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"O amor que não ousa dizer o nome' nesse século é a grande afeição de um homem mais velho por um homem mais jovem como aquela que houve entre Davi e Jonatas, é aquele amor que Platão tornou a base de sua filosofia, é o amor que você pode achar nos sonetos de Michelangelo e Shakespeare. É aquela afeição profunda, espiritual que é tão pura quanto perfeita. Ele dita e preenche grandes obras de arte como as de Shakespeare e Michelangelo, e aquelas minhas duas cartas, tal como são. Esse amor é mal entendido nesse século, tão mal entendido que pode ser descrito como o `Amor que não ousa dizer o nome' e por causa disso estou onde estou agora. Ele é bonito, é bom, é a mais nobre forma de afeição. Não há nada que não seja natural nele. Ele é intelectual e repetidamente existe entre um homem mais velho e um homem mais novo, quando o mais velho tem o intelecto e o mais jovem tem toda a alegria, a esperança e o brilho da vida à sua frente. Que as coisas deveriam ser assim o mundo não entende. O mundo zomba desse amor e às vezes expõe alguém ao ridículo por causa dele."
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Oscar Wilde
Essas foras as palavras do literato em seu primeiro julgamento, em 26 de abril de 1895.
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Oscar Wilde desde cedo, sobressaía-se entre os demais estudantes. Temperamento forte, inteligência privilegiada e comportamento anticonvencional, faziam dele uma presença de brilho singular.
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Teve uma vida de muito sucesso, sendo o período literário mais produtivo entre os anos 1887 a 1895. Nesse período lança o livro que o colocaria entre os escritores mais famosos de sua época, "O retrato de Dorian Gray" .
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É durante esse apogeu que os problemas começam a surgir. Problemas que o levariam a prisão e a miséria total. Seu crime? Rumores de homossexualismo, um suposto envolvimento com Lord Douglas. Provavelmente uma verdade, mas nada que justificasse a destruição de uma vida. Seus livros são recolhidos das livrarias, assim como suas comédias tiradas de cartaz. O que lhe resta, acaba sendo leiloado para suas despesas do processo judicial.
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Ainda assim, a poesia estava em suas veias e escreve mais duas obras: "A Balada do Cárcere de Reading", baseado na execução do ex-sargento Charles T. Woolridge dentro da Prisão de Reading e "De Profundis", uma longa carta ao Lord Douglas.
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Mesmo em liberdade, torna-se recluso em hotéis decadentes, conhece a pobreza e o pior que dela pode vir. Vai destruindo-se aos poucos com a bebida que antes lhe rendeu frases memoráveis, o absinto.
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Oscar Wilde
, espirituoso e brilhante escritor, morreu de meningite e uma infecção no ouvido chamada "cholesteotoma" (doença muito comum antes do advento dos antibióticos) em um quarto barato de um hotel de Paris, ás 9 hrs 50 mins do dia 30 de novembro de 1900. Morreu sozinho, mas, não desmoralizado, pois havia deixado insubstituível obra que, mesmo depois de 1 século, ainda é admirada e relembrada, tamanho á sua genialidade.

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Semelhante atrai semelhante ou
O que é isso esparramado no sofá??

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"Os Case:"
I
Inda outro dia eu dizia a uma amiga: ...pois é, quando cheguei, aproveitei que estava sem sono e fui colocar a roupa pra lavar.
Ela: às 3 da manhã?? Mas isso não é hora de lavar roupa!!!
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Case II:
Tempos atrás reencontrei meu primeiro namorado, já com seu segundo filho. Eu estava noiva na época e ele perguntou: vai casar quando?
Eu: não sei se vou casar.
Ele: Andréa pára com essa coisa revolucionária (até hoje não entendi porque usou exatamente essa palavra...) casa duma vez, tenha filhos, siga o trajeto normal da vida. Case, reproduza e morra.
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Daí pensei: mas é só isso??

Mais um case antes de começar o texto propriamente dito.
Um amigo ariano, carinhosamente grosésssiimmooo, ateu de carterinha, escreveu o seguinte email:
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Sabe, sexta-feira eu tive um pre-sentimento estranho...nao sou de ter esses estalos nao, mas quando rola de saltar isso em mente, pelo menos na minha, eu costumo dar alguma credibilidade...

