Amizade - Leandro Karnal



Leandro Karnal

28 Agosto 2016 | 02h00

João deitou a cabeça no peito de Jesus. Era a confiança absoluta no Mestre durante a última ceia. Poucas horas depois, o gesto era retribuído e magnificado: Jesus entregou-lhe a guarda da pessoa mais importante. “Filho, eis aí tua mãe”. A cena sob a Cruz mostra algo sublime: a amizade tornara João parte da família. 

Amizades surgem entre pessoas que se admiram. A estreita relação entre os filósofos Montaigne e Étienne de la Boétie resulta numa das mais belas frases já escritas sobre este tipo de afeto. Nos seus ensaios, o nobre tenta explicar por que amava La Boétie. Só consegue dizer que a causa central era “porque era ele, porque era eu”. O autor dos Ensaios reconhece que, na especificidade absoluta do outro, está a chave da fusão elevada a que chamamos amizade. 

A cabeça pendente de João e a afirmação de Montaigne mostram que a amizade encontra um campo além da razão: algo entre a fraternidade adotada e a entrega ao mistério da afinidade afetiva. Fraternidade adotada porque o amigo torna-se um irmão por desejo recíproco. O mistério da afinidade afetiva porque, diante do amigo, torno-me, de fato, quem sou. Não existe uma racionalidade que abarque isso. A amizade é uma epifania lenta. 

Há pedras no caminho. Amigos também possuem egos e as circunstâncias, por vezes, sufocam tudo. Desde que se conheceram na Paris ocupada, Sartre e Camus perceberam uma atração afetiva imediata. Já admiravam a obra um do outro. Dois homens diferentes: Sartre, burguês e bem formado; Camus de família pobre e nascido na Argélia. Também havia o fato de que o parisiense se esforçava muito para agradar às mulheres, mas era feio como uma cólica. Camus era bonito, mas sem a lábia retórica do autor de A Náusea. Havia uma admiração recíproca e uma concorrência entre ambos. Sartre apoiou a URSS mais do que Camus gostaria e as conversas foram ficando ácidas. Numa carta endereçada à revista que Sartre dirigia (Les Temps Modernes), ocorreu o afastamento definitivo. Sartre respondeu no mesmo número com um texto muito duro, duvidando até da capacidade de compreensão filosófica do ex-amigo. A trágica morte de Camus impediu uma reaproximação. Sartre escreveu um lindo obituário. A morte vencera o ego. 

Vaidades e disputas afastam amigos. Alguns afirmam que ex-amigos, de fato, nunca foram amigos de verdade. 

Ocorrera algo similar no Brasil. Oswald de Andrade jogou sobre Mário de Andrade duas palavras que evisceravam os pontos mais dolorosos do autor de Macunaíma: chamou-o de “boneca de pixe”. Atacando Mário como mulato e homossexual, Oswald causou uma ferida que nunca cicatrizou. Amigos se aproximam do coração e, quando isto resulta em estocada, ela quase sempre é fatal. Amigos baixam a guarda uns para os outros e este setor não defendido, ao ser flechado, magoa como poucas coisas. 

Talvez a amizade seja sempre um desafio. Entregar-se à relação com um amigo é observar-se num espelho pouco generoso. Os amigos nos conhecem e, para eles, as cenografias sociais são inúteis. Sim, nossos amigos nos amam, e nos conhecem, e nunca saberemos se nos amam por nos conhecer ou apesar de nos conhecer. Mas a entrega à amizade intensa é uma entrega a uma jornada de intimidade e apoio. 

O olhar do amigo não tem a doçura absoluta do materno e escapa do tom acre e ressentido do inimigo. Assim, longe do mel estrutural e do fel defensivo, é um olhar de sinceridade. Para ter um amigo, preciso de condições específicas. Eu identificaria três fundamentais. 

A primeira é a capacidade de se observar e continuar em frente. Uma conversa genuína com um amigo é uma dissecação anatômica da minha alma. Nem todos conseguem isso. Não é fácil atender ao preceito socrático: conhece a ti mesmo. Na minha experiência, conhecer aos outros é infinitamente mais fácil do que conhecer a si. Se os filósofos já garantiram que homens maus não possuem amigos, mas apenas cúmplices, eu acrescentaria que pessoas superficiais possuem apenas colegas e conhecidos, mesmo que os denominem amigos. 

A segunda é o tempo. Não se criam amigos de um dia para o outro. Amigos demandam história, repertório de casos, vivências em conjunto. Amigos precisam viajar juntos. Assim, os afetos integram as vidas das respectivas famílias. Amigos acompanham nossos sucessos e fracassos amorosos, choram e riem com nossa biografia. Quem adicionei ontem na minha rede social é um fantasma, um fóton, jamais um amigo. Amigos precisam de cultivo constante. Todo amigo é, dialeticamente, um frágil bonsai e frondoso carvalho.

A terceira é o controle do próprio orgulho. A mais espaçosa dama da alma é a vaidade. Quando ela preenche o ambiente, sobram poucos assentos livres. Pessoas vaidosas são frágeis e temem a entrega da amizade. O amor é privilégio de maduros, dizia Carlos Drummond. Talvez a amizade também o seja. Talvez não seja apenas para maduros, mas, com certeza, é um privilégio. Encerro com o conselho sábio dado por um tolo. Polônio prescreve ao filho Laertes (peça Hamlet): “Os amigos que tens por verdadeiros, agarra-os a tu’alma em fios de aço; mas não procures distração ou festa com qualquer camarada sem critério”. O cortesão infeliz sintetiza tudo o que tentei escrever aqui. Já falou com seu amigo hoje? Um bom domingo a todos vocês!



