meio ambiente


DeviantART -Crying World by herreraisyodaddy

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"A natureza para ser comandada precisa ser obedecida"

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Foi com essa frase que a jornalista Marília Gabriela apresentou o entrevistado da semana, o ecoeconomista Hugo Penteado. Ele esta lançando o livro "Ecoeconomia - uma nova abordagem".
Por princípio, eu acho esse tipo de assunto chato, ou melhor a abordagem é chata e cansativa geralmente, mas zapeando a TV e parando nessa entrevista, não consegui mais sair dali e confesso que o sorridente e otimista Hugo Penteado conseguiu prender minha atenção.
Ele foi claro, conciso, mostrou a gravidade do problema e foi além, ou seja focando aspectos que eu confesso nunca ter lido ou visto por aí.
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Quando ele diz que essa missão é de todos porque a Terra não esta nem aí pra ninguém, que nós é que precisamos dela e não ao contrário, com o detalhe: é a Terra que manda, não é o planeta que esta ameaçado, não é a natureza que esta ameaçada, quem esta ameçado somos nós. Ele muda o foco do problema o que durante toda a entrevista foi o grande diferencial.
Ecochatos em geral e suas gritas alarmistas são sempre no sentido de vamos salvar o Planeta. O Planeta precisa de você, etc, etc, etc. Precisa nada!! Nós é que precisamos dele é estamos vacilando feio nisso sendo que uma das questões fundamentais é o controle da natalidade, por um motivo muito simples, a Terra tem e terá sempre o mesmo tamanho, um tamanho finito e aumentar a população continuamente é ir de encontro ao caos.
Nesse momento a Marília faz uma boa intervenção ao dizer que falar em controle da natalidade é bater de frente com a ignorância, com a Igreja e com a fé. Sempre foi assim, mas o ecoeconomista, já responde usando exemplos e principalmente usando uma palavra chave. Durante toda a entrevista ele falou em vinculação. Achei bárbaro porque é isso mesmo. Estamos todos vinculados e se nesse momento o seu coração esta batendo e o meu também é porque tem um ser vivo na Terra que armazena luz do sol que são as plantas, assim como o oxigênio etc.
O materialismo é outra questão, porque a degradação ambiental não vem somente das ações individuais e coletivas, ou da falta delas, mas das estruturas que o homem cria ao seu redor. Carro, casa, celular etc.
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"Os economistas agem como se a natureza não fosse uma variável relevante. Todos os textos que abordam o tema desmistificam a preocupação com a questão ambiental, com a restrição ao crescimento de um planeta finito e pior, chegam a ponto de abraçar trabalhos “estatísticos” (sobre os quais a dúvida deveria ser maior que a certeza) que declaram ser o aquecimento global um não evento para as economias. Essa certeza dos economistas é assustadora."
Hugo Penteado
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Com relação ao clima, o que interessa não são as consequências, na verdade o que interessa são as causas. Não interessa que a temperatura vá subir 1 ou 2 ou 3 graus celsius porque a única coisa possível de ser alterada agora, nesse momento, são as causas.
E vai daí que se entra na questão do PIB, do crescimento econômico e no assustador crescimento da China.
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"Os economistas estão convencidos em não se preocupar com o meio ambiente, como se não precisássemos dele para nada, por três motivos: restrição ao fluxo migratório de populações (os Estados Unidos jamais aceitariam receber 60 milhões de brasileiros miseráveis), comércio global (o que eu não tenho mais no meio ambiente, importo devastando outras regiões) e pobreza mundial (dois terços da humanidade vivem em miséria ou pobreza absoluta, qualquer elevação no seu padrão material colocará em xeque a crença infantil dos economistas sobre a inesgotabilidade do planeta)." Hugo Penteado.
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Quem faz o mundo do jeito que ele esta somos nós e esse é o princípio de tudo. Mas uma vez, a vinculação esta presente. São perguntas como: de onde veio isso, como isso foi fabricado, qual o custo real.
Com isso entra o que ele chama de custo ambiental ou seja quando você coloca gasolina no seu carro não entra no custo do combustível, quem ou que morreu para que aquele combustível fosse parar no seu tanque, que poluição foi produzida, o aquecimento global etc.
Mudança da matriz energética foi outra abordagem dele na questão do combustível fóssil. E o biocombustível ainda esta longe do ideal porque tem a questão do transporte.
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"A Ecoeconomia parte de uma revisão total dos valores vigentes, não apenas econômicos, mas humanos. Nós temos que entender que fazermos parte de um corpo imortal chamado espécie humana e que esse corpo depende de uma série de elos com a natureza, sem os quais, irá perecer. Uma vez entendido que se trata de um corpo imortal, cujas ações repercutirão sobre as gerações futuras, precisamos remodelar nosso sistema de valores em busca do equilíbrio. O atual consumismo exacerbado em cima de um sistema do tipo extrai-produz-descarta precisa ser abolido das nossas vidas." Hugo Penteado.
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Na questão da soja, a grande vilã no Brasil, ele afirma que boa parte do que é produzido vai para alimentar o gado e issso gera um grande problema: "ninguém come a vida do boi, come a morte do boi. A vida o boi usou para ele viver, com a energia que ele recebeu atravês dos alimentos. Então qual é a eficiência alimentar de comer carne? Ela é 1/10 da eficiência alimentar se dessem todos os grãos dados ao gado para as pessoas."
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"A ecoeficiência faz uso dos mesmos mitos da teoria econômica tradicional, não reconhecendo limites nem os erros do atual sistema. É um ajuste nos sistemas de produção e consumo, com vistas a aumentar os lucros, ou seja, é visto como oportunidade de ganhos e não de revisão dos erros atuais. Trocando em palavras, o limite para produzir carros ecoeficientes ou não sempre existirá, não vou poder produzir três trilhões de carros só porque eles são ecoeficientes, isso é um absurdo, imaginar que temos que fazer crescer a produção de todos os bens sem esbarrar em limites. Um carro produzido não irá para a copa de uma árvore, requer asfaltamento da terra, que deixa de ser um reservatório de biodiversidade, deixa de ser usada para agricultura."
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Segundo Hugo Penteado, as mudanças de hábitos de consumo são fundamentais, levando em conta aquelas premissas, de onde vem e o que se vai fazer com aquilo, ou seja, pilhas, baterias, lâmpadas são alguns exemplos.
Ao fazer uma reforma em casa, saber de onde vem aquela madeira, uma vez que o brasileiro consome 85% da madeira ilegal do País.
Uso do carro, na cidade, ele mesmo não usa, em viagens longas, ainda sim, uma vez que tenta evitar o avião. Quando é impossível, o ecoeconomista descarboniza suas viagens e explica: Tem companhias áereas que incluem no preço da passagem um valor que será destinado a descarbonização da sua viagem ou seja esses recursos serão destinados a plantação de árvores. Em resumo, consumo consciente é isso: se aquele consumo degrada o meio ambiente, ele prefere não consumir ou pagar mais para um que não degrade.
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"Você precisa ser a mundança que gostaria de ver no mundo."
Ghandi.
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Com essa frase Hugo Penteado terminou sua entrevista bacanérrrrima, nada ecochata e muito esclarecedora.
Alias, esse post, eu dedico a um conhecido meu, ambientalista, que acaba de me contar feliz da vida que trocou de carro...pois é....
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** Em tempo, corrigindo um erro imperdoável, o meu conhecido, explicou via email que não comprou um carro novo e sim um novo carro e o mesmo é mais velho que o outro e movido a gás. ;)


