Feliz 2013!!!!!!

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sábio Caio!
Com ele me despeço desejando aos meus dois ou três leitores, poucos porém fiéis, um 2013 MARAVILHOSO!!!
 
Um beijo a TODOSSS!!!
Andréa
 
 
 
 
 
 
 
 


Boa tarde, Tristeza

 
 
 
 
 
Talvez eu só precise disso mesmo, férias, um porre, um novo amor ou uma boa sonoterapia. Fugir é sempre um caminho ou um atalho fácil para qualquer situação. Mas a vida não é uma "situação", a vida é algo que acontece quando as situações se sucedem. Passa, tudo passa, mas passa rápido e estar estagnado não faz dessa vida sequer digna de ser vivida.
 
 

 
 
 
"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo como “estou contente outra vez”. Caio Fernando Abreu
 
 
 
Sábio Caio, as palavras certas ou melhor certeiras para essa solitária tarde de sol no Rio de Janeiro. Início do verão, uma nova estação, em breve um livro cheio de páginas em branco com exatas 365 páginas para preencher, colorir ou não...só depende de você e de mim claro.
 
 
 
 
 
 



Então é Natal...

 
Clique na imagem se não conseguir ler.
Do ótimo blog Sushi de Kriptonita
 
 
 

Hoje conversando com um amigo pelo FB, falávamos do Natal. Ele dizia que apesar de ter vários lugares para passar a data, com a mãe ou com os filhos e netinhos preferia passar sozinho. E eu dizia que como todos os anos passaria sozinha, até tenho amigos que por saberem que todos na minha família estão mortos, me chamam para passar essa data com eles. Mas eu prefiro passar aqui com meus cachorros, enquanto o meu namorado vai para o sul passar com os filhos, nada mais justo, Natal é família, a sua família, a família dele.

Mas o assunto não é esse, o difícil foi fazê-lo entender enquanto ele explicava que ficava muito bem só, que Natal é só uma data comercial, nada demais, a diferença entre as situações. Uma coisa era saber que em algum lugar do planeta se tem alguém, outra era saber que em nenhum lugar do planeta não se tem ninguém. O importante não é estar junto, é estar perto, ao alcance de um telefonema, de um abraço para o caso de se mudar de ideia e resolver ir. Essa era a nossa diferença básica.

Dito isso, me lembrei de Viktor Frankl, cuja história me contou outro amigo, o Carlos, um erudito por natureza.

 
 
foto de Victor Bezrukov

 

Viktor Frankl foi o criador da Logoterapia. Resumindo e muito a história desse homem incrível, basta dizer que passou parte da vida em um campo de concentração onde começou a observar entre os sobreviventes o que os motivava a lutar até as últimas forças, quando o esqueleto era revestido apenas por uma pele tão fina que parecia que a qualquer momento iria se romper. O que tinham esses homens de tão diferentes dos outros que também passavam as mais terríveis privações? Por que alguns sobreviviam e outro não. A resposta esta abaixo nas palavras de Viktor Frankl :
 
"Ai daquele para quem não existe mais a razão das suas forças no campo de concentração - o ente querido. Ai daquele que experimenta na realidade aquele momento que sonhou mil vezes, e o momento vem diferente, completamente diferente do que fora imaginado. A pessoa pega o bonde, vai até aquela casa que por anos a fio imaginava diante de si e aperta a campainha - bem assim como tanto desejara em seus mil sonhos... Mas quem abre a porta não é a pessoa que deveria abri-la - ela jamais voltará a lhe abrir a porta..."


kimeajam on deviantART
 
 
Voltar para onde não haverá ninguém, sentir saudades de quem  jamais se verá de novo, chegar e não ser acolhido, ir embora e não precisar olhar para trás porque não haverá ninguém. Essa é a diferença entre nós, meu amigo.
 
 
 

 
 
 
 

Antes de partir...

 
 
 
 
 
"Antes de Partir" é um filminho no qual, Jack Nicholson e Morgam Freeman são dois ses­sen­tões com doen­ças ter­mi­nais. O pri­meiro é dono de um hos­pi­tal cujo lema é “dois lei­tos por quarto”. O segundo é um mecâ­nico ascé­tico, lei­tor de alma­na­ques. Dessa ami­zade impro­vá­vel nasce uma idéia de via­jar pelo mundo para apro­vei­tar os últi­mos meses de vida anun­ci­ado pelos médi­cos e rea­li­zar uma série de dese­jos, no que eles cha­mam de “a lista da bota”, daí o título original.
 