Sonho.





Millôr Fernandes

 16/08/1923.







As 5 Fases do Luto.


As 5 Fases do Luto

Um Processo de Cura

O Luto e Suas Fases

Um amigo me pediu para eu o ajudar com materiais para ele trabalhar com temáticas em uma clínica, dentre elas tenho a do luto, isso me fez lembrar das temáticas que eu fazia para dependentes químicos em recuperação.
Pensando nisso tive a ideia de tratar de um assunto que todos nós vivemos em nossa rotina diária e nem sempre percebemos.
Um assunto que nos mostra com muita clareza o turbilhão de sentimentos que passamos quanto perdemos qualquer coisa.
Mais conhecido por muitas das vezes estar ligada ao falecimento das pessoas que amamos ou conhecemos, mas que tem um significado e todos nós passamos quando perdemos qualquer coisa, vamos abordar neste artigo as 5 fases do luto.
As 5 fases do luto ocorrem de uma forma a prepararmos nosso psicológico a lidar com a perda, é um processo que dependendo do valor que a perda tem para nós ex.: se eu perder R$5,00, vou passar pelo mesmo processo do que se tiver perdido R$5.000, mas com certeza as 5 fases do Luto serão mais demoradas e doloridas com a perca de R$5.000 do que com R$5,00.
As fases não têm uma ordem cronológica, podem e as vezes ocorrem juntas e posso ficar preso a alguma delas e retroceder ao processo.
Objetivo de todo o processo é chegarmos a aceitação da perda e continuarmos a viver sem a dor ou a imagem constante daquilo que perdemos.
Perdas associadas as 5 fases do luto
  • Dinheiro
  • Familiares
  • Emprego
  • Amigos
  • A autoestima.
  • A autoimagem.
  • A Razão de viver.
Bom dito isto vamos começar a estudar as fases e ver suas peculiaridades.

As 5 fases do Luto

Negação:

A primeira de todas as 5 fases do luto é a negação.
A negação funciona como um amortecedor psicológico, para evitar um choque completo no nosso sistema emocional a negação nos impede de admitir a perda.
O primeiro impacto, quando perdemos qualquer coisa, repare como a primeira coisa que falamos é “não acredito” ou simplesmente dizemos “não”.
Quanto maior tiver sido a perda, com certeza será nossa negação de que isso aconteceu.
Apesar de ser benéfico ao nosso emocional e psicológico de primeira instância do acontecimento da perca em todas as 5 fases do luto.
A negação pode ser extremamente prejudicial se nos mantivermos presos a ela e isso pode nos impedir de começar a admitir, mesmo que não vislumbremos ainda a aceitação da perca, deixando aqui bem claro que a admissão não é a aceitação, pense comigo.
Eu posso admitir que estou careca, pois meu cabelo está caindo e resolvi adotar esse corte, admito isto. Mas aceitar que não tenho mais cabelo, que não posso mais passar um gel e arrumar meu cabelo como gostava antes, ah isso eu ainda não aceitei.

As 5 Fases do Luto

Raiva

A segunda das fases que abordaremos de todas as 5 fases do luto é a raiva.
A raiva é um estado em que tendemos a ficar revoltados com a situação da perda, acusando as pessoas, as situações e até mesmo Deus de por que aquilo está acontecendo conosco.
Temos raiva de perder aquilo que estávamos tão acostumados a ter ao nosso alcance, nos gera raiva de percebermos que não teremos mais aquela pessoa, ou aquele emprego, aquele carro, ou seja, o que for que tenhamos perdido.
Nesta fase costumamos a falar o que não devemos, sem pensar, simplesmente com a intenção de magoar ou ferir.
Como que um mecanismo de defesa, pois estamos sofrendo a perda e não estamos ainda prontos a aceitar isso, acabamos que por culpabilizar as situações ou nós mesmos pelo acontecimento da perda, seja lá do que for.
O maior problema da raiva é que ela pode regar e cultivar outros sentimentos como a amargura ou a mágoa.

As 5 fases do luto

D.D.D. (Dor, Desespero e Depressão)

A terceira das fases de todas as 5 fases do luto é o D.D.D.
A sigla é por uma mescla e confusão de sentimentos que acabam por nos assolar, a dor da perda, o desespero e a depressão da mesma.
Essa fase é considerada como a mais ‘tensa” e perigosa de todas.
Acabamos por pensar que o luto é isto, quando que esta é só mais uma das fases deste processo.
Começamos a ter noção de que aquilo não nos pertence mais, parece que não faz mais sentido continuar sem o que perdemos, tudo que olhamos sentimos falta daquilo, começamos a pôr na balança o valor perdido e começamos a pensar que isso será insubstituível e que jamais superaremos a perda.
A dor é tão intensa que se reflete em choro constante, o desespero de perder nos faz tomarmos atitudes antes jamais pensadas, a depressão toma conta nesta fase e temos que tomar muito cuidado, pois dependendo do valor que a perda tenha para nós, não é difícil de ficarmos num loop constante nesta fase e pararmos ou atrasarmos o processo que o luto exerce, para podermos aceitar essa perda.
Falamos constantemente sobre o assunto ou sobre o que perdemos, isso é extremamente normal e saudável.
Para podermos tratar nosso emocional e nos livrarmos desse pesar que nos assola, assim como rituais de sepultamento, nos aliviam no momento de nos despedirmos, falar sobre a perda nos ajuda a nos “despedir” do que seja que tenhamos perdido.

