Oscar e Edith Piaf.


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The winner is:
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Melhor filme
"Onde os fracos não têm vez" é o grande vencedor da noite.
Melhor diretor
Ethan e Joel Coen, de "Onde os fracos não têm vez", venceram a estatueta, entregue pelo veterano Martin Scorsese, que ganhou no ano passado.
Melhor ator
O favorito Daniel Day-Lewis, protagonista de "Sangue negro", saiu vitorioso.
Melhor roteiro original
A escritora Diablo Cody, da comédia adolescente "Juno", recebeu o prêmio, entregue por Harrison Ford.
Melhor documentário
"Taxi to the dark side", de Alex Gibney e Eva Orner, recebeu a estatueta das mãos de Tom Hanks.
Melhor documentário em curta-metragem
A produção americana "Freeheld" saiu vencedora.
Melhor trilha sonora original
Dario Marianeli ganhou por seu trabalho em "Desejo e reparação".
Melhor fotografia
O filme "Sangue negro" levou o primeiro prêmio esta noite.
Melhor canção original
Saiu vencedora "Falling Slowly", de Glen Hansard e Marketa Irglova, do filme independente "Once".
Melhor filme estrangeiro
A produção austríaca "The counterfeiters", de Stefan Ruzowitzky, levou o prêmio.
Melhor edição
"O ultimato Bourne" ganhou a estatueta.
Melhor atriz
A francesa Marion Cotillard venceu o Oscar por "Piaf - um hino ao amor".
Melhor mixagem de som
"O ultimato Bourne" levou o prêmio.
Melhor edição de som
O longa-metragem "O ultimato Bourne" ganhou na categoria.
Melhor roteiro adaptado
"Onde os fracos não têm vez", dos irmãos Coen, venceu a estatueta.
Melhor atriz coadjuvante
A britânica Tilda Swinton venceu na categoria por sua participação em "Conduta de risco".
Melhor curta de animação
"Peter and the wolf" levou a estatueta da categoria.
Melhor curta-metragem
A produção francesa "Le Mozart des pickpockets" levou o prêmio, entregue pelo ator Owen Wilson.
Melhor ator coadjuvante
O favorito Javier Bardem ganhou o prêmio por sua participação em "Onde os fracos não têm vez ". A estatueta foi entregue por Jennifer Hudson, vencedora no ano passado.
Melhor direção de arte
Os italianos Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo venceram a estatueta por seu trabalho em "Sweeney Todd - O barbeiro demoníaco da Rua Fleet", de Tim Burton. Cate Blanchett apresentou os ganhadores.
Melhores efeitos especiais
O filme "A bússola de ouro" venceu a disputa e levou o prêmio, entregue por The Rock.
Melhor maquiagem
O longa-metragem "Piaf - Um hino ao amor" venceu a estatueta, entregue pela atriz Katherine Heigl.
Melhor animação
"Ratatouille", de Brad Bird, levou o prêmio, apresentado pela dupla Steve Carell e Anne Hathaway.
Melhor figurino
"Elizabeth - A era de ouro" recebeu a estatueta, entregue pela atriz Jennifer Garner.
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Apresentado pelo entediante Jon Stewart, esse foi sem dúvida uma das noites mais bocejantes da entrega do prêmio. Só valeu a pena por Bardem e Marion Cotillard, ambos sensacionais!
Marion, no entanto tem toda minha devoção porque a entrega dela ao interpretar Piaf deixa
qualquer um sem palavras.
Às vezes, me parece que para alcançar a eternidade da única maneira possível, nas mentes e corações humanos seria pagando um preço muito alto. Parece que que o destino sentencia: Jamais serás esquecida, mas em momento algum saberás o que é ser feliz, exceto por momentos ínfimos, tão pequenos que tu nem terás tempo de absorvê-los dada a sua efemeridade. Tudo que conseguir será a custa de imenso esforço e ainda assim será tomado de ti absolutamente tudo.
Isso posto, aceita-se ou não. Acho que algumas pessoas aceitam e se é assim, uma delas foi Piaf.
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Piaf
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Os pais de Piaf eram alcoólatras, a mãe uma cantora fracassada e o pai um contorcionista medíocre. Piaf teve péssimas condições de vida desde criança, talvez isso explique além das drogas, sua frágil saúde. Consta que a mãe, além de alimentar muito mal a menina, misturava vinho tinto a sua mamadeira.
Com a chegada da Primeira Guerra Mundial, seu pai é convocado e a mãe vai tratar da vida abandonando Piaf a própria sorte. Somente dois anos mais tarde o pai dela voltaria e a levaria para o bordel que a mãe dele, avó de Piaf, mantinha. Por incrível que pareça, ali entre a sujeira e as mulheres de vida difícil e isso não é uma ironia, ela tem seus melhores dias, até que uma infeccção gravíssima a deixa cega. Feito o diagnóstico, os médicos recomendaram alimentação sadia, higiene, descanso para os olhos e muita paciência, já que a cura esperada seria sobretudo obra do tempo. Realmente, anos depois Piaf estava curada e muitas das mulheres da casa acreditavam ser um milagre de Santa Teresa de Lisieux, de quem Piaf se tornaria devota.
