Menino do Rio...








Petit, o Menino do Rio - Década de 70

No começo dos anos 70, com pouco mais de 15 anos de idade, José Artur Machado, o Petit*, era o símbolo da geração de jovens bronzeados, surfistas da praia de Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro, que usavam parafina para tornar as pranchas menos escorregadias e dourar os cabelos compridos. Coisas da moda. Livre, solto, sem outro compromisso com a vida senão viver e viver intensamente. Petit foi imortalizado pelo cantor Caetano Veloso, que se inspirou em sua imagem e, em 1979, compôs Menino do Rio, clássico da música popular brasileira na voz de Baby Consuelo.

Mas, na madrugada de 29 de agosto de 1987, na garupa da moto de um amigo ocasional, sem destino, rasgando uma dolorosa noite interior à procura de si mesmo, encontro que só se tornara possível com o brilho do pó, Petit sofreu um acidente. A violenta pancada da cabeça contra o asfalto o deixou em coma por 40 dias. Sobreviveu, mas com o lado direito do corpo, rosto e boca paralisados. Sequelas que não superou. Uma pessoa comum talvez conseguisse driblar o drama, mas não o “talentoso Petit”, como a ele se referem os amigos. Nessas condições, a vida se tornara insuportável para o Petit que as mulheres - todas as mulheres - chamavam de mel. Mais que um homem de pele dourada, loiro, 1,80 metros e físico forte, ele era uma criança indefesa, os olhos perigosamente verdes.

Quase dois anos depois, na tarde de 7 de março de 1989, aos 32 anos, Petit, que não conseguira se tornar adulto, eterno menino do Rio, matou-se. Trancou-se do mundo e bateu a porta: enforcou-se com a faixa do quimono de jiu-jitsu, o nó preso pelo lado de fora do alto da porta fechada do apartamento. Petit foi encontrado como na música de Caetano: calção, corpo aberto no espaço".

Menino do Rio, de Caetano Veloso

"Menino do Rio,
Calor que provoca arrepio,
Dragão tatuado no braço,
Calção corpo aberto no espaço,
Coração.
De eterno flerte.
Adoro ver-te!
Menino vadio,
Tensão flutuante do Rio.
Eu canto pra Deus proteger-te...
(bis)
O Hawaí seja aqui
Tudo o que sonhares,
Todos os lugares,
As ondas dos mares,
Pois quando eu te vejo
Eu desejo o teu desejo..."

Fonte: http://almanaquenilomoraes.blogspot.com.br/2014/05/menino-do-rio-vida-paixao-e-morte.html

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