O Natal se foi e o Ano Novo bate à porta...


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Quem acompanha o blog sabe que Natal para mim é como a água: insípido, inodoro e incolor. Nada contra o Bom Velhinho e muito menos contra o Aniversariante do dia, mas como o Natal é família e na ausência dela perde o sentido, para mim já perdeu faz tempo. E parece que Vinicius de Moraes entendeu perfeitamente o sentido da ausência nesse Poema de Natal. É com ele que eu me despeço de 2011 desejando a todos mais poesia na vida e no mundo.

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Poema de Natal
Vinicius de Moraes

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia

Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinicius de Moraes, poeta e diplomata na linha direta de Xangô. Saravá! No poema acima temos retratado aquele que, para muitos, é um evento triste.

O acima foi foi extraído do livro "Antologia Poética", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 147.


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Fonte: Releituras
Foto/Cartão: @AYRTON360

Feliz Aniversário, Woody!



“O amor é a resposta, mas enquanto você está 



esperando, o sexo é capaz de fornecer boas

perguntas.”
Woody Allen, comediante, ator, diretor de cinema, EUA, 1935



Para Maria da Graça.






Para Maria da Graça

Paulo Mendes Campos



Agora, que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: “Alice no País das Maravilhas”.

Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.

Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.

A realidade, Maria, é louca.

Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: "Fala a verdade Dinah, já comeste um morcego?".

Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. "Quem sou eu no mundo?". Essa indagação perplexa é o lugar-comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.

A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: "Estou tão cansada de estar aqui sozinha!". O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.

Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.

Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave.

A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: "Oh, I beg your pardon!". Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para a tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto-de-vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: "Gostarias de gatos se fosses eu?".

Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: "A corrida terminou! Mas quem ganhou?". É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhaste.

Disse o ratinho: "Minha história é longa e triste!". Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: "Minha vida daria um romance". Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance é só o jeito de contar uma vida, foge, polida mas energicamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: "Minha vida daria um romance!". Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.

Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: "Devo estar diminuindo de novo". Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.

E escuta esta parábola perfeita: Alice tinha diminuído tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte. Ê isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e de rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. E como tomar o pequeno por grande e o grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom-humor.

Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para o humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.

Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: "Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas...".

Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça.

Paulo Mendes Campos


* grifos meus e uma recomendação: esse é o tipo de texto necessário. Com sorte alguns lerão aos 15 anos e a vida, apesar de suas surpresas, seguirá quase suave, outros tomarão conhecimento mais tarde e ainda assim, acreditem, fará diferença.

Carlos Drummond de Andrade pelo seu aniversário...




O poeta

“Em meus arroubos de infância
numa doce ignorância
julgava eu que os poetas
pelas mãos de Deus, benditos
eram homens pudicos, profetas

E adolescente ainda
pensava, coisa mais linda
viajar todo o universo
retendo entre as mãos a sorte
de voar do sul ao norte
nas asas de um só verso

Não sei bem porque,um dia
juntei toda a fantasia
daqueles sonhos de infância
à dura realidade da minha maturidade
E fiz primeira instância
Desde então versei saudade
tristeza, amor, liberta
Tudo quanto a vida ensina

Compreendi que ser poeta
não é profissão ou meta
é dom natural, é sina

Todos têm a mesma sorte
o direito à vida e à morte
E quando o fim se aproxima
a diferença é uma só
muitos retornam ao pó
o poeta...vira rima”
V.Bauer

Poetas não morrem, viram rima. Por isso, esses anos de falecimento são só um detalhe para quem a eternidade é certa. O poeta que pontuou sua obra falando da morte constantemente se deixou levar por ela quando perdeu o grande amor de sua vida, sua filha. Desolado, Drummond pede a sua cardiologista que lhe receite um “infarto fulminante”. Apenas doze dias depois, em 17 de agosto de 1987, Drummond morre numa clínica em Botafogo, no Rio de Janeiro, de mãos dadas com Lygia Fernandes, sua namorada com quem manteve um romance paralelo ao casamento e que durou 35 anos (Drummond era 25 anos mais velho e a conheceu quando ele tinha 49 anos). Era uma amor secreto, mas nem tanto. Lygia contaria ao jornalista Geneton Moares Neto (a quem Drummond concedeu sua última entrevista) que “a paixão foi fulminante”.
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Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
C.D.A.