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Certa vez, Robert Ryan disse: "Eu posso ter sido uma criança prejudicada pela vida. Já me disseram muitas vezes, que as pessoas, pelo menos as pessoas bem sucedidas no teatro, vieram de uma infância infeliz. Eu não sei se é verdade, como também não posso dizer se fui uma criança infeliz, mas uma criança solitária, isto sim, eu fui". Para alguém que passou fome , perdeu o irmão aos 8 anos de idade e o pai quatorze depois, talvez Ryan estivesse sendo otimista, mas a verdade é que até se dedicar ao cinema, a vida não foi tão indolor assim.
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Ryan passou sete anos trabalhando em tudo que aparecia, e não demonstrando interesse por outra coisa qualquer.
Após conseguir ser nomeado para o serviço público de Chicago, Robert decide investir em arte dramática. Assim, mesmo a contragosto de sua mãe, ele viaja para a Califórnia onde se matricula na Oficina Teatral de Max Reinhardt, uma das mais respeitadas em Hollywood. Lá, conhece a aluna Jessica Cadwalader, com quem viria a se casar em 1939, e que se tornaria sua companheira até o falecimento dela em 1972.
Mas o estrelato viria mesmo no 1947 ao contracenar com Joan Bennett em "A Mulher Desejada". A partir daí, Ryan segue fazendo um sucesso atrás do outro.

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Com um porte atlético e altura de 1,93, Ryan filmaria o excelente “The Set-Up” , (Punhos de Campeão), sobre o qual a crítica diria:
"O filme “The Set-Up” é poupado de qualquer lirismo, sobre o submundo e a humanidade tão baixa, revelada no soberbo desempenho de Robert Ryan. Tenho pouco a dizer. Thompson é tão ignorante e ignóbil quanto os outros boxeadores. Olhem seu rosto golpeado. É derrotado. Contudo, remanesce uma sensibilidade poética em seus olhos e em seu sorriso ocasional. Seus olhos estão sempre prestando atenção em volta do ringue, e o vemos constantemente fazendo isso enquanto espera o próximo assalto. Thompson tem bastante dignidade humana para recusar a corrupção, por isso ele sofreu uma brutal agressão, não mais importando com sua carreira medíocre no Boxe. Na extremidade, ele tem muito orgulho de si mesmo pela vitória ganha naquela luta, e não faz nenhuma avaliação da conseqüência dela".
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Ryan, nunca seria o galã e como disse certa vez ao amigo Cary Grant que costumava reclamar de seus papéis:
"Geralmente, eu sou fadado a trabalhar em lugares desolados e poeirentos. Como eu disse a Cary Grant certa vez, eu lhe falei que nunca me enviam para filmar em lugares como Monte Carlo, Londres, Paris, ou a Riviera Francesa, por eu não ser charmoso e nem tão pouco sofisticado como ele é. Sempre me mandam filmar em desertos, com uma camisa suja, e minha barba por dois dias por fazer, além de me alimentar mau. Mas isto é um ato natural. Como eu digo, eu começo meus piores papéis por causa de meu jeito de ver as coisas”
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E foi justamente por causa desse jeito, segundo ele sem charme e sofisticação que acabou por atuar em um dos faroestes mais famosos do cinema: "Meu ódio será sua herança" de 1969.
No início dos anos 70, Robert Ryan descobre que tem um câncer no pulmão, mas continua a trabalhar até o ano de sua morte em 1973.



Dia do Choro - Nascimento de Pixinguinha.


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Ah! Se tu soubesses
Como sou tão carinhoso
E muito e muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim


Vem, vem, vem, vem
Vem sentir o calor
Dos lábios meus
À procura dos teus
Vem matar esta paixão
Que me devora o coração
E só assim então
Serei feliz, bem feliz





Lya Luft



“Gosto das coisas – pessoas e palavras – desconcertantes. Seus contornos imprecisos permitem que a gente exerça o direito de refletir e de criar em cima delas.”
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Hoje zapeando pelos canais da TV a cabo, acabei parando numa entrevista de Lya Luft. Ela divulgava o novo livro: " O silêncio dos Amantes."
Uma delícia de entrevista, como sempre. A Lya, que virou um ícone da mulher madura por causa de "Perdas e Ganhos", vive como o que escreveu nesse livro ou seja, ela se aceita.
"Perdas e Ganhos" traduzido para o mundo, conseguiu a proeza de se fazer entender em todas as línguas. Os sentimentos, o tempo, o envelhecimento trazendo ganhos e não só a perda da juventude é compreendido em qualquer idioma. Adorável.
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Mais do que a literatura de Lya, eu adoro a vida dela. Engraçado isso, mas gosto de saber que ela começou a escrever poesia por causa de um grande amor, que parou quando perdeu aquele que seria o seu segundo grande amor, Hélio Pellegrino, que expurgou sua dor de forma belíssima em "O lado fatal."
E agora prestes a fazer 70 anos, ela esta apaixonada de novo. Maravilhoso não só para alguém dessa idade, mas principalmente por dar aval ao que
escreve, fala e pensa. Cheia de planos e plena, assim Lya Luft vive.
Gosto de pessoas que conseguem sobreviver e voltar a realmente viver a vida, por isso e pela poesia de Lya, gosto tanto dela.
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Sempre digo e acredito realmente que o amor salva. Qualquer tipo de amor. Seja o do amigo, o dos pais, do homem ou da mulher amada, o amor tem esse poder transformador. Não entendo a vida sem estar apaixonada e quando não estou, os dias são cinzas como os desse do feriadão. Parece que se abate sobre mim todo o inverno do mundo e isso é muito triste.