É isso mesmo, um filminho com dois grandes atores, ainda que Jack Nicholson continue fazendo mais do mesmo com uma preguiça quase contagiosa de interpretar. Ainda assim e acho que não foi só comigo, traz o incomodo de se pensar no "antes de partir" diário, cotidiano, aquele dia em que nos tornaremos só lembrança para alguns, saudade para outros e alívio para poucos, espero.
 
Antes de partir é tudo que vem antes do ponto final e esse tempo que passa tão rápido que por acaso se chama vida, é o tempo de pausar e pensar: O que você gostaria de fazer antes de partir? Você pensa nisso o tempo todo quando se vê em um emprego que não motiva, não desafia, numa relação afetiva estável e confortável sem grandes perspectivas, no trato distrato com a saúde, nas amizades que há muito sequer são vagas lembranças do que foram, enfim você pensa sobre isso. E o que  faz? Nada, exatamente como milhões de pessoas, absolutamente nada e segue vagando pela superfície da vida sem grandes riscos, mas também sem nenhuma emoção. Pois é...
 
Antes de partir pode ser hoje mesmo, nesse exato minuto, daqui a uma hora, hoje a noite na volta para casa, amanhã, depois ou muito depois, mas será e será algum dia. Por isso, assim como no filme, fica a questão: o que você fará agora para que antes de partir olhe para trás e se sinta plenanmente realizado? O quê?
 
 
 
The end
 
 
 

Dá uma parada, plis...



 

Essa matéria do Claudio Botelho foi tão perfeita, mais tão perfeita que eu não podia deixar de trazer para cá. Eu tenho amigos que por acaso são gays, mas são também trabalhadores, corretos, gente de bem assim como o senhor que esta lendo esse post e por isso mesmo fico me perguntando qual é o objetivo da Parada gay. Assim como o autor da  matéria eu também gostaria de saber qual o sentido disso tudo? Mostrar que existem gays no mundo? Provocar? Pra quê? Os homofóbicos de plantão não precisam disso, eles odeiam por odiar, simples assim. Ser gay é só uma opção sexual, não faz ou não deveria fazer nenhuma diferença, não deveria precisar de uma parada bizarra pra isso, pelo contrário, ser gay deveria ser só isso uma opção sexual, escolha individual de qualquer um. Fazer uma Parada por causa disso já se jogar nas malditas cotas que separam os "diferentes" dos "normais", já é se dizer diferente dos outros e não é, não deveria ser. Ser gay é só uma opção sexual, enquanto isso, eles também são excelentes empresários, advogados, médicos, artistas etc. Ser gay não é exceção, é só opção, acreditem.



