Ano Novo, afinal....




Esperança
Mario Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E — ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…




Natal...então



Natal pra mim é isso: Saudade...basicamente.

Felicidades pra quem de direito!

por falar em saudade...




E quando penso em saudade, penso que a minha saudade tem sempre nome e sobrenome, RG e CPF. É tão particular, tão única tão de quem ou do sinto que não cabe dizer: sinto saudades dele. "Dele" atende pelo nome de Ricardo Bastarrica Lapuente, é dele que sinto saudades, é por causa dele que a casa fica enorme sempre que viaja, mas é também por causa da minha mãe: Dona Neusa.
Nessa época do ano, ausência é o que mais preenche meus dias e minhas noites.
Indaoutrodia, vi no Face uma imagem da minha mãe com antigas colegas de trabalho. Não esperava ver e dei de cara. Chorar foi a reação imediata, nem sabia que andava precisando tanto chorar tanto, mas estava e sei que não foi só pela saudade dela, certamente haviam mais coisas e eu não parei para pensar. Só chorei. E foi assim que dormi na noite daquele dia, com todas as minhas ausências.




Leminskiniano...



Hoje acordei tão Leminski. Por mim, se hoje pudesse, dormia agora e só despertava no dia 28 quando você vai voltar.





Haja saco para tanto tempo.



sempre.


Carta a um jovem imaturo



Essa carta nunca será lida a quem se destina e talvez seja melhor assim. A vida ensina, o tempo aprimora, o que antes era ótimo pode ser revisto como uma grande falha. Talvez o tempo lapide caráter, atitudes e generosidades até porque se não for por amor será pela dor.
"Por amor" essa é uma tentativa de pegar pela mão e corrigir o rumo embora pareça até cruel. Se um dia você chegar até aqui, lembre-se é assim que você é visto não só por mim, mas por várias pessoas . A mim coube colocar no papel, aglutinar sentimentos e sobretudo dizer: ninguém escreve tanto para outra pessoa apesar de ter sérias dúvidas quanto ao caráter se não gostasse tanto de você. E eu gosto. Acredite.




CARTA A UM JOVEM IMATURO


Você organizou sua vida de maneira muito própria ao se casar "cedo", ao praticamente sair da casa da mãe e se casar com uma mulher mais velha e note, com filhos. A praticidade da escolha se define sobretudo pelo fato dela ser mãe e por excelência ser uma organizadora de lares, vidas e pessoas. Você se insere nessa realidade tendo alguém que assim como a sua mãe, organiza sua vida prática, que sabe desde que remédio tomar na maioria das circunstancia  assim  como a administração do dia a dia de uma casa. Nesse mundo perfeito onde a sua vida é organizada por alguém, você tem o melhor dos mundos, você pode transar com a "mãe" sem que seja ilícito e não se preocupar com a chata administração de um lar. Junte-se a isso, o fato de haver filhos, faz com que você olhe a si mesmo como pai e aja como tal e como gostaria que seu próprio pai tivesse agido com você. Você conserta o seu passado sendo o "pai" amigo, que conversa, entende e participa da vida do "filho" assim como lhe faltou. Isso faz com que você se sinta bem, pleno e satisfeito porque tem uma família que preenche todas as suas carências ainda que não se dê conta disso.