As 5 fases do luto

Negociação

A Negociação é a penúltima fase de todas as 5 fases do luto.
Neste momento estamos ainda que por querer estar no controle da situação, começamos a nos convencer de que podemos viver sem aquilo, mas ainda não que totalmente.
Para entendermos, quando perdemos uma namorada ou namorado e vemos que não conseguiremos mais ter aquele relacionamento de amor que tínhamos, é normal querermos ser só “amigos”, estou entendendo que estou perdendo, mas ainda quero negociar para que não perca de uma vez.
A negociação é uma fase de acordo com a perda, tipo estou perdendo, mas ainda posso isso ou aquilo, não perdi completamente, ainda tenho nem que for uma “pontinha” comigo.
Presentes, vestes e outros adereços podem ainda ter que estar conosco como uma forma de barganhar a perda.
Ainda nos impede de encarar a realidade da perda, nos protege do colapso de ter que aceitar que perdemos.
Mecanismo de defesa extremamente eficaz, a negociação nos deixa mais calmos com a situação de não termos mais aquilo que perdemos.

As 5 fases do luto

Aceitação

De Todas as 5 fases do Luto a Aceitação é o acordo com a realidade.
Neste momento aceitamos e seguimos em frente, encontramos a paz e a cura das nossas dores emocionais devido a perda, erguemos a cabeça e continuamos a viver, nossa fé se fortalece, pois, acreditamos e vemos que é possível vencer o medo de não ter mais aquilo que perdemos
Podemos viver sem aquilo, aceitamos a situação e a vida como ela é.

As 5 fases do Luto

Conselhos

  • Sinta os sentimentos
  • Se sentir medo não perca o controle, continue.
  • Quando se zangar, zangue-se, diga NÃO as pessoas.
  • Escreva aquilo que perdeu.
  • Cante e assobie
  • Reze e medite
  • Leia
  • Preencha seu tempo Livre com atividades e amigos
  • Seja bom com você.
  • Não temos o controle sobre as coisas e as pessoas
  • O luto é um processo inevitável em qualquer fase da vida.
  • Devemos ser honestos em encarar nossa realidade e defeitos.
  • Não devemos estagnar ou recuar ao processo isso pode ser fatal.
Gilvan Marcos Taveira de Medeiros

Coração, esse jovem impetuoso.

É preciso acrescentar qualquer comentário? Idade é só um número mesmo. O que move a vida definitivamente é a nossa capacidade de sentir. Seria raso dizer que é o amor. O amor é uma das consequências. A capacidade de sentir, vai além do que produz. Não desistir, não abdicar dessa capacidade em nome de qualquer coisa, isto sim nos leva adiante. Não importa a idade, não importa o corpo, o peso, as rugas, tudo isso são limitações que nos impomos, o que importa de fato é a capacidade de sentir e isso, meus dois amados leitores, devemos morrer mantendo. Até o fim tudo é possível. ;)

Idosa de 92 anos foge da clínica para ficar com namorado de 87.






Quem disse que fugir para ficar com namorado é coisa de adolescente? As loucuras da paixão não têm idade!
Na Noruega uma idosa de 92 anos de idade fugiu da casa de repouso onde estava para ficar com seu namorado, de 87 anos.
A vovó teria se encontrado com o amor de sua vida algumas vezes. Ele aparentemente a tinha visitado na clínica algumas vezes.
Este mês os cuidadores deram falta da idosa, depois que seu andador foi encontrado abandonado em um parque.
Imagine a correria para tentar a achar a vovó apaixonada na casa Vilberg, em Eidsvold, ao norte de Oslo, na Noruega.
As buscas só foram encerradas quando a direção da clínica descobriu tudo.
Sabe pra onde ela foi? Para a Estocolmo, na Suécia, ficar com seu namorado.
“Esta é realmente uma história de amor comovente”, disse a chefe da clínica, Janka Solstad.
“Imagine não ser capaz de passar um feriado romântico só porque você ja passou dos 90. A senhora não fez nada ilegal, mas ela causou algum desconforto para nós, porque não avisou que estava indo embora.”
As férias românticas da vovó apaixonada duraram 10 dias e ela já voltou para a clínica.
Com informações do Mirror
.Daqui.

Prosa boa de um autor muito jovem.




