Soy Yo...


Escrevi esse texto há tanto tempo, ainda na época do finado Orkut. Foi copiado a exaustão e anda espalhado pela web em diversos perfis.
Eu achava tão esquisito alguém copiar o "quem sou" de outra pessoa. Na época ficava P da vida, me sentia roubada. Essa era eu, como assim outra pessoa era como eu??? Bobagem, no fundo todo mundo é meio parecido mesmo.
Relendo agora, vejo que nada mudou, nem mesmo a paixão pelas coisas, talvez um pouco mais sossegada na "sorte de um amor tranquilo" como cantava o poeta e nem por isso pior. Sossego é muito bom para mentes inquietas como a minha. Me mantém no rumo, me dá chão, aponta um caminho. Me faz pertencida. Meio como sabiamente escreveu Clarice Lispector sobre isso:

"A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!"








Soy Yo

Dual, sou assim. Misturo meus anjos ao lado obscuro, vou fundo e me retraio. Tenho meus mistérios e saio, sempre sem deixar pistas...
Mas volto sempre se me interessar muito. Não gosto de nada pela metade, nem a minha laranja. Ou vem inteira ou não vem.

Amor só conheço o intenso, amei uma vez e fui muito amada, me enganei outra e continuo apostando. Nada de coração embalado à vácuo sem contato manual. Que peguem, amassem, acariciem, pisem em cima. Quero mais é me sentir viva, ainda que seja pela dor.

Prefiro me arrebentar toda, a sair ilesa, só não deixo de me atirar, nem mesmo agora que aprendi um pouco mais sobre a crueldade humana.
Tenho poucos e bons amigos. Muitos conhecidos e outros tantos que nem conheço, mas sabem de mim. Minha fidelidade aos amigos é canina, aos namorados até que provem o contrário. Namorados são descartáveis, amigos não.
Sou sensível e emotiva, choro com alguma facilidade, mas quase sempre sozinha. Tenho dias de verborragia intensa e dependendo do motivo arraso ou amo com a intensidade das palavras.

No entanto prefiro atitudes. Palavras o vento leva e a memória apaga. Gosto de me sentir “pertencida”, mas não dominada ou forçada a isso. Gosto de ser livre, mas ter alguém nos pensamentos e sempre para onde voltar.
Gosto de estar só algumas vezes, sinto necessidade, não sou carente profissional. Tenho meu lado sombrio e outro tanto mais claro. Do lado sombrio poucos conhecem, outros intuem, mas todos respeitam.
Desconfio de pessoas que se dizem loucas de paixão, mas nunca ficaram horas debaixo de chuva esperando alguém, nem ligaram de madrugada para confessar os sonhos que a insônia traz ou deram o último biscoito recheado do pacote ou ligaram tantas e quantas vezes tiveram o telefone desligado na cara.

Desconfio da sofreguidão mansa e do desespero calculado, de olhos secos ou lágrimas forçadas. Dissimulação essa mentira estudada.
O humor inteligente me ganha sempre, o bobo me afasta, o afetado nem conheço. Gosto de gente transparente, aberta, leve, verdadeira que me suaviza o necessário para não querer ir embora, que fala com os olhos, age com a boca e me leva pelas mãos a qualquer lugar onde eu já queria estar.

andrea augusto - angelblue83

Energia Negativa.



A empatia é a capacidade de reconhecer e sentir as emoções de outras pessoas. Simpatia  sentir compaixão por outras pessoas. Muitas vezes para ser um “empata” significa que você estará absorvendo grande parte da dor e sofrimento em seu ambiente, o que pode sacrificar sua capacidade de se expandir a um nível mais elevado.
Se você convive frequentemente com uma pessoa negativa, você sabe o quão tóxica a sua energia pode ser. Aprender a não absorver as energias de outras pessoas é uma grande habilidade espiritual a se desenvolver. Aqui estão cinco maneiras de parar de absorver a energia negativa de outras pessoas.