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Relacionar-se é uma aventura, fonte de alegria e risco de desgosto. Na relação defrontam-se personalidades, dialogam neuroses, esgrimem sonhos e reina o desejo de manipular disfarçado de delicadeza, necessidade ou até carinho. Difícil? Difícil sem dúvida, mas sem essa viagem emocional a existência é um deserto sem miragens.
No relacionamento amoroso, familiar ou amigo acredito que partilhar a vida com alguém que valha a pena é enriquecê-la; permanecer numa relação desgastada é suicídio emocional, é desperdício de vida. Entre fixar e romper, o conflito e o medo do erro.
Lya Luft - trecho de "A alma do outro."



Como fontes que de noite brandamente
boca a boca trocam seus segredos d'água,
tocam-se os amantes, no afago
da lúcida paixão secreta dessas águas.
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Assim, bocas sequiosas, os que estão apartados
deixam que brotem, fundam-se, retornem
os seus recados de amor como num lago.
Lya Luft - O Silêncio dos Amantes


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Paixão
Está apaixonada, e - incrédula - descobre que é correspondida
Isso que parece hoje tão simplório olhado de fora dava-lhe um senso de plenitude e poder que nunca mais conheceria.
Não precisava de mais nada. Nem Deus pode tirar isso de mim, pensava.
Um inocente beijo diante da porta da casa, e o vestíbulo transforma-se em céu
Por muito tempo ficará transfigurada por essa intimidade.
Por mais experiências que venha a ter como mulher, o momento não se repetirá, e dificilmente se paga.
Nunca mais haverá uma primeira vez, nunca mais a mesma candura de acreditar que tudo aquilo era eterno.
Foram-se os amores que tive ou me tiveram: partiram num cortejo silencioso e iluminado.
O tempo me ensinou a não acreditar demais na morte nem desistir da vida: cultivo alegrias num jardim onde estamos eu, os sonhos idos, os velhos amores e seus segredos.
E a esperança - que retrilha como pedrinhas de cores entre as raízes.
Lya Luft in Secreta mirada

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Que mão se enfia entre minhas raízes,
que paixão me esventra o coração?
Abro caminho na liberdade de uma folha,
e escrevo lentamente a palavra secreta.

E ela,preguiçosamente, abre-me os braços
esquiva donzela ou feio palhaço. Uma palavra apenas,
no mistério maior
de uma página intacta ou no emaranhado dos traços:
o nome que não posso pronunciar sem medo,
enquanto invento outros, que resumem
a verdade da vida na mentira que assino.
Lya Luft


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O Homem que Criou Asas
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Era um homem, um homem comum, que um comum destino parecia controlar inteiramente.
Um animal bem treinado.
Um dia, sentiu um incômodo nos dois ombros, distensão muscular, má posição no trabalho…
Foi piorando e resolveu olhar-se no espelho, de lado, inteiro e nu depois do banho: não havia dúvida, duas saliências oblíquas apareciam em sua pele abaixo dos ombros.
Teve medo mas decidiu não comentar com ninguém, e como não transava freqüentemente com a mulher, conseguiu esconder tudo quase um mês.Fez como via fazer sua mulher: pegou de cima da pia um espelho redondo no qual ela ajeitava o cabelo, e passou a analisar todo dia aquele fenômeno que em vez de o assustar agora o intrigava.
Curioso mas sem sofrer – pois não doía -, foi observando aquilo crescer. E pensava:Nem adianta ir ao médico, porque se for um tumor (ou dois) tão grande, não tem mais remédio, é melhor morrer inteiro do que cortado.
Certa vez, quando se masturbava no banheiro, na hora do prazer sentiu que elas enfim se lançavam de suas costas, e viu-se enfeitado com elas, desdobradas como as asas de um cisne que apenas tivesse dormido e, acordando, se espojasse sobre as águas.
Ficou ali, nu diante do espelho, estarrecido.
Agora ele não era apenas um homem comum com contas a pagar, emprego a cumprir, família a sustentar, filhos a levar para o parque, horários a cumprir: era um homem com um encantamento.

Eram umas asas muito práticas aquelas, porque desde que usasse camisa um pouco larga acomodavam-se maravilhosamente debaixo das roupas. Em certas noites, quando todos dormiam, ela saía para o terraço, tirava a roupa e varava os ares…
Sua mulher notou alguma coisa diferente no corpo do seu marido. Estava ficando curvado, tantas horas na mesa de trabalho. Nada mais que isso. Embora a mãe lhe tivesse dito que “com homem é sempre melhor confiar desconfiando”, daquele seu homem pacato ela jamais imaginaria nada muito singular.
- Você vai acabar corcunda desse jeito, aprume-se - ela dizia no seu tom de desaprovação conjugal.
As coisa se complicaram quando, já habituado à sua nova condição, o homem-anjo olhou em torno e, sendo ainda apenas um homem com asas, sentiu-se muito só. E começou a pensar nisso. E olhou em torno e se apaixonou.
Na primeira noite com sua amante, esqueceu o problema, tirou a roupa toda, e quando ela começava a apalpar-lhes as costas o par de asas se abriu, arqueou-se unindo as pontas bem no alto por cima dele, na hora do supremo prazer.
Mas essa mulher/amante não se assustou, não se afastou.
Apertou-se mais a ele, e dizia: vem comigo, vem comigo, vem comigo.
E abriu suas asas também.
Lya Luft in Historias do Tempo.