ANTES DE PROCURAR ALGUÉM, ENCONTRE VOCÊ





Não procure alguém só por estimação, pra preencher suas horas e ocupar os seus momentos, porque quando você é capaz de preencher sozinho a sua vida, você se ocupa por inteiro, e você passa não desejar qualquer coisa, a não aceitar nada além de alguém que se realize com você.
Não procure alguém que te complete, pra ser sincero, não procure ninguém. As melhores coisas da vida acontecem quando você menos espera. Acontecem quando tem que acontecer. Se for pra encontrar, encontre alguém pra sentar no sofá, bagunçar o teu cabelo e assistir aquele filme que você ama mais que sempre faz ele dormir. Encontre alguém que tenha assuntos pra conversar com você no final da noite, mesmo depois de um dia corrido, ou alguém que dispute quem de vocês faz mais pontos em Criminal Case. Se tenha por completo, esteja bem com você mesma, dê tempo pra você, porque quando a gente se basta o outro só chega pra somar. Antes de se apaixonar por alguém, se apaixone por você. Antes de querer alguém pra amar, ame-se e o outro chegará quando você menos esperar. Antes de correr atrás de alguém, lembre-se que ainda tem Netflix e uma temporada inteira daquela sua série favorita pra assistir.
Não procure alguém pra te tirar o tédio, pra dar as mãos, pra ocupar o lado esquerdo da cama e do peito se você não tiver certeza de que sozinha ocupa bem a cama e a si mesma, que sozinha você vai longe, que você não depende de ninguém pra isso, que também é capaz de encontrar os seus caminhos e que não precisa de ninguém pra te levar a lugar algum. Se carregue, se leve, seja livre, porque é de gente livre, leve e solta que o amor precisa. Quando você entende que a leveza da tua alma e a paz da tua vida não merece ser trocada por nenhum peso ou bagunça sentimental, o outro só chega pra seguir o fluxo de um amor tranquilo, pra te apresentar novos lugares e caminhos.
Não procure alguém só pra chamar de ''amor'' ou só pra apelidar de algum desses nomes fofos-clichês. Não procure alguém só pra ter quem apresentar no encontro com seus amigos, ou pra ter um colo pra pegar no sono quando o estresse do trabalho atormentar. Não se mantenha em lugares que só te perturbam, e isso também vale pra pessoas. Já perdemos muito tempo tentando seguir caminhos que não são os nossos, tentando aprender coisas que não queremos, ficando com pessoas que não suportamos. Onde não existir reciprocidade, não se demore.
Encontre alguém que, mesmo com nome e sobrenome, te faça entender o significado de chamá-lo de ''meu amor'', alguém que esteja disposto a te dar colo, carinho, afeto, não somente nos seus melhores, mas nos piores também, alguém que os seus amigos reconheçam como ''a pessoa certa pra você'' e concordem quando você sorri ao falar dele. Não procure alguém só pra te ligar e conversar sobre saudade, combinar um cinema num sábado a tarde, ou só pra te dizer que vai aparecer quando der. Encontre alguém que esqueça de te ligar pra te avisar e chegue na tua casa de surpresa pra matar a saudade. Não procure alguém pra ocupar a tua vida, porque às vezes a gente perde muito tempo com quem ocupa espaços que não merecem ocupar. Poupe seu tempo e sua paciência com quem só sabe te dizer: ''não sei/vou pensar/qualquer coisa eu te ligo''. Dê o seu tempo a quem te diz ''tô indo/abre a porta que eu já cheguei''.
Não procure alguém só por estimação, pra preencher suas horas e ocupar os seus momentos, porque quando você é capaz de preencher sozinho a sua vida, você se ocupa por inteiro, e você passa não desejar qualquer coisa, a não aceitar nada além de alguém que se realize com você, porque se for pra ser mais uma página a ser rasgada, melhor escrever o livro sozinho.
Autor:

Sou recifense, 24 anos, apaixonado por cafés, seriados e filmes, mas amo cervejas e novelas se houver um bom motivo pra isso. Além de escrever em meu blog pessoal e por aqui, escrevo também no blog da Isabela Freitas, sou colunista do Superela e lancei o meu primeiro livro em Novembro de 2014 pela Editora Penalux

12/06/2016 - É o que temos pra hoje.





Sou como Joana. ;)

Muhammad Ali.




RIP 1942 - 2016



1. “Cassius Clay é o nome de um escravo. Não foi escolhido por mim. Eu não o queria. Eu sou Muhammad Ali, um homem livre”.
2. “Somente um homem que sabe o que sente ao ser derrotado pode ir até o fundo de sua alma e tirar dali aquilo que lhe resta de energia para vencer um combate equilibrado”.
4. “Sei aonde vou e sei o que é a verdade. E não tem por que ser o que você quer que seja. Sou livre para ser aquilo que quero ser”.
3. “Odiei cada minuto de treinamento, mas não parava de repetir a mim mesmo: ‘não desista, sofra agora para viver o resto de sua vida como campeão’”.
5. “Impossível é apenas uma palavra usada pelos fracos que acham mais fácil viver no mundo que lhes foi determinado do que explorar o poder que possuem para muda-lo. O impossível não é um fato consumado. É uma opinião. Impossível não é uma afirmação. É um desafio. O impossível é algo potencial. O impossível é algo temporário. Nada é impossível”.
6. “Sou o maior. Disse isso a mim mesmo inclusive antes de saber que o era”.
7. “Não vou percorrer 10.000 quilômetros para ajudar a assassinar um país pobre simplesmente para dar continuidade à dominação dos brancos sobre os escravos negros”.
8. “Quando criança, eu pedia ao meu irmão Rudy que jogasse pedras sobre mim.Era assim que eu aprendia a fazer meus movimentos, esquivando-me de pedradas”.
9. “No golfe eu também sou o melhor. O único problema é nunca joguei golfe”.
10. “Um homem que enxerga o mundo aos 50 anos da mesma forma que aos 20perdeu 30 anos de vida”.
11. “Não divido o mundo entre os homens modestos e os arrogantes. Divido o mundo entre os homens que mentem e os que dizem a verdade”.
12. “Não suporto ver sangue. Em muitas das minhas lutas, eu tinha de olhar para o lado”.
13. “O silêncio vale ouro quando não se consegue achar uma boa resposta”.
14. “É apenas um trabalho. O mato cresce, os pássaros voam, as ondas acariciam a areia... Eu me bato em um ringue”.
15. “Não conte os dias: faça com que os dias contem”.
16. “Quando você tem razão, ninguém se lembra disso; quando está errado, ninguém esquece”.
17. “Outro dia fui ao cinema ver um filme de terror. Ele se chama Baron Blood. Comparado com isso, ter ganho de Foreman foi apenas mais um dia na academia”.
18. “O boxe é um monte de brancos vendo como um negro vence outro negro”.
19. “Servir aos outros é como o aluguel que se tem de pagar por uma casa na Terra”.
20. “Eu fui o Elvis do boxe, o Tarzan do box, o Super-Homem do boxe, o Drácula do boxe. O grande mito do boxe”