1) Lembre-se, você não pode agradar a todos

Se alguém lhe assediar moralmente, reclamando sobre você, ou desrespeitar você, não faça de sua missão tentar convencer essa pessoa a gostar de você. Isso só vai sugar você ainda mais o seu campo de energia e vai fazer de você energeticamente dependente da opinião deles.
Nem todo mundo vai gostar de você. Todos estamos, aqui na terra, vivendo com um propósito diferente. Ao amar a si mesmo em primeiro lugar, você irá criar um campo de força em torno de outras pessoas que irá protegê-lo de ser tão esgotado por suas opiniões.
Também lembre-se: você não pode mudar ninguém. Não faça de sua missão tentar corrigi-los nesse momento também. Às vezes, a melhor coisa que você pode fazer é não tentar mudá-los, pois, agindo assim, você não vai alimentar a energia que eles estão projetando em você.

2) Tenha cuidado com quem você convida para a sua vida

Seu corpo, sua mente e o seu  ambiente são o seu templo. Quem você está convidando para eles? É um convite aberto? Será que as pessoas ainda limpam os pés  antes de caminhar ao redor deles, ou arrastam-lhe a lama de sua alma?
No Brasil existe uma gíria chamada folgado. O significado direto é “solto” ou “preguiçoso”, mas que realmente significa “freeloader”. Não é exato no Inglês equivalente pois  é mais uma mentalidade do que um estilo de vida.
Se você dá a uma pessoa um pedaço de pão, um dia, eles vão pedir pão todos os dias. Se você deixar alguém ficar em sua  casa para um fim de semana, então eles vão tentar ficar a semana toda (ou duas!).
Uma vez eu pensei que minha esposa estava ficando fria e com um espírito mesquinho para com alguns dos nossos vizinhos. Depois que eu percebi que ela estava apenas respeitando a si mesma e a sua casa! Eu valorizava sua postura e adotei o estilo como meu, a partir daí.
É ótimo ser generoso, mas há uma linha tênue a trabalhar  para que você você não seja  pisoteado, assim, optando por  ajudar aqueles que realmente precisam. Aprenda a dizer “não” é estar bem com isso.

3) parar de prestar atenção

Um parasita precisa de um hospedeiro para sobreviver. Quando você presta atenção em alguém, você está dando-lhe energia. Ou seja, se você se concentrar em vampiros de energia, eles vão entrar em sua mente e vão roubar seus pensamentos,  diminuindo drasticamente seus níveis de energia.
Algumas pessoas vão despejar sua energia em você e então dirigir para o próximo “pit stop“. Um ouvido amigo pode ser uma coisa maravilhosa, mas é, necessariamente, uma linha que precisa ser cuidado se se quiser manter a saúde de sua energia.
Talvez você encontrou-se como uma fonte de uma pessoa para retransmitir as suas frustrações no trabalho, um relacionamento ou mesmo realizações bem-sucedidas. Todas estas emoções podem drenar você de várias maneiras e fazer com que você comece a limitar a sua própria vida de maneiras não  produtivas.
Ame-se o suficiente para ajustá-los, dizer-lhes para parar, ou dizer-lhes que você não pode lidar com isso agora.Não economize em rejeitar sua energia tóxica.

4) Inspire natureza

Vá para a natureza meditar, relaxar e respirar. Purifique a água dentro de você, exercite e flutue fácil. Esteja como uma borboleta, flutue suavemente, mas mova-se rapidamente. A respiração aumenta a circulação do fluxo sanguíneo ao redor do corpo e ajudará a evitar que você  absorva a energia daqueles que o rodeiam. Caminhe com confiança, mantenha a cabeça erguida e não permita que ninguém faça você se sentir inferior. A lagarta come tudo em torno dela e se torna gorda, imóvel.
Deve-se primeiro tornar-se luz, a fim de voar.