Talvez por eu ser cetico, as coisas q me vem em mente, chame de intuicao, raciocinio precognitivo, inspiracao divina, transe, sempre dao certo...

E na sexta, me veio esse sentimento muito forte de arrebatamento, de amor, e pensei em vc...senti voce...senti q algo muito, mas muito bom e forte, vai acontecer pra vc....

Espero que seja isso....acho q cairia melhor q um novo emprego..rssss...

Sempre torco por vc. Nunca esqueca isso.
Bjm.

Mudando de assunto, e a porra do concurso?
Esse lado pisciano as vezes da dor de cabeca, vamos falar de CONCURSOS..rssss ;)


E eu respondi:

Era tudo que eu queria na vida, alias sempre foi, pq só entendo a vida quando estou amando. Infelizmente só aconteceu uma vez e foi há muito tempo. Não sei se terei essa sorte de novo, mas queria sim, um cara com o qual eu tivesse o melhor dos dois, uma química de pele maravilhosa e um entendimento intelectual completo. Seria perfeito!
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Contei da lavagem de roupa às 3 da manhã. E continuei:
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Daí eu pensei: e tem hora pra isso? E pensei mais, no quanto as pessoas se enquadram quando estão juntas e quando abrem os olhos, só trepam aos sábados depois da novela porque é o horário certo pra isso.
Não queria nada assim pra mim, entende? Queria alguém que pensasse como eu, que enxergasse a vida sem os enquadramentos do: agora case, juntei, to namorando sério e virei um homem responsável. Crreeddoo! Eu gosto de fazer as coisas no meu ritmo, sem nada pré-estabelecido, e gostaria que a recíproca fosse verdadeira, mas não é assim na maioria das vezes.
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Nunca é assim na verdade e eu não entendo como as pessoas ainda se deixam cair nesses enquadramentos tão naturalmente.
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Ok, é normal ter alguma rotina, mas será que não dá mesmo para passar dos trinta e tantos e ainda gostar de ouvir rock nas alturas, de andar de moto, de trepar na garagem, na praia ou onde der vontade com o mínimo de privacidade não calculada??
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Vejo amigos, colegas de trabalho que antes eram de um jeito e depois viraram maridos gordos, preguiçosos, muitas vezes mais severos com seus filhos do que seus próprios pais foram. Casais que não dão gostosos beijos de língua em público, muitas vezes sequer andam de mãos dadas, que jantam religiosamente as 20:00 horas e nem pensam em pedir uma pizza sabor gordura se não for sábado à noite. Que não sentam pertinho, embolam as pernas, mãos e braços no cinema ou no barzinho...não, não é dar espetáculo em público, são gestos naturais de carinho. Tão naturais que acontecem sem se perceber. O corpo pede, quer, aproxima.
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Depois não sabem porque essa insatisfação, essa sensação de angustia, de prisão, de estar fazendo o que não quer porque o outro espera que seja assim, afinal você é um homem de respeito ou uma mãe dedicada. O que alias, é outro papel já desenhado e pronto, basta vestir. Mães dedicadas, essas mesmas que cerceiam as vontades dos filhos, as mesmas vontades que antes elas tinham e se revoltavam contra quem as reprimia.
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Não me vejo como revolucionária e talvez esteja nadando contra maré e um dia acabe casando/juntando nos moldes de sempre, mas não acredito em papéis pré-determinados. Como escrevi no texto aí ao lado, o mesmo do meu profile: “Gosto de me sentir “pertencida”, mas não dominada ou forçada a isso. Gosto de ser livre, mas ter alguém nos pensamentos e sempre para onde voltar”.
E querer voltar sempre, só acontece quando se sabe que ao abrir a porta de casa, lá estará seu semelhante, aquele que sente igual a você e quer voltar sempre também, simplesmente porque sabe que pode ir.
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Relatos pacíficos de uma experiência extraordinária.
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Aldous Huxley
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"A constância é contrária à natureza, contrária à vida. As únicas pessoas completamente constantes são os mortos".