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Mas como disse antes, o destino estava a espreita, observando os melhores anos da menina.
Foi então que um curador de menores aconselhou seu pai a retirá-la daquele ambiente.
Pois é, o ambiente impróprio foi o único lugar que era se sentira em casa. Não bastava o desamparo de não ter pai e mãe de maneira constante e amorosa na vida ainda lhe tiravam o pouco que tinha.
Em 1922, Edith e o pai deixaram a Normandia. De volta a Paris, ela o acompanhava em seus espetáculos de rua, recolhendo as moedas que lhes ofereciam ao final de cada apresentação. Juntos, percorreram o país, durante anos. Foi um período triste e miserável, onde a menina se viu privada das atividades mais comuns da sua idade.
Aos 15 anos, Edith conhece Simone Berteaut, cujo apelido era Momone e com ela aprende a conhecer a noite no que ela tinha de melhor e quase sempre pior. Já consciente de sua bela voz, Edith canta pelas ruas de Paris.
Era o ano de 1932 e aos 17 anos, Edith se apaixona por Louis Dupont e com ele tem uma filha, Marcelle. Não se sabe exatamente as condições em que essa gravidez transcorreu. O fato é que, já separada de Louis, perderia a filha de apenas 2 anos e meio para a meningite. Dizem que Edith se prostituiu para conseguir dinheiro para o funeral da filha e que o cliente, sensibilizado com o fato, pagou e nada exigiu em troca. Mas, a menina foi enterrada no cemitério dos pobres, em Thias, subúrbio a leste de Paris. Os recursos do pai e da mãe permitiram apenas um funeral de indigente. Após a morte de Marcelle, Edith voltaria as ruas.
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Foi numa dessas "apresentações" que Piaf conhece aquele que transformaria sua vida: Louis Leplée, diretor do elegante Cabaré Le Gerny’s, situado na rue Pierre Charron, 54, em Champs Elysées. Impressionado com o vigor de sua voz, ele a chama para um teste e acaba conquistando definitivamente não só Louis Leplée, como a todos que estavam presentes naquele dia.
Contratada, passa a receber 40 francos por noite. Pelas mãos de Louis, Piaf começa realmente a se transformar em Edith Piaf, a começar pelo nome Piaf que significa em gíria, "pardalzinho". Com apenas 1,47 e uma voz poderosa, emotiva que não raro levava a platéia as lágrimas.
Nesse período de sua vida, a sorte lhe sorria. Conheceu gente inportante, conviveu com artistas que jamais pensaria em sequer ver de perto, aprendeu a se comportar melhor e prosperou tornando-se conhecida.
Em 1936, pelas mãos de Louis chegou a gravar seu primeiro LP, mas como não poderia deixar de ser, mais uma vez o destino mudaria tudo e a tragédia já estava chegando.
Louis Leplée seu grande benfeitor é assassinado e a felicidade conquistada em apenas 6 meses começa a ruir diante de seus olhos. A imprensa massacra Piaf, ainda que Louis fosse homossexual e o crime tivesse conotações passionais. Piaf com apenas 20 anos de idade se vê nas matérias sensacionalistas de todos os jornais.
A muito custo consegue sair do olho do furacão e retomar a carreira. Atravês de Raymond Asso, vai melhorando sua maneira de se apresentar em público, renovando sua imagem depois de tanto escandalo.
Os anos se sucederam, duas guerras, perdas naturais para ela e a humanidade, mas Piaf era forjada a aço e conseguiu um grande sucesso, tão grande que se tornou a queridinha da elite intelectual francesa. Os amantes se sucediam e Piaf mergulhava fundo em cada relação como se fosse a última, o que gerava interpretações memoráveis.
Após a 2ª guerra mundial, Edith já conhecida no mundo inteiro se aventura numa má sucedida turnê pelos EUA. De fato que o amor que a Europa lhe dedicava não encontrou eco nos americanos. Ele não entendiam a forma apaixonada com que cantava e normalmente encantava a todos. Decidida a ganhar corações e mentes, ela permaneceu depois deu uma crítica positiva e aí sim, diante de uma platéia de celebridades, Piaf comoveu a todos e tanto foi o sucesso que apesar de prevista para uma semana, sua apresentação foi prorrogada para quatro meses. Mas...vocês sabem o destino era implacável.
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Em Nova York, Edith se apaixona por aquele que seria o grande amor de sua vida, Marcel Cerdan, um pugilista.
Marcel era casado e tinha filhos, um prato cheio para a imprensa da época que explorou com gosto o escandâlo. No entanto, dessa vez, foi diferente. Todo o público tinha para Edith os olhos de Marcel. Ele a achava formidável. O público achava ambos formidáveis: o gentil e soberbo campeão, arrancado pela glória do seu Marrocos natal e a alegre e comovente cantora, tirada da rua pelo milagre de sua voz incomparável. O que sua relação tinha de ilegal, o fervor popular legitimou." Marcel era um homem de maneiras simples, mas, emocionalmente estável e proporcionava a Edith uma segurança que ela jamais encontrara.