5) Tome 100% de responsabilidade por seus pensamentos e emoções

Como você se sente é 100% sua própria responsabilidade.
O universo está enviando pessoas para a nossa vida para nos testar. A percepção que temos de nós mesmos é maior do que a percepção que os outros têm de nós. Você não é uma vítima, ninguém tem poder sobre você. Considere como seus pensamentos ouexpectativas podem ter manifestado a situação que está incomodando você. E se a resposta estiver dentro de seu nível de paciência, irritabilidade ou compaixão? A menos que tomemos um tempo para nos observar, nós inconscientemente afirmamos nossa própria vitimização para o mundo que nos rodeia.
Uma vez que você se torna responsável pela maneira que você escolhe responder a algo, você se conecta com você mesmo a um nível mais profundo. Quando você está conectado a si mesmo a um nível mais profundo, você começa a não ser abatido nem projetado para fora de seu centro tão facilmente.
Coloque-se em situações que aumentam as suas próprias energias. Esta pessoa faz com que  você se senta bem? Você faz essa pessoa se sentir bem? Você é merecedor de uma experiência brilhante e é hora de perceber isso!
Aprenda a proteger-se contra as energias de outras pessoas  e comece com o amor-próprio. Lembre-se de que é importante para você estar feliz e em paz. Esteja pronto  para dizer não.
Você é o autor de seu próprio estado energético.

A arte de não adoecer - Dr.Draúzio Varella




"A arte de não adoecer"


Se não quiser adoecer - "Fale de seus sentimentos"
Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados. O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia.

Se não quiser adoecer - "Tome decisão"
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.

Se não quiser adoecer - "Busque soluções"
Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.

Se não quiser adoecer - "Não viva de aparências"
Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.

Se não quiser adoecer - "Aceite-se"
A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.

Se não quiser adoecer - "Confie"
Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.

Se não quiser adoecer - "Não viva sempre triste"
O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. "O bom humor nos salva das mãos do doutor". Alegria é saúde e terapia.
Dr. Dráuzio Varella

Peter Sellers - 90 anos.


Peter Sellers, que faria 90 anos, era um gênio atormentado

LUIZ CARLOS MERTEN - O ESTADO DE S. PAULO -  08 Setembro 2015 | 18h 13

Fez história como o atrapalhado Inspetor Clouseau de 'A Pantera Cor de Rosa' e o guru de 'Muito Além do Jardim'; veja vídeos


Peter Sellers em cena de 'A Pantera Cor de Rosa', de 1963 (foto: Divulgação)
Peter Sellers em cena de 'A Pantera Cor de Rosa', de 1963 (foto: Divulgação)

Em 1965 - há 50 anos! -, Peter Sellers já tinha sido indicado e até ganhado o Bafta, o Oscar do cinema inglês. Já tinha sido indicado para o próprio Oscar, o Globo de Ouro. Era considerado excêntrico, irascível, mas um gênio. O biênio anterior havia sido decisivo para esse reconhecimento. Em 1963, Peter Sellers criou um personagem emblemático, o Inspetor Clouseau, na comédia A Pantera Cor de Rosa, de Blake Edwards. Os créditos, com a Pantera animada, fizeram tanto sucesso que os dois personagens estrelaram uma popular série de desenhos na televisão. E, naquele mesmo ano, Stanley Kubrick colocou à prova a versatilidade de Sellers, fazendo com que ele interpretasse diversos personagens na comédia de humor negro Doutor Fantástico - ou Como Parei de Me Preocupar e a Amar a Bomba.

