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Certa vez, Robert Ryan disse: "Eu posso ter sido uma criança prejudicada pela vida. Já me disseram muitas vezes, que as pessoas, pelo menos as pessoas bem sucedidas no teatro, vieram de uma infância infeliz. Eu não sei se é verdade, como também não posso dizer se fui uma criança infeliz, mas uma criança solitária, isto sim, eu fui". Para alguém que passou fome , perdeu o irmão aos 8 anos de idade e o pai quatorze depois, talvez Ryan estivesse sendo otimista, mas a verdade é que até se dedicar ao cinema, a vida não foi tão indolor assim.
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Ryan passou sete anos trabalhando em tudo que aparecia, e não demonstrando interesse por outra coisa qualquer.
Após conseguir ser nomeado para o serviço público de Chicago, Robert decide investir em arte dramática. Assim, mesmo a contragosto de sua mãe, ele viaja para a Califórnia onde se matricula na Oficina Teatral de Max Reinhardt, uma das mais respeitadas em Hollywood. Lá, conhece a aluna Jessica Cadwalader, com quem viria a se casar em 1939, e que se tornaria sua companheira até o falecimento dela em 1972.
Mas o estrelato viria mesmo no 1947 ao contracenar com Joan Bennett em "A Mulher Desejada". A partir daí, Ryan segue fazendo um sucesso atrás do outro.

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Com um porte atlético e altura de 1,93, Ryan filmaria o excelente “The Set-Up” , (Punhos de Campeão), sobre o qual a crítica diria:
"O filme “The Set-Up” é poupado de qualquer lirismo, sobre o submundo e a humanidade tão baixa, revelada no soberbo desempenho de Robert Ryan. Tenho pouco a dizer. Thompson é tão ignorante e ignóbil quanto os outros boxeadores. Olhem seu rosto golpeado. É derrotado. Contudo, remanesce uma sensibilidade poética em seus olhos e em seu sorriso ocasional. Seus olhos estão sempre prestando atenção em volta do ringue, e o vemos constantemente fazendo isso enquanto espera o próximo assalto. Thompson tem bastante dignidade humana para recusar a corrupção, por isso ele sofreu uma brutal agressão, não mais importando com sua carreira medíocre no Boxe. Na extremidade, ele tem muito orgulho de si mesmo pela vitória ganha naquela luta, e não faz nenhuma avaliação da conseqüência dela".
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Ryan, nunca seria o galã e como disse certa vez ao amigo Cary Grant que costumava reclamar de seus papéis:
"Geralmente, eu sou fadado a trabalhar em lugares desolados e poeirentos. Como eu disse a Cary Grant certa vez, eu lhe falei que nunca me enviam para filmar em lugares como Monte Carlo, Londres, Paris, ou a Riviera Francesa, por eu não ser charmoso e nem tão pouco sofisticado como ele é. Sempre me mandam filmar em desertos, com uma camisa suja, e minha barba por dois dias por fazer, além de me alimentar mau. Mas isto é um ato natural. Como eu digo, eu começo meus piores papéis por causa de meu jeito de ver as coisas”
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E foi justamente por causa desse jeito, segundo ele sem charme e sofisticação que acabou por atuar em um dos faroestes mais famosos do cinema: "Meu ódio será sua herança" de 1969.
No início dos anos 70, Robert Ryan descobre que tem um câncer no pulmão, mas continua a trabalhar até o ano de sua morte em 1973.

1 comentários:

    Olá, vc é interessante, gosta de atores do passado... :)
    bjs Laura