A Marcel Cerdan dedicou um de seus mais belos clássicos: "L'hynne à l'amour", canção escrita em parceria com a compositora francesa Marguerite Monnot.
Apresentada pela primeira vez no Versailles, "Hino ao amor" possui algo de premonitório:

" Si un jour, la vie t'arrache à moi,
Si tu meurs, que tu sois loin de moi
Peu m'importe, si tu m'aimes,
Car moi, je mourrai aussi...."

"Se um dia, a vida te arrancar de mim,
Se morreres, se ficares longe de mim
Que me importa, se me amas,
Porque eu morrerei também."...

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Mais uma vez, o destino se encarregou de mudar tudo e dessa vez o fez de maneira devastadora.
Em outubro de 1949, ela estava em New York. Marcel iria encontrá-la, após um série de lutas em benefício de pugilistas inválidos. Sozinha e saudosa, ela pediu que ele tomasse um avião, em vez de um navio que demoraria uma semana. Marcel argumentou...ela insistiu...
Esta foi a última vez que se falaram. O avião, um Constellation, caiu nos Açores. Edith recebeu a notícia poucas horas antes de uma apresentação, no Versailles.
Subindo ao palco, ela calou os aplausos com um gesto e repetiu para a platéia o que já dissera aos amigos: "Hoje à noite, canto para Marcel Cerdan, em sua memória, unicamente para ele".
Ao final da quinta música, Piaf desmaiou.
Os jornais do dia seguinte trouxeram de volta a dor da realidade: "Eu o matei", repetia ela...
Edith Piaf
não pôde comparecer nem no dia seguinte, nem nos três dias posteriores ao palco do Versailles. À insuportável dor da perda, juntou-se uma intensa dor física, provocada pelo reumatismo, que se manifestava pela primeira vez, e exacerbada por uma reação orgânica à brutalidade do choque que sofrera. Incapacitados de remover a causa, aos médicos restou a alternativa de combater os efeitos. Prescreveram morfina, o mais poderoso calmante disponível na época.
Daí em diante a vida de Piaf divide-se em vida e sobrevida. Nada mais seria como antes apesar de novos "amores", sucesso de público e crítica e tragédias como dois gravíssimos acidentes que sofreu. Piaf estava entregue, bebia em excesso e era viciada em morfina. Sua saúde que já não era boa piorava a cada dia. Os amigos tentavam esconder, minimizar seus problemas de saúde, mas os sucessivos desmaios em pleno palco revelavam a verdade. Ainda assim, Piaf prosseguiu recusando-se a abandonar o palco.
Já perto do final de sua vida, Piaf se casaria com Theophanis Lamboukas, um jovem grego, cabeleireiro de senhoras num salão familiar. Ela estava com 46 anos e ele apenas 23.
Segue então um período em que as internações tornam-se constantes. Uma cura estava fora de cogitação. O fígado estava por demais enfraquecido e ela pesava apenas 34 quilos. Aos quarenta e oito anos, Piaf aparentava ter mais de sessenta - a vida desregrada, as doenças e muito sofrimento haviam lhe cobrado um alto preço.
Na quarta-feira, 9 de outubro, dia do aniversário de casamento com Theo, vertigens e calafrios obrigaram-na a ficar na cama até a hora do almoço. Voltou a deitar-se pouco depois, e não voltaria a descer mais...

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Leia mais: http://www.little-sparrow.co.uk/
http://www.cinemacafri.com/filme.jsp?id=1220
E assista o filme. Marion É Edith Piaf.

4 comentários:

    On terça-feira, 26 fevereiro, 2008 Paulo Ricardo disse...

    Mas onde arranjou tempo pra escrever? Incrível! E super-detalhado :)

    Adorei as informações sobre a Edith Piaf. Sabe que ela também fez filme? Vou tentar encontrar :)

    Beijossssss

    Très brillant, très charmant, ma chérie! :-)

    Beijo pra ti, Angel!

    Ai quando essa moça informa, ela não deixa nada de fora e ainda traz as pitadas certas pra gente entender melhor os porquês das histórias de alguns ídolos que marcam a vida da gente e não é à toa.
    Te adoro, viu mocinha.
    Nos posts, nos conselhos, no ombro amigo e nas visitas.

    E... Ahhhh... Tô cada vez mais apaixonada pelo novo lay-out, acho que vou "reformar" o selinho que tenho lá :D

    beijussssssss

    On segunda-feira, 03 março, 2008 Anônimo disse...

    Tá lindo o Literatus!

    Bjs

    p.s. adorei Piaf...
    Andarilha