A verdadeira história de Hugh Glass.

Há anos, quando li sobre a história desse aventureiro, lembro que pensei imediatamente: Que filme daria essa história! E finalmente chegou as telonas a história desse homem que mais parece ficção e ainda dizem que a vida imita a arte...







Abandonado para morrer
Fonte : Revista Seleções
Data : Novembro de 1979
Autor : Winfred Blevins


Em 1822, Glass se juntou a uma expedição para subir o rio Missouri para o comércio de peles. 
Hugh Glass, de 40 anos, era tão obstinado e independente como qualquer caçador de peles das montanhas. Numa manhã de agosto de 1823, viajando com outros 10 homens, ele atravessava as planícies quase áridas do território que é hoje Dakota do Sul, depois de acompanhar até a nascente do rio Grande, para ir caçar nas montanhas Rochosas.

Glass ia bem na frente do grupo principal, procurando frutinhas silvestres, quando se viu frente a frente com uma enorme ursa parda e seus dois filhotes. A ursa o atacou e com um golpe deitou-o por terra. Depois atirou-se de novo contra o corpo inerte, arrancando-lhe um pedaço de carne. Quando o resto do grupo chegou atraído pelos gritos de Glass, encontrou-o corajosamente desferindo facadas na ursa, mas esta o feria cada vez mais, a cada investida. Vários homens dispararam seus rifles e finalmente o animal tombou. Todos ficaram surpresos por encontrar Glass ainda vivo. Suas costelas tinham sido esmagadas; de um buraco enorme na garganta o sangue borbulhava cada vez que ele respirava. Seu corpo estava todo lanhado e qualquer daqueles 15 ferimentos seria suficiente par matar um homem. Era incrível a coragem de qualquer um capaz de viver pelo menos alguns minutos depois de tão maltratado. Resolveram acampar. De qualquer forma, depois do enterro não haveria mesmo tempo de prosseguir caminho naquele dia. De manhã, entretanto, o velho Glass ainda resistia. A situação estava começando a ficar problemática. Claro que era bom que Glass estivesse vivo, mas o fato de ter sobrevivido àquela noite criava um perigo: o grupo tinha sido atacado por índios há apenas dois dias e com isso haviam morrido dois homens.

O chefe do grupo, major Andrew Henry, fez o que tinha que fazer. Os índios poderiam estar em qualquer lugar, e o essencial era sair rápido do território deles. Não fazia sentido nenhum arriscarem 10 vidas à espera de que outro homem morresse a fim de poderem cumprir um ritual. Os homens já estavam ansiosos, mas Henry não seria capaz de abandonar um homem que ainda se apegava à vida. Isso era coisa que qualquer pessoa decente jamais faria. Por isso ele adotou um meio-termo: pediu que dois voluntários ficassem com Glass até que o velho passasse desta para melhor; depois disso, deveriam enterra-lo e correr para alcançar o grupo.
Imediatamente o mais jovem entre os homens se apresentou como voluntário. Era um rapaz de 19 anos, sem nada de especial, chamado Jim Bridger. Henry olhou para os outros. John Fitzgerald achava que não era justo. Quem ficasse ali estaria convidando os índios a levarem seu escalpo. Poderia até mesmo perder a caça do outono, se não conseguisse chegar ao forte bem depressa. Mas talvez Henry recompensasse o tempo perdido...

Henry disse então que oferecia 40 dólares a quem ficasse ali. Fitzgerald declarou que aceitava. Afinal aquele dinheiro representava o pagamento de dois ou três meses de trabalho. O resto do grupo se afastou, deixando Bridger e Fitzgerald encarregados de enterrar Glass.
Ao chegar a manhã, os dois descobriram que Glass ainda estava vivo. E se o velho resistisse duas semanas? Que é que iam poder fazer? Na quarta manhã Bridger por um momento ficou em dúvida sobre se Glass estava vivo ou morto; parecia ter mergulhado num sono semelhante à morte.

