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Lavando minhas próprias louças...
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Neste final-de-semana assisti a dois filmes: Homem Aranha 3 e Pecados Íntimos.
Homem Aranha 3 é Homem Aranha 3 ou seja, um pouco mais do mesmo. Quedas, vôos, defeitos cada vez mais especiais, aquilo que se espera. Já Pecados Íntimos, não. Essa é a diferença.
De Pecados Íntimos não se espera nada, não há o previsível, ainda que pareça apontar para isso e por isso durante o filme pensei constantemente: não estrague tudo, não estrague tudo! Não queria aqueles longas que começam num ritmo, com uma estória intrigante mas acabam indo para a mesma direção de sempre.

Graças a Deus, Pecados Íntimos é perfeito e fala diretamente a todos de alguma maneira, a começar pelo título original, Little Children, uma fina ironia, porque apesar de ser um filme povoado de crianças, as verdadeiras crianças são os adultos.
Ao longo do filme, que já vi comentários como sendo “mais um filme sobre traição” e nada pode ser mais imbecil do que esse comentário, as situações envolvendo a dona de casa Sarah Pierce (a soberba Kate Winslet) e Brad Adamson (não tão soberbo Patrick Wilson) se entrelaçam a outras vidas e personagens.
Há um tarado na região com sua mãe superprotetora, há a esposa de Brad, Kathy (linda e anoréxica Jennifer Connelly), há outras mães suburbanas com seus falsos pudores, o policial aposentado prematuramente por um acidente e as crianças.
Brad, marido de Kathy, tenta mais nunca consegue passar no Exame da Ordem, um simbólico rito de passagem para a vida adulta. Kathy é a provedora do lar e a “mãe” exigente do marido, sempre chamando-o a responsabilidade. Por outro lado, Sarah é mãe e intelectual casada com um homem que obtém prazer na internet. Frustrada porque enxerga a vida naquele pacato subúrbio como a sua própria, desprovida de qualquer emoção. Ela é capaz de, ao olhar as outras donas de casa conversando, enxergar a mediocridade de suas vidinhas, o desejo que se esconde em cada uma delas de transgredir de fato, mas se contentam apenas em olhar Brad, o pai, desempregado, eterno “estudante” levando seu filho ao parquinho.

Mas o que difere Sarah das outras, além de um olhar mais aguçado? O fato de ir além. Ela e Brad, como era de se esperar, começam um caso. Ambos, assim como adolescentes alimentam seu apetite de vida em cada encontro fortuito. Até mesmo na idéia de fugir, ao invês de fazer como os adultos insatisfeitos fazem, se separam, eles preferem uma fuga que acaba não acontecendo. Em torno disso, se desenrolam outras estórias.
A mãe do tarado preocupada com o futuro dele e que comenta numa das cenas, algo como: "Você precisa arranjar uma boa moça. Sou velha, não vou durar para sempre. Quem vai fazer sua comida, lavar a louça?"
Perfeito! Ora, crianças não devem lavar louças, crianças devem brincar, se divertir, deixe isso para os adultos, para quem cuida delas. Excelente modo de mostrar como todos nesse filme são crianças, como cada um a seu modo terá que despertar e cuidar de si próprio e de sua vida, mais cedo ou mais tarde. E esse despertar acontece a todos no filme. Para Sarah, é quando se vê sozinha com a filha a espera de Brad que não chega, ao contrário, quem aparece é o tarado. Diante da situação, do que ocorre entre os dois, ela faz seu próprio rito de passagem onde a luz do poste ilumina a cena na qual sua filha de três anos a abraça e diz: "Tudo ficará bem, mamãe."

Brad, indo encontrar Sarah para fugir com ela, se detém no meio do caminho para ver os meninos do skate e suas manobras e ao tentar fazer igual, cai e bate a cabeça, dá-se nesse momento o seu despertar. Fuga esquecida é hora de voltar para sua família.

O próprio tarado, ao perder sua mãe, corta seus genitais, entendendo assim o último pedido dela, ou o que entendeu dele: "Que seja um bom rapaz". Ainda assim é salvo pelo ex-policial, seu maior algoz numa maneira de se redimir de um acidente do passado.
Soberbo.

Alguns, eu sei, vão achar chato, vão assistir ou mesmo relembrar depois de ler esse post e não vão achar isso tudo. E outros vão entender exatamente quanto esse filme é perturbador. Talvez a mim tenha tocado de modo especial, como para algumas pessoas porque já fiz ou melhor estou fazendo gradualmente meu próprio rito de passagem. Tive, em minha vida uma ruptura violenta que como muitos sabem envolveu a perda da minha mãe e um mundo que me caiu no colo. Hoje tenho minhas próprias louças para lavar e como diz no filme: O passado não pode ser mudado, mas o futuro sim.



Free Hugs ou Dá cá um abraço, vai!


Hoje recebi o vídeo e a história de Juan Mann, o cara que inventou a campanha “abraço grátis”.
Chorei a ponto de ficar parecendo “Rudolf, a rena do nariz vermelho de Papai Noel”. Ridículo, mas até entendo o por quê de ter me emocionado tanto.
Antes de mais nada, para quem ainda não sabe, Juan Mann é o cara que, em 2004, ao voltar de Londres para a Austrália sentiu-se sozinho no aeroporto de Sidney, pois ninguém da sua família fora recebê-lo. Meses depois Juan entrou de "peru" em uma festa de uma desconhecida e a presenteou com um forte e sincero abraço. Ele sentiu-se como um "rei", pois a pessoa que recebeu aquele abraço ficou muito feliz e surpresa.

Um tempo depois ele decidiu ir para um shopping onde, com um cartaz escrito Free Hughs, esperou por quinze minutos até que uma velhinha lhe deu um tapinha nos ombros e contou a história de como estava triste porque seu cachorro havia morrido e outros problemas de família. Depois de um longo abraço, ela se sentiu bem e foi embora com um sorriso no rosto.

A ação de Juan foi filmada e transformada em vídeo clipe e hoje é sucesso no mundo inteiro. Pois é, o incrível disso tudo é como o vídeo toca as pessoas independente de suas histórias pessoais. Acho que está faltando isso no mundo, entre as pessoas, entre os familiares, os amigos. Tem coisa mais gostosa do que um abraço apertado, abraço de chegada, de saudade, ainda que ninguém esteja chegando ou mesmo sinta saudades, é o gesto, o sabor em si.

Essa é a história de uma idéia simples que acabou se espalhando pelo mundo. Nos lugares mais improváveis tem alguém oferecendo "abraços grátis". Isso só confirma uma coisa, na vida, às vezes não precisamos de nada além disso: um grande abraço. Ser acolhido nos braços de alguém é uma sensação única, reconfortante, a melhor coisa que existe, na verdade.
Bom, no meu caso, acho que a emoção bateu mais forte por de certa forma conseguir entender o que ele sentiu quando viu que ninguém da família dele o esperava no aeroporto. Vivo isso desde que perdi meus pais. Essa sensação de desamparo bate forte é dói profundamente.
Enfim, coisas da vida e a idéia desse pots não a tristeza, mas a emoção de uma atitude simples que está movimentando o mundo.
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ABRAÇOS A TODOS!



Vídeo de Juan Mann:





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Em Ipanema com o jornalista Pacha:

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