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É Bicampeão!!!!!!
Taça Rio 2008 é do Botafogo!!!!

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Eu realmente não ia falar nada, mas depois de um email "provocativo" do meu amigo Dr. Ewerton, eu resolvi deixar o registro por aqui.
Na semana passada, ele mandou o seguinte email:

Assunto: Presente
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Antes da contenda, um presentão para vocês.
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http://www.youtube. com/watch? v =da9K4U7wtgY
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O BOTAFOGO É FAVORITO, NO DOMINGO.

ABRAÇOS. EWERTON.

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Não consegui ficar quieta e respondi:
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Aceitando a provocação do meu querido amigo Dr. Ewerton, da nossa querida comunidade Cara a Cara, homem de muitas qualidades e apenas um "defeito", deixo, assim como ele me deixou, um presente:

http://www.youtube.com/watch?v=Xpvl5jARUTQ

Apesar do Dodô aparecer bastante nesse filmete e nem poderia ser diferente, continua valendo uma vez que ele não deveria ter saído do Botafogo. Haja visto como anda ultimamente... rss sem praga!

e aqui, um mestre, dos tempos em que as chuteiras eram praticamente um kichutes e os shorts eram maravilhosamente pequenos e não esses fraldões de hj! ;)

http://www.youtube.com/watch?v=4e17xa-6jPQ
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E como bônus ainda deixo um post do meu blog feito no dia 4/09/2004 pelo centenário da Estrela Solitária.

bjos alvinegros e que vença o melhor ou seja, que vença o Botafogo pq é o melhor ;)
Andrea.


CRÔNICA:

Centenário do meu querido Botafogo, deixo uma crônica de Paulo Mendes Campos sobre o garrincha. Essa crônica foi publicada na coluna do Armando Nogueira e é como ele mesmo disse, um verdadeiro poema em prosa.

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NA GRANDE ÁREA
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Como eu previra, houve flores, houve abraços, houve amigos na inauguração da placa de Paulo Mendes Campos, numa das mais cândidas pracinhas do bairro do Leblon. Falaram Thiago de Mello e Arthur da Távola, exaltando a obra poética de Paulinho. Thiago lembrou o ponta fogoso que era o poeta. Joan, viúva de Paulinho, descerrou a placa que estava coberta com a bandeira do Botafogo. Botafogo, paixão de Paulinho. Belas crônicas ele escreveu, celebrando o clube e suas grandes estrelas. A crônica de Paulinho sobre Garrincha é um verdadeiro poema em prosa. Leiam, por favor.
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O ponta e o poeta

“Quando ele avança, tudo vale. A ética do futebol não vigora para Mané. O fair-play exigido pelos britânicos é posto à margem pelos marcadores, pelos juízes, pelas torcidas. Regras do association abrem estranhas exceções para ele. Uma conivência complacente se estabelece de imediato entre o árbitro e o marcador, o primeiro compreendendo o segundo, fechando os olhos às sarrafadas mais duras, aos carrinhos perigosos, aos trancos violentos, às obstruções mais evidentes. Quando esses recursos falecem, o marcador em desespero, sem medo ao ridículo, agarra a camisa de Garrincha. Aí o juiz apita a falta, mas sem advertir o faltoso: o recurso é limpo quando se trata de Garrincha.
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Todos os jogadores do mundo - ensina o professor Nilton Santos - são marcáveis, menos seu Mané. Mané em dia de Mané só com revólver. Nilton é o mais consciente dos fãs de Garrincha, costumando dizer que, se ainda jogou futebol depois dos trinta anos, foi por ser do mesmo time de seu Mané.
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Uma tarde apareceu para treinar um menino de pernas tortas. Já no vestiário o técnico Gentil Cardoso, rindo-se, chamara a atenção de todos para o candidato: aquele sujeito poderia ser tudo na vida, menos jogador de futebol. Começado o treino, lá pelas tantas uma bola sobrou para Garrincha.
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Nilton proferiu o grito de costume, mas o menino torto matou a bola com facilidade e ficou esperando. Ferido pela ousadia, Nilton partiu para cima do garoto com decisão. (Já joguei contra ele: é uma extração rápida e sem dor). Talvez naquele momento estivesse em jogo, não só a bola, mas o destino de Garrincha. Se Nilton o desarmasse e lhe aplicasse como corretivo à petulância duas ou três fintas, Gentil Cardoso não esperaria muito para enviar o novato sem jeito para o chuveiro. Apesar desse perigo, e a despeito de estar enfrentando um jogador da mais alta categoria, Mané escolheu o caminho da porta estreita: driblar Nilton Santos.
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Só três vezes em sua carreira Nilton levou drible entre as pernas: a primeira foi ali naquele instante. A alegria do futebol de Garrincha está nisso: dentro do campo, ele se integra no espaço que lhe é próprio, não reflete mais, não perde tempo com a vagareza do raciocínio, não sofre a tentação dos desvios existentes no caminho da inteligência. Como um poeta tocado por um anjo, como um compositor seguindo a melodia que lhe cai do céu, como um bailarino atrelado ao ritmo, Garrincha joga futebol por pura inspiração, por magia, sem sofrimento, sem reservas, sem planos. O futebol requintadamente intelectual de Didi é sofrido e sujeito a todas as falhas do intelecto. Garrincha, pelo contrário, se suas condições físicas estão perfeitas, se nada lhe pesa na alma, é como se fosse um boneco a que se desse corda: não reflete mais.
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Garrincha é como Rimbaud: gênio em estado nascente. Se um técnico desprovido de sensibilidade decide funcionar como cérebro de Garrincha, tentando ser a consciência que lhe falta, isto é, transmitindo-lhe instruções concretas, lógicas, coercitivas, pronto ? é o fim. O grande mago perde a espontaneidade, o espaço, o instinto, a força. Em vez do milagre, que ele sabe fazer, ensinam-lhe a fazer um truque sensato.
João Saldanha sabia que não há instrução possível para Garrincha. Se a virtude do Mané nada tem a ver com a lógica, não será através da lógica que lhe corrigiremos os possíveis defeitos. E defeitos e virtudes não são partes que se possam isolar em Garrincha, que escreve certo por linhas tortas.
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O jornalista Armando Nogueira tem uma teoria muito boa sobre o drible de seu Mané, apesar de Mário Filho não concordar com ele e comigo. O drible, diz Armandinho, é, em essência, fingir que se vai fazer uma coisa e fazer outra; fingir por exemplo que se vai sair pela esquerda, e sair pela direita”.
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Paulo Mendes Campos