Geminianos.







sem mais.

A impossibilidade de voltar.






Dizem que antes de um rio entrar no mar, ele treme de medo.
Olha para trás, para toda a jornada que percorreu, para os cumes, as montanhas, para o longo caminho sinuoso que trilhou através de florestas e povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto, que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entrar no oceano é que o medo desaparecerá, porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas de tornar-se oceano...
Osho




CHEIOS DE FOME - LEANDRO KARNAL



*CHEIOS DE FOME* LEANDRO KARNAL - O ESTADO DE S.PAULO

LEANDRO KARNAL É HISTORIADOR E PROFESSOR DE HISTÓRIA CULTURAL DA UNICAMP

Que ninguém acuse o PMDB de incoerência e contradição. Para negar valores é preciso primeiro que eles existam, diz historiador

Escrevo com o Brasil já sob nova administração. Crônica de uma morte longamente anunciada, a presidente Dilma foi afastada do cargo e o vice, Michel Temer, assumiu o posto máximo do Executivo. Vices são fundamentais no Brasil. A história da República tem tantos que seria prudente colocar em primeiro plano, nas próximas eleições, as ideias e a biografia do eventual substituto. Deodoro foi nosso primeiro presidente, mas renunciou meses após ter sido eleito. Seu vice- Floriano Peixoto, trouxe energia e ideologia ao cargo, e é chamado de “consolidador da República”. Nosso primeiro presidente civil, Prudente de Morais, tinha saúde frágil e o vice, o médico Manuel Vitorino Pereira, teve oportunidade de substituí-lo. A morte do presidente Afonso Pena, em 1909, levou o vice Nilo Peçanha ao poder. A gripe espanhola levou o eleito Rodrigues Alves e seu vice, Delfim Moreira, assumiu entre 1918 e 1919. O assassinato de um vice, João Pessoa, em 1930, foi o estopim de um movimento que levou Getúlio Vargas ao Catete. Sem vice ao subir, Getúlio caiu sem vice em 1945, levando o presidente do STF (José Linhares) a se tornar a alternativa possível. Outro vice, Café Filho, assumiu quando do suicídio de Vargas, em 1954, sendo o primeiro protestante a subir à presidência do Brasil. Outro vice, João Goulart, tornou-se presidente em 1961, com a renúncia de Jânio Quadros. Pedro Aleixo foi impedido de assumir quando o marechal Costa e Silva teve um problema de saúde. Daqui em diante a memória de muita gente ajuda: desde a redemocratização, 3 vices (Sarney, Itamar e Temer) tornaram-se presidentes. Os três últimos apresentam em comum serem membros do PMDB. Partido surgido com o Ato Institucional número 2 (outubro de 1965) que dissolveu o pluripartidarismo e criou MDB e ARENA, uma oposição confiável e um partido da situação. Curiosamente, nas justificativas para o ato institucional, os militares usaram um argumento que, de alguma forma, foi repetido por muitas pessoas nas votações da Câmara e do Senado recentes. Dizia o texto : “A Revolução é um movimento que veio da inspiração do povo brasileiro para atender às suas aspirações mais legítimas: erradicar uma situação e um Governo que afundavam o País na corrupção e na subversão.” É uma característica quase universal dos movimentos políticos invocarem que falam em nome do povo e não de interesses partidários ou pessoais. Desde que o conceito povo entrou no vocabulário político do Ocidente, com a Revolução Francesa, ele tem sido usado para tudo, menos para os interesses do povo propriamente ditos. O nome povo sempre foi sagrado, mas o povo real sempre foi alvo de gás de pimenta. O MDB virou PMDB e continuou sendo uma frente ampla, sem uma posição clara sobre a maioria das questões. Acima de tudo, o partido virou peça estratégica. Por quê? Ele é suficientemente variado e amplo para poder estar associado a qualquer projeto político mais claro. Pode estar ao lado de um político tradicional como Tancredo Neves ou ao lado de um emergente da política como Collor. Também não faz má figura ao lado de um ex-operário socialista como Lula. Não existe contradição em termos porque não existem termos no PMDB. Não há negação de valores porque isto implicaria a existência deles. Eventualmente, críticos do governo FHC podem levantar pontos e medidas que contrariam a tradição sociológica do ex-presidente ou a alegada social-democracia do seu partido. Da mesma forma, inimigos da era Lula-Dilma podem demonstrar que o mercado financeiro foi beneficiado de forma estranha para a orientação esquerdista de ambos. Esqueçam o que escrevi ou deletem quem eu fui são frases inerentes ao exercício do poder real no Brasil. Porém, seria injusto alegar qualquer incoerência com o PMDB. Incoerência em relação a qual princípio? O PMDB foi convidado para estas chapas eleitorais não pelos valores, mas pela sua presença no legislativo federal e nas prefeituras, pela sua imensa atomização e maleabilidade. Sei exatamente o que pensam os deputados Bolsonaro ou Jean Wyllys. E um deputado do PMDB? O novo presidente da República, Michel Temer, anunciou que constituiria um ministério de notáveis e com cortes no absurdo número daquela esplanada. Retrocedeu nas duas decisões. Lógica da Realpolitik: não é o idealismo da transformação que marca a ação nem de Temer e nem do PMDB, mas da já gasta ideia do príncipe de Salina de Lampedusa, da mudança superficial para garantir a manutenção estrutural. Dilma levou tempo para entender que o cão de guarda furioso ajuda o dono, desde que muito bem alimentado. O curioso é que o PMDB foi escolhido por representar esta segurança. Sarney era o líder do partido que apoiou a ditadura e seu nome deveria acalmar conservadores sobre as intenções da Nova República. Itamar Franco era o contrapeso à ação coruscante de Collor. Temer cumpriu o mesmo papel. O PMDB garantia a blindagem do governo e esta quase autonomia bonapartista que marca Brasília em relação à nação. O poder dos bastidores, o conchavo de sacristia, as reuniões que decidem tudo antes de levar a questão já acordada para o plenário foram e são as marcas dos políticos profissionais. A politica assim concebida, só entende valores como “clamor das ruas”, “respeito à constituição”, “bandeira da ética” ou outra qualquer como óleo a ser usado para lubrificar as engrenagens do poder. Democracia e povo são fundamentais, desde que, claro, não contrariem o objetivo prático e imediato do interesse político. Mas há um risco em passar de vice a titular. É o risco inerente a toda amante que deseja ser esposa. A vida alternativa tinha quase todos os benefícios e pouca exposição. Agora, a vidraça está exposta ao sol e ao alcance dos estilingues. Poderíamos inverter a frase de Jesus no Calvário: “Pai, eles podem ser perdoados? Não sei, mas eles sabem exatamente o que fazem”. Não duvide disto, leitor!