Naquela tarde Fitzgerald insinuou que ele e Bridger eram homens formidáveis por haverem ficado tanto tempo com Glass, arriscando suas cabeças. Evidentemente o serviço que haviam feito valia mais de 40 dólares.
Na manhã seguinte o obstinado Glass abriu os olhos. Estavam vidrados. Bridger não teve certeza de que o velho fosse capaz de enxergar. Contou a Fitzgerald, que havia começado a arrumar suas coisas.
“Vou dar o fora daqui, Bridger”, informou Fitzgerald. “Já ficamos mais do que devíamos. De qualquer maneira, Henry não tencionava que esperássemos cinco dias só por 40 dólares. Ele pensou que a gente ia embora logo. Isso não é razoável.” Bridger não disse nada. Olhou para Glass, que balançava a cabeça para frente e para trás. Era possível que estivesse apenas delirando, mas Bridger imaginou que talvez Glass pudesse ver o que estava acontecendo e provavelmente ouvir tudo também. Olhou para ele com firmeza.
“Estou pronto”, disse Fitzgerald. “Vai ficar ou vai embora?”
“Não posso ir embora”, disse Bridger pensativo.
“Rapaz, você sabe o que os índios vão fazer com você, não sabe? Talvez meter-lhe varas de pinho e acende-las, para assar você lentamente. Ou talvez o esfolem vivo.” Bridger nada disse.
“Vamos indo!” ordenou Fitzgerald. “Você ainda não está em idade para jogar tudo fora, e muito menos por um cadáver.”

Bridger olhou para Fitzgerald, sem acreditar no que ouvia, enquanto este lhe berrava: “Pegue o rifle, a faca e tudo mais. Não se abandonam as coisas de um homem quando é enterrado, a gente as leva. E nós enterramos o velho Glass. Não se esqueça disso, rapaz.”
Bridger pôs-se a caminha ao lado do cavalo, como se fosse um autômato. Já estavam alguns quilômetros dali quando conseguiu voltar ao normal. Ai sentiu uma fúria incontrolável e uma espécie de enjôo no estômago.
Quando Glass despertou, entendeu o que havia acontecido. Pronunciou suas primeiras palavras e estas lhe deram certeza da situação: “Desgraçados, foram embora e me deixaram aqui para morrer! Levaram todas as minhas coisas.” Passou o resto do dia pensando nisso. Quando chegou a manhã, havia resolvido que ia ajustar contas com Bridger e Fitzgerald. A ânsia de acertar as dívidas sobreveio-lhe como uma febre.

Glass calculava que ele e os companheiros haviam viajado 400 km desde Fort Kiowa, mas essa distância era muito menor que a que o grupo havia prosseguido viagem. Além disso, dali até For Kiowa o terreno de modo geral só descia.
Antes de terminar aquele primeiro dia, Glass caiu de exaustão. Tinha começado rastejando, acompanhando um ribeiro. A cada movimento uma das feridas se abria e sangrava. Quase perdeu a consciência umas duas vezes por causa da dor, e estava tão fraco que se sentia como se carregasse uma mula nas costas. Só havia conseguido percorrer um quilômetro e meio o dia inteiro; fez outro tanto no seguinte, e não se sentia nada melhor. No terceiro dia achou que avançara um pouco mais, mas nunca conseguiria percorrer 400km daquela maneira.
Dias depois encontrou lobos que despedaçavam um filhote de búfalo. Quando o animal já estava meio devorado e os lobos satisfeitos e preguiçosos, Glass pôs-se de pé com dificuldade, com ajuda de um grande bastão, e soltou um grito fantástico. Os lobos sumiram.
Foi então até onde estava o búfalo e ajoelhou-se devagar, tentando evitar que as feridas se abrissem mais. Pensou que o sangue que estava perdendo ele o recuperaria ali mesmo. Arrancou pedaços de carne crua do búfalo, metendo grandes nacos na boca. Vou viver, disse para consigo. Eu vou viver.

