos outros, tendem a imaginar como elas são.
Na prática, acabamos por imaginar os outros como criaturas parecidas com o que somos: é difícil aceitar que existam humanos muito diferentes.
O idealismo corresponde a um modo de pensar que aumenta as chances de erro: a pessoa se afasta dos fatos e acredita demais em suas hipóteses.
Os mais generosos e idealistas têm dificuldade em perceber que metade da população não sente culpa: se tornam vítima fácil de oportunistas.
Pessoas objetivas, que se atêm aos fatos e só recorrem às ideias ou à imaginação quando eles não estão disponíveis, agem com mais bom senso.
O realismo não implica pessimismo ou desencanto: acabam se decepcionando mais os que se iludem e não avaliam as pessoas com objetividade.

Aceitar que umas pessoas sentem culpa e outras não costuma ajudar muito àqueles que pretendem conhecer melhor os outros e não ter decepções.
Flavio Gikovate

*Que eu nunca relaxe e nunca me esqueça disso sob pena de nova decepção e dessa vez comigo mesma por não ter apendido a lição.


Beijo na boca.




Um beijo pode ser um ato solene ou uma carícia sexual profunda. A duração dos beijos, nos primórdios do cinema, foi censurada, mais ainda quando a carícia envolvia a língua. Foram estabelecidas novas regras, que diminuíram o tempo médio do beijo de quatro segundos para um segundo e meio. O primeiro beijo de um casal costuma selar uma espécie de pacto sobre os possíveis avanços.
Para os adolescentes dos anos 60 só tinha graça ir ao cinema acompanhado se fosse para sentar na última fila. Era ali que se podia beijar à vontade. O beijo era o limite da decência e o máximo permitido, portanto, deveria ser muito bem dado.
Beijar bem ou mal transformara-se numa grande questão e servia de critério para valorizar ou desprestigiar um namorado. O primeiro beijo, então, nem se fala. Revestia-se de importância especial e era aguardado com ansiedade.
Em muitos grupos circulava um caderno de recordações em que os jovens respondiam a várias perguntas, sendo que uma nunca faltava: “Já beijaste alguém?” Nem todos diziam a verdade, claro, mas as meninas que já haviam sido beijadas, demonstrando superioridade, se dispunham a ensinar às outras como fazer. E o beijo na cena final dos filmes de Hollywood prosseguia na missão de alimentar o ideal romântico de toda uma geração.
Às vezes, o beijo desperta paixões, como aconteceu com Scarlett e Rhett no filme “E o vento levou”, quando a heroína descobre no poder mágico de um beijo a dimensão até então desconhecida da felicidade física, que muda toda a história. Pode também deixar marcas indeléveis na memória, como dizia Brigitte Bardot a Jean-Louis Trintignant em “E Deus criou a mulher”: “Se me beijares, nunca mais me esquecerás.”
Entretanto, em alguns casos o beijo promove o efeito contrário: o desencanto amoroso. E ninguém sabe bem explicar por quê. Talvez seja mesmo uma questão de química pessoal e a resposta, meramente biológica. Segundo os cientistas, existem substâncias produzidas por glândulas sebáceas dentro da boca e nas bordas dos lábios que, passadas de uma pessoa para outra, provocariam intenso desejo sexual ou sensação de desagrado.
Por tocar tão fundo na alma, apesar de desejado, o beijo também encerra a ideia de perigo. É sabido que as prostitutas se protegem do envolvimento amoroso com seus clientes se recusando a beijá-los.
Há mais de dois mil anos, na Grécia, já se temiam as consequências do beijo. Xenofonte em Memoráveis faz seu mestre Sócrates dizer que o beijo de um belo rapaz é mais perigoso do que a picada de uma tarântula, porque o contato dos lábios com um jovem reduz instantaneamente à escravidão o mais velho que se arriscou a ele.
E quando um casal não mais se beija? Significa que a relação está chegando ao fim? Embora possam existir outros motivos para não haver mais beijo, como no caso da internauta, em muitos casais beijar é a primeira ação íntima que cessa quando um relacionamento entra em decadência.
O sexo ainda sobrevive mais um pouco. Aquela rotineira e fraternal troca de beijos no rosto pode bem exprimir que o desejo sexual de um pelo outro já é coisa do passado. Assim, o beijo pode funcionar como termômetro, medindo o grau de profundidade e desejo de uma relação.
As mulheres são as que mais o reivindicam nas relações amorosas, por experimentarem o corpo todo como zona erógena e não, como os homens, predominantemente os órgãos genitais. Shere Hite encontrou várias respostas nesse sentido entre as mulheres que entrevistou para sua pesquisa sobre sexualidade feminina:
“Mais beijos, menos pressa, mais ternura.” “Gostaria que nos beijássemos mais frequentemente na boca.” “Quando eu lhe explico que os beijos e as carícias me excitam, ele trata logo de se esquecer.” “O que desejo ardentemente são toneladas de beijos.” “Para mim beijar é muito importante. Às vezes chego quase a gozar.”
Pelo jeito, o beijo é muito mais importante do que supõem muitos homens.

