O Natal se foi e o Ano Novo bate à porta...


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Quem acompanha o blog sabe que Natal para mim é como a água: insípido, inodoro e incolor. Nada contra o Bom Velhinho e muito menos contra o Aniversariante do dia, mas como o Natal é família e na ausência dela perde o sentido, para mim já perdeu faz tempo. E parece que Vinicius de Moraes entendeu perfeitamente o sentido da ausência nesse Poema de Natal. É com ele que eu me despeço de 2011 desejando a todos mais poesia na vida e no mundo.

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Poema de Natal
Vinicius de Moraes

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia

Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinicius de Moraes, poeta e diplomata na linha direta de Xangô. Saravá! No poema acima temos retratado aquele que, para muitos, é um evento triste.

O acima foi foi extraído do livro "Antologia Poética", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 147.


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Fonte: Releituras
Foto/Cartão: @AYRTON360

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