HOJE TEM UMA MATÉRIA NO GLOBO SOBRE A PARADA GAY DE COPACABANA QUE ROLOU ONTEM. MATÉRIA SIMPÁTICA. O título é “Com amor e respeito”, ou algo parecido... Já a foto é de dois sujeitos abraçados, um deles vestido de Batman (se o Batman andasse só de sunga e capa) e o outro seria o Robin (se o Robin também se vestisse só de sunga de praia e botinha preta). Ah, um tem luvas vermelhas e o outro luvas pretas.
Bem, supostamente este tipo de acontecimento tem como alvo o preconceito, é uma luta por direitos individuais, liberdade, e mais uma lista de coisas que deve estar inclusive na matéria, mas não lembro agora. Mas lendo a matéria e vendo a foto a foto, fiquei me perguntando – logo eu com minha total falta de vocação pra acompanhar qualquer passeata que não seja um enterro no Caju – será que alguma pessoa que tem preconceito vai olhar essa foto hoje ou ver essa cena na televisão e pensar assim: “gente, eu detestava os gays, mas agora vi uma foto da passeata e tudo mudou, adoro eles”. Será?
Claro que a equação não é tão simples, e naturalmente os movimentos por direitos humanos não se baseiam apenas num momento, num rompante, é uma luta longa e as coisas são feitas aos poucos. Mas o que havia ali ontem que pudesse servir de alerta ou no mínimo de chamada para a sociedade em geral?
Há muita homofobia no Brasil. Muito ódio. Supostamente uma parada gay com um milhão de pessoas deveria ter o intuito de, no mínimo, tentar atingir aqueles que têm ódio, furar este bloqueio, impor o assunto com palavras e atitudes fortes, que cubram de respeito aquilo que merece respeito, e merece porque é humano.
Agora, numa boa: o imbecil que odeia viado vê a foto da passeata e – o que acontece? Compra um disco do Ricky Martin? Assina a G Magazine pra entender melhor o amor ao próximo? Ou é tomado de um horror maior ainda a tudo que diz respeito ao que ele já odiava?
O Rio é uma cidade bastante moderna, aqui se sofre relativamente pouco com homofobia. Pouco em comparação a rincões do país, onde filhos ainda são espancados pelos pais por serem gays, jovens são estigmatizados, habitantes cidades pequenas ou mesmo capitais do nordeste onde não dá pra passear de mão dada no calçadão com o namorado do mesmo sexo sem tomar um tiro. Pois bem, a passeata foi no Rio. Mas a TV mostrou pro Brasil inteiro, assim com mostra a parada gay de São Paulo. E os Batmans, Robins, e mais de meio milhão de pessoas peladas aos berros no meio da rua, evidentemente alterados e em histeria sobre caminhões com música eletrônica – essa é a imagem que vai pra todo mundo, pras casas das famílias que em tese seriam o alvo.
Eu particularmente não tenho nada contra a imagem, acho que todo mundo tem que se divertir, ir pra rua atrás de trepada, ir pros restaurantes da orla fazer pegação, subir nos carros alegóricos, cada um faz o que quer... Mas é um mistério para a minha compreensão (ou a minha burrice, mais provável) em quê esse tipo de coisa ajuda quem precisa de ajuda.
Nenhuma daquelas pessoas ali na parada precisa de ajuda. Elas saem da parada e vão pra sauna, ou pra boite, ou sei lá pra onde, e vão ser felizes, estão resolvidas. E podem fazer a mesma coisa 365 dias no ano. Tem sauna todo dia, gente.
Mas um minuto daquelas imagens na cabeça do homofóbico equivale a quantas bombas nucleares nãs mãos de iranianos? Mesmo o homofóbico manso, aquele que apenas “não gosta de viado”, mas não se decidiu a sair matando ninguém ainda... Que interesse político existe em encher a cabeça dessa pessoa com a ideia de que “estamos vestidos de Batman e Robin, estamos no carro alegórico, somos assim, vivemos aos gritos e ouvindo essa música, andamos pelados na rua, somos uma parada gay mas é igual ao carnaval, sacou?...”
Eu mesmo respondo: quem tem ódio vai ter mais. Quem tem algum rancor, terá ódio. Quem era indiferente tem duas opções: acha engraçado ou toma horror. Agora: é possível reverter alguma posição com aquilo? Dá pra ganhar a simpatia de quem? De quem já é simpático? Ora, esses já estão ganhos...
Me pergunto se quando Martin Luther King mudou a história do racismo nos Estados Unidos, ao invés de se articular, escrever, juntar-se a gente com propostas, fazer barulho de gente grande e com gente grande, colocar-se como cidadão e como homem inteligente e bater na mesa, ele tivesse convocado os negros pra saírem pelas ruas vestidos com roupas africanas, com as caras pintadas de cores de tribos, tocando atabaques e gritando em nagô e fazendo rituais de macumba... o que teria acontecido com o movimento dele? Ou se as feministas ao invés de queimarem sutiens (atitude ousada mas extremamente política) resolvessem sair nas ruas só de calcinha exigindo seus direitos.
É complexo, claro. E naturalmente estou enganado, pois como eu alertei lá em cima, sou burro. Mas mesmo na minha burrice, não consigo compreender porque o único movimento político libertário do mundo a sexualizar suas manifestações é o movimento gay. Ninguém está lutando pra ir pra cama, isso todo mundo já vai mesmo. A luta é por direitos e liberdades, e pra quem não as tem. Quem precisa da parada é o menino que tá triste no interior de Pernambuco, ou aqui numa cidadezinha do Rio, ou lá em Minas onde eu nasci e há gente que dá tiros em travestis nas esquinas. Esse pessoal que toma tiro é que precisa ser protegido, e a Parada tem que ajudar a eles. E os algozes deles é que têm de ser atingindos. Foram? Vão pensar duas vezes antes de planejar a surra no próximo coitadinho que entrou na rua errada na hora errada? Depois do Batman e do Robin de sunga mudou tudo?
Parada gay é apenas um dia a mais pra quem já tá de bem com a vida fazer o que faz 365 dias no ano. E um motivo a mais pra que os gays sejam vistos como aberração. Acho triste, patético, desestimulante, pouco inteligente.
Mas eu sou burro, ignorem isso aqui.

Marilyn e Larry.