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Aldous Huxley foi menino solitário um homem precocemente amadurecido, por dores que uma criança não deveria sofrer. Passou oito meses cego, acometido por uma doença na retina.
Em 1914, quando o trauma causado pela doença já está superado, Aldous recebe novo e profundo abalo: seu irmão Trev suicida-se.
Com certeza esses acontecimentos influenciariam sua obra cuja a amargura e o pessimismo irônico eram quase paupáveis.
Aos 25 anos, casado, tem em Maria um misto de secretária e esposa.
Maria datilografa os manuscritos e o incentiva constantemente a prosseguir. Foi ela e sua constante crença no valor literário dos manuscritos que datilogravafa para Huxley, que o faz vencer sua insegurança e extremo perfeccionismo a ponto de fazê-lo continuar escrevendo e publicando seus trabalhos.
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Em "Admirável Mundo Novo", de 1932, Huxley descreve em minúcias uma sociedade que resolveu o problema do excesso de população esmagando racionalmente qualquer individualidade. O livro é muito bem aceito e atualíssimo porque ainda fala sobre a nossa sociedade, consumista voraz de marcas, etiquetas e bens. Profético, Huxley relata como a sociedade deixara de lado o amor, a família, valores subjetivos por objetos e compulsões consumistas.
Huxley em sua produção literária tem uma lucidez vertiginosa. Consegue enxergar um mundo que ainda  está em formação, como tal o vemos hoje, num processo de auto-destruição.
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There isn´t any formula or method.
You learn to love by loving.
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Em sua vida particular, Huxley sofreria novo baque. Sua esposa e eterna incentivadora, falece e Huxley se vê completamente só. No entanto, a vida se incumbe de trazer a amiga Laura Archera de volta a sua vida. De amiga e secretária eventual, Laura se torna a mulher que acompanhará Huxley até o fim dos seus dias.
Huxley continua sendo um homem de intensa atividade intelectual: além de sua enorme produção literária, encontra tempo para ler de tudo, desde os grandes autores da época até a Enciclopédia Britânica, que sabia quase de cor, passando pelas revistas mais extravagantes.
Numa delas, lida em 1952, um artigo chamou particularmente sua atenção. Era o trabalho de um certo Dr.Osmond acerca de alguns cactos e cogumelos que produzem visões semelhantes às do êxtase religioso. Não se restringindo à teoria, Aldous entra em contato com o médico e faz experiências - com a atitude objetiva de um cientista - com mescalina e ácido lisérgico (LSD). No ano seguinte, As Portas da Percepção relatam suas impressões a respeitos dos alucinógenos.
Graças ao vocalista do The Doors, Jim Morrison, o livro se torna um acontecimento.
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"Se as portas da percepção forem abertas, as coisas irão surgir como realmente são: infinitas."
Jim Morrison, The Doors
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Em 1958, acompanhado de Laura, vem ao Brasil para entrevista e conferências.
Nesse mesmo ano, um câncer na garganta começa a se manifestar.
Ele ainda escreve o excelente "Admirável mundo novo" e publica em 1961.
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No ano seguinte publicaria seu último romance: "A ilha", 
onde volta a falar da experiência com drogas, numa mensagem de amor e de confiança na humanidade. O livro trata da tentativa da fusão cultural do Ocidente e do Oriente na busca de uma convivência pacífica entre os homens.
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A doença avança progressivamente e Huxley fica praticamente mudo já não podendo mais ditar seus manuscritos a Laura.
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Em 22 de novembro de 1963, Huxley falece. Mas, nesse dia, o mundo, abalado com o assassinato de John F. Kennedy, não fica sabendo dessa outra perda. Apesar do renome que alcançara, e de contar entre seus amigos com grandes nomes das letras e da política, o escritor não tem um enterro muito concorrido: Laura e Mathew (filho único do escritor e de Maria) enterram-no como ele vivera - com simplicidade e discrição. Depois da cerimônia, comunicam ao mundo que Aldous Leonard Huxley já não existia.
