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Brokeback Mountain e Ponto Final.
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Asssiti os dois filmes na mesma semana. Um me fez sair do cinema triste e pensativa, o outro me deu vontade de falar pelos cotovelos. Nem dá para comparar, seria como querer comparar um copo com um vaso, foge do gênero, foge da comparação.
Brokeback Mountain me deixou triste, não pela morte, mas por todo o fim que insere em si a morte como tema. Tema sempre recorrente ainda que metaforicamente. Não achei suave ou poético, pelo contrário, as cenas de sexo são agressivas, não no sentido de chocar, mas como deve ser uma cena de sexo entre dois machos. Particularmente acho bonito, não me choca, não me enoja, nada disso. Acho bonito dois machos transando agressivamente, acho mais bonito do uma cena assim entre mulheres, por exemplo. O que quase todo mundo acha bonito plasticamente, a mim não toca como a cena de sexo entre homens. Eles transam quase com raiva por aquilo de “proibido” que estão fazendo e é essa força, essa virilidade que exala da tela que me faz gostar. Enfim, gosto não se discute, lamenta-se, aceito.
De qualquer maneira, Brokeback Mountain fala da impossibilidade do amor, tema inesgotável. Eles têm juntos sempre algum tempo durante o ano, o que para um é bom para o outro é insatisfação, mas será que se juntos ficassem, no dia-a-dia seria daquele jeito? Há um encontro único em cada reencontro e justamente por não se ter sempre é que a fome do outro se torna mais latente, mas todo mundo, gay, hetero, trangênico parece querer colocar fechado dentro de uma redoma, preso dentro do cotidiano, da mesmice, essa mágica que só a distância dá.
Ok, concordo que não sou a melhor pessoa para falar/escrever sobre isso, afinal nunca pensei em casamento, só pensei em algo que pudesse durar toda uma vida e que sabendo que um era do outro não precisasse ser aprisionado por uma aliança. Essa aliança, assim como a deles, é muito maior do que a jóia que abraça o dedo, vai além e some dentro do tempo. Não existe crise de 4, 7, 10 anos. Existe a vontade genuína de estar junto e eles se encontram sempre sem saberem onde estão.
É bom saber que existe saída para o amor eterno, que ele se eterniza na ausência do outro, mas é triste constatar a falta cotidiana que ele faz. Acho que sair do cinema pensando em mais um filme onde o amor é uma impossibilidade, não pelo fato de ser gay, mas por si só, me deixou assim. Talvez nem triste, apenas com aquele sabor de melancólia na boca.
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"Ponto Final" é diferente, nem é um filme sobre amor/paixão/sexo, nada disso, é sobre sorte, é sobre estar do lado certo na hora certa. Uma estória banal que se contada a grosso modo faria pensar: que bobeira! Mas aí entra a mão do mestre que costura a estória com pontos certeiros. Definitivamente Woody Allen não morreu.

O engraçado foi a vontade de falar que surgiu logo após. Sabe qdo vc quer muito falar sobre uma coisa porque essa coisa tem mil faces e pode ser entendida de várias maneiras?? Foi assim. Ponto Final pode dar um papo sobre o desgaste da paixão, dessa química que inunda corações e mentes, mas depois acaba e do amor que aos poucos vai surgindo, ainda que servido de riqueza material. Pode-se falar sobre a sorte, esse fio que percorre a trama ou sobre o que poderia ser um grande azar, mas ao “cair” do lado certo vira o jogo no último minuto. Definitivamente esse não é o ponto final do mestre Woody Allen.

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Em tempos de Oscar e por causa disso mesmo, conversando sobre cinema com o meu amigo filósofo Carlos, ele me contou uma história deliciosa que eu não podia deixar de colocar aqui. Portanto, o Literatus apresenta:


"El Santo" era o nome da figura. Dissocie essa idéia do filme “Santo”, com Val Kilmer, nada a ver a não ser o nome.

El Santo foi herói do cinema trash mexicano na década de 50. A idéia foi transportada das lutas livres, conhecidas como "telecatch". Em geral, esses “lutadores” tinham nomes ameaçadores, usavam algum tipo de fantasia para dar estofo a personagem e numa dessas surgiu El Santo no cinema. Foi sucesso imediato.

A partir de então, "El Santo", um herói das massas passou a lutar rotineiramente contra zumbis, lobisomens, vampiros, Frankenstein (o monstro, o criador e até parentes próximos do doutor, como sua filha e seu neto!!!), múmias, marcianos e todo tipo de inimigo fantástico. Até aí, tudo bem, trash é trash, mas "El Santo" tinha particularidades maravilhosas e foi por causa delas que resolvi escrever sobre a figura.

Os filmes apesar de ser do mesmo herói não tinham qualquer tipo de continuação. Por exemplo, se no filme anterior ele enfrentava um inimigo e a platéia gostava desse inimigo, no filme posterior, sem maiores explicações, o tal inimigo se tornava colega e juntos enfrentavam novos perigos. Foi o que aconteceu com Blue Demon, seu inimigo num filme e colega em outro. Sendo "Santo y Blue Demon contra el doctor Frankenstein" um dos mais famosos da dupla.

Está rindo? Então saiba que os dois heróis (Santo e Blue Demon) andam o filme inteiro mascarados, mesmo quando levam suas namoradas a restaurantes chiques para um jantar romântico. Usavam terno, gravata e... máscaras!!! Pior: todo mundo aceitava com a maior naturalidade o fato da dupla andar sempre mascarada, inclusive as namoradas, que beijavam os dois com máscara e tudo!

Os cenários são um caso ou filme à parte. Os computadores, por exemplo eram caixas enormes, mal pintadas, com botões seletores de canal e quando uma informação era pedida, eles não se pertubavam, pegavam embaixo da caixa, oras! rsssO interessante é que "El Santo" era "El Santo" sempre! O ator que o interpretava não se deixava fotografar sem a máscara e somente pouco antes de morrer apresentou ao mundo sua verdadeira face e o programa que exibiu a imagem, bateu recorde de audiência nesse dia.

Definitivamente Carlos, te devo uma. Não sei como consegui viver até agora sem saber desse herói, meu amigo! Agora só me resta tentar encontrar alguma fita, DVD sobre esse herói trash dos anos 50, afinal não é todo dia que se descobre um herói trash tipicamente latino.

Mais sobre o herói aqui.

andrea augusto©angeblue83

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