Lucas Mendes: Marilyn e Larry

Lawrence Schiller tinha 25 anos quando entrou no camarim de Marilyn Monroe pela primeira vez. Foi no estúdio da Fox onde ela filmava Let’s Make Love, com Yves Montand .
Por trás, ela diante do espelho, ele começou a disparar sua Nikon. A atriz interrompeu o clique, clique, clique porque achava que a luz não era boa para ele e o ângulo não era bom para ela: Daqui é melhor. Larry obedeceu - ela sabia o que estava falando.
Depois de mais algumas fotos, ela disse que ele era o primeiro fotógrafo que não fechava o olho esquerdo quando fotografava. Nunca, em dez anos, alguém tinha observado este detalhe.
"Eu sou cego deste olho" , explicou Larry. "Desde criança, quando morava no Brooklyn. Meu prédio tinha uma lixeira central. Um dia, curioso, enfiei a cabeca e olhei para cima. Naquela hora a ponta de um guarda-chuva entrou no meu olho. Os médicos conseguiram salvar o olho, mas não a visão."
A história pavorosa abriu o coração de Marilyn, que teve uma infância miserável, entrando e saindo de orfanatos e famílias adotivas enquanto a mãe entrava e saía de manicômios. Larry explicou que, apesar do acidente, a infância dele não foi infeliz, mas surgiu uma cumplicidade.
O principal cliente de Larry era a revista francesa Paris Match, mas aquelas fotos de Marilyn tinham sido pedidas pela revista Look. O sonho dele, como a maioria dos fotógrafos de revistas, era uma capa na revistaLife. A oportunidade surgiu dois anos depois, quando Marilyn filmavaSomething’s Got to Give, também para a Fox, com Dean Martin.
Quando viu o roteiro, Larry notou que haveria uma cena na piscina onde a estrela pareceria nua, com um biquíni cor da pele, tesando Dean Martin.
As relações de Marilyn com a Fox estavam podres. Anos antes, ela tinha recebido US$ 15 mil pelo filme “Os Homens Preferem as Louras", enquanto a morena Jane Russel tinha recebido US$ 200 mil, mas a inveja dela era Elizabeth Taylor, que estava recebendo US$ 1 milhão por “Cleópatra” enquanto ela recebia US$ 100 mil por filme e não achava que era levada a sério em Hollywood.
Castigava a Fox se trancando no camarim por três ou quatro horas enquanto a equipe esperava lá fora ou simplesmente não aparecia no set. Em 38 dias de filmagens ela compareceu a 13, e cada dia perdido afetava 104 pessoas.
Quando contrariou as ordens do estúdio e veio a Nova York cantar parabéns para o presidente Kennedy, a Fox cancelou o filme e abriu um processo contra ela por quebra de contrato.
Poucos dias antes, ela tinha feito as famosas fotos nuas dentro, saindo, e fora da piscina. Antes havia dito a Larry que ficaria nua, mas ele achou que fosse brincadeira.
Quando tirou o roupão e entrou na piscina, estava de calça e sutiã cor da pele, feito o lero-lero para o Dean Martin. Na hora de sair da piscina estava completamente nua.
Clique, clique, clique....684 fotos em preto e branco, 108 em cores em duas horas de filmagem.
Marilyn, com poder de veto, eliminou a maioria das fotos em preto e branco porque mostravam músculos na perna, ângulos ou perfis desfavoráveis e a bunda: "Dizem que eu tenho bunda de preta e que muito homem gosta".
Disse e traçou o x do veto na folha de contato. Apesar dos cortes, Larry ficou aliviado. Tinha fotos suficientes para cinco, talvez seis páginas naLife e, mais importante, para a capa.
Era o que ele e Marilyn queriam. Nua nas capas da Life, Paris Match, em revistas do mundo inteiro para invejar Liz Taylor e gerar publicidade.
"Sem roupa, nenhuma mulher é igual a mim", disse a Larry e impôs uma condição: "Quem publicar, qualquer revista, terá de concordar em não publicar nenhuma foto, nenhuma linha sobre Elizabeth Taylor na mesma edição."
Três dias depois, Larry levou à casa dela os contatos das fotos em cor, candidatas a capas. Marilyn disse a ele: "Entre no carro. Vamos pegar Dom".
Larry tremeu. Que Dom é este que entrou na história sem nenhum aviso? Seria alguma sacanagem da Marilyn? Até então tudo tinha sido correto.
A atriz parou à frente da famosa lanchonete/farmácia Schwab’s, onde Lana Turner teria sido descoberta comendo um hambúrguer no balcão.
Voltou dali a cinco minutos com uma garrafa de Dom Perignon. Bebia em grandes goladas no gargalo e passava a garrafa para Larry, que não era fã de champagne, enquando examinava as fotos com olhar de modelo e uma tesoura de costureira profissional. Zip zip zip ...Cada tesourada era um aperto no coração do fotógrafo.
Vetou 70 mas sobraram 38. A capa estava garantida. Larry faturou US$ 30 mil com Marilyn nua na edição de 20 de junho. Até então só um fotógrafo tinha recebido tanto por um dia de trabalho, David Douglas Duncan pelas fotos de Picasso.
Graças à nudez de Marilyn, Larry deu entrada numa casa com piscina não longe da casa da atriz.
Larry tinha escondido dela várias fotos onde aparecia o bico de um peito e Hugh Hefner, dono de Playboy, estava disposto a pagar US$ 25 mil por elas. Uma fábula.
Ela estava interessada e ele passou na casa de Marilyn com os contatos para discutir o assunto mas Bobby Kennedy, irmão do presidente, estava na beira da piscina esperando por ela.
Larry se sentiu intruso e foi embora. No dia seguinte, 3 de agosto, sexta-feira, passou na casa de Marilyn.
Ela estava trabalhando no jardim com uma aparência muito derrubada. Deixou o envelope com as fotos e foi embora . Na manhã seguinte Larry recebeu uma chamada as 7 horas : Marilyn esta morta.
Aparentemente uma over dose. Erro dela na dosagem? Vivia numa solidão brutal, insônia, depressão, constipação . Com frequência misturava pílulas, vinho e champagne em grandes quantidades. Suicídio?
Assassinada pela máfia a mando dos Kennedys? Larry acha oversose acidental a melhor hipótese.
Conheci Larry quando trabalhava na revista Manchete. Eu dividia um apartamento com o comprador de fotos da revista alemã Stern, grande cliente dele.
Quando passava por Nova York costumava visitar o alemão lá em casa.
Larry se tornou um dos fotógrafos mais conhecidos nos Estados Unidos, autor de best sellers, produtor de TV e de filmes, um sobre Marilyn.
Colaborou com Norman Mailer em quatro livros, um deles também sobre Marilyn que escreveu: "Marilyn era o affair do povo com a América, rainha da classe operária, espelho de prazeres de quem olha para ela".
Em maio Larry publicou suas memórias sobre o breve período de sua amizade com a atriz. Em agosto a morte dela vai fazer 50 anos. Marilyn teria completado 85 anos no dia primeiro de junho.
As famosas fotos de Larry, que tem 75, estão expostas na galeria Steve Kasher, no bairro Chelsea, em Manhattan.
 Lucas Mendes