Daqui.





Eita mundinho véio de guerra...


Um simples post no meu Face e o debate foi aberto.
Após essa cena:


Postei:
É grave quando em uma novela o filho mata o pai e tenta matar a irmã (Império) e ninguém se manifesta, mas qdo o amor é retratado através de um beijo na boca entre duas mulheres, a comoção se instala. Estamos falando de amor, não de ódio e distinção de gêneros nesses casos é no mínimo ridículo! 

Gente chocada porque duas atrizes do porte da Fernanda Montenegro e da Nathália Timberg tinham se beijado em horário nobre.

Senão vejamos, na novela anterior o filho matou o pai depois de roubá-lo e tentou matar a irmã. Comoção grau 0. Na atual novela, um beijo na boca de duas grandes damas do teatro causou uma comoção generalizada.

Vai daí que digo: amor é amor, um sentimento que os seres humanos causam, provocam, sentem. Amor é bom é do bem, te faz melhor, arranca de si o mais nobre que houver, é sinônimo de generosidade, de empatia, de doação pura e simplesmente. Amor independe de gêneros, só depende da vontade de se lapidar como humano, se humanizar na essência. Como não ser melhor quando se ama? Como?
Não vejo outro sentido pra vida senão amar, pelo amor, através do amor.

Tanta comoção, tanto incomodo causado por um simples beijo só prova que ainda estamos na idade das trevas e dá até pra entender porque o mundo esta assim.



Só lamento.



Carl G. Jung





Nos anos 1920, Carl G. Jung saiu em busca de conhecimentos míticos, e em uma destas viagens no Novo México, um chefe indígena conseguiu tocar o coração do fundador da psicologia analítica. Em uma conversa, o indígena americano disse que eles não pensavam "como os homens brancos, pois estes pensavam com a cabeça". Dr. Jung, curioso, perguntou se não era com a cabeça que eles pensavam era com o que? o homem com muita serenidade apontou para o coração, dizendo "Pensamos aqui". O médico, então, entrou em longa reflexão e chegou a concluir que ninguém antes o havia traçado uma imagem tão perfeita daqueles homens inquietos, impacientes e presunçosos em querer levar a "libertação intelectual" através da colonização para os outros povos.

Outro ponto fascinante neste episódio foi que o chefe indígena disse que, através de sua religião tribal, ajudavam a todos os americanos, pois eles como filho do "Pai Sol" auxiliavam ao Supremo a cruzar o céu todos os dias, para a harmonia da Terra. Todos os argumentos utilizados pelo chefe Pueblo Ochwiay Bianco podem ser vistos como produções de mentes inferiores, pouco ou nada intelectualizadas. Mas se pararmos para tocar estas almas humanas em sua profundidade, como simplesmente outras almas humanas, veremos que trazem verdades que só o coração pode entender.

Nesta passagem de Carl Jung, podemos extrair reflexões que levariam horas, ou até mesmo dias, pois são profundas. Logo de início, porém, podemos captar a mensagem de não deixarmos que a nossa cultura, o nosso saber, as técnicas que dominamos, se sobressaiam ao coração humano. De um lado, um amigo compartilha de crenças diferentes das nossas, mas se tocarmos o seu coração, veremos que ele tem conhecimentos que por vezes ignoramos, pois não conseguimos chegar em reflexões semelhantes das dele. Saibamos respeitar, tolerar, e, sobretudo, valorizar as diferenças.

Ao tocar uma alma humana, muitas vezes nos é preciso tirar a capa da 'supremacia intelectual' e nos colocarmos no seu lugar, pois também não passamos de almas humanas que amanhã podemos tropeçar na mesma pedra que fez o companheiro de caminhada tombar.

E o Dia da Poesia foi ontem...




"Feliz é a inocente vestal / Esquecendo-se do mundo e sendo por ele esquecida / Brilho eterno de uma mente sem lembranças / Toda prece é ouvida, toda graça se alcança". Alexander Pope



Repudio todo esquecimento, visto que é dele que se faz o estofo do que nos tornamos.

Todo sentimento, toda história, todo tesão não vivido, sonhado ou molhado, tudo que foi, não é passível de esquecimento. Há que se viver e ter o que contar e lembrar. É disso que somos feito, dessa matéria do improvável, sempre.
Daquilo que se sentiu e nunca viveu, do tanto e tanto que se sonhou  e aquele momento que nunca aconteceu. Tudo vivido, tão fortemente impresso na lembrança como se tivesse acontecido de fato. Um dia, numa tarde qualquer de outono porque outono é mágico, aconteceu. Tudo dentro, por dentro, circundado de sonhos, somente por dentro, dentro de uma lembrança eterna.
Gosto tanto de Brilho eterno, mais ainda dA Insustentável leveza do ser. De tudo que me traduz tão explicitamente. Poucos sabem e outros nunca saberão. Secretamente dou pistas e espero me fazer entender nesse caos que me define. Complicado.