Nascido em Southsea, Hampshire, em 8 de setembro de 1925 - há 90 anos -, Peter Sellers morreu em 24 de julho de 1980, aos 54 anos. Bem antes do cinema, ficou famosos ainda nos anos 1940 na rádio da BBC. Depois migrou para a TV, com a série The Goon Show. Em 1959, aos 34 anos e já com quase dez de carreira no cinema - iniciada em 1950 -, ganhou o primeiro Bafta por I'm all Right, Jack. Apesar do brilho cômico, muitos de seus papéis foram dramáticos, principalmente no começo da carreira. Mas o público acostumou-se a vê-lo provocar o riso, e o amava por isso. A Pantera Cor de Rosa, por exemplo, virou série e, em 1964, Sellers já estava fazendo o segundo filme - Um Tiro no Escuro. No ano seguinte, 1965, foi a vez de O Que É Que Há, Gatinha?.
Pode até ser que revista hoje, a comédia de Clive Donner nem seja tão boa e brilhante, mas na época fez sensação porque refletia um movimento cultural da época, o que se chamava de Swinging London. Os Beatles, Mary Quant, a minissaia, a pílula, tudo isso marcou a década conhecida como 'a que mudou tudo'. Quase como estandarte da época, What's New, Pussycat? bateu nas telas com humor, colorido e aquela trilha. Peter Sellers faz um sedutor em crise que pede socorro ao psicanalista Peter Sellers. O cara consegue ser no mínimo 100 vezes mais louco que seu pobre paciente. Surgem as maiores confusões e pela tela desfilam belíssimas mulheres - Romy Schneider, Ursula Andress, Paula Prentiss, Capucine. Havia também um cara baixinho de óculos que começava a despontar nos EUA e que ajudou a escrever os diálogos - um certo Woody Allen, que depois virou um dos grandes do cinema, não apenas da comédia, nos EUA.
Tem gente que jura que Allen aprendeu muito com Peter Sellers. Talvez tenha aprendido principalmente a se esforçar para não ser Peter Sellers. Porque o artista amado era um cara realmente complicado. Sellers revelou um dia que sofreu abuso da mãe autoritária e teve uma infância miserável. Se fez análise, não ajudou muito. Ele se casou muitas vezes, inclusive com a sueca Britt Ekland, que foi bondgirl no filme 007 contra o Homem da Pistola de Ouro, com Roger Moore. Infernizou a vida de todas as mulheres e as dos filhos. A todos submeteu a torturas psicológicas. "Odeio tudo o que faço, não sei como vocês podem gostar", desabafou numa entrevista. Em 1964, aos 38 anos, ele teve um ataque cardíaco no set de Beija-Me, Idiota e teve de abandonar a produção da comédia de Billy Wilder. Começaram aí os problemas de saúde que se agravaram nos anos seguintes. Na madrugada de sua morte, anunciou que ia excluir a então mulher, Lynne Frederick, de seu testamento, mas não teve tempo e ela ficou com toda a sua fortuna de milhões de libras. Os filhos receberam 800 libras cada.
Apesar da popularidade da série da Pantera e também do culto a Doutor Fantástico, não são poucos os críticos que consideram Muito Além do Jardim/Being There, de Hal Ashby, de 1979, o melhor filme de Peter Sellers. É uma adaptação do livro O Videota, de Jerzy Kocinski, com roteiro do autor. Sellers faz Chance, que viveu a vida toda confinado no jardim do título, recebendo informações pela televisão. Ao ganhar o mundo, diz coisas simples que são aceita como verdades universais e o transformam em guru do presidente dos EUA. Pelo papel, Sellers foi indicado para o Bafta, o Oscar e o Globo de Ouro. Venceu o último. Foi o que se pode definir como despedida gloriosa.

Viva...






Via MarinaW

Não quero ser feliz...


Contardo Calligaris: "Não quero ser feliz. Quero é ter uma vida interessante"


Contardo Calligaris (foto: Charles Guerra/Donna)
Contardo Calligaris (foto: Charles Guerra/Donna)
"Ter uma vida interessante significa viver plenamente. Isso pressupõe poder se desesperar quando se fica sem alguma coisa que é muito importante para você. É preciso sentir plenamente as dores: das perdas, do luto, do fracasso. Eu acho um tremendo desastre esse ideal de felicidade que tenta nos poupar de tudo o que é ruim."
Doutor em psicologia clínica e psicanalista, Contardo Calligaris estará na série especial do Fronteiras do Pensamento em Salvador no dia 01 de outubro. Último conferencista da edição 2015 na capital baiana, Calligaris argumenta que mais do que buscar permanentemente felicidade máxima, um arrebatamento mágico, deveríamos nos preocupar em tornar interessante nossa vida de todo dia. Confira na entrevista abaixo.
O que é felicidade hoje?
Não gosto muito da palavra felicidade, para dizer a verdade. Acho que é, inclusive, uma ilusão mercadológica. Oque a gente pode estudar são as condições do bem-estar. A sensação de competência no exercício do trabalho, já se sabe, é a maior fonte de bem-estar, mais que a remuneração. Nós temos um ideal de felicidade um pouco ridículo.