Ausência Recorrente - para sempre no Dia das Mães.








Chuva permanente


Quando se perde alguém querido, sempre resta algo de irreal na ausência
Mando um zap-zap para uma amiga que dias antes perdeu o pai. Como ela e a mãe estão indo? Responde que tudo agora parece muito estranho. Ocorre-me que é isto mesmo: uma perda torna irreal aquilo que antes nos era familiar. Afinal, o luto é o período durante o qual essa irrealidade vai lentamente se impondo como nova realidade.

Retrocedendo nos dias e anos, desapareceram na minha família ou no círculo de amizades: outro pai, um tio-avô, uma irmã, um marido, duas tias, cinco amigos... Por mais que o tempo passe, porém, não “cura” nada. Sempre restará algo de irreal nessas ausências. Paradoxo: elas continuarão presentes para todo o sempre. O nosso sempre.

Minha mãe morreu há mais de duas décadas, depois de quase dois meses lúcida numa CTI. Era relativamente jovem, 63 anos, sofria do coração. Até a internação, eu ligava para ela todos os dias, no final de tarde, começo de noite, que é quando os cadernos de Cultura costumam fechar. Vinte anos. Pois ainda hoje, após jornadas de trabalho muito intensas em casa, eu tenho o impulso de passar a mão no telefone para ouvir a sua voz (que luto para não esquecer). Quem sabe, numa realidade paralela, uma senhora franzina e silenciosa aguarde em vão uma ligação do filho.

Uma de minhas cunhadas morreu há cinco anos. Era ainda mais jovem, 40 anos, teve meningite. Morava no interior de Minas. Víamo-nos sempre que possível, logo sempre menos que o desejável. Só consegui retornar à sua cidade em outubro, para a festa de 75 anos de minha sogra. Saber que não encontraria minha cunhada antecipava um problema de difícil superação. Mesmo tendo ido a seu enterro, pareceu-me absurdo que ela não estivesse mais lá. Quem sabe, numa realidade paralela, uma moça bonita e engraçada aguarde a visita da irmã e do cunhado que moram no Rio.

Não diferencio os objetos de nossos amores — e, portanto, de nossos lutos — pela sua família animal. Um de meus gatos, uma fêmea siamesa, morreu no ano passado. Era idosa, tinha quase 19 anos, viveu o que tinha para viver, em boa forma até os meses finais. Enquanto estou em casa, sua ausência preenche todos os cantos. Está na poltrona arranhada do escritório, entre os travesseiros da cama do casal, na porta em que eu tamborilava para que saltasse. Ela só pode ter se escondido em algum lugar, a safada.

