Amor de laboratório.

Senão vejamos, um cientista afirma que ao responder algumas perguntas é possível que as pessoas se apaixonem. A grosso modo é essa a tese dele. Particularmente, acho a ideia das perguntas bem interessantes porque ao respondê-las cada um se desvenda aos olhos do outro, isso é claro supondo que as respostas serão verdadeiras. Porém, acredito que  não só a paixão e o amor são bem diferentes assim como a maneira que ocorrem também. Acho que a paixão, o apaixonar-se é o start de todo relacionamento, o encantamento inicial, aquilo que gera a vontade de ficar junto, perto, dentro do outro toda hora, todo dia. Com o passar do tempo tudo que é falado, que é dito tem que receber um respaldo que se chama atitude ou seja nem sempre o cara que se diz o homem mais fiel da terra realmente o será, isso é apenas para exemplificar. Palavras o vento leva, atitudes não. E isso vale para ambos. Havendo o respaldo é  nessa hora que a relação se solidifica e se torna amor. Cada um  corresponde as expectativas do outro inclusive as negativas, não se engane e segue em frente ou não como diria o dublê de filosofo Caetano Veloso.

Dito isso, não acredito que algumas perguntas e respostas façam a diferença em se apaixonar ou não, mas certamente poderão despertar interesse em continuar e conhecer melhor o dono de respostas interessantes, né? ;)



QUER SE APAIXONAR? AQUI ESTÁ A RECEITA!

Para estudioso, o amor pode ser criado em laboratório.
Por Beatriz Alessi 
Foto: Thinkstock
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Ah, o amor... Quantos poemas e tratados já foram escritos na tentativa de decifrá-lo... Quantas canções melosas entoadas na calada da noite! Seria a paixão uma questão puramente química? Um evento fortuito provocado por determinada conjunção planetária? Em outras palavras, estaria o encontro amoroso escrito nas estrelas?
Nada disso. Para o professor Arthur Aron, do departamento de Psicologia da Universidade de Stony Brook, no estado de Nova York, o amor é uma experiência que pode ser replicada em laboratório. Simples assim. Há quase vinte anos, ele mostrou que é possível fazer estranhos se apaixonarem em menos de uma hora. Homens e mulheres heterossexuais foram colocados frente a frente, responderam a um questionário com 36 perguntas e depois se olharam por 4 minutos. Seis meses depois, dois participantes estavam casados.
Duas décadas depois, uma professora da Universidade de British Columbia, no Canadá, resolveu testar o método. O relato de Mandy Len Catron foi publicado no jornal “The New York Times”. Ela e o parceiro não eram propriamente estranhos, já se conheciam da universidade. E não estavam sentados num laboratório, mas num bar. Um pouco constrangidos, os dois fizeram uma busca no Google e responderam, uma a uma, às 36 questões propostas pelo doutor Aron. São três conjuntos de perguntas que vão ficando mais “invasivas” à medida que o questionário evolui. “Se pudesse escolher qualquer pessoa no mundo, quem você convidaria para jantar?” “Antes de fazer um telefonema, você ensaia o que vai dizer?” E por aí vai. O objetivo do doutor Aron é criar um clima de intimidade entre os participantes que, na vida real, poderia levar meses. “Enumere três coisas que você e seu parceiro parecem ter em comum”. “Qual é a sua lembrança mais querida?” “E a mais terrível?” “Qual foi a última vez que chorou na frente de alguém?” “Diga ao seu parceiro o que já te agrada nele”.
Ao final do questionário, Mandy diz ter se sentido como um sapo de laboratório que só percebe que está em água quente quando já é tarde demais. E ainda faltava a parte final do experimento: os dois teriam que se olhar silenciosamente por quatro longos minutos. Como isso seria estranho num bar, eles foram para uma ponte próxima. Para Mandy, foi uma das experiências mais aterradoras e eletrizantes de toda a vida!
Nem é preciso dizer que os dois se apaixonaram. Então será isso o amor, uma questão de intimidade? A tese do doutor Aron parece ser a de que, para amar, é preciso querer conhecer o outro e se deixar conhecer. Muitas vezes isso não acontece porque estamos “armados” demais para nos colocar numa posição de vulnerabilidade. Infelizmente, o amor não vem com seguro contra a desilusão. Mas nos privar dele pode ser ainda mais triste. Então se jogue!

Quer fazer o teste do doutor Aron? As 36 perguntas estão abaixo.   
Parte I
1. Se pudesse escolher qualquer pessoa no mundo, quem você convidaria para jantar?
2. Você gostaria de ser famoso (a)? De que maneira?
3. Antes de fazer um telefonema, você ensaia o que vai dizer? Por quê?
4. O que seria um “dia perfeito” para você?
5. Quando foi a última vez que cantou para si mesmo (a)? Ou para alguém?
6. Se você pudesse viver até os 90 anos, escolheria manter, pelos últimos sessenta anos de vida, o corpo ou a mente de alguém de 30?
7. Tem um palpite sobre como vai morrer?
8. Enumere três coisas que você e seu parceiro (a) parecem ter em comum.
9. Pelo que você é mais grato (a) na vida?
10. Se você pudesse mudar algo na maneira como foi criado (a), o que seria?
11. Em quatro minutos, faça uma descrição o mais detalhada possível da sua vida.
12. Se você pudesse acordar amanhã com mais uma qualidade ou habilidade, qual seria?

