Um ano antes de assumir a direção de "Big Fish", Tim Burton, o diretor, perdia seu pai. Se de alguma forma esse fato foi determinante para o resultado final do filme, provavelmente nunca saberemos, o que temos em mãos é pura poesia. Mas isso é outra história.

Basicamente, o enredo não tem nada de novo. É a história de Ed Bloom (Albert Finney) é um grande contador de histórias. Quando jovem Ed saiu de sua pequena cidade-natal, no Alabama, para realizar uma volta ao mundo. A diversão predileta de Ed, já velho, é contar sobre as aventuras que viveu neste período, mesclando realidade com fantasia. As histórias fascinam todos que as ouvem, com exceção de Will (Billy Crudup), filho de Ed. Até que Sandra (Jessica Lange), mãe de Will, tenta aproximar pai e filho, o que faz com que Ed enfim tenha que separar a ficção da realidade de suas histórias.

Quando tinha oito anos, confinado em uma cama por causa de uma anomalia no crescimento, Edward passa o tempo lendo a Enciclopédia Mundial inteira. O que mais lhe chama a atenção, em particular, é um artigo sobre o peixe-dourado, no qual ele aprende que "se um peixe-dourado é mantido num pequeno aquário ou compartimento, ele não crescerá. E que com mais espaço, este ser pode dobrar, triplicar e até mesmo quadruplicar seu tamanho".

Dez anos mais tarde, depois de se tornar um dos mais populares jovens de Ashton, na Carolina do Sul, ele percebe que, tal como o peixe-dourado, para crescer ele terá de sair de casa e explorar o mundo. Como ele diz para o seu novo amigo Karl o Gigante, "Você acha que esta cidade é muito pequena para você? Bem, ela é muita pequena para um homem de ambições tão grandes como as minhas. Eu adoro cada canto deste lugar. Mas eu sinto que seus limites se fecham em direção a mim. A vida de um homem só pode crescer até um certo ponto num lugar como este".








Não tem nada de novo, em especial no chavão: pai-à-beira-da-morte-se-reconcilia-com-filho, a não ser pelo fato de ser mais uma história contada por Tim Burton e isso faz toda a diferença. Irretocável, cheio de metáforas, realismo fantástico. Burton, teceu com delicadeza em tramas de sonho o sentido mais puro da frase: "Always look for the bright side of your life" (procure sempre o lado brilhante de sua vida). O filme é todo voltado para o sentido maior do que podemos ou não fazer de nossas vidas.

"O título do livro que deu origem ao filme, vem de uma expressão muito utilizada pelo pai do autor. "Durante a vida inteira, meu pai falou de sair da cidade onde ele nasceu e ir para a cidade grande, porque, como dizia, ele não queria ser 'um peixe grande num pequeno vaso'. Então, ele deixou Cullman, no Alabama, e virou um homem de negócios internacional. Mas o título também tem outros significados. Um peixe pode ser astuto, como Edward Bloom, e você nunca conseguir alcançá-lo realmente", explica Wallace."


Enquanto o filho procura a realidade, a verdade das coisas, o pai, big fish, o contador de histórias como um bom pescador, procura o fantástico da vida.E nada absolutamente nada é impossível de acontecer ou aparecer nessa trajetória. Temos circo, anões, gigantes, gêmeas siamesas, toda sorte de fantasia que podemos enxergar a qualquer momento, basta saber ver.
Big Fish é sobre o "saber enxergar". Saber ver todos sabem, mas poucos, muito poucos, sabem enxergar o "lado mais brilhante" de suas vidas. Do filme é o que fica e entre o muito que li sobre o filme, antes de escrever, pude perceber quem dentre os críticos conseguiu enxergar, quando os outros apenas viam cenas bizarras e sem nexo diante de seus olhos. A esses recomendo um passeio pela a infância onde o normal, a verdade, o real eram tingidos de cores fortes e vinham sob a forma de adoráveis gigantes, bruxas, anões, poetas que se tornam milionários em Wall Street e um peixe grande, difícil de pegar, mas não impossível. Boa Viagem.


"Le doux charme de maint songe
Par leur bel art inventé,
Sous les habits du mensonge
Nous offre la vérité."


"O suave encanto de tantos sonhos
Por meio de sua bela arte inventados,
Sob as vestimentas da mentira
Nos oferece a verdade."

La Fontaine








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