É bom? É ruim? Se a sua escolha o satisfaz e o deixa feliz, aceite e não tente interpretar, porém o tempo a rigor e a despeito da sua vontade vai torná-lo maduro e pronto para uma relação de verdade onde querendo ou não você terá que se posicionar. Deixar apenas acontecer, que as coisas se conduzam por si só, que outros tomem as rédeas da sua vida é bom até a página 20, depois com a natural maturidade há o surgimento de insatisfação latente. Consequência direta disso, é essa insatisfação que não se identifica, você sabe que alguma coisa incomoda mas não sabe exatamente o quê e muitas vezes toma decisões em áreas de sua vida que estavam relativamente boas, porém a necessidade de modificar alguma coisa, mexer o fundo, revolver o lodo é urgente. Alguma coisa tem que acontecer e acontece. Desviado o foco real, a vida segue e a insatisfação continua, abrindo espaço não só para decisões desastrosas, como envolvimentos fugazes, a necessidade de não estar tão presente na vida cotidiana  aumentando com isso a  vontade de tomar as rédeas da vida, fazer acontecer, se tornar autor da própria história. O desenlace dessa situação quando você não se dá conta do que  esta vivenciando para melhor elaborar a questão e até reorganizar a vida amorosa sob novos critérios pode acontecer na ilusão de uma paixão avassaladora. Ilusão? Provavelmente. Tudo que é novo, diferente, desconhecido, encanta. Tudo que põe a vida em movimento quando se sente tão estagnado, a sensação de sentir-se vivo na essência, encanta, estimula, acorda o sentidos. Uma paixão em geral é assim e pode até dar certo, desde que se saiba que no decorrer dessa experiência, a química produzida por esse sentimento, acaba e aquilo que hoje é novo, inusitado, apaixonante, se tornar normal. No entanto normal não é banal, qualquer relação para dar certo seja a atual ou as que virão exigem maturidade emocional, sem isso , você não consegue nem estabelecer novos critérios para a relação antiga e muito menos construir um relacionamento novo. Pense nisso.

Na questão dos filhos, acredito que ainda terá os seus quando amadurecer plenamente. Por enquanto criar "crianças" sob a supervisão da "mãe" é infinitamente mais fácil do que ter os próprios e ter que exercer a função de pai em sua abrangência. Ser o legal que conversa e entende mas não dá limites, é fácil. Ser "pai" dessa maneira, é brincar de ser adulto, é ser a parte fofa da relação e não o educador que muitas vezes terá que dizer não a despeito do medo de perder o amor da criança. Ser pai requer muito mais esforço e dedicação do que você até o presente momento poderia dar. Nesse momento não é questão de querer e sim de poder, você não pode dar o que não tem. Falta a você toda a maturidade de sair do papel de filho para o de pai, para o que decide e forma uma pessoa. Esse ainda não é você. Nesse momento você ainda esta na posição de filho ainda que da sua mulher.


Situação análoga você vive na vida profissional. A sua imaturidade profissional é gritante ainda que contradiga todo preparo que você possui. Assim como na vida pessoal, profissionalmente você se tem em altíssima conta. Você se acha um cara extremamente justo que é capaz de tomadas de decisões coerentes e assertivas. No entanto a sua imaturidade, a sua criancice se reflete também nessa parte da sua vida. Você é  incapaz, apesar de se achar um cara justo de intervir em qualquer coisa seja a situação que se apresentar única e exclusivamente para o benefício de outrem. Você se desculpa, amenizando essa questão quando se convence de que apesar de ter lucrado, o outro também se deu bem. Algo errado nisso?. Nada, desde que você não se coloque como o justo, o que toma a frente pelos outros unica e exclusivamente. Você é incapaz de fazer e incapaz de entender que existe quem o faça. A sua atitude profissional é estudada e feita para agradar e se adaptar ao ambiente de trabalho. Falar baixo e pausadamente, ouvir educadamente o que outro esta dizendo mesmo que tenha sido interrompido, se conter na vontade expressar sua opinião. Mais uma vez: algo errado? Absolutamente nada, desde que fique claro que tudo é estudado, preparado, premeditado para agradar, se fazer gostado e acredite, dá muito certo e continuaria dando não fosse tamanha a imaturidade profissional que se sobrepuja e se manifesta em birras e manhas homéricas.