http://literatus.blogspot.com/2004/09/centenrio-do-meu-querido-botafogo.html

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Time de Clarice Lispector, Paulo Mendes Campos, Glauber Rocha, Olavo Bilac, Vinícius, Fernando Sabino, Armando Nogueira e muitos outros, o Botafogo já é poético só por ser o time da Estrela Solitária. Um time que nunca tem nada de graça ou fácil, pelo contrário, é comum dizer: certas coisas só acontecem ao Botafogo! Que assim seja porque o que é difícil é muito mais gostoso, tem o valor da conquista, não cai no colo.
Lembro de ter me tornado botafoguense por pura birra infantil. Mania de ser diferente, como dizia um ex-namorado: mania de ser revolucionária, rsss
Criança pentelha e atenta sempre notava que as meninas por falta de conhecimento diziam ser flamenguistas. Era muito mais fácil, afinal TODO mundo era flamenguista. Mas eu não seria. Vai daí que resolvi não fazer parte do óbvio ululante e escolhi o Botafogo. Com o passar dos anos, vi que só podia ser botafoguense mesmo. Minha ídala Clarice Lispector era, aquela estrela solitária, a primeira a despontar no céu quando o dia moribundo vai dando lugar a noite era pura poesia e a luta do guerreiro sempre. Essa dificuldade tamanha que dá sabor, tempero a cada conquista, assim é o Botafogo. Assim sou eu, uma ariana disfarçada de geminiana que entende a vida como um campo de batalha, se não é pra dar o sangue, melhor nem entrar em campo, alias, melhor nem ser botafoguense!

Ciao!

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"Serei Botafogo mesmo que a bola não entre;
Mesmo que o Maracanã se cale;
Mesmo que o Manto desbote;
Mesmo que a vitória esteja longe;
Serei Botafogo seja longa a jornada;
Seja dura a caminhada;
Botafogo no peito e na alma,
no grito e nas palmas...
Serei Botafogo até morrer"

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Don't Worry About Me
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Joey Ramone, naceu Jeffrey Hyman em 19 de Maio de 1951 em Forest Hills, Nova Iorque - EUA. Grande fã dos Beatles, formou logo sua própria banda de rock junto com seu amigo Johnny, um power trio no qual Joey era o baterista. Em Março de 1974, o "empresário" do grupo, Tommy, assume as baquetas e Joey vira vocalista do conjunto, agora com o nome de Ramones, nome este usado por Paul Mccartney para se hospedar em hotéis na época de furor da
Beatlemania para despistar os fãs.
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Assim, Joey Ramone - vocal, Johnny Ramone - Guitarra, Dee Dee Ramone - Baixo e Tommy Ramone - bateria, começaram a carreira de uma das maiores (se não a maior) banda punk da história.
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Durante a carreira dos Ramones, Joey, mesmo sendo o frontman do grupo, manteve-se ao máximo longe da mídia, deixando o cargo de porta-voz do grupo para Johnny. Seus projetos paralelos sempre foram bastante timidos e escassos, concentrando seu talento como músico restrito basicamente aos Ramones por durante mais de 20 anos.
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Após o fim dos Ramones, Joey se dedicou a trabalhar com bandas independentes. Sempre indo a shows underground em NY acabou inclusive trabalhando com algumas delas, como produtor ou mesmo conselheiro. Além deste envolvimento, sempre que possível, fazia participações especiais em shows de bandas de amigos, como o Blondie e o D-Generation.
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Neste época Joey já sabia de seu câncer e assim, além de lançar um EP ao lado do seu irmão -o qual Joey não falava a anos- para dar de presente à sua mãe, começou a escrever seu último disco. O álbum composto ao lado dos parceiros de vida ramônica Daniel Rey e Marky Ramone foi finalizado com Joey já no hospital.
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Infelizmente, Joey não viu o resultado final de seu trabalho, faleceu dia 15 de Abril de 2001, as 2:40 da tarde em um hospital em Nova Iorque, vitima do câncer linfático que o acompanhava por anos.
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Centenas de homenagens foram feitas à Joey em todo o mundo, das quais, uma das mais importantes foi a nomeação dada a esquina do CBGB's de Joey Ramone Place pela prefeitura de Nova Iorque.
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Conheci os Ramones atravês de um namorado que era louco por eles. Ganhei CD, camisa, vi shows e acabei me apaixonando pelos caras, em especial pelo Joey, o mais bizarro. Talvez por isso mesmo, gosto de gente que foge do padrão e isso não tem nada a ver com ser belo ou feio. A pessoa apenas é. Gosto disso.
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Joey tinha 1,98, era magro e meio curvado, sempre cantando com o corpo projetado para frente parecia querer diminuir sua estatura diante dos outros. Nunca teve sucesso.
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“Don’t Worry About Me” é o disco póstumo de Joey. Uma obra-prima onde ele recria “What a Wounderful World”, imortalizada na voz de Louis Armstrong de uma maneira inusitada que em nada lembra a original. Apesar de viver uma vida inteira voltada para o punk, esse CD tem uma levada mais rock and roll, mas não deixa de ter a marca dos Ramones, até porque teve as participações de Daniel Rey ( produtor dos Ramones durante anos ) e Marky Ramone.
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Joey caprichou nesse que seria seu último rtegistro e não decepciona os fãs da banda.
Outra versão, a da música "1969" dos Stooges é de ouvir de joelhos.
O CD contém faixas mais pesadas e emotivas numa clara demonstração do período que atravessava.
Ainda assim, é um grande registro desse grande cara...em todos os sentidos.
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Leia mais.