Parte II
13. Se uma bola de cristal pudesse lhe revelar a verdade sobre você, sua vida, o futuro ou qualquer outra coisa, o que gostaria de saber?
14. Há algo que você sonha em fazer há muito tempo? Por que ainda não realizou esse sonho?
15. Qual é a sua maior conquista na vida?
16. O que mais valoriza numa amizade?
17. Qual é a sua lembrança mais querida?
18. Qual é a sua lembrança mais terrível?
19 Se soubesse que morreria dentro de um ano, você mudaria alguma coisa na sua maneira de viver? Por quê?
20. O que a amizade significa para você?
21. Que papel o amor e a afeição têm na sua vida?
22. Enumere cinco características que considera positivas no seu parceiro e ele em você.
23. Quão afetiva é a sua família? Acha que a sua infância foi mais feliz que a da maioria das pessoas?
24. Como é a sua relação com a sua mãe?

Parte III
25. Formular, cada um, três fases começando com a palavra “nós”. Por exemplo, “aqui nesta sala nós estamos nos sentindo...”
26. Completar a frase: “Gostaria de ter alguém com quem pudesse compartilhar…”
27. Se você fosse ficar amigo (a) do seu parceiro (a), o que seria importante que ele (a) soubesse?
28. Diga ao seu parceiro (a) o que gosta nele (a). Seja muito honesto (a). Diga coisas que não diria a alguém que acabou de conhecer.
29. Conte ao seu parceiro (a) uma passagem constrangedora da sua vida.
30. Quando foi a última vez que chorou na frente de alguém? Ou sozinho (a)?
31. Diga ao seu parceiro (a) o que já te agrada nele (a).
32. Com o que, na sua opinião, não se pode fazer piada?
33. Se você morresse essa noite e não pudesse se comunicar com ninguém, o que lamentaria não ter podido dizer? E por que não disse isso até hoje?
34. A sua casa está pegando fogo. Depois de salvar seus entes queridos e animais de estimação, você ainda tem tempo de correr e salvar mais uma coisa. O que seria? E por quê?
35. Entre todas as pessoas da sua família, qual seria a morte mais dolorosa para você? Por quê?
26. Conte um problema para o seu parceiro (a) e peça-lhe um conselho sobre como resolvê-lo. Peça a opinião dele (a) sobre como você deve estar se sentindo a respeito.

Daqui Ó,

A falta de empatia ou não olhe agora mas tem um psicopata perto de você...




A inteligência emocional envolve entre outra coisas a empatia. Nenhum outro tipo de inteligência é tão importante quando a inteligência emocional. Exagero? Não, até porque para se ter empatia é preciso saber se comunicar, saber se fazer  entendido, entender por consequência, se colocar no lugar do outro ainda que com alguma isenção, mas sobretudo sentir.

Não ter inteligencia emocional significa dizer que a pessoa não tem empatia, o que particularmente acho trágico, triste porque não há dúvida sobre as dificuldades de se conviver com alguém assim, de trabalhar ou se relacionar. No entanto, imagino que se é triste para quem convive pior será pra quem não tem essa habilidade. Não conseguir sintonizar emoções, não saber interpretar sinais não verbais, não se envolver de verdade para o bem ou para mal com as pessoas do seu meio social equivale a dizer que não há vida na sua essência, é como entrar meio corpo na piscina e não dar um belo mergulho... de cabeça, sempre.

Por outro lado, a falta de empatia é também uma caraterística do psicopata. Que fique bem claro que a maior parte dos psicopatas não pratica violência física ou delitos contra a lei. Mesmo assim, todos eles são capazes de arruinar a vida das pessoas ao seu redor, deixando-as emocionalmente em frangalhos ou financeiramente quebradas, ao mesmo tempo que posam para o restante do mundo como pessoas normais e de bem.

Por definição segundo Gabbard: “Uma das características mais importantes que se observa nos psicopatas é a falta de empatia e um estilo de interação sadomasoquista baseado mais no poder do que nas vinculações afetivas.” De fato, alguns indivíduos com traços de psicopatia dirão que suas relações interpessoais são muito importantes para eles: contudo, eles demonstram seu desapego às pessoas por meio de suas ações, por enganarem e ferirem aqueles que lhes são mais próximos sem dar a menor importância ao impacto negativo que seu comportamento causa nos outros. David S. Holmes afirma que os sociopatas “com frequência verbalizam fortes sentimentos e compromisso (por exemplo, facilmente dizem eu te amo), mas seu comportamento indica o contrário.” Além disso, quando as coisas dão errado, eles frequentemente explicam a cadeia de eventos de uma maneira que os isenta de qualquer responsabilidade pela situação em questão. 

Mas isso é prosa para outro post...

Wish u Were Here...






O CAMELÔ DO AMOR

Coisa doida é descobrir um texto de Vinicius de Moraes que eu sequer sabia da existência. Mais doido ainda é descobrir esse texto a partir de um artigo de Direito. A vida definitivamente é uma caixinha de surpresas...




O CAMELÔ DO AMOR

Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, 31/12/1969

Parai tudo o que estais fazendo, homens de gravata e sem gravata, funcionários burocráticos e deambulantes, mercadores e fregueses, professores e alunos, íncubos e súcubos - e escutai o que eu vos tenho a dizer.