Um exemplo é a fala do churrasco. Você pega um táxi domingo ao meio-dia para ir ao escritório e o taxista diz: "Ah, estamos aqui trabalhando, mas legal seria estar num churrasco tomando cerveja". Talvez você ou otaxista sofram de úlcera, e não haveria prazer em tomar cerveja. Nem em comer picanha.
Mesmo que não vissem problema, pode ser que detestassem as pessoas lá e não se divertissem. Em geral, somos péssimos em matéria de prazer. Por exemplo, estamos sempre lamentando que nossos filhos seriam uma geração hedonista, dedicada a prazeres imediatos, quando, de fato, vivemos numa civilização muito pouco hedonista. Por isso, nos queixamos de excessos e nos permitimos prazeres medíocres ou muito discretos.
Mas continuamos acreditando que ser feliz é ter esses prazeres que não nos permitimos. E agora?
Ligamos felicidade à satisfação de desejos, o que é totalmente antinômico com o próprio funcionamento danossa cultura, fundada na insatisfação. Nenhum objeto pode nos satisfazer plenamente.

O fato de que você pode desejar muito um homem, uma mulher, um carro, um relógio, uma joia ou uma viagem não tem relevância. No dia em que você tiver aquele homem, aquela mulher, aquele carro, aquele relógio, aquela joia ou aquela viagem, se dará conta de que está na hora de desejar outra coisa. Esse mecanismo sustenta ao mesmo tempo um sistema econômico, o capitalismo moderno, e o nosso desejo, que não se esgota nunca. Então, costumo dizer que não quero ser feliz.. Quero é ter uma vida interessante.
Mas isso inclui os pequenos prazeres?
Inclui pequenos prazeres, mas também grandes dores. Ter uma vida interessante significa viver plenamente. Isso pressupõe poder se desesperar quando se fica sem alguma coisa que é muito importante para você. É preciso sentir plenamente as dores: das perdas, do luto, do fracasso. Eu acho um tremendo desastre esse ideal de felicidade que tenta nos poupar de tudo o que é ruim.

O que adianta garantir uma vida longa se não for para vivê-la de verdade? É isso que temos de nos perguntar?
Quem descreveu isso bem foi (o escritor italiano) Dino Buzatti, no romance O Deserto dos Tártaros. Conta a história de um militar que passa a vida inteira em um posto avançado diante do deserto na expectativa de defender o país contra a invasão dos tártaros, que nunca chegam. Mas tem um lado simpático na ideologia do preparo. É que está subentendida a ideia de que um dia a pessoa viverá uma grande aventura. Mas o que acontece, em geral, é que a preparação é a única coisa a que a gente se autoriza.

Então, pelo menos há um desejo de viver uma aventura?
Mas os sonhos estão pequenos. A noção de felicidade hoje é um emprego seguro, um futuro tranquilo, saúde e, como diz a música dos aniversários, muitos anos de vida. Acho estranho quando vejo alguém de 18 anos que, ao fazer a escolha profissional, leva em conta o mercado de trabalho, as oportunidades, o dinheiro... Isso nem passaria pela cabeça de um jovem dos anos 1960.