CARTA PARA MNHA NAMORADA

Eu decorei suas fraquezas, acalmei seus pesadelos.

Conheço histórias de sua infância, dores e repulsas.

Sou sua caixa-preta, sua cópia de segurança, seu diário, seu esconderijo na parede.

Poderia imitar sua caligrafia, poderia escrever sua biografia, listar o material escolar da 5ª série, recordá-la da capa de bichinhos coloridos da cartilha Alegria de Saber.

Você não escondeu nenhuma resposta de minhas perguntas. Nenhuma gaveta para a minha curiosidade.

Nunca se revelou tanto para outra pessoa. Expôs quem odiava no Ensino Médio, quem amava, quais as gafes e as covardias que experimentou na escola.

Confidenciou aquilo que seu pai gritou e que magoou fundo, aquilo que sua mãe omitiu e feriu fundo.

Não tem anticorpos contra mim. Baixou as armas, depôs a mínima resistência.

Se você me escolheu para confiar, devo ter o dobro de tato para falar contigo, o triplo de responsabilidade. Qualquer um conta com o direito de falhar, qualquer um desfruta da possibilidade de errar, menos eu. Sou o que realmente estudou seus pontos fracos e o lugar de suas veias.

Perdi a desculpa do acidente, a vantagem do lapso.

Sou o mais perigoso, portanto tenho a obrigação de defendê-la de mim. Tudo o que ouvi a seu respeito não posso empregar para agredi-la. Cada desabafo que me confiou não serve para nada, a não ser para amá-la.

Não tem finalidade doméstica, nem serventia para fofoca, é uma amnésia alegre: escuto, sorrio e consolo.

Não ouso soprar verdades sem sua permissão. São arquivos protegidos.

Quem ama mergulha em hipnose regressiva, firmamos um código de quietude e cumplicidade, de zelo e compromisso.

Intimidade é um conteúdo perigoso, tóxico, explosivo. Há os casais que esquecem que estão levando a valiosa carga e transformam a catarse em tortura psicológica, em chantagem emocional, em sequestro moral.

Suas confidências morrem comigo ou eu vou morrer nelas. Não podem retornar numa briga. Que eu morda a língua, queime a boca, mas não use jamais seus segredos. Aquilo que você me disse não é para ser devolvido. Todo segredo é um sino sem pêndulo.

Não importa o que faça ou as razões da raiva, é covardia distorcer suas lembranças.