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É dia de Richard Burton.
De família pobre, Richard, foi criado pela irmã desde os dois anos de idade, seu pai era um mineiro de carvão. Ele nasceu em 10/11/1925, em Pontrhydyfen, País de Gales.
Richard Walter Jenkins estudou teatro na Universidade de Oxford, estreando nos palcos no início dos anos 40 pelas mãos de seu professor e tutor, Philip Burton. E foi em homenagem a esse professor que adotou o sobrenome Burton.
Durante muito tempo foi considerado um dos melhores intérpretes de Shakespeare.
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Sua estréia no cinema britânico deu-se em 1949 com o filme "The Last Days of Dolwyn", de Emlyn Williams e após algumas produções britânicas acabou convidado a participar do filme, "Eu te matarei, querida" em Hollywood, sendo indicado para o Oscar de melhor ator coadjuvante.
No ano seguinte, faria "O manto sagrado" e tornaria a ser indicado ao Oscar, dessa vez de melhor ator. Assim como seria indicado diversas vezes, Richard
jamais ganharia um Oscar.
Em 1958, Richard retornaria ao cinema britânico, ainda assim seria em Hollywood que alcançaria sucesso de público e bilheteria.
Em 1963, conheceria aquela com a qual viveria uma grande e conturbada história de amor: Elizabeth Taylor. Ambos casados, trataram de se separar
dos respectivos para viver essa paixão. Apesar disso, a vida amorosa de Richard daria um belo ou nem tanto, filme.
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Durante seu primeiro casamento, com a atriz sul-africana Sybill Williams, Burton teria mantido um caso com Marilyn Monroe, afirma o livro Richard Burton: Prince of Players, escrito pelo ex-agente do ator, Michael Munn. Alias, Sybill não deu nuita sorte com Burton porque tão logo conheceu Elizabeth Taylor, tratou de se separar dela.
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Talvez a infância pobre justifique o fato de Burton ser considerado uma espécie de mercenário quando negociava seus filmes, mas o fato é que não escondia de ninguém o valor que dava ao dinheiro em detrimento da "arte."
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Alias, uma característica marcante em Burton era o fato de não ter papas na língua, falava e fazia o que bem entendia, em especial quando estava bêbado, estado recorrente do ator.
Reza a lenda que houve um tempo em que bebia uma garrafa de vodka por dia, logo de manhã. Alcoólatra entraria num violento processo de autodestruição que terminaria com sua morte.
Em trechos extraído do diário que o ator passou a escrever a partir dos anos 60 pode-se ler o que achava de determinadas personalidades. Para Burton, Laurence Olivier era um grotesco exagero de ator, teria dito durante um jantar. Sobre a soprano Maria Callas, ele escreveu que só falava banalidades. Paul Newman, para ele, era aquilo que ele chamava de um verdadeiro ator, um homem com a tez tão bonita que a princípio pensou que estivesse maquiado.
Numa grande festa no castelo dos Rothschild, Burton encontrou pela primeira vez o artista plástico Andy Warhol e o descreve no diário como uma figura saída de um filme de horror.
Burton morreu de cirrose hepática, aos 59 anos, em 05 de agosto de 1984, depois de ter vivido e bebido intensamente.

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Amácio, o caipira.

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Não tenho lembranças dele, além de não ser do meu tempo, pouco vi na TV, infelizmente.
Talvez os meus ou um dos meus 6 leitores e meio entenda porque eu gosto dele. Se for mineiro ou tiver raízes mineiras como eu, entenderá perfeitamente.
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Em 1910, Clara Ferreira e Bernardo Mazzaropi já casados, vão morar em São Paulo, no bairro de Santa Cecília. Ela, empregada doméstica, e ele, motorista de automóvel de aluguel, dois anos depois em 1912 na pequena casa, nasce Amácio Mazzaropi, no dia 9 de abril.
Em 1914 a falta de dinheiro e o espírito inquieto do pai, levam a família Mazzaropi de volta para Taubaté.
É lá, em Taubaté que Mazzaropi vai descobrir sua vocação. O João José Ferreira, português, exímio tocador de viola, bom dançarino e animador famoso das festas do bairro rural, levava sempre com ele os netos Amácio e Vitório Lazzarini.


Mas uma vez a inquietude do pai (acho que era geminiano, rss) os levará de volta a São Paulo. Mazzaropi ingressa no Grupo Escolar do Largo de São José do Belém. Bom aluno, tinha incrível facilidade para decorar poesias e logo vira o centro das atenções nas festas da escola como declamador-mor.
Com a morte do avó, a família retorna a Taubaté e Mazzaropi começa a namorar o circo. Seus pais contrários a idéia tratam de mandar o menino para Curitiba.
Anos mais tarde, depois de idas e vindas, inclusive sendo ajudante do faquir, Mazzaropi convence a família a seguir com o circo. Os pais, acreditem tornam-se atores fazendo bem sucedida turmê. E a Troupe vira Companhia Amácio Mazzaropi viaja pelo interior do Estado e as apresentações são largamente concorridas, mas falta dinheiro para melhorar a companhia. Com direito a pavilão e tudo.
Em 1943 em fins de novembro, Amácio com 31 anos, recebe uma herança da avó Maria Pitta e realiza o sonho de colocar uma cobertura de zinco em seu pavilhão para, assim, poder estrear na capital.