Todo o seu teatro cai por terra no momento em que contrariado você se descompensa, perde o prumo e o norte, não consegue mais dominar a situação. Nada se revela no entanto através de cenas, gritos ou descontrole, você apenas se recolhe e trata de não fazer absolutamente nada que ultrapasse um décimo do que você se propôs ao ser contrato. Daquele momento em diante, em seu pensamento mágico, a vontade é sair de onde esta, largar e deixar na mão para sentirem a falta do grande profissional que você é. Infelizmente isso não acontece apesar de como foi dito antes, você realmente ser um profissional extremamente bem preparado, pelo menos em teoria. Atualmente as relações interpessoais nas empresas são quase tão importantes quanto um currículo recheado de diplomas, às vezes são até mais, porque o ambiente de trabalho é feito de matéria humana donde pressupõe-se há toda uma gama de vulnerabilidades e incoerências possíveis. Onde o ser humano esta presente, o elemento surpresa também estará. De nada adiantará classificar pessoas por signo solar, chinês ou numerologia, o ser humano sempre trará o novo, sempre será capaz de surpreender, de agir de maneira totalmente inusitada apesar de todas as projeções inventadas. A situação define a atitude, o medo mobiliza e paralisa, nada é estático e achar que conhece uma pessoa apenas por alguns dados é no mínimo temeroso.
Dizem que crescer dói e dói mesmo. Particularmente e apesar de não ter vivido essa experiência, acho que a dor é semelhante a do parto. Dói pra cacete, mas é tão maravilhoso tudo que vem depois, todas as infinitas possibilidades, a sensação de plenitude, de estar preparado para enfrentar, aproveitar, sorver tudo que é oferecido e sobretudo se tornar finalmente o autor da própria vida, que vale a pena. Experimente sem restrições.

Seja Feliz.

bjs
Andrea Augusto angelblue83
2013

Quem????




imagem casal sem vergonha  


                                           Quem??????????

Como se dá o encantamento amoroso - Flávio Gikovate




Como se dá o encantamento amoroso

FLAVIO GIKOVATE
Até hoje, muita gente gosta de pensar que o encantamento amoroso acontece por acaso e de modo mágico (como se fôssemos mesmo vítimas das flechadas aleatórias do Cupido). Não é o que acredito.

Desde 1976 venho tentando entender quais as variáveis que determinam a escolha dos parceiros sentimentais. A tarefa é difícil porque está relacionada com múltiplas variáveis e isso costuma ser motivo para que algumas pessoas privilegiem uma delas e desconsiderem outras igualmente importantes.

Penso que existem pelo menos três ingredientes muito relevantes na escolha sentimental: o fato daquela pessoa despertar algum tipo de entusiasmo erótico, a presença nela de alguns ingredientes particularmente agradáveis para o que se encanta e também um aspecto claramente racional relacionado com a admiração.

Cada um desses elementos tem seu peso e, de alguma forma, todos participam do fenômeno, aparentemente mágico, que faz com que uma pessoa neutra se transforme, em pouco tempo, em alguém essencial e único, longe de quem parece impossível imaginar a continuidade da vida.

Muitos são os que privilegiam, mais que tudo o ingrediente erótico: quando um homem sente um forte desejo sexual por uma mulher, costuma confundir isso com amor – até porque em nossa cultura ainda prevalece a ideia freudiana de que “todo amor é sexual”.

Quando uma mulher se sente fortemente excitada ao se perceber desejada por um dado homem também costuma atribuir isso ao fato dele poder ser o tão esperado “príncipe”.

O desejo sexual nem sempre é um bom conselheiro, visto que ele muito frequentemente se manifesta como consequência de uma forma mais exibicionista com que certas mulheres se apresentam socialmente ou da maneira mais agressiva e direta de expressão do desejo por parte dos homens mais ousados e, por vezes, impertinentes.
Sem desprezar sua importância, penso que o entusiasmo sexual deve ser avaliado com cautela e à luz dos outros ingredientes.