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"Vivemos, agimos e reagimos uns com os outros; mas sempre, e sob quaisquer circunstâncias, existimos a sós. Os mártires penetram na arena de mãos dadas; mas são crucificados sozinhos. Abraçados , os amantes buscam desesperadamente fundir seus êxtases isolados em uma única autotranscendência; debalde. Por sua própria natureza, cada espírito, em sua prisão corpórea, está condenado a sofrer e gozar em solidão. Sensações, sentimentos, concepções, fantasias--tudo isso são coisas privadas e , a não ser por meio de símbolos, e indiretamente, não podem ser transmitidas. Podemos acumular informações sobre experiências, mas nunca as próprias experiências. Da família à nação, cada grupo humano é uma sociedade de universos insulares.
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[...] Contemplarmo-nos do mesmo modo pelo qual os outros nos vêem é uma dádiva das mais confortadoras. E não menos importante é o dom de vermos os outros tal como eles mesmos se encaram. Mas e se esses outros pertencerem a uma espécie diferente e habitarem um universo inteiramente estranho? Assim, como poderá o indivíduo, mentalmente são, sentir o que realmente sente o insano? Ou, na iminência de ser reencarnado na pessoa de um sonhador, um médium ou um gênio musical, como poderíamos algum dia visitar os mundos que para Blake, Swedenborg ou Johann Sebastian Bach eram seus lares?"
As portas da percepção - Aldous Huxley.
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Leia mais e mais.
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Será Mago?
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Saramago
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José de Sousa Saramago (Azinhaga, 16 de Novembro de 1922) é um escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo e poeta português, galardoado em 1998 com o Nobel da Literatura. Também ganhou o Prêmio Camões, o mais importante prêmio literário da língua portuguesa. Saramago é considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.
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Saramago nasceu numa aldeia do Ribatejo, chamada Azinhaga. De uma família de pais e avós pobres. A vida simples, transcorrida em grande parte em Lisboa, para onde a família se muda em 1924 – era um menino de apenas 2 anos de idade – impede-o de ingressar em uma universidade, apesar do gosto que demonstra desde cedo pelos estudos. Para garantir o seu sustento, formou-se em uma escola técnica. Seu primeiro emprego foi como mecânico de carros. Entretanto, fascinado pelos livros, à noite visitava com grande freqüência a Biblioteca Municipal Central - Palácio Galveias na capital portuguesa.
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"Dificílimo acto é o de escrever, responsabilidade das maiores.(...)
Basta pensar no extenuante trabalho que será dispor por ordem temporal os acontecimentos, primeiro este, depois aquele, ou, se tal mais convém às necessidades do efeito, o sucesso de hoje posto antes do episódio de ontem, e outras não menos arriscadas acrobacias(...)"
Saramago, A jangada de pedra, 1986.
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"Não escrevo mais que duas páginas por dia.
Ao fim da segunda, paro, mesmo que pudesse continuar.
Parece pouco, mas duas páginas por dia,
todos os dias, ao fim do ano são quase oitocentas."
Saramago
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O cidadão português José de Sousa Saramago é um daqueles casos nada comuns de alguém que, já na idade madura, deu uma guinada radical na vida. Vinte anos atrás, estava ele, cinqüentão, solidamente estabelecido em Lisboa e num segundo casamento; vivia de traduções e tinha atrás de si uma breve experiência como jornalista. Nas horas vagas, administrava uma discreta carreira literária, iniciada na juventude com o romance Terra do Pecado, interrompida em seguida por quase duas décadas e desdobrada, a partir de 1966, numa dezena de livros que não chegaram a fazer barulho, a maioria deles coletâneas de poemas e de escritos jornalísticos. Nada permitia supor que José Saramago viria a se tornar quem hoje é: às vésperas de completar (no mês que vem) 76 anos de idade, um romancista lido e admirado em todo o mundo, traduzido para 21 idiomas e insistentemente apontado, desde 1994, como um dos favoritos para ganhar Prêmio Nobel de Literatura, tradicionalmente anunciado no mês de outubro e que seria o primeiro concedido a um autor de língua portuguesa.