A VIDA
“Minha vida? Acho que foi pouco interessante. O que é que eu fui? Fui um burocrata, um jornalista burocratizado. Não tive nenhum lance importante na minha vida. Nunca exerci um cargo que me permitisse tomar uma grande decisão política ou social ou econômica. Nunca nenhum destino ficou dependendo da minha vida ou do meu comportamento ou da minha atitude.
“Eu me considero - e sou realmente - um homem comum. Não dirijo nenhuma empresa pública ou privada. A sorte dos trabalhadores não depende de mim”.
“Sou apenas um homem/ Um homem pequenino à beira de um rio/ Vejo as águas que passam e não as compreendo/ ...Sou apenas o sorriso na face de um homem calado” (América - trecho)


A SOLIDÃO
“Se eu me sinto solitário? Em parte, sim, porque perdi meus pais e meus irmãos todos. Nós éramos seis irmãos. E, em parte, porque perdi também amigos da minha mocidade, como Pedro Nava, Mílton Campos, Emílio Moura, Rodrigo Melo Franco de Andrade, Gustavo Capanema e outros que faziam parte da minha vida anterior, a mais profunda. Isso me dá um sentimento de solidão. Por outro lado, a solidão em si é muito relativa. Uma pessoa que tem hábitos intelectuais ou artísticos, uma pessoa que gosta de música, uma pessoa que gosta de ler nunca está sozinha. Ela terá sempre uma companhia: a companhia imensa de todos os artistas, todos os escritores que ela ama, ao longo dos séculos”.
“Precisava de um amigo/ desses calados, distantes,/ que lêem verso de Horácio/ mas secretamente influem/ na vida, no amor, na carne/ Estou só, não tenho amigo/ E a essa hora tardia/ como procurar um amigo?” (A bruxa - trecho)


A POESIA
“Não lamento, na minha carreira intelectual, nada que tenha deixado de fazer. Não fiz muita coisa. Não fiz nada organizado. Não tive um projeto de vida literária. As coisas foram acontecendo ao sabor da inspiração e do acaso. Não houve nenhuma programação. Não tendo tido nenhuma ambição literária, fui mais poeta pelo desejo e pela necessidade de exprimir sensações e emoções que me perturbavam o espírito e me causavam angústia. Fiz da minha poesia um sofá de analista. É esta a minha definição do meu fazer poético. Não tive a pretensão de ganhar prêmios ou de brilhar pela poesia ou de me comparar com meus colegas poetas. Pelo contrário. Sempre admirei muito os poetas que se afinavam comigo. Mas jamais tive a tentação de me incluir entre eles como um dos tais famosos. Não tive nada a me lamentar. Também não tenho nada do que me gabar. De maneira nenhuma. Minha poesia é cheia de imperfeições. Se eu fosse crítico, apontaria muitos defeitos. Não vou apontar. Deixo para os outros. Minha obra é pública.
“Mas eu acho que chega. Não quero inundar o mundo com minha poesia. Seria uma pretensão exagerada”.
“Não serei o poeta de um mundo caduco/ Também não cantarei o mundo futuro/ Estou preso à vida e olho meus companheiros/ Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças” (Mãos dadas - trecho)

ADEUS
“Quem é que fala hoje em Humberto de Campos? Quem é que fala em Emílio de Menezes? Quem é que fala em Goulart de Andrade? Quem é que fala em Luís Edmundo? Ninguém se recorda deles! Não fica nada! É engraçado. Mas não fica, não. Não tenho a menor ilusão. E não me aborreço: acho muito natural. É assim mesmo que é a vida. “Não vou dizer como o Figueiredo: ‘Quero que me esqueçam!’ Podem falar. Não me interessa, porque não acredito na vida eterna. Para mim, é indiferente. “Nenhum poema meu entrou para a História do Brasil. O que aconteceu foi o seguinte: ficaram como modismos e como frases feitas:tinha uma pedra no meio do caminho’ e ‘e agora, José?’. Que eu saiba, só. Mais nada. “Não tenho a menor pretensão de ser eterno. Pelo contrário: tenho a impressão de que daqui a vinte anos eu já estarei no Cemitério de São João Baptista. Ninguém vai falar de mim, graças a Deus. O que eu quero é paz”.
“Quero a paz das estepes/ a paz dos descampados/ a paz do Pico de Itabira/ quando havia Pico de Itabira/ A paz de cima das Agulhas Negras/ A paz de muito abaixo da mina mais funda e esboroada de Morro Velho/ A paz da paz” (Apelo a meus dessemelhantes em favor da paz - trecho).