Chegai-vos a mim e vinde ver toda a beleza que estou vendendo a preço de banana! Homens da Cifra e da Sigla, de Toga e de Borla-e-Capelo, de Fardão e de Sobrepeliz: esquecei por um momento vossas conjunturas e aproximai-vos de olhar sincero e coração na mão.

É favor suspender por alguns minutos a partida. Senhor Juiz Armando Marques! Conserva-te assim, o pé no ar, meu bom Pelé, qual fantástico dançarino. Feras da Seleção: atenção! Alerta, aviadores do Brasil! Capitães de mar: estamos no ar!

A postos, emissoras em cadeia! Câmaras de cinema e televisão: ação! Estações de rádio e radioamadores: ligai os receptores! Atenção, Intelsat quatro... três... dois... um... 
Aqui fala o poeta, o jogral, o menestrel, o grande Camelô do Amor!

O Amor tonifica o cabelo das mulheres, torna-os vivos e dá-lhes um brilho natural. Mise en plis? Só de Amor! nada melhor que divinos cafuriés para as moléstias do couro cabeludo!

Olhos opacos? Amores fracos! Olhos sem brilho? Amor-colírio! Olhos sem cor? Amor! O Amor branqueia a córnea, acende a íris, dilata as pupilas cansadas. E ainda dá as mais belas olheiras naturais. Dois beijos, dois minutos: dois olhos claros de veludo!

O Amor limpa de rugas a fronte das mulheres, elimina os pés-de-galinha e acrescenta lindas covinhas ao sorriso. Tende sempre em mente: o Amor coroa as mulheres de pesados diademas invisíveis. Amai, coroas! A mulher que ama reinventa o Paraíso. A mulher que é amada move-se majestosamente!

O Amor pitanguiza o nariz das mulheres, torna-os frementes, com delicados tiques, particularmente nas asas. Narizes gordurosos, com propensão a cravos e espinhas? Muitas, muitas festinhas contra o nariz amado!

O Amor horizontal é melhor e não faz mal. Bocas rosadas, frescas, palpitantes? Beijos de amor constantes! As bocas mais beijadas são mais bem lubrificadas. Só isso dá à sua boca o máximo!

Qual Nardem, qual Rubinstuff ! - morte às pomadas! Pomadas, cremes, só de Amor, amadas! Pele jovem e macia? Amai, se possível, todo dia: e ante o esplendor de vossa pele há de ruborizar-se a madrugada.

Juventude noite e dia? - Carne sem banha! Ela tem mais freguesia? - Sempre se banha! Aliás, uma coroa - Que coisa boa! Bem que ela tem seu lugar. E... sabor de loucura! 
O Amor estimula extraordinariamente a higiene bucal, pois como todos sabem, a água-e-sal é o composto químico da saliva, que conseqüentemente se ativa, impedindo a halitose e tornando a carícia palatal!

Se é de Amor, é bom! Não sabe aquela que não põe desodorante? Perdeu o marido e hoje não pega nem amante ... Sim, cuide o subextrato de suas asas, anjo meu, mas nada de exagero ... Uma axila sem cheiro pode levar um homem ao desespero. E não bobeie, não dê bola, não se iluda: um homem ama uma axila cabeluda! Siga o exemplo da mulher italiana: não usa lâmina e é mulher superbacana. Ponha um tigre debaixo do braço!

E basta de pastas, ó tu que levas o leite contigo - bom até a última gota! Se amares, o sangue circulará melhor em tuas glândulas mamares, e conseqüentemente terás seios sinceros, autodidatas, substantivos! Algo mais que o Amor lhe dá...

Casamento serve bem ao grande e ao pequeno. Serve bem à beça! Veja, ilustre passageiro, o belo tipo faceiro que viaja ao lado seu. Pois, no entretanto, eu lhe digo: quase ela fica a perigo... Salvou-a um justo himeneu. Alivia, acalma e reanima! Todo homem que chega em casa deve levar beijos mil: da mãe e da menininha. E como é bom ter seu amor junto ao corpo... É a pausa que refresca... Quem a casar se mete, repete!

Um mínimo de cirurgias plásticas, dietas patetas e essas ginásticas fantásticas... Vivei e amai ao Sol! Para aquele que ama, vossos senões são poesia. Nada mais lindo que as feiurinhas da mulher amada!

Por isso, eu grito aqui: regulador? - besteira! A saúde da mulher está em ser boa companheira. Não há pílula para a percanta que se preza. Seja mulher! conserve o seu sorriso! valha o quanto pesa! Use o auge da bossa e namore o quanto possa: na praça, na praia, no prado - no banco que está ao seu lado!

Eu sempre digo, e faço figa do que diga seu melhor, muito melhor que óleo de figado. Porque, além de excitar o metabolismo basal, para o vago-simpático é o tônico ideal!

Eis seu mal: não amar. Daí, decerto, a causa dessas suas tonteiras, dessas náuseas... Ame king-size! E se lembre sempre o espetáculo começa quando a senhora chega! Quem não é o maior tem que ser o melhor! Por isso, espere um pouco, por favor... E repita comigo, assim... A-m-o-r!

Vinicius de Moraes

Ficou feio...muito feio.





Pensando por aí...








Fato.

O escroto corporativo ou como lutar para não se tornar uma assassina em potencial...