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Pois foi aí, já quase sexagenário, que a vida de José Saramago - menino pobre que não teve um livro antes dos 19 anos e que na juventude trabalhou como mecânico de automóveis (embora não saiba dirigir) - se pôs a trepidar, num benfazejo terremoto que em pouco mais de uma década haveria de redesenhar a sua paisagem existencial.
Aos 57 anos, para começar, ele finalmente decolou como escritor ao publicar o romance Levantado do Chão. Aos 64, encontrou o que acredita ser o seu definitivo amor em alguém 28 anos mais jovem, a jornalista sevilhana María del Pilar del Río Sánchez. Aos 70, transplantou-se das margens do Tejo para uma ressequida ilha vulcânica espanhola onde não corre um ribeirão sequer e toda a água tem que ser tirada do mar, Lanzarote, a mais oriental das sete Canárias, com 50 000 habitantes e 805 quilômetros quadrados.
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"Somos todos iguais perante o mal e o bem, por favor, não me perguntem o que é o bem e o que é o mal, sabíamo-lo de cada vez que tivemos de agir no tempo em que a cegueira era uma excepção, o certo e o errado são apenas modos diferentes de entender a nossa relação com os outros, não a que temos com nós próprios, nessa não há que fiar, perdoem-me a prelecção moralística, é que vocês não sabem, não o podem saber, o que é ter olhos num mundo de cegos, não sou rainha, não, sou simplesmente a que nasceu para ver o horror, vocês sentem-no, eu sinto-o e vejo-o."
- José Saramago in “Ensaio sobre a Cegueira”
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"Que poder é esse teu, Vejo o que está por dentro dos corpos, e às vezes o que está no interior da terra, vejo o que está por baixo da pele, e às vezes mesmo o que está por baixo das roupas, mas só vejo quando estou em jejum, perco o dom quando muda o quarto da lua, mas volta logo a seguir, quem me dera que o não tivesse, Por quê, Porque o que a pele esconde nunca é bom de ver-se, Mesmo a alma, já viste a alma, Nunca a vi, Será porque não se possa ver, Será." "Não houve resposta, nem podia havê-la, um grito não é nada." José Saramago, in Memorial do Convento
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"Agora não há outra música senão a das palavras, e essas, sobretudo as que estão nos livros, são discretas, ainda que a curiosidade trouxesse a escutar à porta alguém do prédio, não ouviria mais do que um murmúrio solitário, este longo fio de som que poderá infinitamente prolongar-se, porque os livros do mundo, todos juntos, são como dizem que é o universo, infinitos".
- José Saramago in “Ensaio sobre a Cegueira”
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Feliz Aniversário, poeta, escritor, jornalista...
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Leia mais: aqui e aqui.
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O lado podre da Web.
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Apesar da imagem engraçada, acho sinceramente que algumas pessoas deveriam morrer de inanição afetiva. É incrível como a troco de nada ou talvez dos seus 15 segundos de fama, algumas pessoas como esse tal de Daniel Penteado da história abaixo são capazes de brincar com os sentimentos dos outros.
Bom, assim como conheço casos lindos que começaram atravês de blogs, grupos, listas etc, tem também o outro lado da moeda.
É mais ou menos assim... Leiam.
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Garanhão Virtual
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Tudo começou no Orkut, no MSN e no NetLog. Logo os sites de relacionamento não bastaram. Animado pelas 267 amizades virtuais, todas com mulheres, Daniel Penteado, 28, resolveu pegar a estrada para testar seu poder de sedução ao vivo. O resultado é uma viagem de 23 dias, por 14 cidades. Com uma conquista programada em cada "porto", o Don Juan da internet teve sucesso em oito.