Dias depois, quando deixou a carcaça, Glass finalmente caminhava ereto. Isso o fez sentir-se ótimo. Agora seria capaz de matar um coelho ou um texugo, se fosse rápido e tivesse sorte. Suas feridas estavam melhorando. Se caminhasse devagar e regularmente, poderia percorrer 15 km por dia. Sua mente saltava entre o júbilo por viver e o desejo de vingança por ter sido abandonado para morrer. Foram essas duas coisas que o impeliram para o rio Grande, em direção à confluência deste com o Missouri, e dali rumo a Fort Kiowa seguindo o imenso rio. Em Fort Kiowa ele conseguiria ferramentas, provisões e coisas assim, e, ato contínuo, daria meia-volta e subiria o rio, para pegar os homens que o haviam abandonado.
Chegou a Fort Kiowa na segunda semana de outubro. Fazia sete semanas que a ursa o atacara. Ele sobrevivera seis delas sozinho e, depois de ser quase um cadáver, havia conseguido rastejar e caminhar cerca de 400 km em território hostil, sem ter como conseguir carne e sem nenhuma proteção contra os índios. Deixou estupefato o comerciante que dirigia Fort Kiowa.
Mais ou menos dois dias depois, partiu em busca de seus dois desertores. A viagem levou-o por montanhas cobertas de neve, subindo os rios Missouri e Yellowstone, até Big Horn. Cobriu cerca de 1.000 km em menos de 12 semanas.

Glass pegou o jovem Bridger na noite de 31 de dezembro de 1823, quando o grupo do maior Henry estava comemorando o Ano Novo dentro do Fort Henry. Glass entrou com passadas firmes na sala em que os homens se divertiam. Fez-se silêncio mortal, e ele encarou o homem que havia perseguido por quase 1.500 km.
“Sou Glass, Bridger.. o homem que voce abandonou para morrer... e a quem roubou as coisas que poderiam ajuda-lo a sobreviver, sozinho e machucado, nas planícies. Voltei porque jurei que ia matar você.”

Bridger tinha o aspecto de um homem pronto a ser morto e a penar no inferno por seu pecado mortal. Não tinha nada a dizer. Ficou com um ar patético e parecia estranhamente infantilizado.
Glass hesitou. “Você está envergonhado e arrependido”, disse. “Acho que teria ficado comigo se Fitzgerald não o tivesse convencido. Não precisa ter medo de mim. Eu o perdôo. Você não passa de um garoto. ” Glass sentiu-se mais aliviado e mais à vontade por haver despejado aquelas palavras de uma vez só. Sentou-se, alguém lhe passou um copo de uísque e minutos depois ele havia desmaiado.

Bridger sentia-se quase nauseado de culpa e vergonha. Havia sido poupado porque era um menino. Preferia ter sido morto. Bridger, que morreu em 1881, viria a tornar-se o mais famoso dos caçadores das montanhas, comerciando desde o Novo México até a fronteira do Canadá. Acredita-se que tenha sido o primeiro branco a avistar o Grande Lago Salgado, e as trilhas que ele abriu em busca de peles seriam de imenso valor para os colonizadores que vieram depois.
Só passados seis meses e mais 1.500 km, Glass encontrou John Fitzgerald. Descobriu-o em Fort Atkinson, em Council Bluffs. Exultou ao encontrar Fitzgerald, mas só até descobrir uma coisa. Fitzgerald pertencia agora ao exército dos Estados Unidos, e mata-lo significaria assinar sua própria sentença de morte. Glass entrou como um furacão no gabinete do capitão Riley, exigindo justiça. O oficial trouxe Fitzgerald. Finalmente ali estava Fitzgerald, arrependido como queria Glass. O engraçado, pensou, era que ele não conseguia odiá-lo tanto quanto desejava. “Você fugiu e me deixou morrendo”, acusou ele. “Você ficou com medo e fugiu; e roubou as coisas que me ajudariam a viver. Acho que você tem uma coisa em que pensar o resto de sua vida. ”

Riley mandou Fitzgerald sair e fez uma proposta a Glass. Se ele fosse embora, Riley lhe daria de volta a arma e os outros pertences e o aprovisionaria com tudo de que necessitasse para recomeçar. Glass aceitou. Durante nove anos Glass caçou nos rios do Sudoeste norte-americano e na região de Yellowstone.


Em 1833 os índios o mataram e o escalpelaram. Glass, porém, havia-se tornado um personagem lendário. Recusando-se a morrer, havia demonstrado aptidão, resistência e uma coragem inacreditáveis. Sobreviveu a seu infortúnio e até hoje vive nas lendas dos Estados Unidos.dinheiro


Pantera...