A questão aqui não é a chatura, muito embora essa pessoa  também seja chata. A questão aqui é uma pessoa escrota com a qual eu tenho que conviver. O nível de escrotidão elevado a potência mil, define e hoje ficou muito claro que quanto mais o conheço mais eu admiro a esposa dele. Essa sra certamente se encontra na última encarnação. Tenho fé que ela ascenderá aos céus tão logo deixe o corpo físico só pela convivência com esse escroto, isso é claro se ela não tiver um lampejo de consciência e achar melhor exterminar o escroto com as próprias mãos prestando um serviço à humanidade. Oremos.



Conviver com um escroto no mundo corporativo é um exercício de paciência e compaixão. Às vezes, penso que pessoas assim são  incapazes de amar, um escroto com esse nível de egoismo  assim como a falta de empatia não esta apto para o amor. Fato.  O amor por definição é um ato de generosidade e ele desconhece essa palavra. Na verdade, indivíduos assim apenas avaliam qual é a melhor alternativa para si mesmos. O que é mais vantajoso, digamos assim. E isso vale para o mundo corporativo. O escroto corporativo não tem o menor pudor de jogar os colegas na fogueira, alias, ele passa por cima, atropela, concorda com você para fazer exatamente o que quer. Desconhece o que é consideração, claro.
Sob a capa de "sem noçãozice", o escroto corporativo exige do outro  coisas que ele mesmo não cumpre pelo simples fato de achar que as regras não se aplicam a ele. É um escroto de raiz.
Infelizmente, a convivência é um mal necessário e eu já prevejo doses homéricas de engov...




Massacre na França



Inominável o massacre dos jornalistas franceses. O mundo hoje perde a fina ironia das caricaturas,  para o traçado grotesco de balas terroristas.



Ano Novo, afinal....




Esperança
Mario Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E — ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…




Natal...então



Natal pra mim é isso: Saudade...basicamente.

Felicidades pra quem de direito!

por falar em saudade...




E quando penso em saudade, penso que a minha saudade tem sempre nome e sobrenome, RG e CPF. É tão particular, tão única tão de quem ou do sinto que não cabe dizer: sinto saudades dele. "Dele" atende pelo nome de Ricardo Bastarrica Lapuente, é dele que sinto saudades, é por causa dele que a casa fica enorme sempre que viaja, mas é também por causa da minha mãe: Dona Neusa.
Nessa época do ano, ausência é o que mais preenche meus dias e minhas noites.
Indaoutrodia, vi no Face uma imagem da minha mãe com antigas colegas de trabalho. Não esperava ver e dei de cara. Chorar foi a reação imediata, nem sabia que andava precisando tanto chorar tanto, mas estava e sei que não foi só pela saudade dela, certamente haviam mais coisas e eu não parei para pensar. Só chorei. E foi assim que dormi na noite daquele dia, com todas as minhas ausências.




Leminskiniano...



Hoje acordei tão Leminski. Por mim, se hoje pudesse, dormia agora e só despertava no dia 28 quando você vai voltar.





Haja saco para tanto tempo.



sempre.


Carta a um jovem imaturo



Essa carta nunca será lida a quem se destina e talvez seja melhor assim. A vida ensina, o tempo aprimora, o que antes era ótimo pode ser revisto como uma grande falha. Talvez o tempo lapide caráter, atitudes e generosidades até porque se não for por amor será pela dor.
"Por amor" essa é uma tentativa de pegar pela mão e corrigir o rumo embora pareça até cruel. Se um dia você chegar até aqui, lembre-se é assim que você é visto não só por mim, mas por várias pessoas . A mim coube colocar no papel, aglutinar sentimentos e sobretudo dizer: ninguém escreve tanto para outra pessoa apesar de ter sérias dúvidas quanto ao caráter se não gostasse tanto de você. E eu gosto. Acredite.




CARTA A UM JOVEM IMATURO


Você organizou sua vida de maneira muito própria ao se casar "cedo", ao praticamente sair da casa da mãe e se casar com uma mulher mais velha e note, com filhos. A praticidade da escolha se define sobretudo pelo fato dela ser mãe e por excelência ser uma organizadora de lares, vidas e pessoas. Você se insere nessa realidade tendo alguém que assim como a sua mãe, organiza sua vida prática, que sabe desde que remédio tomar na maioria das circunstancia  assim  como a administração do dia a dia de uma casa. Nesse mundo perfeito onde a sua vida é organizada por alguém, você tem o melhor dos mundos, você pode transar com a "mãe" sem que seja ilícito e não se preocupar com a chata administração de um lar. Junte-se a isso, o fato de haver filhos, faz com que você olhe a si mesmo como pai e aja como tal e como gostaria que seu próprio pai tivesse agido com você. Você conserta o seu passado sendo o "pai" amigo, que conversa, entende e participa da vida do "filho" assim como lhe faltou. Isso faz com que você se sinta bem, pleno e satisfeito porque tem uma família que preenche todas as suas carências ainda que não se dê conta disso.