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Por quê?
Por que nascemos para amar, se vamos morrer?
Por que morrer, se amamos?
Por que falta sentido
ao sentido de viver, amar, morrer?
C.D.A.


Leia mais aqui.

A Borboleta Azul




Reza a lenda  que uma menina curiosa, decide colocar à prova um velho sábio, por duvidar de que fosse realmente um sábio. Tomou nas mãos uma borboleta azul, escondeu-as mãos com a borboleta para trás, foi até o sábio e disse: tenho nas mãos uma borboleta azul, ela está viva ou morta. Antes que o sábio respondesse tinha preparado o seguinte ardil: se ele disser que está viva, eu a esmago e ela estará morta; ele não é um sábio. Se ele disser que ela está morta , eu a deixo voar; ele não é um sábio. Mas o sábio, como podíamos esperar de um sábio, foi muito sábio em sua resposta, ele disse: Ela está em suas mãos, depende de você.

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“Há uma única Verdade elementar, cuja ignorância mata
inumeráveis idéias e explêndidos planos:
no momento em que, empenhamo-nos a fundo, também a Providência
então se move. Infinitas coisas ocorrem para ajudar-nos,
coisas que de outro modo, não poderiam nunca acontecer…
Qualquer coisa que possas fazer,
Ou imaginar poder fazer,
Começa-a.
A audácia tem em si gênio, poder, magia.
Começa agora”.
W.Goehte.

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Nem sei mesmo se é de Goethe, acho otimista demais para ele, ainda assim a lenda e o pensamento se complementam tão perfeitamente que aqui estão em pleno fim de domingo. E é para refletir, para pensar, porque amanhã é segunda-feira e tudo pode ser diferente. Só depende de você. Já pensou?


O benefício da dúvida...



"Para o desesperado, a partida não parece menos impossível do que o retorno."
Thomas Mann

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            Confesso que não sei como é voltar, sou expert em partidas, perdas e coisas do gênero. Talvez voltar seja um recomeço, uma nova eu...talvez. Ainda prefiro o benefício da dúvida. Certezas absolutas nós só temos na adolescência, passada essa fase, o futuro em geral se apresenta nebuloso e a dúvida, acredite, é o maior benefício que se tem.
           Em dúvida, voltei.









Pra sempre, Janis.


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No dia 18 de janeiro de 1943 nascia Janis Joplin e a música nunca mais seria mesma. Gostava de cantar blues e folk music e quando diziam que ela cantava música negra, costumava responder: "Eu canto música negra para tirar dinheiro dos brancos."
Janis Joplin afirmava que sua maior influência era a cantora de blues Bessie Smith, tanto que ajudou a custear, em 1970, uma lápide mais "decente" para ela (a original nem tinha seu nome). O custo foi dividido com o último produtor de Bessie, John Hammond.
Embora tenha caído no mundo aos 17 anos, em 1960, quando juntou o dinheiro da mesada e foi tentar ser cantora na Califórnia, Janis Joplin só surgiu para o grande púbico a partir de sua eletrizante apresentação no festival Monterey Pop, em 67.

A carreira fonográfica de Janis foi curta, a rigor ela só gravou de 67 a 70 e conseguiu mudar o rumo da história. O último show de Janis aconteceu em 12 de agosto de 1970, no Harvard Stadium. Em setembro, grava o LP Pearl e dá sua última entrevista.