Quando escrevi sobre minha gata, recebi inúmeras mensagens de solidariedade e carinho. Numa delas, a leitora contava que, depois de perder um cão muito querido, tinha enorme dificuldade de subir da portaria para o apartamento e constatar que ele não estava lá — isso todo dia, todo dia, um pesadelo recorrente. Entendo. Voltar aqui para casa tem sido dar pela falta de um dos gatos. (Por enquanto, um.) Meus olhos a procuram pelos cômodos e, quando caio na real, uma bigorna se reinstala em meu peito.

Não é verdade que, como escreveu Nietzsche, “o que não nos mata nos torna mais fortes”, frase tão popular que serviu de epígrafe para o “Conan, o bárbaro” com Arnold Schwarzenegger. Em “Altos voos e quedas livres”, livro concluído por um ensaio sobre a morte da mulher, Julian Barnes rebateu o filósofo alemão: “Há muitas coisas que não nos matam, mas que nos enfraquecem para sempre”. Acho que, se tanto, tornam-se o metro pelo qual medimos outros sofrimentos. Lembro-me da avó que eu chamava de “minha gata”, a mãe de minha mãe: “Só não há remédio para a morte”.

Leio “1913 — antes da tempestade”, do historiador de arte alemão Florian Illies. É um almanaque culto, mês a mês, do ano que precedeu a eclosão da Primeira Guerra Mundial. Antes, em 1912, após ser traído por Fernande Olivier, Picasso tomara como amante Marcelle Humbert, a quem rebatizou de Eva Gouel. Refugiou-se com ela em Céret, nos Pireneus, para conseguir trabalhar. “Para Picasso, como sempre acontecia com o surgimento de uma nova amante, a vida e a arte transformaram-se por completo”, escreve Illies. O pintor passava do cubismo inicial, analítico, ao cubismo sintético.

Em março de 1913, Picasso e Eva estão de volta a Céret, mas as coisas não vão bem. O pai do pintor, José Ruiz y Blasco, que o ensinara a desenhar, está morrendo, em Barcelona. Eva também cai doente, com câncer. A cadela Frika agoniza. Quando o veterinário diz que não há mais nada a fazer, o pintor pede a um inspetor de caça que dê o tiro de misericórdia. “Até o final de sua vida. Picasso não esquecerá o nome do atirador — ‘El Ruquetó’ – e também o quanto ele chorou naqueles dias”, conta Illies. “O pai morto, o cão morto, a amante doente de morte e, lá fora, uma chuva permanente. Picasso enfrenta, na primavera de 1913, em Céret, sua maior crise psíquica”.

Na fase seguinte, o “cubismo de cristal”, destilaria uma geometria minimalista, quase abstrata. É tentador pensá-la como uma resposta às perdas acumuladas. Se meu chute tiver alguma validade, mais do que até então Picasso ensaiaria ali uma nova realidade alternativa, tentativa de replicar nos quadros a irrealidade dos lutos.
______
Voltarei a “1913”.


Arthur Dapieve

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/chuva-permanente-19238610#ixzz47vXlnNLG 

RIP PRINCE







21/04/2016 - Feriado. Queda de um trecho da ciclovia aqui no Rio de Janeiro. Com mortos. Prince nos deixa. Crise política. Povo dividido e francamente beligerante. São tempos sombrios...muito sombrios.


Impeachment - cenas do próximo capítulo

17/04/2016 

'Dia D' do impeachment: O que você precisa saber sobre a votação e os próximos passos


A votação na Câmara dos Deputados, em Brasília, começou pouco depois das 14 horas, com Jovair Arantes (PTB-GO), relator da Comissão Especial do Impeachment, lendo o parecer sobre o processo. Ele chamou as pedaladas fiscais de "condutas gravíssimas" que feriram a Constituição e geraram "consequências drásticas para a economia brasileira".

  • Os 513 deputados federais começaram a votar pouco antes das 18h. Ele devem votar apenas "sim" ou "não", ou seja, se são a favor da abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, ou se "não", se acreditam que o pedido deve ser arquivado. Nesse momento, não há espaço para discursos.
  • Para que a tramitação chegue ao Senado, ao menos 342 deputados, dois terços do total, precisam dizer o "sim". Votos "não", abstenções e ausências contam a favor da petista – se 172 ou mais votos se enquadrarem nesse grupo, ela está livre da ameaça de afastamento (ao menos com base na ação atual).
  • Segundo o rito determinado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a votação começará com os parlamentares de Roraima, seguidos pelos do Rio Grande do Sul; na sequência, virá outro Estado da região Norte e, depois, outro da Sul, e assim sucessivamente. Deputados de cinco Estados do Nordeste (Paraíba, Pernambuco, Bahia, Sergipe e Alagoas, nesta ordem) serão os últimos.