É bom? É ruim? Se a sua escolha o satisfaz e o deixa feliz, aceite e não tente interpretar, porém o tempo a rigor e a despeito da sua vontade vai torná-lo maduro e pronto para uma relação de verdade onde querendo ou não você terá que se posicionar. Deixar apenas acontecer, que as coisas se conduzam por si só, que outros tomem as rédeas da sua vida é bom até a página 20, depois com a natural maturidade há o surgimento de insatisfação latente. Consequência direta disso, é essa insatisfação que não se identifica, você sabe que alguma coisa incomoda mas não sabe exatamente o quê e muitas vezes toma decisões em áreas de sua vida que estavam relativamente boas, porém a necessidade de modificar alguma coisa, mexer o fundo, revolver o lodo é urgente. Alguma coisa tem que acontecer e acontece. Desviado o foco real, a vida segue e a insatisfação continua, abrindo espaço não só para decisões desastrosas, como envolvimentos fugazes, a necessidade de não estar tão presente na vida cotidiana  aumentando com isso a  vontade de tomar as rédeas da vida, fazer acontecer, se tornar autor da própria história. O desenlace dessa situação quando você não se dá conta do que  esta vivenciando para melhor elaborar a questão e até reorganizar a vida amorosa sob novos critérios pode acontecer na ilusão de uma paixão avassaladora. Ilusão? Provavelmente. Tudo que é novo, diferente, desconhecido, encanta. Tudo que põe a vida em movimento quando se sente tão estagnado, a sensação de sentir-se vivo na essência, encanta, estimula, acorda o sentidos. Uma paixão em geral é assim e pode até dar certo, desde que se saiba que no decorrer dessa experiência, a química produzida por esse sentimento, acaba e aquilo que hoje é novo, inusitado, apaixonante, se tornar normal. No entanto normal não é banal, qualquer relação para dar certo seja a atual ou as que virão exigem maturidade emocional, sem isso , você não consegue nem estabelecer novos critérios para a relação antiga e muito menos construir um relacionamento novo. Pense nisso.

Na questão dos filhos, acredito que ainda terá os seus quando amadurecer plenamente. Por enquanto criar "crianças" sob a supervisão da "mãe" é infinitamente mais fácil do que ter os próprios e ter que exercer a função de pai em sua abrangência. Ser o legal que conversa e entende mas não dá limites, é fácil. Ser "pai" dessa maneira, é brincar de ser adulto, é ser a parte fofa da relação e não o educador que muitas vezes terá que dizer não a despeito do medo de perder o amor da criança. Ser pai requer muito mais esforço e dedicação do que você até o presente momento poderia dar. Nesse momento não é questão de querer e sim de poder, você não pode dar o que não tem. Falta a você toda a maturidade de sair do papel de filho para o de pai, para o que decide e forma uma pessoa. Esse ainda não é você. Nesse momento você ainda esta na posição de filho ainda que da sua mulher.


Situação análoga você vive na vida profissional. A sua imaturidade profissional é gritante ainda que contradiga todo preparo que você possui. Assim como na vida pessoal, profissionalmente você se tem em altíssima conta. Você se acha um cara extremamente justo que é capaz de tomadas de decisões coerentes e assertivas. No entanto a sua imaturidade, a sua criancice se reflete também nessa parte da sua vida. Você é  incapaz, apesar de se achar um cara justo de intervir em qualquer coisa seja a situação que se apresentar única e exclusivamente para o benefício de outrem. Você se desculpa, amenizando essa questão quando se convence de que apesar de ter lucrado, o outro também se deu bem. Algo errado nisso?. Nada, desde que você não se coloque como o justo, o que toma a frente pelos outros unica e exclusivamente. Você é incapaz de fazer e incapaz de entender que existe quem o faça. A sua atitude profissional é estudada e feita para agradar e se adaptar ao ambiente de trabalho. Falar baixo e pausadamente, ouvir educadamente o que outro esta dizendo mesmo que tenha sido interrompido, se conter na vontade expressar sua opinião. Mais uma vez: algo errado? Absolutamente nada, desde que fique claro que tudo é estudado, preparado, premeditado para agradar, se fazer gostado e acredite, dá muito certo e continuaria dando não fosse tamanha a imaturidade profissional que se sobrepuja e se manifesta em birras e manhas homéricas.

Todo o seu teatro cai por terra no momento em que contrariado você se descompensa, perde o prumo e o norte, não consegue mais dominar a situação. Nada se revela no entanto através de cenas, gritos ou descontrole, você apenas se recolhe e trata de não fazer absolutamente nada que ultrapasse um décimo do que você se propôs ao ser contrato. Daquele momento em diante, em seu pensamento mágico, a vontade é sair de onde esta, largar e deixar na mão para sentirem a falta do grande profissional que você é. Infelizmente isso não acontece apesar de como foi dito antes, você realmente ser um profissional extremamente bem preparado, pelo menos em teoria. Atualmente as relações interpessoais nas empresas são quase tão importantes quanto um currículo recheado de diplomas, às vezes são até mais, porque o ambiente de trabalho é feito de matéria humana donde pressupõe-se há toda uma gama de vulnerabilidades e incoerências possíveis. Onde o ser humano esta presente, o elemento surpresa também estará. De nada adiantará classificar pessoas por signo solar, chinês ou numerologia, o ser humano sempre trará o novo, sempre será capaz de surpreender, de agir de maneira totalmente inusitada apesar de todas as projeções inventadas. A situação define a atitude, o medo mobiliza e paralisa, nada é estático e achar que conhece uma pessoa apenas por alguns dados é no mínimo temeroso.
Dizem que crescer dói e dói mesmo. Particularmente e apesar de não ter vivido essa experiência, acho que a dor é semelhante a do parto. Dói pra cacete, mas é tão maravilhoso tudo que vem depois, todas as infinitas possibilidades, a sensação de plenitude, de estar preparado para enfrentar, aproveitar, sorver tudo que é oferecido e sobretudo se tornar finalmente o autor da própria vida, que vale a pena. Experimente sem restrições.