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Embora Janis, tenha morrido em decorrência de uma overdose de heroína, seu maior vício era o uísque - mais precisamente o "Southern Comfort", tanto que, em 1968, a engarrafadora resolve presenteá-la com um casaco de lince (quer propaganda maior que esta?), e promete um certo "patrocínio" à cantora, que no final das contas, acaba não se concretizando.
Ela abominava certos tipos "difundidos" de drogas (maconha, LSD e alucinógenos em geral) pois ela dizia que a faziam pensar demais... e ela queria esquecer. Janis era adepta de estimulantes, como anfetaminas, heroína e álcool.
Ok, droga é uma droga. Concordo plenamente e Janis era muito mais do que isso. Sua personalidade, sua maneira de ser, seus conflitos, sua voz e a fome de viver, isso era Janis. Janis não queria pensar, queria acelerar o tempo, fugir sempre mesmo que fosse encarando de frente um futuro que nunca chegaria.

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Janis era assim, ia até o fim, vinda de uma conservadora família de classe média, disse certa vez: "Nos meus shows, a maioria das garotas estão procurando liberação, e elas pensam que eu vou lhes mostrar como se consegue isso. Mas na primeira fila sempre ficam as grã-fininhas, as comportadinhas, as putinhas reprimidas que ficam esperando todo mundo começar a gritar e dançar para poderem dançar e gritar também. Elas chegam num determinado ponto que eu sei que estão prontas, mas não têm coragem. Então precisam de um pé-na-bunda para se levantarem também. Aí é que eu entro: eu lhes dou esse chute na bunda! eu fui criada exatamente como elas. Sim. Logo, eu sei o que elas têm nessas cabecinhas estúpidas e vazias."

Pois é, um dia ela saiu de casa sem precisar de nenhum pé-na-bunda que não fosse sua própria necessidade de viver a vida até a última gota. Foram parcos 27 anos de vida e a eternidade marcada na voz rouca e sensual. No dia 4 de outubro de 1970 ela nos deixava. Foi cremada e as cinzas jogadas no mar da Califórnia. Para quem era livre, um caixão seria totalmente impróprio.
No seu testamento ela deixou uma grana para “a festa de sua morte”. Eram 200 convidados e no convite estava escrito Drinks are on Pearl, traduzido como bebida por conta de pérola, um de seus apelidos. Fazia alusão ao hábito de diluir "pérolas" nas bebidas.

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Ciao, Janis.




Frases:



"No palco eu faço amor com 25.000 pessoas, depois vou sozinha para casa."

"Estão me pagando US$50.000 por ano para que eu seja como eu sou."

"Sou uma tartaruga escondida em seu casco, bem protegida."

"Eu nunca vou conseguir ser um astro com Dylan ou Hendrix por que eu sempre falo a verdade."

"Se me importo com o que dizem de mim? O pior que podem falar de mim é que nunca estou satisfeita com nada."

"Costumo ter problemas nos bares por causa de minha aparência. Entao, ou você fica furiosa e vai embora, ou mostra o dinheiro e obriga os idiotas a engolirem você."

"Às vezes olho para minha própria cara e acho que ela está bem 'rodada'. Mas, considerando tudo pelo que já passei, não me acho tão mal assim."

"Tenho medo de acabar me tornando uma dessas velhas bêbadas e roucas que ficam vadiando pela rua da amargura assediando rapazinhos."

"Posso não durar tanto quanto outras cantoras mas sei que posso destruir-me agora se me preocupar demais com o amanhã."

"Acho que nunca mais encontrarei um grupo tão bom. Ainda gosto muito deles, como sempre gostei. Acho que nossa separação não foi culpa de ninguém, simplesmente aconteceu. A gente vivia numa atividade contínua desde que a gente explodiu, e eu te digo, isso é muito desgastante. Chegou uma hora que não havia mais sinceridade onde eu cantava." Janis em 1970, uma de suas últimas entrevistas.

"Acho que o público gosta de ver seus artistas prediletos sofrendo. Especialmente se forem cantores de blues! 'Oh... Billie Holliday é Junkie... ela morreu... oh...' Bem, eu digo que não vou dar esse gostinho à ninguém: estou aqui para me divertir e vou tentar curtir a vida ao máximo." Janis, num comentário sobre Billie Holliday.