O analista de mercado criou um roteiro, intitulado de "Projeto Marisa": de mulher para mulher". Com o slogan de uma rede de lojas femininas, a empreitada ganhou a aprovação de candidatos a co-piloto. "Tinha um monte de amigos que queriam ir comigo, mas não ia dar certo. Queria uma coisa legal. Cafajeste, mas saudável."

Antes de pegar a estrada, o paulistano trocou seu antigo carro por um modelo mais "quente". "Dá um pouco mais de segurança, e a mulherada adora." Comprou também um iPhone. "Enquanto estava numa cidade, já falava com outras no Orkut."

Daniel estabeleceu três mandamentos para a jornada. O primeiro era o de que não mentiria. Todas sabiam do objetivo da viagem. "Falava que era despedida de solteiro." Mas, ele não pretende se casar tão cedo. "Quando encontrar uma mulher, quero estar tranqüilo", diz, sem desperdiçar a chance de uma cantada. "Quando encontrar uma jornalista, assim, da Folha, sabe?"

A segunda regra era a de não abortar o encontro caso a moça fosse feia. "Não podia fazer desfeita." O último mandamento da cartilha: não seria insistente. "Se alguma desistisse, nada daquela história de "Eu viajei 3.000 quilômetros só para te ver"."

Após marcar os encontros via internet, Daniel tinha 14 conquistas pela frente. Para quem acha que é fácil, ele avisa: "Não adiciono qualquer uma". Para não se cansar, fez a rota para ter uma "amiga" a cada 300 km.

No dia 11 de julho, ele deixou São Paulo em direção a Ubatuba, onde deu início à aventura. Encontrou com a primeira das garotas do projeto, uma "amiga" do NetLog. Passou a noite com a paulista de Taubaté. No dia seguinte, seguiu para Itaguaí, a 73 km do Rio de Janeiro.

A chegada ao Estado não foi das melhores. Três meses após agendarem o encontro, a segunda "vítima" estava namorando. Longe de perder o ânimo com o "bolo", seguiu para a capital fluminense, onde tinha, supostamente, três pretendentes à espera.

Não foi bem assim: a primeira era casada, e a segunda não respondeu às suas ligações. Ao descobrir como é dura a vida de sedutor virtual, ele deu um cano na terceira. Deixou o Rio com uma certeza: "Não gostei de ir sozinho para uma cidade grande".

Daniel recebeu sua recompensa 72 km adiante. Em Petrópolis, aguardava por ele uma das mais esperadas do "Projeto Marisa". Em sua primeira noite na cidade, levou a loira, uma professora de dança do ventre, a um barzinho, e sua sorte mudou. "Aí, começou a dar uma animada na viagem." A experiência foi tão boa que durou dois dias.

Daniel, então, seguiu para Minas Gerais. Nem se importou quando percorreu 438 km até Paraguaçu para ficar no zero a zero. A garota do Orkut ficou doente. Depois de 615 km rodados, o analista tinha marcado apenas dois gols e quatro bolas fora.

Com o placar negativo, seguiu até Ouro Preto para fazer turismo. Nas ladeiras da cidade histórica, encontrou um grupo de estudantes. Interessou-se por uma, mas ao perceber que tinha outro na parada, deixou para lá. A justificativa é fofa: não ser a causa de um rompimento. "Já magoei muito as mulheres", confessa.

No dia seguinte, Daniel tentava encontrar a saída para Brasília, quando mais uma vez o destino deu uma mãozinha. Três belas jovens apareceram para ajudar. Ele retribuiu o socorro indo à república das meninas fazer caipirinhas. "Estava mirando nas três, mas acabei ficando com uma." Na hora de partir, uma segunda menina do trio sugeriu que ele voltasse, de preferência quando a amiga não estivesse.

Animado, ele deu carona para as garotas até Belo Horizonte, mas tinha de vencer 740 km até Brasília. Após confirmar o encontro com a paquera brasiliense, na hora H ela mudou de idéia. Tinha uma segunda amiga virtual na cidade, mas para não se decepcionar novamente, resolveu partir para o método convencional. Em um show do Jorge Ben, Daniel curtiu a noite ao lado de uma conquista local.

Dirigiu 210 km rumo a Goiânia, mas caiu no conto do vigário. "O perfil era fake", explica, sobre as páginas falsas do Orkut. Segundo o xavequeiro, é comum garotas com baixa auto-estima criarem perfis como mulheres lindas.

Antes que se sentisse sozinho, recebeu um recadinho de uma garota de Rio Verde, interior de Goiás. A morena de cabelos longos e lisos havia terminado um namoro e estava dando férias ao coração. "Está na hora do meu trabalhar", respondeu o conquistador da internet, que dirigiu 235 km para encontrá-la.

A visita foi um sucesso. "Ela fingiu que estava doente para não ir trabalhar." Foi tão bom que ficou quatro dias por lá.

Na cidade goiana, Daniel flertou com o perigo. Foi fisgado pela atendente da lan house. "Tão linda e simpática", suspira. A paixão à primeira vista o levou a quebrar seu primeiro mandamento e acabou mentindo. "Meio que infringi as regras. " Sem que a razão de sua ida a Rio Verde soubesse, Daniel se despediu, mas continuou por lá mais uma noite, na companhia da nova "amiga".

Enquanto tentava atender à demanda goiana, Daniel ia marcando encontros em São Paulo. Ele tem uma explicação para ser tão solicitado: "Não consigo parar de fazer elogios às mulheres". Pelo jeito, elas acreditam.