Os aspectos menos específicos e que são, juntamente com o sexo,  capazes de despertar entusiasmos sentimentais quase imediatos – amor à primeira vista – estão relacionados com peculiaridades daquela dada pessoa e que entusiasmam a alguns e não obrigatoriamente a outros: o timbre de voz, o jeito de andar, o sorriso, a maneira de se apresentar socialmente, a delicadeza dos gestos, além de alguns aspectos da aparência física e que podem lembrar pessoas relevantes do passado daquele que irá se encantar. A esse conjunto, costumo chamar de “fator x”, algo indefinido e muito personalizado. “O fator x” nos influencia bem mais do que costumamos pensar.

O terceiro componente relacionado com o surgimento do encantamento amoroso tem a ver com a admiração, aspecto racional e que deriva dos critérios de valor de cada pessoa e também de sua autoestima. Pessoas com baixa autoestima tendem a admirar aqueles que são seus opostos – os tímidos admiram os extrovertidos, os mansos valorizam os mais agressivos… Se levarmos em conta apenas esse aspecto da questão, fica claro porque tendem a ser frequentes os encantamentos entre pessoas diferentes, em geral diametralmente opostas. Fica clara também a tendência à repetição, ou seja, à escolha de sucessivos parceiros com características semelhantes – e nem sempre as que melhor combinam com aquele que escolhe.

Aquelas pessoas portadoras de boa autoestima e mais corajosas tendem a se encantar por criaturas mais parecidas consigo mesmas. Digo que a coragem é peça essencial nesse processo porque o encantamento entre pessoas com mais afinidades tende a ser mais intenso, determinando uma sensação de iminência de fusão, algo que aparece como muito ameaçador. Surge uma dependência muito forte, associada a um enorme medo de sofrimento em caso de ruptura. Surge também uma grande sensação de ameaça à individualidade, como se os amantes fossem mesmo se “fundir” e se transformar em “uma só carne”. Surge um terceiro medo, relacionado com a própria sensação de felicidade, como se ela atraísse “más vibrações” vindas das pessoas não tão satisfeitas sentimentalmente. O medo transborda as fronteiras do razoável e aparece consubstanciado em algumas expressões que usamos correntemente: “isso está bom demais”! “Estou morrendo de felicidade”! O tema é muito importante e certamente voltaremos a ele.

É importante registrar também que nossa cultura sempre privilegiou a escolha de parceiros complementares, tipo “a tampa e a panela”, de modo que a aliança entre pessoas muito semelhantes ainda é vista como inadequada e tediosa por muitos dos defensores das formas mais tradicionais de encantamento amoroso. Isso porque não existem muitas divergências, atritos ou brigas, o que pode parecer, para alguns, motivo de desgosto. A verdade é que a maioria dos casais se desentende sempre pelos mesmos motivos e as brigas sim é que são monótonas e repetitivas.

Penso assim: a vida em comum é chata e tediosa quando as pessoas que se casam são chatas e tediosas!

Nasce Jim e morre John...


8 dezembro de 1943 - Nasce Jim Morrison
8 dezembro de 1980 - Morre John Lennon



Em mim os planos não nascem e por isso nunca morrem enquanto a vida vai acontecendo  e surpreendendo.
















"Vida é o que acontece enquanto você esta ocupado fazendo planos." John Lennon

Por isso não gosto de fazer planos. Tenho dificuldades. Nem a longo ou a médio e mesmo curto prazo, não faço. Não consigo mais. Prefiro me ocupar de viver intensamente e assim tem sido. Estranhamente nada externo, a vida interior esta revirada,  queimando, me consumindo todos os dias, horas, minutos. Não é ruim, só deixa a vida em suspenso  até que tudo se acalme e a vida siga seu rumo tranquila, serena como deve ser...ou não.



será?


Saudade...








Saudade esquisita essa. Não sei do que ou de quem que não as ausências de sempre. Hoje estou com saudades, uma sensação de falta, um não sei o quê que incomoda. Desassossego, como diria Fernando Pessoa. Hoje, não sei porque, estou desassossegada...








Sem mais e muito menos...

Imagem do ótimo casal sem vergonha.


É o que temos pra hoje.