Não posso rifar seus problemas, nem propor leilão dos seus medos.

Minha namorada, minha noiva, minha mulher, meu amor.

Eu prometo cercar seu silêncio com meu silêncio.

Não nasci para julgá-la, mas para me julgar e, assim, merecê-la.

Fabrício Carpinejar







Feliz Dia do Amor
Amor por si mesmo
Por alguém
Por alguma coisa
Pense assim e o Dia dos Namorados perderá toda pompa e circunstância, motivo para lamúrias e solidão. Não importa o "namorado" O que importa é estar enamorado pela vida, suas miudezas, seus momentos e delicadezas.
Andréa - angelbue83





Lucas Mendes: A virgem de Hollywood
Quatro casamentos miseráveis, casos, acidentes trágicos, recordista mundial de bilheteria no cinema e venda de discos. Aos 45 anos deu uma banana para as gravadoras, aos 46 deu outra para Hollywood, aos 49, no auge da carreira televisiva, recusou outro contrato com a CBS. Indiferente à fama e à fortuna, Doris Day deu bye-bye à capital da celebridade e foi viver em reclusão com seus cães em Carmel, na Califórnia.
O pianista Oscar Levant  disse que conheceu Doris Day antes dela ser virgem. A frase absurda tem fundamento.
Esta semana ela fez 88 anos e sem sair de sua reclusão em Carmel, na Califórnia, deu uma entrevista por telefone. Já tinha dado outra, mais longa em outubro para a mesma rádio pública, a NPR. Quando ouvi foi como uma assombração da minha juventude falando comigo às duas da tarde de um sábado.
Nem uma palavra sobre os 4 maridos e o único filho, que morreu de câncer de pele em 2004, com 62 anos.
Doris Day era debochada pela imprensa de Hollywood porque não fumava, não bebia, não ia às festas de Hollywood nem para promover seus filmes.
Seguia à risca sua religião "Igreja de Cristo, Científica", em inglês, Christian Scientist.
Não tomava nenhum remédio nem ia a médicos. Teve várias crises nervosas, e quase morreu de um tumor no útero que foi retirado e se tornou outra fonte de depressão.
Numa carreira de 25 anos no cinema ela foi, e ainda é, a atriz recordista mundial de bilheteria. Gravou 650 músicas, dezenas delas campeãs nas paradas. Nove foram indicadas para Oscars, três ganharam. Num ano teve duas candidatas. Ganhou com Que Será, Será.
Nas entrevistas, a voz está firme, mas, efervescente. Ri o tempo todo, como se tivesse no terceiro copo de champagne. Nenhuma reclamação da vida que muitas vezes foi bruta com ela.
Doris, descendente de família alemã, nasceu e cresceu em Cincinati. O pai, organista e regente do coral da igreja, investiu na filha dançarina e pianista a partir dos cinco anos. Nunca aprendeu a ler música mas aos treze anos foi convidada para ir dançar profissionalmente em Hollywood. Na véspera saiu para uma despedida com os amigos. Na volta para casa o carro foi destruído por um trem.
Doris ficou mais de dois anos na cama e quase teve a perna amputada. A carreira de dançarina morreu, nasceu a de cantora. Imóvel na cama, ouvia rádio e cantava junto com Ella Fitzgerald. Um professor ajudou a arrendondar a voz que tinha, como o pai, afinação perfeita.
Com 16 anos cantava num clube de Cincinati onde conheceu o primeiro marido, um psicopata, de quem levou surras durante a gravidez. Aos 18 ja era mãe e divorciada. Ele suicidou alguns anos depois .
Sobre o segundo e o quarto marido não vale a pena perder tempo. Depois falamos sobre o terceiro.
A voz de Doris, pelo rádio, foi descoberta por Les Brown, líder de uma das grandes bandas da época. Com 23 anos ela gravou Sentimental Journey e foi o primeiro de dezenas de campeões das paradas.
O disco saiu em 44 e a canção teve uma conexão imediata com a Segunda Guerra.
Rock Hudson, que mais tarde faria vários filmes com ela, estava na Marinha e se lembra de sua partida de São Francisco, quando o navio passava debaixo da Golden Gate, com a música nos alto falantes a bordo. A tripulação chorou junto.

