Imagens...
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POÉTICAS
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Esses poemas visuais acima, estavam nos meus arquivos como: do blog exGramatematico.
Infelizmente sem endereço ou assinatura, de qualquer modo depois de tanto tempo continuo achando os poemas excelentes. Se alguém souber quem é o poeta, grite! :)

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Terminar sem falar de amor? Quem eu? Nunca. Se o fizesse não seria eu.
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Aos Apaixonados

Dedico esta crônica aos apaixonados, mesmo sabendo que servirá para nada. É inútil falar aos apaixonados. Os apaixonados só ouvem poemas e canções. A paixão, experiência insuperável de prazer e alegria, pelo fato mesmo de ser uma experiência insuperável de prazer e alegria, coloca o apaixonado fora dos limites da razão. Todo apaixonado é tolo. Pode ser que ele escute a fala da razão. Escuta mas não acredita. Diz ele: "O meu caso é diferente!" Tolo mesmo é quem tenta argumentar com os apaixonados.
Começo minha inútil meditação com um verso terrível de T.S. Eliot. Ele está rezando. Ele sabe que somente Deus tem poder para lidar com a loucura da paixão. Ele reza assim: "... e livra-me da dor da paixão não satisfeita, e da dor muito maior da paixão satisfeita".
Todo mundo sabe que paixão não satisfeita dói. Mas poucos sabem que a paixão só existe se não for satisfeita. A paixão é um desejo de posse que, para existir, não pode se realizar. Como a fome: depois do almoço a fome acaba.
Paixão é fome. Ela só floresce na ausência do objeto amado. Mais precisamente, ela vive da ausência do objeto amado. Não se trata de ausência física, o objeto amado distante, longe. A dor da ausência física tem o nome de saudade. Saudade tem cura. A saudade é curada quando o objeto volta. A dor da paixão é diferente. Não tem cura. A saudade do objeto amado, mesmo quando ele está presente, é o perfume característico da paixão. Cassiano Ricardo sabia disso e escreveu:
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Por que tenho saudade de você, no retrato, ainda que o mais recente? E por que um simples retrato,
mais que você, me comove, se você mesma está presente?
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Que coisa mais esquisita! Como pode ser isso? Como se pode sentir saudade de algo que está presente? A resposta é simples: a gente sente saudade de uma pessoa presente quando ela está se despedindo. Cecília Meireles, desenhando sua avó morta, a quem ela muito amava, disse: "Tu eras uma ausência que se demorava; uma despedida pronta a cumprir-se." Dirão: "É natural. A avó já era velhinha". É verdade. Mas o que caracteriza o olhar apaixonado é que ele percebe, no rosto da pessoa amada, essa ausência que se anuncia e essa despedida pronta a cumprir-se. O apaixonado pensa que sua paixão tem a ver com o objeto. Ele não sabe que foi o seu olhar que o tornou encantado. Os poetas são pessoas apaixonadas pela vida. E a sua paixão faz com que ela, a vida, apareça sempre banhada por uma luz crepuscular. Rilke perguntava, sem esperanças de resposta: "Quem foi que assim nos fascinou para que tivéssemos um ar de despedida em tudo o que fazemos?" É o olhar da pessoa apaixonada que cria a imagem do objeto da paixão. É sobre a Cecília Meireles que o Drummond escreve. Mas sua descrição, eu creio, se aplicaria a todos os objetos da paixão:
Não me parecia criatura inquestionavelmente real; por mais que aferisse os traços de sua presença entre nós, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos. Distância, exílio e viagem transpareciam no sorriso benevolente ... que confirmava a irrealidade do indivíduo.
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A dor da paixão não satisfeita é essa: o apaixonado deseja possuir o objeto do seu amor, mas ele escapa sempre. Por isso ele sofre. Movido pela dor, quer possuí-Io. Não sabe que, para que sua paixão continue a existir, é preciso que ele continue escapando sempre. A paixão só ama objetos livres como os pássaros em vôo.
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"... E da dor muito maior da paixão satisfeita".
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A dor da paixão não satisfeita é iluminada por uma alegria. O apaixonado vive na esperança de que um dia ele possuirá o objeto da sua paixão. Mas a "dor muito maior" da paixão satisfeita não tem mais esperanças. O objeto se desfez. Ela vive na tristeza do objeto perdido.
Escrevi uma estória sobre isso. A Menina era apaixonada pelo Pássaro Encantado. Mas ela sofria porque o Pássaro era livre. O Pássaro Encantado era sempre uma ausência que se demorava, uma despedida pronta a cumprir-se. O Pássaro lhe disse que era preciso que fosse assim, para que eles continuassem apaixonados. Ele sabia que a paixão ama pássaros em vôo. Mas a Menina não acreditou. Prendeu-o numa gaiola.
Gaiola? Há as feitas com ferro e cadeados. Mas as mais sutis são feitas com desejos.
Esquisito o que vou dizer: a alma é uma biblioteca.
Nela se encontram as estórias que amamos. Romeu e Julieta, Abelardo e Heloísa, O paciente inglês, As pontes de Madison, Amor nos tempos do cólera, A menina e o pássaro encantado. As estórias que amamos revelam a forma do nosso desejo. Delas, escolhemos uma. É a nossa gaiola. Gaiola na mão, saímos pela vida à procura do nosso Pássaro. Quando imaginamos havê-Io encontrado - que felicidade! Ficará feliz em nossa gaiola. Será o amante da nossa estória de amor: eu para você, você para mim. Nós o colocamos lá dentro e pedimos que nos cante canções de amor.
Acontece que o Pássaro também tinha a sua estória. E era outra. Todo Pássaro deseja voar. Ele bate suas asas contra as grades, suas penas perdem as cores e o seu canto se transforma em choro. E, de repente, ele se transforma. Não mais o reconhecemos. É um outro. Essa é a razão por que a dor da paixão satisfeita é muito maior.
Contada assim, a estória parece ter um vilão e uma vÍtima. A verdade é que os dois são vilões, os dois são vítimas. O desejo da gente é sempre engaiolar o outro e levá-Io pelos caminhos que são nossos. Isso vale para tudo: marido-mulher, pai-filha, mãe-filho, patrão-empregado, professor-aluno ... Não admira que Sartre tenha dito que "o inferno é o outro".