Seja Feliz.

bjs
Andrea Augusto angelblue83

Quem????




imagem casal sem vergonha  


                                           Quem??????????

Como se dá o encantamento amoroso - Flávio Gikovate




Como se dá o encantamento amoroso

FLAVIO GIKOVATE
Até hoje, muita gente gosta de pensar que o encantamento amoroso acontece por acaso e de modo mágico (como se fôssemos mesmo vítimas das flechadas aleatórias do Cupido). Não é o que acredito.

Desde 1976 venho tentando entender quais as variáveis que determinam a escolha dos parceiros sentimentais. A tarefa é difícil porque está relacionada com múltiplas variáveis e isso costuma ser motivo para que algumas pessoas privilegiem uma delas e desconsiderem outras igualmente importantes.

Penso que existem pelo menos três ingredientes muito relevantes na escolha sentimental: o fato daquela pessoa despertar algum tipo de entusiasmo erótico, a presença nela de alguns ingredientes particularmente agradáveis para o que se encanta e também um aspecto claramente racional relacionado com a admiração.

Cada um desses elementos tem seu peso e, de alguma forma, todos participam do fenômeno, aparentemente mágico, que faz com que uma pessoa neutra se transforme, em pouco tempo, em alguém essencial e único, longe de quem parece impossível imaginar a continuidade da vida.

Muitos são os que privilegiam, mais que tudo o ingrediente erótico: quando um homem sente um forte desejo sexual por uma mulher, costuma confundir isso com amor – até porque em nossa cultura ainda prevalece a ideia freudiana de que “todo amor é sexual”.

Quando uma mulher se sente fortemente excitada ao se perceber desejada por um dado homem também costuma atribuir isso ao fato dele poder ser o tão esperado “príncipe”.

O desejo sexual nem sempre é um bom conselheiro, visto que ele muito frequentemente se manifesta como consequência de uma forma mais exibicionista com que certas mulheres se apresentam socialmente ou da maneira mais agressiva e direta de expressão do desejo por parte dos homens mais ousados e, por vezes, impertinentes.
Sem desprezar sua importância, penso que o entusiasmo sexual deve ser avaliado com cautela e à luz dos outros ingredientes.

Os aspectos menos específicos e que são, juntamente com o sexo,  capazes de despertar entusiasmos sentimentais quase imediatos – amor à primeira vista – estão relacionados com peculiaridades daquela dada pessoa e que entusiasmam a alguns e não obrigatoriamente a outros: o timbre de voz, o jeito de andar, o sorriso, a maneira de se apresentar socialmente, a delicadeza dos gestos, além de alguns aspectos da aparência física e que podem lembrar pessoas relevantes do passado daquele que irá se encantar. A esse conjunto, costumo chamar de “fator x”, algo indefinido e muito personalizado. “O fator x” nos influencia bem mais do que costumamos pensar.

O terceiro componente relacionado com o surgimento do encantamento amoroso tem a ver com a admiração, aspecto racional e que deriva dos critérios de valor de cada pessoa e também de sua autoestima. Pessoas com baixa autoestima tendem a admirar aqueles que são seus opostos – os tímidos admiram os extrovertidos, os mansos valorizam os mais agressivos… Se levarmos em conta apenas esse aspecto da questão, fica claro porque tendem a ser frequentes os encantamentos entre pessoas diferentes, em geral diametralmente opostas. Fica clara também a tendência à repetição, ou seja, à escolha de sucessivos parceiros com características semelhantes – e nem sempre as que melhor combinam com aquele que escolhe.

Aquelas pessoas portadoras de boa autoestima e mais corajosas tendem a se encantar por criaturas mais parecidas consigo mesmas. Digo que a coragem é peça essencial nesse processo porque o encantamento entre pessoas com mais afinidades tende a ser mais intenso, determinando uma sensação de iminência de fusão, algo que aparece como muito ameaçador. Surge uma dependência muito forte, associada a um enorme medo de sofrimento em caso de ruptura. Surge também uma grande sensação de ameaça à individualidade, como se os amantes fossem mesmo se “fundir” e se transformar em “uma só carne”. Surge um terceiro medo, relacionado com a própria sensação de felicidade, como se ela atraísse “más vibrações” vindas das pessoas não tão satisfeitas sentimentalmente. O medo transborda as fronteiras do razoável e aparece consubstanciado em algumas expressões que usamos correntemente: “isso está bom demais”! “Estou morrendo de felicidade”! O tema é muito importante e certamente voltaremos a ele.

É importante registrar também que nossa cultura sempre privilegiou a escolha de parceiros complementares, tipo “a tampa e a panela”, de modo que a aliança entre pessoas muito semelhantes ainda é vista como inadequada e tediosa por muitos dos defensores das formas mais tradicionais de encantamento amoroso. Isso porque não existem muitas divergências, atritos ou brigas, o que pode parecer, para alguns, motivo de desgosto. A verdade é que a maioria dos casais se desentende sempre pelos mesmos motivos e as brigas sim é que são monótonas e repetitivas.