A carreira no cinema começou contra a vontade dela que argumentava com o agente: "Não sou, nem sei ser atriz." Um dia conseguiu levá-la para um teste com o diretor Michael Curtiz, o de Casablanca, que fazia seu primeiro filme como produtor independente.
Apesar da falta de interesse, foi contratada para Romance on the High Seas, o primeiro de 39 filmes que vão do ridículo, como That Touch of Mink, Tunel of Love, aos excepcionais Calamity Jane, Lucky Me, Young at Heart, Love Me or Leave Me, The Man Who Knew too Much.
Contracenou com James Cagney, Clark Gable, David Niven, Frank Sinatra, a fina flor dos atores de Hollywood, e se deu bem com todos eles.
No novo livro, Considering Doris Day, o biógrafo Tom Santopietro, homem de Broadway, examina o lado profissional de Doris Day e diz que poucos atores tinham uma ética de trabalho como ela.
Nunca atrasava, fazia o dever de casa, ia para o set de um flme idiota como That Touch of Mink com a mesma atitude que ia para o de Alfred Hitchcock. That Touch of Mink reforçou a fama de "virgem" de Hollywood.
Ela passa o filme inteiro protegendo a virgindade assediada por Cary Grant. Outro fator foi a recusa do papel de Mrs. Robinson em The Graduate. Muito sexo.
Provavelmente a decisão foi do terceiro marido que era o agente dela num casamento que durou quase vinte anos.
Ciumento, isolou Doris e, com ajuda de um advogado/corretor, sem conhecimento da mulher, transferiu a fortuna dela para as contas dele na Suíça. Os cálculos vão de US$ 22 milhões a US$ 100 milhões.


Só soube que estava pobre quando recebeu uma conta de US$ 500 mil do imposto de renda. Processou o advogado e anos mais tarde conseguiu reaver US$ 3 milhões.
O marido também foi responsável por vários filmes que deveriam ter ido para o lixo e pelo contrato de 5 anos com a rede CBS, que ela só soube da existência depois da morte dele.
O repertório musical também ficava muito a critério dos outros. Às vezes tinha arranjadores excepcionais ou parceiros como Andre Previn mas cantava qualquer coisa que colocavam na frente dela.
Apesar dos desastres ninguém vendeu tantos discos como ela durante quase 40 anos de carreira.
Na entrevista ela disse que passou outros 30 sem ouvir um disco dela. Quando um amigo mandou uma coleção completa, ela trancou a caixa no porão.
Uma amiga levou para ela um aparelhinho e disse que tudo que ela tinha cantado estava ali dentro. Foi apresentada ao iPod que já não era novidade. Intrigada concordou em ouvir uma. Chorou como uma criança e comentou que não tinha errado nenhuma nota. Nunca mais ouviu outra.

Fonte: BBC



Jerry Lewis, um gênio da comédia.