Não haverá uma saída. Lembro-me de um pequeno poema de Pearls que sugere a possibilidade de uma relação sem gaiolas:

Eu sou eu. Você é você.
Eu não estou neste mundo para atender às suas expectativas.
E você não está neste mundo para atender às minhas expectativas.
Eu faço a minha coisa.
Você faz a sua.
E quando nos encontramos.
É muito bom.

Rubem Alves - o mestre.
* Desculpem o sumiço. Estou sem computador, usando um laptopinho que ao abrir mais de duas páginas fecha tudo. Fora isso tem o brechó que me toma tempo, mas agora é mais do que necessário por conta de um mau carater que...bom deixa pra lá, meu advogado vai resolver isso. Pra mim estão todos mortos e enterrados.
Enfim, tudo se resolve e o grande diferencial é que posso não ter família, mas tenho amigos tão preciosos que eu não troco por nada nem por ninguém.
Xapralá, tá tudo bem e eu vou tentar voltar aqui no meu cantinho. Ando com saudades disso aqui e dos meus 7 leitores e meio! rsss Intê!

11 comentários:

    minha querida aqui quem vos escreve é um dos seus 7 leitores e meio....amo de paixao tudo que voce escreve. Acho que voce consegue colocar seus sentimentos bem como eu gostaria de coloca-los....assim mesmo.....nas palavras dos grandes escritores. A dor que sentimos do amor e a dor que muitos sentem, so muda o endereço.
    beijos e melhoras nestes seus problemas.
    joao

    On segunda-feira, 26 janeiro, 2009 Liliane disse...

    Olá!
    Estava sentindo falta de ler suas postagens...
    Abraço!
    Tudo de bom!

    Olá, Andrea

    Grandes poemas visuais! Gosto deles. Legal tua postagem do Rubens Alves, também.

    Olha, dá uma olhada em http://pousio.blogspot.com/


    Beijo da Sonia

    Contaste comigo? Risos...Ah, difícil é ficar longe deste teu lugar...e sempre que venho, o desejo de retornar já é saudade!
    Rubem Alves, sempre magnífico, falado do que sinto e nem sempre sei dizer!
    beijos

    Contaste comigo? Risos...Ah, difícil é ficar longe deste teu lugar...e sempre que venho, o desejo de retornar já é saudade!
    Rubem Alves, sempre magnífico, falado do que sinto e nem sempre sei dizer!
    beijos

    Querida, os poemas são mesmo uma graça, do tipo imediato, sem floreios, imagem+texto, definitivos. Falar de amor é preciso, você está certa.
    Beijo pra você.

    PS: O Umbigo mudou de endereço, e o servidor antigo nem deu a chance de avisar. Agora é:
    www.umbigodosonho.blogspot.com

    Outro beijo.

    Angel, lendo Rubem Alves fico envergonhada em dizer que o que eu escrevo são crônicas! rs Já que ele citou vários dos grandes, deixo pra você uma frase de Vinícius: A tristeza é um intervalo entre duas felicidades. Dias melhores virão, como nunca deixam de vir. Beijos da sua meia fiel leitora! =)

    Oi Andrea!

    É bom tê-la de volta.Você,com certeza,tem muito mais do que sete leitores e meio;gosto muito de vir aqui e,como um possível meio leitor e admirador seu por inteiro,vou ficar torcendo para que os seus problemas sejam todos resolvidos.
    Muito bom o seu post,para variar.A poesia visual,simples,mas eloquente;este excelente texto do Rubem Alves,de quem gosto muito,com
    um tema que sempre me empolga.
    Lembrei-me logo de Erasmo de Roterdam,em seu 'Elogio da Loucura',falando sobre a paixão,essa face da loucura, citando Platão ao dizer que "O furor dos amantes é,de todos,o mais feliz" e complementando com palavras suas que:"Com efeito,um amante apaixonado não vive mais em si mesmo,mas na pessoa que se apoderou de seu coração,e quanto mais sai de si mesmo para transfundir-se no objeto de seu amor,mais sente redobrar-se o seu prazer."(se não me falha a memória).

    Ótimos dias pra você.
    Um abraço carinhoso.

    muito bom esse blog! :)

    On quinta-feira, 29 janeiro, 2009 Carla Balestro disse...

    Angel!
    Lindo texto do Rubem Alves.
    Sempre que venho aqui...leio algo que precisava ler.
    As vezes textos sao bofetadas que a gente precisa levar...rs
    Bjo grande, flor!

    Boa sorte querida, que tudo se resolva bem.
    A gente sempre encontra gente má pela vida a fora, é uma pena.
    Teu post está lindoooooooo
    Adorei tudo,
    Bjs
    Laura