Penso assim: a vida em comum é chata e tediosa quando as pessoas que se casam são chatas e tediosas!

Nasce Jim e morre John...


8 dezembro de 1943 - Nasce Jim Morrison
8 dezembro de 1980 - Morre John Lennon



Em mim os planos não nascem e por isso nunca morrem enquanto a vida vai acontecendo  e surpreendendo.
















"Vida é o que acontece enquanto você esta ocupado fazendo planos." John Lennon

Por isso não gosto de fazer planos. Tenho dificuldades. Nem a longo ou a médio e mesmo curto prazo, não faço. Não consigo mais. Prefiro me ocupar de viver intensamente e assim tem sido. Estranhamente nada externo, a vida interior esta revirada,  queimando, me consumindo todos os dias, horas, minutos. Não é ruim, só deixa a vida em suspenso  até que tudo se acalme e a vida siga seu rumo tranquila, serena como deve ser...ou não.



será?


Saudade...








Saudade esquisita essa. Não sei do que ou de quem que não as ausências de sempre. Hoje estou com saudades, uma sensação de falta, um não sei o quê que incomoda. Desassossego, como diria Fernando Pessoa. Hoje, não sei porque, estou desassossegada...








Sem mais e muito menos...

Imagem do ótimo casal sem vergonha.


É o que temos pra hoje.

Biscoito da Sorte




Prosa Erótica





Inda outro dia jogando conversa fora com um conhecido, falávamos sobre poesia erótica, sensual ou seja lá como queira chamar e eu me lembrei de um caso ocorrido há anos. 
Foi  uma discussão em uma lista de literatura sobre as formas de se escrever o erotismo, seja em prosa ou verso. O debate era sobre a forma, uns diziam que em matéria de erotismo bom era "no osso" ou seja sem meias palavras, outros que era melhor com certo lirismo e outros ainda falavam em misturar tudo. Pessoalmente acho tudo possível, mas há que se ter boa mão para isso, sobretudo na forma "vamos misturar osso e lirismo" por exemplo. Na época eu andava de namoro firme com Henry Miller e pra mim nada melhor do que um bom e suculento "no osso." Foi daí que nasceu a prosa abaixo. Se você um dos meus sete leitores for puritano, pudico aconselho a não ler...





Mendigo Rei

O homem magro e suarento aproximou-se sob o olhar desdenhoso da prostituta. Era só a metade do valor e ela não estava disposta. O que lhe daria  com o pouco que trazia, ele pensava ansioso. Ela andava pelo quarto olhando-o com repúdio e nojo. Sentou-se junto a mesa permitindo uma aproximação. Ele ajoelhou a seus pés. Olhando para o chão levou a mão até a saia dela. Lentamente , tão lentamente quanto possível. Queria passar desapercebido, como se olhar da puta pudesse determinar um tempo limite.
Subserviente como um cachorro magro e faminto, farejou as carnes da puta, avançando os dedos trêmulos em direção ao talho. Forçou as pernas dela. Precisava apenas de um vão para acomodar a cabeça. Ela cedeu, ele se acomodou. Começou a fode-la com a língua. Penetrou-a diversas vezes sentindo a boceta sumarenta da puta. Ela segurou-lhe pelos cabelos ensebados, tesuda. Trazia - o para si. Afundava-lhe a cabeça entre as pernas. Semicerrados olhos, murmurava palavras desconexas.Pedia para foder-lhe, pedia muito e se contorcia sob a língua quente dele.
Ela retirou-o da posição de joelhos acomodando-o entre as pernas. Puxou-lhe as calças com exatidão criminosa. Ele penetrou as carnes sujas da vagabunda, seus olhos miravam o rosto disforme dela. Ergueu a cabeça encarando-a com um sorriso debochado. Ela o queria. Queria o mendigo desprezível. Ela implorava pela estocada que não vinha. Ele mantinha-se parado enquanto a puta rebolava no seu pau a beira do gozo.
A boceta abocanhava -lhe o membro gulosamente. Ele observava - o sumir dentro dela.
Estava perto, o gozo se aproximava, a vagina apertava o pau em espasmos. 
Ele o retirou sob os palavrões dela. Ergueu a mão e largou-a na cara da puta. Ela caiu desmaiada a seus pés enquanto o mendigo às gargalhadas esporrava como um cavalo pelo seu corpo.
Agora o mendigo era Rei.

andrea augusto ©angelblue83





RIP: Manoel de Barros





Em 1986, o poeta Carlos Drummond de Andrade declarou que Manoel de Barros era o maior poeta brasileiro vivo. Antonio Houaiss, um dos mais importantes filólogos e críticos brasileiros escreveu: “A poesia de Manoel de Barros é de uma enorme racionalidade. Suas visões, oníricas num primeiro instante, logo se revelam muito reais, sem fugir a um substrato ético muito profundo. Tenho por sua obra a mais alta admiração e muito amor”. Os poemas publicados nesta seleção fazem parte do livro “Manoel de Barros — Poesia Completa Bandeira”, editora Leya. Por motivo de direitos autorais, apenas trechos dos poemas foram publicados.
 