Quem falou:

Image copyrightAgencia Brasil
Image captionO primeiro a falar foi o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (PMDB-RJ)
Antes dos deputados começarem a votar, os líderes dos partidos discursaram.
  • O primeiro a falar foi o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), que disse que a orientação da bancada é votar a favor do processo de impeachment. Picciani também disse que respeita as posições de todos os parlamentares do partido.
  • Em seguida, foi a vez do PT. O deputado Afonso Florence (PT-BA), líder do PT na Câmara. Ele disse que "os regimes de excessão" se iniciam dessa forma. "Foi o que aconteceu em 1964."
  • Depois foi a vez do deputado Antonio Imbassahy (PDSB-BA), líder do PSDB na Câmara. "O PSDB irá votar pelo impeachment porque o Brasil não pode ser governado por uma presidente da República que maculou o cargo que lhe foi confiado."
  • O líder do PP na Câmara, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), falou em seguida sobre a orientação do partido na votação: a favor do impeachment.
  • O deputado Aelton Freitas (PR-MG), em seu discurso, disse que a orientação do partido é votar contra o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
  • O deputado Rogério Rosso (PSD-DF), presidente da comissão especial de impeachment e líder do partido na Câmara diz que bancada votará a favor do processo de impeachment.
  • Depois dele, ainda falaram Fernando Coelho Filho (PSB-PE), Pauderney Avelino (DEM-AM), Márcio Marinho (PRB-BA), Wilson Filho (PTB-PB), Weverton Rocha (PDT-MA), Genecias Noronha (SD-CE), Paulo Pereira da Silva (SD-SP) e Renata Abreu (PTN-SP), Daniel Almeida (PCdoB-BA), André Moura (PSC-SE), Rubens Bueno (PPS-PR), Givaldo Carimbão (PHS-AL), Uldurico Junior (PV-BA), Ronaldo Fonseca (PROS-DF) e Alessandro Molon (Rede-RJ). Alfredo Kaefer (PSL-PR), Junior Marreca (PEN-MA), Welinton Prado (PMB-MG), Miguel Haddad (PSDB-SP).

Onde estão ocorrendo protestos:

Image copyrightBBC Brasil
Image captionIntegrantes do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira (antiga Sociedade Brasileira de Defesa de Tradição, Família e Propriedade – TFP) participaram da manifestação pró- impeachment em Brasília
Durante a votação dos deputados, manifestações pró e contra o governo tomam diversas cidades do país.
  • Em Brasília, há um forte esquema de segurança na Esplanada dos Ministérios. De um lado, o público veste verde e amarelo e a outra, vermelho. Já no gramado em frente ao Congresso Nacional foi isolado por motivos de segurança. Como resultado, de dentro da Casa não se ouve qualquer barulho das manifestações.
  • Em São Paulo, manifestantes pró-impeachment se reúnem na avenida Paulista. Alguns manifestantes também fazem fila para tirar fotos com dupla fantasiada como o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff, que aparecem encarcerados. Já os que defendem a permanência de Dilma se concentram no Vale do Anhangabaú e em outros locais do centro da cidade. Tanto na Paulista como na região central, há telões exibindo a votação em Brasília.
  • No Rio de Janeiro, o grupo Furacão 2000 levou centenas de pessoas a Copacabana contra o impeachment, abrindo os protestos na cidade. A orla concentra protestos pró e contra o impeachment ao longo deste domingo. Diante de quatro telões distribuídos ao longo da orla, o clima é tranquilo e razoavelmente silencioso, com todas as atenções voltadas ao que acontece no Congresso.
  • Em Recife, um grupo contra o impeachment protesta aos gritos de "Fora, Cunha" diante de um telão que transmite a votação
  • Em Salvador, uma manifestação pró-governo ocorre na orla da Barra.

O que dizem os lados:

Image copyrightRodolfo Stuckert Camara dos Deputados
  • Acusação: segundo a parte do pedido de impeachment aceita pelo presidente da Câmara, Dilma cometeu crime de responsabilidade em 2015 ao atrasar repasses aos bancos públicos para o pagamentos de benefícios ou cobertura de taxas de juros subsidiadas, as chamadas "pedaladas fiscais", e ao assinar decretos de suplementação orçamentária sem a autorização do Congresso.
  • Defesa: diz que o TCU (Tribunal de Contas da União) só considerou as "pedaladas" como algo irregular no fim de 2015, e que alterou sua conduta após isso. Sobre os decretos, afirma que eles não elevaram os gastos totais do governo, pois só remanejaram recursos entre despesas previamente autorizadas pelo Legislativo.
  • Comissão Especial que analisou o tema: aprovou, por 38 votos a 27, o parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO), que recomenda processar a presidente. Segundo ele, Dilma desrespeitou a harmonia e independência entre os Poderes ao assinar os decretos sem o aval do Congresso, e as "pedaladas" configuram operações de crédito (empréstimos) entre governo e bancos públicos, o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

O que acontece depois:

Image copyrightEPA
  • Caso 342 ou mais votos sejam favoráveis à abertura do processo, o Senado será autorizado a julgar Dilma. Mas isso só ocorrerá, porém, se metade dos 81 senadores (41 votos) acompanharem a posição dos deputados. Essa decisão está prevista para ocorrer em meados de maio.
  • Se os senadores decidirem abrir o processo, Dilma ficará afastada por até 180 dias à espera do julgamento; enquanto isso, o vice Michel Temer (PMDB) assumiria o cargo interinamente.
  • No julgamento final pelo Senado, a presidente seria definitivamente deposta caso 54 senadores (dois terços do total) votarem pelo impeachment. Nesse caso, Temer assumiria o posto até a passagem do mandato para o próximo presidente eleito da República, em 1º de janeiro de 2019.

Fonte: BBC