Imagem da net

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Lucas Mendes:  Jerry Lewis, 86, alopradíssimo.
Fui ao aniversario de 86 anos do Jerry Lewis e durante quase duas horas ri como nunca tinha rido nos filmes dele. Parecia um passo além do absurdo.
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Fui como convidado com quase mil fãs pagantes no teatro da YMCA, da rua 92, um antro de artes e entretenimento.
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Vimos primeiro uma edição curta do documentário Method of Madness of Jerry Lewis onde uma procissão de grandes atores e diretores colocam Lewis no pedestal dos gênios, mas naquela plateia ninguém precisava ser convencido da genialidade do comediante. Rolava um bom humor geral. Nas poucas cenas dos filmes no documentário a audiência explodia em aplausos espontâneos.
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Jerry Lewis, depois de breve introdução do ator Richard Belzer, entrou no palco e sentou numa destas cadeiras de diretor.
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Um pouco curvado mas sem outros sinais de decadência, está com uma rapidez mental e um senso de humor que causam inveja a sessentões como eu.
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Ele sobreviveu a câncer de próstata, gravíssima fibrose pulmonar, um ataque cardíaco quase fatal, dores brutais na coluna provocadas por anos de quedas nos filmes e palcos e controlada, durante décadas, por 13 pílulas diárias de Percodan que criaram uma dependência. Ele se libertou das pílulas graças a um marca-passo eletrônico que funciona por controle remoto. Quando dói, ele clica, e bye bye dor.
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O ator Richard Belzer que chama Jerry Lewis de "pai" conduziu uma conversa sobre os altos e baixos da carreira do comediante que começou aos 5 anos com os pais, um casal vaudeviliano.
O pai, imigrante judeu russo era mestre de cerimônias. A mãe, também imigrante russa, era a pianista. Na sua primeira entrada num palco Jerry Lewis, ao agradecer os aplausos, pisou, sem querer, numa lâmpada que explodiu. A plateia veio abaixo: "Eu vou fazer aquilo de novo", disse aos velhos.
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Desde então, deu poucos passos em falso na carreira que disparou quando fez dupla com Dean Martin em 1946. Em um ano eles saíram de US$ 175 para US$ 30 mil por semana e os shows da dupla provocavam reações de histeria semelhantes às dos Beatles. Dean Martin tinha os encantos e a voz, Jerry Lewis, as macaquices.
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Eu entrevistei Jerry Lewis em Times Square, em 1995, para a TV Cultura. Ele tinha 69 anos, um pouco mais do que eu tenho hoje e acabava de estrear na peça Damn Yankees. Fazia o papel do Diabo. A plateia vinha abaixo quando ele entrava em cena. Cantava e dancava. Foi o ano da morte de Dean Martin, seu parceiro de dez anos de shows, televisão, rádio, cabarés e 14 filmes.
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O rompimento foi em 56. Deixou Lewis arrasado e nenhum dos dois deu explicações. Uma reconciliação temporária foi orquestrada por Frank Sinatra, amigo comum, mas só voltaram a ser amigos quando o filho de Dean Martin morreu num acidente de avião e o ex-parceiro trocou o suco de maçã pelo álcool. O fim foi rápido.
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Ate então a embriaguês era uma imagem falsa e debochada que Dean Martin cultivava porque dava bons dividendos. Bebia pouco. O verdadeiro vício dele, diário, era o golfe. Jerry Lewis se lembra Dean Martin com culpa e profundo afeto. Dean Martin saiu porque cansou de ser escada, da falta de reconhecimento e porque não precisava do afeto do público, como Jerry Lewis.
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Ambos tiveram carreiras bem sucedidas depois da separação mas a do comediante explodiu, como showman, ator, diretor, roteirista e inventor do  video assist, um precursor do video tape que permitia ver a cena gravada instantaneamente. A partir daí sempre terminava seus filmes dentro dos prazos e orçamentos.
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Ele conta, com grande prazer, a história do filme Bell Boy que, a pedido da Paramount, filmou em tempo recorde no hotel  Fountainebleau, em Miami. A distribuidora recusou o filme porque era mudo. Jerry Lewis bancou os US$ 950 mil e o filme ja rendeu US$ 650 milhões.
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Jerry se lembra com tristeza de um fracasso que só foi visto por uma dúzia de pessoas. Ou menos e não quer que seja visto. The Day the  Clown Cried, de 1972, conta a história de um palhaço que leva crianças judias para a câmara de gás e, um dia, o palhaço entra na câmara e morre junto com elas. Jerry Lewis, um judeu, não teve o talento para colocar humor num campo de concentração como Roberto Benigni, em A Vida é Bela.
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Ladies Man, Patsy,  Nutty Professor, os filmes são tantos e cada um tem uma historia engracada ou dramatica. Jerry Lewis esta produzindo e dirigindo uma versao do Nutty Professor para a Broadway que deve estrear ainda este ano e assinou um contrato no começo do ano passado para co-produzir The Bell Boy, Cinderfellaw e The Family Jewels, um filme onde ele fez sete papéis diferentes.
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Jerry Lewis queria fazer tudo em Hollywood, da direção a carregador de cenários mas os sindicatos não deixavam a menos que ele fosse membro. Ele pagou e tem carteirinhas de 14 sindicatos de Hollywood, outro recorde.
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Mas e o humor da noite? A última hora foi na base do improviso, a especialidade dele. Mais de cem pessoas se enfileiraram nas duas alas do teatro para fazer perguntas. Jerry Lewis fez um alerta: "Por favor, não me digam que me adoram, que me amam desde a infância quando viam meus filmes com seus pais. Eu já ouvi isto milhares de vezes e, acreditem, eu acredito. Por favor, vamos ao ponto."
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Na primeira pergunta, a mulher começou: "Nós adoramos você na minha casa..."
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Jerry Lewis rodou os olhos. "Próxima pergunta", disse.
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De mais de cem perguntas, ele teve pena de meia dúzia de fãs, entre eles um paraplégico que pediu um abraço. Outro fã, que contou uma boa história e pediu um perto de mão, teve o desejo satisfeito mas Jerry Lewis aproveitou para arrancar risadas com uma piada sobre o passado gay. Eu confesso minha falta de talento para transcrever o humor de Jerry Lewis. Gravei a noite mas sem as expressões e o ritmo dele, o humor perde a graça. A genialidade dele não esta no texto, não pode ser separada da pessoa. Jerry Lewis é Jerry Lewis.
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Qual o segredo desta longevidade saudável e promissora que venceu tantas doenças? Uma gargalhada por dia vale dez anos de vida, ele garante.
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Antes daquela noite não me lembro da minha última gargalhada. Uma tragédia.

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Lucas Mendes  - De Nova York para a BBC Brasil