Em algum lugar do passado...
aqui no presente.
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Hoje no Telecine Cult, na verdade escrevo e vejo aqui na TV ao lado, o início do filme "Em algum lugar do passado" .São 18:55 de um domingo chatinho como todos os domingos, em geral são.
Eu não sou saudosista, mas tenho muita saudade de alguns dias da minha vida e esse filme me lembra tanto o primeiro amor, o Miguel. Altíssimo, cabelos pretos e olhos azuis. Às vezes, penso que o único amor puro na essência é o primeiro mesmo, e não precisa ser necessariamente na adolescência, basta ser numa idade em que ainda não se aprendeu a jogar, que dizer "eu te amo" com medo de ser o primeiro a dizer, nem passa pela cabeça. Que demonstrar  amor não gera no outro um sentimento de poder, de estar  no domínio da situação, apenas um conforto, um calor aconchegante no coração dizendo: em algum lugar tem alguém que pensa em mim com  amor.
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Coisa difícil nos dias de hoje e por isso mesmo continuo achando que nasci na época errada. Admiro o tempo em que um fio de barba, uma palavra dada era o necessário para se fechar acordo, cumprir promessas.
Hoje não, nada nos garante sequer que alguém está dizendo a verdade, muito menos seria uma temeridade aceitar uma palavra sem lavrar em cartório. Uma pena, que tudo isso tenha se perdido.
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Passam os séculos, mudam os anos e os tempos modernos nos falam da independência amorosa, das noites onde o desencontro esta marcado em algum bar, festa ou lugar, onde estamos, mas ele nunca esta. Ele? Ele mesmo, esse tipo de amor ou melhor vontade de amar que o tempo não supera ou apaga.
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Esse que quando estamos sem ele, o objeto amado, continuamos sentindo sua presença onde não mais se encontra. Ou que telefonamos, escrevemos só para nos certificarmos de sua presença no mundo. É quando se percebe que mesmo o desejo de esquecê-lo é o mais forte estímulo para dele se lembrar.
Não há solução, como disse Nietz, quando descobriu "a fórmula da grandeza do homem : amor fati". Não evitar nem se conformar e muito menos dissimular, mas afirmar o necessário, amar o que não pode ser mudado.
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A décima oitava variação de Rapsódia, de Rachmaninoff, é o toque do meu celular quando quem liga não tem música própria. Não há quem não reclame, quando toca dizendo que é fúnebre. Não acho e pensando bem, talvez seja uma forma de me manter ligada a um passado que faz parte da minha história.
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...mas deixa eu continuar a ver o filme.
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5 comentários:

    bom texto, Angel. Só sei dizer isso. me fez sentir coisa e lembrar de outras. e eu também não sou dess tempo. sou de outro. ou de outros.

    deixo um carinho.
    continuemos...

    Pois é, não sou mesmo, Germano. Queria ter nascido numa época em que as pessoas se preservavam mais. Hj eu chego a ter vergonha das mulheres hortifrutegranjeiras. Parece que há uma avidez em relatar com detalhes o que se faz entre 4 paredes. Não há segredos um certo pudor para todos e total despudor para o homem escolhido, entende?

    Não é puritanismo, mas acho que certas coisas só se diz nos ouvidos de pessoas especiais. Não é pra todo mundo, perde o valor.

    Hj todo mundo é amigo, mas na hora do aperto poucois ficam. A palavra dada não tem quase valor e é por isso que sempre digo: pra atitudes tem mais valor do que palavras, sabe? Não devia ser assim, mas aprendi a acreditar nisso.



    bjimm e obrigada pelos comentários!

    On segunda-feira, 13 outubro, 2008 Anônimo disse...

    Belissímo texto! Promessa de dois, em que tempos moderonos ou os desencontros conseguem transformar "o amor" em palavra vazia. Gosto de acreditar que lá fora existe alguém que se encaixe. Ah! Só Deus é quem sabe do amor. Eu não sei nada, só sei que a vida nos prepara cada cilada! O jeito e percorrer a longa estrada, né mesmo?

    Bjim, querida!

    Elaine - desanuviando
    ;)

    Tem tempo que vi esse filme...
    Essa coisa de amorXpoder é brabo mesmo, Schopenhauer que o diga, mas ainda acredito no ser humano, prefiro assim, acho que ainda existam almas "puras"...
    Bom, passando pra deixar um xero.
    Bjim pro ce! :)

    Querida, vc fala como eu. Outro dia no avião vindo de paris- o sonho realizado- eu chorava ouvindo Piazzolla tocar Adios nonino e pensava o porquê do choro. Pensei que não tenho mais aquele amor distante,ma spresente- se estivesse vivo ficaria feliz com a narração da minha viagem- ele não está mais aqui, mas em algum lugar no passado e ainda dói.
    Bjs Laura
    PS: adoro Rachmaninoff e 'Rapsódia', tem um filme lindo com a música, já viu ?
    veja aqui:
    http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&q=rapsodia+elizabeth+taylor&btnG=Pesquisar&meta=