A julgar pela quantidade de fotos colocadas nas redes sociais de pessoas sorridentes, elas têm aproveitado a vida e se sentem felizes. Ou, como você aborda em uma crônica, hoje mais importante do que ser é parecer feliz?
O perfil é a sua apresentação para o mundo, o que implica um certo trabalho de falsificação da sua imagem e até autoimagem. Nas redes sociais, a felicidade  status. Mas esse fenômeno é anterior ao Facebook. Se você olhar as fotografias de família do final do século 19, início do 20, todo mundo colocava a melhor roupa e posava seriíssimo. Ninguém estava lá para mostrar que era feliz. Ao contrário, era um momento solene. É a partir dacâmera fotográfica portátil que aparecem as fotos das férias felizes, com todo mundo sempre sorridente.

E a gente olha para elas e pensa: "Eu era feliz e não sabia".
Não gosto dessa frase porque contém uma cota de lamentação. E acho que a gente nunca deveria lamentar nada, em particular as próprias decisões. Acredito que, no fundo, a gente quase sempre toma a única decisão que poderia tomar naquelas circunstâncias. Então, não vale a pena lamentar o passado. Mas é verdade que existe isso.

As escolhas ao longo da vida geram insegurança e medo. Em relação a isso, você diz que há dois tipos de pessoa: os "maximizadores", que querem ter certeza antes de que aquela é a opção certa, e a turma do "suficientemente bom". O segundo grupo sofre menos?
Tem uma coisa interessante no "maximizador": é como se ele acreditasse que existe o objeto mais adequado de todos, aquele que é perfeito. Mas é claro que não existe.

A busca da perfeição não gera frustração, pois sempre haverá algo que a gente perdeu?
Freud dizia que o único objeto verdadeiramente insubstituível para a gente é o perdido. E não é que foi perdido porque caiu do bolso. Ele fala daquilo que nunca tivemos. Então, faz sentido que nossa relação com o desejo seja esta: imaginamos existir algo que nunca tivemos, mas que teria nos satisfeito totalmente. Só não sabemos o que é.

Como nos livrar desse sentimento?
Temos de tornar cada uma de nossas escolhas interessante. Isso só é possível quando temos simpatia pela vida e pelos outros - o que parece básico, mas não é no mundo de hoje. Não por acaso, o grande espantalho do nosso século é a depressão. A falta de interesse pelo mundo e pelos outros é o que pode nos acontecer de pior.

Complica ainda mais o fato de, como você já abordou, enfrentarmos um dilema eterno: desejamos a estabilidade e também a aventura. Então, entramos em uma relação ou um emprego, mas sofremos porque nos sentimos presos e achamos que estamos deixando de viver grandes aventuras. Isso tem solução?
Não sei se tem solução. A gente vive mesmo eternamente nesse conflito. Agora, como cada um o administra é outra história. Pode-se optar por uma espécie de inércia constante, que será sempre acompanhada dasensação de que você está realmente desperdiçando seu tempo e sua vida, porque toda a aventura está acontecendo lá fora e, a cada instante, você está perdendo os cavalos encilhados que passam e não passarão nunca mais. Viver dessa maneira não é uma das opções. Mas você pode também, em vez disso, permitir se perder.

Permitir se perder no sentido de transformar a vida em uma eterna aventura?
Mas também nesse caso você terá coisas a lamentar. Eu, pessoalmente, fui mais por esse caminho. Mas opreço foi muito alto. Por exemplo, eu não estive presente na morte de nenhum dos meus entes próximos, porque morava em outro país e sempre chegava atrasado, no avião do dia seguinte. Hoje, por sorte, meu filho - que é grande, tem 30 anos - vive perto de mim. Por acaso, ele decidiu vir para o Brasil. Mas não o vi crescer realmente.

Para ser feliz, enfim, o segredo é não buscar a felicidade?
Isso eu acho uma excelente ideia. A felicidade, em si, é realmente uma preocupação desnecessária. Se meu filho dissesse "quero ser feliz", eu me preocuparia seriamente.

Preferia que dissesse o quê?
Só gostaria que ele me dissesse: “Estou a fim de…" A partir disso, qualquer coisa é válida. O que angustia é ver falta de desejo nas pessoas, em particular nos jovens. Agora, se ele está a fim de algo, mesmo que isso pareça muito distante do campo do possível dentro da vida que leva, eu acho ótimo.