Farrah Fawcett
Em 2 de fevereiro de 1947, nasceu Farrah Fawcett, um dos maiores símbolos da televisão americana da década de 1970
2 fev., 2016



Farrah alcançou o estrelato no seriado de televisão 'As Panteras', de 1976 (Foto: Wikipedia)



Um dos maiores símbolos da televisão americana da década de 1970, a atriz Mary Farrah Leni Fawcett, mais conhecida como Farrah Fawcett, nasceu em 2 fevereiro de 1947, na cidade de Corpus Christi, no Texas, EUA.
Com menos de um mês de vida, ela foi submetida a uma cirurgia para extrair um tumor no intestino da qual se recuperou rapidamente. Após cursar o ensino fundamental em uma escola católica e o ensino médio na escola W.B Ray, ambas em Corpus Christi, ela se mudou para Austin, capital texana, para estudar na Universidade do Texas, onde cursou microbiologia.
Os colegas de classe de Farrah a elegeram uma das 10 pessoas mais bonitas do campus e fotos da jovem começaram a ser usadas em anúncios pelo publicitário David Mirisch, que sugeriu que Farrah buscasse uma carreira como atriz de cinema.
Encorajada pelos amigos e pelo conselho de Mirisch, e após convencer os pais, Farrah se mudou para a Califórnia, onde conseguiu emprego como modelo. No entanto, seu verdadeiro objetivo era atuar. Seu primeiro papel foi em uma produção franco-italiana filmada nos EUA chamada “Un Homme Qui Me Plaît” (“Um Homem Como Eu”), de 1969. Posteriormente, conseguiu uma ponta em um episódio do seriado “R.F.D. Mayberry” (1969). Após participar de outros papéis em episódios de seriados, Farrah conseguiu uma personagem permanente no seriado “McCloud” (1974) e, depois, no seriado “Harry O” (1974-76).
Em 1973, ela se casou com Lee Majors, que atuou ao lado dela em “O Homem de Seis Milhões de Dólares” (1973). O relacionamento durou cinco anos. Foi nessa época que Farrah alcançou o estrelato, em 1976, com os seriado Charlie’s Angels (“As Panteras”, no Brasil), onde ela interpretava a detetive particular Jill Munroe. O relacionamento do casal, no entanto, acabou quando o amigo de Majors, o ator Ryan O’Neal, foi apresentado a Farrah, por quem se apaixonou imediatamente, dando fim à amizade. Farrah e O’Neal passaram 17 anos juntos e, em 1985, tiveram um filho chamado Redmond O’Neal.
Com o sucesso da série, Farrah se lançou em busca da carreira cinematográfica. No entanto, os filmes nos quais atou nunca renderam o mesmo sucesso alcançado nos seriados de televisão. Ela atuou em filmes como “Murder in Texas” (1981), “Burning Bed” (1984), que rendeu a Farrah uma indicação ao Emmy, e “Poor Little Rich Girl” (1987).
Em 1995, Farrah posou nua para a revista Playboy, se tornando o segundo recorde de vendas da história da versão americana da revista, atrás apenas da modelo e lutadora de wrestling Chyna.
Em 2006, aos 59 anos, Farrah foi diagnosticada com câncer de cólon e iniciou tratamento. Nesta mesma época, ela reatou com O’Neal. Em maio daquele ano, Farrah detalhou sua luta contra o câncer no documentário “Farrah’s Story”, exibido pela rede NBC e assistido por cerca de 9 milhões de espectadores. Em outubro, Farrah se submeteu a uma cirurgia para retirada do tumor. Nas seis semanas após a cirurgia, ela passou por sessões de quimioterapia e radioterapia até que, no final de 2007, recebeu o diagnóstico de que estava curada.
Eufórica ela anunciou aos fãs e amigos ter vencido a luta contra a doença. Porém, a alegria durou pouco, e meses depois ela anunciou que o tumor havia voltado. Farrah iniciou novamente o tratamento. Debilitada pela doença e já sem cabelo, ela passava a maior parte do tempo na cama, recebendo apenas amigos próximos, como as atrizes Jaclyn Smith e Kate Jackson, suas companheiras no seriado “As Panteras”. Farrah morreu na manhã do dia 25 de junho de 2009, aos 62 anos, no Hospital Saint John em Santa Mônica, Califórnia.