O Jornal de São Paulo publica a crítica de Francisco Sá “O que vai pelo teatro”, onde elogia a atuação do jovem Amácio.
Nessa época o pai adoece e as despesas com seu tratamento complicam as finanças da companhia.
Mazzaropi é convidado para substituir Oscarito numa peça em cartaz no Teatro João Caetano no Rio de Janeiro. Oscarito, então o ator mais famoso do país, mas dinheiro e decepcionado, volta para Pindamonhangaba e dissolve a companhia. Desmonta o teatro e o deixa no Pátio da Estação Ferroviária. Mas seria por pouco tempo, logo ele voltaria a atuar.
Quatro dias depois da morte do pai, Amácio estréia ao lado de Nino Nello no Teatro Oberdã, em São Paulo. Mazzaropi é ator e diretor na peça "Filho de sapateiro, sapateiro deve ser". A temporada recebe sucesso de público e crítica.
Dois anos mais tarde, assina contrato com a Companhia Dercy Gonçalves e atua ao lado da famosa atriz, na super revista "Sabe lá o que é isso?" de Jorge Murad, no Cine Theatro Odeon. O ator Mazzaropi, aos 36 anos, tem grande prestígio no teatro e na rádio com os programas na Tupi do Rio de Janeiro e Baré de Manaus.
Em breve estaria nos cinemas onde a carreira seria um enorme sucesso. Tanto que com a Vera Cruz, a maior produtora de filmes da época afundando em dívidas, achou que era o momento de arriscar alto, era tudo ou nada, e resolve criar sua própria produtora, a Produções Amácio Mazzaropi (P.A.M. FILMES). Com recursos próprios, inicia as filmagens de CHOFER DE PRAÇA. Para produzir o filme, Mazzaropi vende a casa, carro e tudo que podia para alugar os estúdios e equipamentos da Companhia Vera Cruz. Além de produzir, Mazzaropi passa a cuidar do lançamento e distribuição de seus filmes por todo o Brasil controlando na bilheteria o resultado dos filmes. Estava com 46 anos.
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A empreitada dá mais do que certo e os filmes vão surgindo um a um e fazendo legiões de fãs.
"A casinha pequenina" filme colorido, é considerado pela crítica como um épico. Lançado em 21 de janeiro de 1963, marcaria a estréia de Tarcísio Meira e Luis Gustavo no cinema.
A farta produção cinematográfica de Mazzaropi vai até o ano de 1980 quando deixa uma produção inacabada.
Seu 33º filme, Maria Tomba Homem, nunca será terminado. Depois de 26 dias internado, Mazzaropi morre vítima de um câncer na medula óssea aos 69 anos de idade no hospital Albert Einstein de São Paulo. É enterrado na cidade de Pindamonhangaba, no mesmo cemitério onde seu pai já repousava. Nunca se casou, mas deixou um filho adotivo, Péricles Mazzaropi.
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Guardadas as devidas proporções era o nosso Carlitos, que sintetizou gestos, manias e caráter do caipira que se transferiu das áreas rurais para as urbanas nas décadas de 50-60.
Mazzaropi levou para a cidade, o caipira que longe de ser bobo, era inocente, correto e possuía uma malandragem distituída de mau caratismo. Em cada história levada ao cinema, teatro e rádio parecia sempre aquele que seria enganado, ludibriado, mas em geral saia por cima e deixava sempre uma lição a ser aprendida. Uma grande figura que entrou para o imaginário popular. O Jeca, um caipira com muito orgulho sim senhor!
Charlton Heston
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Charlton Heston faleceu ontem, soube hoje. Complicações do Mal de Alzheimer que foi deteriorando sua saúde desde da descoberta em 1998.
Mais um da época de ouro de Hollywood que nos deixa e esse além de um bom ator, era um gentleman, a classe em pessoa até em responder quem o agredia fosse por sua posição a favor das armas ou radicalmente contra o aborto.
Quando anunciou sua doença, nosso querido George Clooney em entrevista insinuou que ele - Heston - procurava atenção por causa da doença. A resposta de Heston foi bem ao seu estilo, calma e certeira: "a elegância pula uma geração", referindo-se a mãe já falecida de Clooney, uma atriz do passado. Esse era Charlton Heston, sempre gerava um desconforto nos colegas e pessoas de sua convivência por causa de suas opiniões firmes que não fazia questão de esconder.
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John Charles Carter (Evanston, 4 de outubro de 1924 - Beverly Hills, 5 de Abril de 2008), mais conhecido omo Charlton Heston, foi um ator norte-americano notabilizado no cinema por papéis heróicos em superproduções da época de ouro de Hollywood, como Moisés e Os Dez Mandamentos, Judah Ben-Hur de Ben-Hur o lendário cavaleiro espanhol El Cid no filme homônimo.
Descobriu a vocação como tantos outros, na escola secundária e teve um resultado tão bom que recebeu uma bolsa em drama para cursar a universidade. Após a guerra deu continuidade a carreira no teatro.
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Em 1952, o filme O Maior Espetáculo da Terra, superprodução de Cecil B. DeMille ambientada no mundo do circo, transformou Heston numa estrela de primeira grandeza do cinema. A partir dali, seu porte ereto, sua altura e o perfil musculoso, lhe dariam os papéis mais simbólicos nas superproduções dos anos 50 do cinema norte-americano.
Em 1956, ele faria Moises em "Os Dez Mandamentos" e a partir dele todos os grandes papéis heróicos e históricos encontraram Heston para representá-lo. Nos anos 50 e 60, ele filmou sucessos como "55 Dias em Pequim", "El Cid", "Agonia e Êxtase" e "Ben Hur", entre outros, recebendo o Oscar de melhor ator pelo último, um dos onze recebidos pelo filme, que se manteve solitariamente como o mais premiado pela Academia em todos os tempos até ser igualado em 1997 por Titanic.
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Em 1958, num trabalho diferente dos papéis históricos pelo qual ficaria marcado, fez um dos mais elogiados filmes de Orson Welles, "A Marca da Maldade", mostrando sua capacidade de trabalhos mais artísticos em filmes menores.
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Nos anos 60 e 70, Heston, já andava metido em causas políticas, cinquentão com a imagem ligada às décadas anteriores, o público veria seus últimos sucessos.
Ok, ele se meteu com a defesa do porte de armas para auto-defesa. Foi menbro honorário do NRA, National Rifle Association, o que lhe deu boas inimizades.
Mas eu ainda prefiro guardar a imagem de um Charlton Heston no auge do vigor atuando em épicos como "Os dez Mandamentos" e "Ben-Hur".
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No livro "The Film Director", de Richard L. Bare, Heston relata o ofício de diretor cinematográfico em décadas de atuação em Hollywood e traz um impresssionante depoimento de Heston a respeito de sua visão da profissão de ator. Diz ele: "Uma coisa que eu acho que o diretor não deve fazer -e há um monte de atores que ganham muito dinheiro que não concordam comigo- é criar um ambiente de trabalho particularmente confortável para mim. Eu recebo muito dinheiro para atuar e eu acho que uma parte disso é ser capaz de trabalhar do jeito que o diretor quiser. (...) Tudo que me importa é o tabalho. Muitos atores (...) querem ser mimados e afagados. (...) O diretor não precisa segurar a minha mão; o diretor não precisa me fazer feliz (...) Eu não preciso de nada disso. E eu acho que um ator que precisa é uma criança."