"Eu quero ver como vai ser a música daqui a uns cinco anos. Eu comecei com música rudimentar, mas os jovens de hoje têm uma base musical incrível: eles possuem a liberdade completa que o rock conseguiu! eles cresceram ouvindo Jefferson Airplane, Milles Davis, Grateful Dead, enfim, todo mundo. Ah! Mal posso esperar para ver o que essa garotada vai estar tocando daqui a cinco anos!!! Só espero estar por lá nesta época. Quero cantar com eles, ou, pelo menos, ter grana para vê-los tocar." Janis, semanas antes de morrer.



Essa era Janis.



Simpatia é quase amor

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Engraçado como algumas expressões, frases surgem e a gente nem sabe de onde vieram ou até acha que foi inspiração de alguém criativo. Mas não, no caso de "simpatia é quase amor" trata-se de uma frase poética de Casimiro de Abreu, nascido em 4/01/1839.
Casimiro de Abreu, poeta romântico foge um pouco daquelas histórias de pobreza, embriaguez, infortúnio dos poetas romanticos. Na verdade Casimiro de Abreu era filho de um rico comerciante português, tendo inclusive estudado em Portugal. E foi lá que estudou literatura e ficou conhecido pelos poemas que cantavam o amor e a saudade.
Lembram-se de:

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Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
...
(trechinho de Meus oito anos de Casimiro de Abreu)

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Nosso poetinha, dos poemas simples, românticos despediu-se da vida muito cedo, aos 21 anos e embora não tenha deixado vasta obra é lembrado até hoje...merecidamente.
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Que é - simpatia

Simpatia - é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.

Simpatia - são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.

São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.

Simpatia - meu anjinho,
É o canto de passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d'agosto
É o que m'inspira teu rosto...
- Simpatia - é quase amor!

Casimiro de Abreu

POSSE

                                                                  Elliott Erwitt, Brasília 1961
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Não votei na Dilma, alias, não votei em ninguém, preferi anular o voto. Meu protesto não foi eleger um palhaço que levou na bagagem toda uma legenda, foi simplesmente não votar. Ainda assim assisti a posse ontem, pela primeira vez. Sintomático. Infelizmente nada me emocionou. No twitter, alguns se diziam chorando, mas eu não. Muitos anos de janela, talvez, o fato é que eu desejo sorte a ela. Torcer contra é torcer contra nós mesmos, mas sempre há quem torça e vibre quando acerta. Bobagem.
No mais vou chamá-la de Presidente, porque Presidenta é muito feio. Penso como a minha amiga poeta Leila Miccolis que sempre diz: "Poeta, porque em poetisa todo mundo pisa"
É mais ou menos assim.

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Voltando aos pouquinhos. Devagar e nem sei se para sempre. Nada é para sempre, né? Mas deu vontade de voltar a escrever. Infelizmente o tempo sobra e é aleatório a minha vontade, me foi imposto.
Ano Novo, de novo. Tenho medo dos anos ímpares. 1983 morreu meu pai. 2005 morreu minha mãe, 2009 meu irmão e sua família (esses últimos continuam vivos, mas mortos para mim. Não pergunte porque).
Enfim, anos ímpares nunca foram bons, ainda assim a astrologia prevê um bom ano para os nativos do meu signo, gêmeos. Ano regido por mercúrio. Que assim seja então.
Tenho aproveitado o tempo para estudar, me estudar. Nunca estive tão comigo mesma e nunca me surpreendi tanto com o que ando aprendendo, A verdade é que às vezes você precisa parar, mas não pára, daí a vida se encarrega de fazer com que você pare. Se não vai por bem, vai por mal mesmo. De repente pinta uma doença que te obriga a ficar quieta, ou um pé quebrado, desemprego etc. O fato é que você pára e aí começa o trabalho duro: ficar a sós com você mesma e aproveitar isso.
Bom, eu não quero uma volta melancólica, até porque estou muito bem, eu só quero voltar a esse cantinho, aos poucos, bem devagar...


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Bom Ano a TODOS!