Cansado depois do sucesso em Goiás, Daniel rodou 770 km até Assis (SP). Enquanto conversava com seu futuro encontro pelo MSN, descobriu que a garota era menor de 18 anos. Diz que parou apenas para dormir, sozinho.

No Paraná, Daniel fez uma parada em Miraselva para encontrar uma velha amiga. Fez também um programa espiritual: "Fazia tempo que não ia à missa, senão fico muito carnal", diz. "É gostoso e você vai se perdendo."

Com a alma purificada, Daniel percorreu 530 km até Foz do Iguaçu, a última parada. Ficou sem gasolina e perdeu o encontro - o último agendado pelo MSN). Resolveu ir até o Paraguai comprar um GPS. Numa loja de eletrônicos da Ciudad del Leste, o paulistano encontrou novo alvo.

Assim que avistou a "linda paraguaia" pediu o endereço do MSN. "No mesmo dia, nos falamos e marcamos de sair."

Daniel atravessou novamente a fronteira à noite e foi encontrar a loira de olhos claros, outrora Miss Simpatia do distrito de Villarrica. Entre Brasil e Paraguai, os pombinhos passaram cinco dias juntos. Na mais memorável das noites, foram a um karaokê, onde cantaram o refrão: "Pro Paraguai ela não quis viajar", da música "Pelados em Santos", dos Mamonas Assassinas.

Foi aí que a "cunhada" não resistiu e passou a paquerar o brasileiro. "A irmã dela começou a me ensinar guarani e a dar em cima. Mas eu não podia ser tão cafajeste assim." Podia?
Mania de Explicação - Adriana Falcão
Era uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa.

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Explicação é uma frase que se acha mais importante do que a palavra.
As pessoas até se irritavam, irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio de seu peito, com aquela menina explicando o tempo todo o que a população inteira já sabia. Quando ela se dava conta, todo mundo tinha ido embora. Então ela ficava lá, explicando, sozinha.
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Solidão é uma ilha com saudade de barco.
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Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue.
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Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.
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Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.
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Agonia é quando o maestro de você se perde completamente.
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Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento.
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Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.
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Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.
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Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
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Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
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Renúncia é um não que não queria ser ele.
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Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.
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Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
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Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.
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Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja.
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Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente.
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Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
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Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
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Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
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Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.
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Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é fevereiro.
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Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
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Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.
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Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.
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Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.
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Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.
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Perdão é quando o Natal acontece em maio, por exemplo.
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Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.
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Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.
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Desatino é um desataque de prudência.
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Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.
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Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.
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Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
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Emoção é um tango que ainda não foi feito.
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Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.
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Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
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Desejo é uma boca com sede.
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Paixão é quando apesar da placa "perigo" o desejo vai e entra.
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Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina.
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*Meio doente, meio down, sem muita inspiração. Ainda bem que a poesia da Adriana Falcão me salvou, alias a poesia salva sempre.
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O amor nos tempos do blog
E-mail, SMS, mensagens instantâneas e outras ferramentas criam um novo código afetivo