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Quando o meu querido amigo, o escritor Yosif Landau escreveu que o ator Richard Widmark tinha falecido, eu fiquei surpresa. Não li nada em lugar nenhum e por isso o sábado é dele.
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Nascido em 26 de dezembro de 1914, em Sunrise, Minnesota, Richard começou a freqüentar as salas de cinema aos quatro anos de idade na companhia de sua avó. No colégio, chegou a pensar em estudar Direito, até que foi convidado a participar da montagem escolar de "Consellor-at-Law". A partir daí, Richard decidiu seguir a carreira de ator.


Mudou-se para Nova York em 1936 onde fez vários cursos de interpretação e passou a trabalhar como rádio ator. Seu primeiro sucesso veio em 1938 com o programa "Aunt Jenny´s Real Life Stories". Estreou na Broadway em 1943 com a peça "Kiss and Tell". Richard continuou no teatro até o final da década de 40, quando foi indicado pelo produtor Darryl F. Zanuck para o filme que seria a consagração de Richard como ator: "Kiss of Death."
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Em "Kiss of Death", Richard esta literalmente apavorante como o psicopata Tommy Udo.
A clássica cena da escada, o sorriso demoníaco, a perversidade estampada no rosto, na expressão, o close e um domínio total de cena tornaram ator e filme inesquecíveis.
Na década seguinte, Richard aperfeiçoaria seu estilo em vários filmes de sucesso. "Unidos pelo Próprio Sangue", "Sombras do Mal", "O Álamo", "Rua
Sem Nome", "Pânico nas Ruas", "Último Brilho do Crepúsculo", "Almas Desesperadas" etc. Este último contracenando com a jovem Marilyn Monroe.

/Em 1971, estrelou o telefilme "Os Impiedosos", que serviu como piloto da série "Madigan". Na história, Widmark interpreta um detetive de Nova York que se aposenta e vai morar em um rancho na Califórnia. Lá, envolve-se em um caso de assassinato. O personagem morre, mas a série foi produzida trazendo Madigan de volta, ignorando o final.
Os episódios da série foram exibidos dentro da Sessão "Os Detetives" da rede NBC. Apesar da crítica ter sido boa, a série foi cancelada com apenas uma temporada de seis episódios de 90 minutos de duração. O ator ainda esteve no filme "O Último Caso de Brock", piloto de série não produzida, e na minisérie "Benjamin Franklin: The Rebel" e outros telefilmes.
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Em 1942 casou-se com Jean Hazlewood, autora teatral, que faleceu em 1997. O casal teve uma filha, Anne Heath Widmark, em 1945. Richard casou-se em 1999 com Susan Blanchard, produtora teatral, e ex-esposa de Henry Fonda com quem ficou até falecer no dia 24 de março.
Como disse meu amigo Yosif a respeito de Widmark "os grandes de hollywood vão desaparecendo".
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Imagem daqui.

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Francisco Cândido Xavier, conhecido como Chico Xavier, nasceu em Pedro Leopoldo, interior de Minas Gerais, no dia 2 de Abril de 1910.
Foi um dos mais conhecidos espíritas do Brasil. Educado na fé católica, teve seu primeiro contato com a Doutrina Espírita em 1927, quando começou a desenvolver sua mediunidade.
Escreveu mais de quatrocentos livros mas nunca admitiu ser o autor de nenhuma obra, porque insistia que eram reproduções do que os espíritos ditavam.
Nunca aceitou o dinheiro lucrado com a venda de seus livros, doando os direitos autorais para Federação Espírita.
A partir dos anos 70 passou a ajudar pessoas necessitadas com o dinheiro que arrecadou com a venda dos livros. O seu nome foi muito conhecido no Brasil, por sua humanidade e assistência ao próximo. Chico Xavier morreu em 2002 já com 92 anos de idade deixando uma grande obra escrita e sobretudo lições de humildade, caridade e doação ao próximo.

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Aprendendo com Chico Xavier
Adelino Silveira

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“O ano era 1997, numa terça-feira à noite. Quando chegamos para visitá-lo, ele contou-nos o seguinte caso:
- Hoje minha mãe me apareceu e disse-me:
- “Meu filho, após tantos anos de estudo no mundo espiritual estou-me formando assistente social. Venho me despedir e dizer que não mais vou aparecer a você”.
- Mas a senhora vai me abandonar ?
- Não meu filho. Imagine você que seu pai precisa renascer e disse que só reencarna se eu vier como esposa dele. Fui falar com a Cidália, sua segunda mãe, que criou vocês com tanto carinho e jamais fez diferença entre os meus filhos e os dela. Ela contou-me que também precisa voltar à Terra. Então eu lhe disse:
- Cidália, você foi tão boa para meus filhos, fez tantos sacrifícios por eles, suportou tantas humilhações… Nunca me esqueci quando você disse ao João Cândido que só se casaria com ele se ele fosse buscar meus filhos que estavam espalhados por várias casas para que você os criasse. Desde minha decisão de voltar ao corpo, tenho refletido muito sobre tudo isso e venho perguntar-lhe se você aceitaria nascer como nossa primeira filha ? Abraçamo-nos e choramos muito. Quando me despedi dela, perguntei-lhe:
- Cidália há alguma coisa que eu possa fazer por você quando for sua mãe ?
Ela me disse:
- Dona Maria, eu sempre tive muita inclinação para a música e não pude me aproximar de um instrumento. Sempre amei o piano.
- Pois bem, minha filha. Vou imprimir no meu coração um desejo para que minha primeira filha venha com inclinação para a música. Jesus há de nos proporcionar a alegria de possuir um piano.
A essa altura da narrativa o Chico estava banhado em lágrimas e nós também. Mas continuou a falar de Dona Maria:
- Seu pai vai reencarnar em 1997. Vou ficar junto dele por aproximadamente três anos e renascerei nos primeiros meses do ano 2000.
- Mas a senhora já sofreu tanto e vai renascer para ser esposa e mãe novamente ?
- São os sacrifícios do amor… Até um dia meu filho…
Neste momento, concluiu o Chico, também ela começou a chorar”.
(Extraído do livro "Momentos com Chico Xavier", de Adelino Silveira, ed. GEP)

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