Mi Cuba querida
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"A meus queridos compatriotas, que me deram a imensa honra de me eleger recentemente como membro do Parlamento, em cujo seio devem ser adotados acordos importantes para nossa Revolução, comunico que não aspirarei e nem aceitarei - repito - não aspirarei e nem aceitarei o cargo de Presidente do Conselho de Estado e Comandante em Chefe", escreveu Fidel.
19/02/2008 - Renúncia de Fidel Castro.

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De Fidel a Raúl

"Digam aos irmãos do norte que fiquem tranqüilos, não pretendo exercer meu cargo até os 100 anos", brincou o então presidente de Cuba, Fidel Castro. Naquele 26 de julho de 2006, ele estava profeticamente certo. Fidel e os cubanos comemoravam os 53 anos do ataque ao quartel La Moncada. Fidel, há mais de 47 anos do poder e perto de completar 80 de idade, estava de bom humor e brincava com a própria longevidade. Não parecia imaginar que aquele seria o último discurso antes de deixar o posto.

Foi um discurso curto para seus padrões, apenas duas horas e meia. "Há muito mais que comemorar", disse. "O país conseguiu reduzir a mortalidade infantil e aumentar a expectativa de vida para 76,8 anos - acima da média dos países desenvolvidos", disse. O presidente cubano dedicou os últimos minutos de seu discurso para criticar o que chamou de desinteresse do sistema capitalista pelas questões sociais. Mais de 100 mil pessoas participaram da solenidade, na cidade de Bayamo, no leste do país, que contou com a presença de dirigentes do Partido Comunista, ex-combatentes de Moncada. Fidel foi tão conciso que não citou números que adora repetir nessas ocasiões: a menor taxa de mortalidade infantil do continente (6,22 mortes por mil nascimentos), os 97% da população alfabetizada (86,4% dos brasileiros estão na mesma condição) e a taxa de desemprego de 1,9% da população. Tampouco mencionou (nem costuma fazê-lo) os péssimos resultados da economia do país que tem uma das menores rendas per capita do continente (a 29ª) e convive com o racionamento de alimentos.

Cinco dias depois, às 19h40, os cubanos assistiram na TV a um pronunciamento do secretário pessoal de Fidel, que leu uma nota do presidente. Nela, ele dizia que se submeteria a uma cirurgia e, por isso, e para se concentrar na recuperação, transferia o controle do governo para seu irmão, Raúl. Era a primeira vez que Fidel Castro, que assumiu em 1959, deixava o cargo. A primeira vez que Cuba ficava sem Fidel. As pessoas que escreveram e editaram esta matéria, bem como aqueles que nos deram entrevistas e deixaram gravados seus depoimentos, não sabiam se essa ausência era definitiva. Tudo indicava que era. Mas, tratando-se do homem que resistiu a três anos de guerrilha no meio da selva, à malária, a dezenas de atentados contra sua vida, a dez presidentes norte-americanos (seis deles, inclusive, já morreram) e a quase 50 anos de tabagismo, nada parece impossível.

E em 10 de janeiro de 2007, exatos 48 anos depois do dia em que a revolução tomou as ruas de Havana para dividir o mundo ao meio, Fidel estava recolhido ao hospital. E a pergunta "o que acontecerá quando ele morrer?" também divide o mundo e os especialistas.
O bom humor dos cubanos tem a resposta na ponta da língua: "Como pessoas civilizadas, primeiro trataremos de enterrar o comandante". Piadas à parte, será que o socialismo em Cuba descerá à terra com seu caixão? Imaginar Cuba sem Fidel depende, é claro, de como você vê Cuba com Fidel.
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Particularmente, só acredito em uma Cuba livre com Fidel morto, enquanto ele estiver vivo, não acredito em mudanças significativas. E mesmo depois de sua morte, não creio que o povo cubano vá pegar em armas que não seja em defesa de seu País, como se sabe eles são extremamente patriotas.
O certo é que Fidel já faz parte da história e por ela será julgado. Embora não tenha morrido em plena Revolução, o que ajuda e muito a criar mitos, ele foi além, sobreviveu a ela, deu continuidade sem jamais deixar de acreditar que estava fazendo o que era certo.
Certo ou errado, ele fez. Que julgue agora a história sem parcialidades imbecis destinando a ele ou o título de líder revolucionário ou ditador sanguinário. Fidel foi tudo isso e muito mais.




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