O livro sobre nada

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
Peixe não tem honras nem horizontes.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.
Eu queria ser lido pelas pedras.
As palavras me escondem sem cuidado.
Aonde eu não estou as palavras me acham.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
Uma palavra abriu o roupão pra mim. Ela deseja que eu a seja.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Esta tarefa de cessar é que puxa minhas frases para antes de mim.
Ateu é uma pessoa capaz de provar cientificamente que não é nada. Só se compara aos santos. Os santos querem ser os vermes de Deus.
Melhor para chegar a nada é descobrir a verdade.
O artista é erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
Por pudor sou impuro.
O branco me corrompe.
Não gosto de palavra acostumada.
A minha diferença é sempre menos.
Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria.
Não preciso do fim para chegar.
Do lugar onde estou já fui embora.

O apanhador de desperdícios

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

Retrato do artista quando coisa

A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.

O fazedor de amanhecer

Sou leso em tratagens com máquina.
Tenho desapetite para inventar coisas prestáveis.
Em toda a minha vida só engenhei
3 máquinas
Como sejam:
Uma pequena manivela para pegar no sono.
Um fazedor de amanhecer
para usamentos de poetas
E um platinado de mandioca para o
fordeco de meu irmão.
Cheguei de ganhar um prêmio das indústrias
automobilísticas pelo Platinado de Mandioca.
Fui aclamado de idiota pela maioria
das autoridades na entrega do prêmio.
Pelo que fiquei um tanto soberbo.
E a glória entronizou-se para sempre
em minha existência.

Tratado geral das grandezas do ínfimo

A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.

Prefácio

Assim é que elas foram feitas (todas as coisas) —
sem nome.
Depois é que veio a harpa e a fêmea em pé.
Insetos errados de cor caíam no mar.
A voz se estendeu na direção da boca.
Caranguejos apertavam mangues.
Vendo que havia na terra
Dependimentos demais
E tarefas muitas —
Os homens começaram a roer unhas.
Ficou certo pois não
Que as moscas iriam iluminar
O silêncio das coisas anônimas.
Porém, vendo o Homem
Que as moscas não davam conta de iluminar o
Silêncio das coisas anônimas —
Passaram essa tarefa para os poetas.

Os deslimites da palavra

Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu
destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas

Aprendimentos

O filósofo Kierkegaard me ensinou que cultura
é o caminho que o homem percorre para se conhecer.
Sócrates fez o seu caminho de cultura e ao fim
falou que só sabia que não sabia de nada.
Não tinha as certezas científicas. Mas que aprendera coisas
di-menor com a natureza. Aprendeu que as folhas
das árvores servem para nos ensinar a cair sem
alardes. Disse que fosse ele caracol vegetado
sobre pedras, ele iria gostar. Iria certamente
aprender o idioma que as rãs falam com as águas
e ia conversar com as rãs.
E gostasse mais de ensinar que a exuberância maior está nos insetos
do que nas paisagens. Seu rosto tinha um lado de
ave. Por isso ele podia conhecer todos os pássaros
do mundo pelo coração de seus cantos. Estudara
nos livros demais. Porém aprendia melhor no ver,
no ouvir, no pegar, no provar e no cheirar.
Chegou por vezes de alcançar o sotaque das origens.
Se admirava de como um grilo sozinho, um só pequeno
grilo, podia desmontar os silêncios de uma noite!
Eu vivi antigamente com Sócrates, Platão, Aristóteles —
esse pessoal.
Eles falavam nas aulas: Quem se aproxima das origens se renova.
Píndaro falava pra mim que usava todos os fósseis linguísticos que
achava para renovar sua poesia. Os mestres pregavam
que o fascínio poético vem das raízes da fala.
Sócrates falava que as expressões mais eróticas
são donzelas. E que a Beleza se explica melhor
por não haver razão nenhuma nela. O que mais eu sei
sobre Sócrates é que ele viveu uma ascese de mosca.

O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.
Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!

Uma didática da invenção

I

Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca
b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre 2 lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.

II

Desinventar objetos. O pente, por exemplo.
Dar ao pente funções de não pentear. Até que
ele fique à disposição de ser uma begônia. Ou
uma gravanha.
Usar algumas palavras que ainda não tenham
idioma.

III

Repetir repetir — até ficar diferente.
Repetir é um dom do estilo.

IV

No Tratado das Grandezas do Ínfimo estava
escrito:
Poesia é quando a tarde está competente para dálias.
É quando
Ao lado de um pardal o dia dorme antes.
Quando o homem faz sua primeira lagartixa.
É quando um trevo assume a noite
E um sapo engole as auroras.

V

Formigas carregadeiras entram em casa de bunda.

VI

As coisas que não têm nome são mais pronunciadas
por crianças.

VII

No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá
onde a criança diz: Eu escuto a cor dos
passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um
verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz
de fazer nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.

VIII

Um girassol se apropriou de Deus: foi em
Van Gogh.

IX

Para entrar em estado de árvore é preciso
partir de um torpor animal de lagarto às
3 horas da tarde, no mês de agosto.
Em 2 anos a inércia e o mato vão crescer
em nossa boca.
Sofreremos alguma decomposição lírica até
o mato sair na voz .
Hoje eu desenho o cheiro das árvores.

X

Não tem altura o silêncio das pedras.
Fonte: Revista Bula