Intimidade é dormir junto. Dividir sonhos, contatos involuntários no meio da noite, acordar misturado, com pés trocados, mãos entrelaçadas, abraços frouxos de sono, um sem saber direito quem é, o que é ou mesmo o que poderá ser...

Como definir maturidade emocional? Flavio Gikovate




Como definir maturidade emocional?

Penso que a maturidade emocional se caracteriza pelo atingimento de um estado evolutivo no qual nos tornamos mais competentes para lidar com as dificuldades da vida e por isso mesmo com maior disponibilidade para usufruir de seus aspectos lúdicos e agradáveis.
Talvez a principal característica da pessoa madura esteja relacionada com o desenvolvimento de uma boa tolerância às inevitáveis frustrações e contrariedades a que todos nós estamos sujeitos. Tolerar bem frustrações não significa não sofrer com elas e muito menos não tratar de evitá-las. A boa tolerância às dores da vida implica certa docilidade, capacidade de absorver os golpes e mais ou menos rapidamente se livrar da tristeza ou ressentimento que possa ter sido causado por aquilo que nos contrariou.

Pessoas maduras também se aborrecem com as frustrações, mas não “descarregam” sua raiva sobre terceiros que nada têm a ver com o que lhe ocorreu. Freud dizia que a maturidade se caracterizava pela substituição da raiva pela tristeza e penso que ele tinha razão. Acrescentei mais um ingrediente, qual seja, o de que devemos tratar de nos livrar da tristeza o mais depressa possível.

A maturidade emocional tem muito a ver com o que, hoje em dia, se chama de inteligência emocional (I.E.): competência para se relacionar com pessoas em todos os ambientes, habilidade para evitar conflitos desnecessários e até mesmo tentar harmonizar interesses e agir sempre em prol da construção de um clima positivo e agradável nos ambientes que frequenta. Assim, a pessoa mais amadurecida busca também a evolução moral, condição que a leva a agir de modo equânime, atribuindo a si e aos outros direitos e deveres iguais.

Pessoas com boa I.E. também agem com certa estabilidade de humor, de modo que não são criaturas “de lua”, aquelas que nunca se pode saber com antecipação em que estado de humor estarão. É claro que a estabilidade de humor não significa estar sempre alegre e feliz; o humor das pessoas mais equilibradas é proporcional ao que está lhes acontecendo, sendo que os momentos de tristeza são vividos com dignidade e classe.

As pessoas mais tolerantes a frustrações, moralmente mais bem desenvolvidas e de humor estável são capazes de despertar a confiança daqueles que com elas convivem. Assim, tornam-se bons parceiros sentimentais, bons amigos, sócios, colegas de trabalho…

A maturidade acaba vindo acompanhada de uma série de boas propriedades e elas são motivo de satisfação dos que foram capazes de avançar na direção de conquistá-la. É claro que o processo de evolução é interminável e jamais deveríamos nos considerar como um “produto acabado”; estar sempre progredindo tende a determinar um estado de alma positivo, um justo otimismo em relação ao futuro – sim, porque quem está crescendo pode esperar mais coisas boas para si lá adiante.

Outra característica da maturidade é o senso de responsabilidade sobre si mesmo, assim como o desenvolvimento de uma sólida disciplina: isso significa controle racional sobre todas as emoções, especialmente a preguiça. Uma razão forte também exerce controle e administra a inveja, os ciúmes, os anseios eróticos e românticos, assim como a raiva e a agressividade. Controlar não significa reprimir e muito menos sempre deixar de agir de acordo com as emoções; significa apenas que elas passam pelo crivo da razão e só se tornam ação quando por ela avalizadas. Esse é mais um motivo para que sejam criaturas confiáveis, uma vez que exercem adequado domínio sobre si mesmas.

Os mais evoluídos emocionalmente tentem a ser mais ousados e a buscar com determinação a realização de seus projetos. Têm menos medo dos eventuais – e inevitáveis – fracassos, pois se consideram suficientemente fortes para superar a dor derivada dos revezes. Ao contrário, aprendem com seus tombos, reconhecem onde erraram e seguem em frente com otimismo e coragem ainda maior. Costumam ter melhores resultados do que aqueles mais ponderados e comedidos, condição que não raramente esconde o medo do sofrimento próprio dos que enfrentam os riscos.


Finalmente, para que possamos viver com serenidade e alegria, temos que aceitar uma propriedade essencial da nossa condição: somos governados pelo que chamo de “princípio da incerteza”; ou seja, não sabemos responder as questões essenciais que caracterizam nossa existência: qual o sentido da vida, de onde viemos, para onde vamos, por quanto tempo estaremos aqui etc. É sobre esse solo de areia movediça que temos que construir nosso castelo e fazê-lo com otimismo e persistência mesmo sabendo que ele pode ruir a qualquer momento.




"Amar e ser correspondido não é idealização e nem postura infantil. Amar sem ser amado é covardia; e ser amado sem amar, mais covardia ainda." Flávio Gikovate