Meu melhor amigo

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Então a raposa apareceu.

"Bom dia", disse a raposa.

"Bom dia", o Pequeno Príncipe respondeu educadamente. "Quem é você? Você é tão bonita de se olhar."

"Eu sou uma raposa", disse a raposa.

"Venha brincar comigo", propôs o Pequeno Príncipe. "Eu estou tão triste."

"Eu não posso brincar com você", a raposa disse. "Eu não estou cativada."

"O que significada isso – cativar?"

"É uma coisa que as pessoas freqüentemente negligenciam", disse a raposa. "Significa estabelecer laços."

"Sim" disse a raposa. "Para mim você é apenas um menininho e eu não tenho necessidade de você. E você por sua vez, não tem nenhuma necessidade de mim. Para você eu não sou nada mais do que uma raposa, mas sem você me cativar então nós precisaremos um do outro."

A raposa olhou fixamente para o Pequeno Príncipe durante muito tempo e disse: "Por favor cativa-me."

"O que eu devo fazer para cativar você?" perguntou o Pequeno Príncipe.

"Você deve ser muito paciente." Disse a raposa. "Primeiro você vai sentar a uma pequena distância de mim e não vai dizer nada. Palavras são as fontes de desentendimento. Mas você se sentará um pouco mais perto de mim todo dia."

Então o Pequeno Príncipe cativou a raposa e depois chegou a hora da partida dele – "Oh!" disse a raposa. "Eu vou chorar."

"A culpa é sua", disse o Pequeno Príncipe, "mas você mesma quis que eu a cativasse."

"Adeus" disse o Pequeno Príncipe.

"Adeus", disse a raposa. "E agora eu vou contar a você um segredo: nós só podemos ver perfeitamente com o coração; o que é essencial é invisível aos olhos. Os homens têm esquecido esta verdade. Mas você não deve esquecê-la. Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa."
Saint-Exupéry

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O que é preciso para se ter um amigo? Um "melhor amigo"?
Aquela pessoa que você pode ligar, sem medo, às três da manhã, pra chorar no ombro que ele não vai ficar chateado, pelo contrário vai ficar afobado pra saber o que aconteceu. Aquele para quem você pode falar dos seus medos, confessar fraquezas que sabe que não será julgado.
Essas são as questões abordadas nessa deliciosa comédia francesa que o meu querido amigo Alê me mandou direto de Sampa.

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O filme conta a história de François, um marchand extremamente apegado a objetos. Em seu aniversário sua sócia, Catherine (Julie Gayet), diz que ele não tem amigos, e todos presente na mesa concordam.
Indignado com tal observação, François faz uma aposta com Catherine, para apresentar em dez dias seu melhor amigo. Ele parte então em busca de seu melhor amigo através de uma lista, mas aos poucos vai descobrindo que não cultivou qualquer amizade. Mesmo com sua própria filha ele não consegue manter uma relação próxima.
O desespero aumenta e ele começa a procurar cursos, livros e perguntar as pessoas na rua sobre como fazer amizades. Para não perder a aposta, que é a um vaso grego caríssimo que adquiriu, e que curiosamente simboliza a amizade, François pede a ajuda do taxista Bruno (Dany Boon), que consegue facilmente interagir com outros. Aos poucos, mesmo sem perceber, começa a nascer a amizade entre essas pessoas tão diferentes.

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O filme conquista pela sua simplicidade e despretensão. Com linguagem direta e narrativa ágil, toca na ferida das atuais relações humanas, sem cair no sentimentalismo fácil.
Uma delícia de se ver, um presente inesquecível que já esta em ótimas companhias na minha DVdoteca e a certeza de que no mundo existem pessoas que sabem exatamente o que significa a palavra AMIZADE.

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Em tempo! Esse post é dedicado aos meus amigos, em especial ao Alê.

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