Soy Yo...


Escrevi esse texto há tanto tempo, ainda na época do finado Orkut. Foi copiado a exaustão e anda espalhado pela web em diversos perfis.
Eu achava tão esquisito alguém copiar o "quem sou" de outra pessoa. Na época ficava P da vida, me sentia roubada. Essa era eu, como assim outra pessoa era como eu??? Bobagem, no fundo todo mundo é meio parecido mesmo.
Relendo agora, vejo que nada mudou, nem mesmo a paixão pelas coisas, talvez um pouco mais sossegada na "sorte de um amor tranquilo" como cantava o poeta e nem por isso pior. Sossego é muito bom para mentes inquietas como a minha. Me mantém no rumo, me dá chão, aponta um caminho. Me faz pertencida. Meio como sabiamente escreveu Clarice Lispector sobre isso:

"A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!"








Soy Yo

Dual, sou assim. Misturo meus anjos ao lado obscuro, vou fundo e me retraio. Tenho meus mistérios e saio, sempre sem deixar pistas...
Mas volto sempre se me interessar muito. Não gosto de nada pela metade, nem a minha laranja. Ou vem inteira ou não vem.

Amor só conheço o intenso, amei uma vez e fui muito amada, me enganei outra e continuo apostando. Nada de coração embalado à vácuo sem contato manual. Que peguem, amassem, acariciem, pisem em cima. Quero mais é me sentir viva, ainda que seja pela dor.

Prefiro me arrebentar toda, a sair ilesa, só não deixo de me atirar, nem mesmo agora que aprendi um pouco mais sobre a crueldade humana.
Tenho poucos e bons amigos. Muitos conhecidos e outros tantos que nem conheço, mas sabem de mim. Minha fidelidade aos amigos é canina, aos namorados até que provem o contrário. Namorados são descartáveis, amigos não.
Sou sensível e emotiva, choro com alguma facilidade, mas quase sempre sozinha. Tenho dias de verborragia intensa e dependendo do motivo arraso ou amo com a intensidade das palavras.

No entanto prefiro atitudes. Palavras o vento leva e a memória apaga. Gosto de me sentir “pertencida”, mas não dominada ou forçada a isso. Gosto de ser livre, mas ter alguém nos pensamentos e sempre para onde voltar.
Gosto de estar só algumas vezes, sinto necessidade, não sou carente profissional. Tenho meu lado sombrio e outro tanto mais claro. Do lado sombrio poucos conhecem, outros intuem, mas todos respeitam.
Desconfio de pessoas que se dizem loucas de paixão, mas nunca ficaram horas debaixo de chuva esperando alguém, nem ligaram de madrugada para confessar os sonhos que a insônia traz ou deram o último biscoito recheado do pacote ou ligaram tantas e quantas vezes tiveram o telefone desligado na cara.

Desconfio da sofreguidão mansa e do desespero calculado, de olhos secos ou lágrimas forçadas. Dissimulação essa mentira estudada.
O humor inteligente me ganha sempre, o bobo me afasta, o afetado nem conheço. Gosto de gente transparente, aberta, leve, verdadeira que me suaviza o necessário para não querer ir embora, que fala com os olhos, age com a boca e me leva pelas mãos a qualquer lugar onde eu já queria estar.

andrea augusto - angelblue83

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