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PAIXÃO ONLINE Liliane e Eduardo passam o dia conectados. Fotos e declarações de amor estão nos blogs do casal.
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Uma revolução silenciosa se deu na esteira das mudanças que a era eletrônica imprimiu no mundo moderno. Ela transformou os códigos e as ferramentas das relações amorosas. Palavras e gestos de carinho foram substituídos por tecladas ansiosas e distantes, ávidas por uma resposta imediata. Amores começam e terminam pelo computador, traições são descobertas por serviços de mensagem instantânea, encontros são marcados pelo SMS do celular. Há prós e contras nessa nova história, dizem os especialistas. Mas, eles também garantem, ela é irreversível.
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A relações-públicas Renata Vaz, 26 anos, e o agente de comércio exterior Flávio Azevedo se "conheceram" em partidas de Counter Strike (jogo online de disputa entre terroristas armados). Num encontro de equipes "ao vivo", os dois trocaram e-mails. "Quando ele me via no jogo, me paquerava", conta Renata. Muito bate-papo online e partidas depois, a história acabou em casamento. Com 36,6 milhões de brasileiros conectados à internet, conforme a última pesquisa do Ibope/NetRatings, de agosto, casos como o de Renata e Flávio são cada vez mais comuns.
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"Geralmente, quem desenvolve relacionamentos online valoriza muito mais o conteúdo do que a forma", afirma Luciana Ruffo, do Núcleo em Pesquisa em Psicologia e Informática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). A produtora cultural Liliane Ferrari, 33 anos, casada com o designer Eduardo Souzacampus, 33 anos, é um exemplo. Ela faz questão de manter na web demonstrações de amor públicas, seja no Flickr (site que permite a criação de álbuns virtuais de fotos e vídeos), seja nos blogs de ambos. Além, claro, de trocar mensagens apaixonadas pelo Messenger. "É o dia todo", confessa.
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Mesmo com diversas ferramentas que ajudam a conhecer pessoas, como o Orkut, o Facebook (redes de relacionamento) e o Twitter (que permite publicar e ler textos de até 140 caracteres), os casais ainda se formam principalmente por referências do círculo de amigos e família, de acordo com o doutor em psicologia pela Universidade de São Paulo Ailton Amélio da Silva. Foi assim que a atriz Sthefany Brito se aproximou do noivo, o atacante do Milan Alexandre Pato. Eles foram apresentados pelo irmão de Sthefany, o também ator Kayky Brito, trocaram durante meses mensagens online, ela no Rio, ele em Milão, antes de se conhecerem, já completamente apaixonados.
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TIROS E BEIJOS Renata e Flávio podem ter atirado um no outro em jogos virtuais antes de se apaixonarem.
NAMORO DELETADO Roberto já deu fim a mais de um affair por e-mail: nada de olho no olho.
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Em relações que não terminam de forma amigável, a tecnologia pode tornar o fim mais doloroso. Depois de seis anos de namoro, a advogada Juliana Freitas (nome fictício), 31 anos, recebeu um SMS terminando a relação. Como o ex-namorado se recusava a encontrá-la, as pendências se resolveram por telefone e e-mail. "Depois soube por meio da internet que ele participava há três anos de um fórum em que tinha publicado mais de 200 fichas de 'avaliação' de prostitutas", diz Juliana. "Foi um choque após o outro." "As pessoas esquecem que a internet não é o lugar mais seguro do mundo para mostrar o que faz. A rede é um reflexo de quem nós somos e do que temos de bom e de ruim", diz Luciana Ruffo. Mas há casos mais leves, como o do analista de TI Edson Roberto Forão, 25 anos, que já terminou mais de uma vez por e-mail. "Não tenho mais coragem para o olho no olho", afirma. "Acabar por e-mail é uma superficialização dos relacionamentos, mas evito condenar porque pode haver um novo código se estabelecendo", afirma Amélio da Silva. Que ele venha, então, com um manual de boas maneiras.
Link: Isto é.
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Bom eu sou suspeita pra falar. Já vivi relações, poucas é verdade, que deram muito certo e outras que foram verdadeiros tiros na água, mas continuo achando muito válido.
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Preferir mais o conteúdo do que a forma, eu sempre preferi dentro e fora da Net. Isso pra mim não mudou. Acho que a grande questão é quando nos apaixonamos e a pele não combina. Nem falo em não achar atraente. Se apaixonar virtualmente é tão intenso quando no real, a essência é o que vale. Se a "forma" não corresponde exatamente ao que se pensava, quando estamos apaixonados de verdade, não enxergamos isso. Assim como na vida real. O problema é quando a pele não combina, aí não tem solução.
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Vivi as duas situações. Por LF foi paixão absoluta, mas não bateu pele, infelizmente. Uma grande frustração. Por AA ao contrário, absolutamente nada combinava, mas a pele, meu Deus...
Enfim, acontece, agora encontrar numa mesma pessoa pele e essência é para poucos...exatamente como na vida real. ;)
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Bate nele, Rubimm!!!
kkkkk
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Finalmente depois de anos e anos descobri porque o nosso querido Rubimm continua na F1!
Grana? Não, ele já tem mais do que o suficiente! O prazer de ser uma piada pronta??? Não, ele seria fizesse o que fizesse! Tentar um papel no Zorra Total?? Talvez...rss
Hoje finalmente a existência de Rubimm na F1 terá sentido para nós! Cabe a ele tirar o Hamilton da pista! A campanha "Bate nele Rubinho" tomou conta do mundo porque fará do nosso Rubim um herói! É hoje! ;)) 
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