Dia da Saudade

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Hoje é o Dia da Saudade.
Saudade nem precisava de dia, todo dia sentimos saudades de alguém ou alguma coisa e até de nós mesmos. Mas tem dia e não poderia passar em branco, nada mais poético.
Antes de fazer esse post dei uma navegada na net e além da definição do Aurélio, li em algum lugar que saudade não tinha cor, cheiro etc. Discordo totalmente. Nada tão repleto dos nossos cinco sentidos do que a saudade.

Saudade segundo o Aurélio é: “Substantivo feminino - Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia.”

Gostei! Nada mais substantivo do que a saudade ser feminino. Melhor dizendo, acho tão próprio do gênero feminino sentir saudade e gosto de senti-la, até porque não associo à tristeza propriamente dita e sim a uma doce melancolia.
Quando a saudade aperta e por conseqüência as lembranças vão chegando de mansinho, sempre tenho uma vontade esquisita. Sempre penso em como seria bom voltar a um dia no tempo com determinada pessoa sabendo o que sei agora.
O último abraço na minha mãe, ter dito “eu te amo” para o meu pai quando ele foi colocado na ambulância para nunca mais voltar, ter perdoado o primeiro amor que por inexperiência, assim como eu, ainda não sabia amar, dormir com a sensação de paz inigualável no peito dele somente mais uma vez. Pescar da infância o melhor dia e vivê-lo de novo.

Um dia para cada pessoa que me foi tão cara, pessoas que foram embora, outras que mandei, algumas que gostaria de ter conhecido melhor.
Um único dia com cada uma delas, para aproveitar com a intensidade do sabor das coisas findas/muito mais que lindas/estas ficarão...como escreveu o poeta e me atrevo a dizer: ficaram.



Saudade

na solidão na penumbra do amanhecer.
Via você na noite, nas estrelas, nos planetas,
nos mares, no brilho do sol e no anoitecer.

Via você no ontem , no hoje, no amanhã...
Mas não via você no momento.

Que saudade...
Mário Quintana


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"e a saudade que eu tinha de gente fazia com que eu rolasse horas na areia do sol abrasador, abraçando meu próprio corpo, inventando um prazer que eu precisava para me sentir vivendo talvez, porque eu não tinha medos nem preocupações nem mágoas nem nada concreto nem expectativas, as minhas células amorteciam, eu sentia que ia acabar virando uma palmeira, os meus pés agora parecem raízes, mas ainda tenho mãos, então eu rolava na areia quente enquanto meus dentes faziam marcas fundas roxas nos meus braços, nas minhas pernas e de repente todas as minhas células explodiam em vida, exatamente isso, em vida, eu tinha dentro de mim todo aquele sol todo aquele mar tudo aquilo que eu conhecera antes, que conheceria depois, se não estivesse aqui. Eu ficava amplo, na areia, abraçado a mim mesmo”
Caio Fernando Abreu – Trecho (In O Inventário do Ir-remediável)

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“Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
Clarice Lispector
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“O tempo não pára!
A saudade é que faz as coisas pararem no tempo...”

Mário Quintana

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“Teus olhos verdes são maiores que o mar.
Se um dia eu fosse tão forte quanto você
eu te desprezaria e viveria no espaço.
Ou talvez então eu te amasse.
Ai! que saudades me dá da vida que nunca tive!”
Tom Jobim

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Saudade

Saudade
É uma palavra
Saudade
Só existe na língua portuguesa
Saudade de Val vendendo pó na esquina
Saudade do que nunca vai voltar

E dos amigos que se foram
Eu hoje estou com saudade
Na noite quente e no calor
Que sobe do asfalto
Saudade quente
Saudade da roda de cerveja
Dos amigos da madruga e
Saudade de nadar no mar
E um dia ter sido mais puro
Saudade da primeira namorada
E namorado também
Saudade, principalmente
Da irresponsabilidade
Saudade, meus amigos
Daqui a pouco vou estar com vocês.
Cazuza

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"Ai. Saudade é uma coisa azul e amarga
com carne por fora e espinho por dentro."
Caio Fernando Abreu

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É uma saudade tão doída de você Que eu não sei mais nada, não. E é isso aí sempre que o amor não pode ser, Sempre que a distância pode mais que o coração."
As Razões do Coração – Toquinho

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"Agora era fatal que o faz de conta terminasse assim, Prá lá desse quintal era uma noite que não tem mais fim. Pois você sumiu no mundo sem me avisar, E agora eu era um louco a perguntar: O que é que a vida vai fazer de mim?"
João e Maria – Chico Buarque






Sobre a saudade.

"Eu era um sujeito perseguido pela saudade. Sempre fora, e não sabia como me desligar e viver tranqüilamente. Ainda não aprendi. É desconfio que não aprenderei nunca. Pelo menos já sei algo valioso: é impossível me desligar da memória. É impossível se desligar daquilo que se amou. Tudo isso estará sempre junto conosco. Sempre teremos tanto o desejo de refazer o bom da vida como o de esquecer e destruir a lembrança do mau. Apagar as maldades que cometemos, desfazer a recordação das pessoas que nos prejudicaram, remover as tristezas e as épocas de infelicidade.É totalmente humano, então, ser um nostálgico, e a única solução é aprender a conviver com a saudade. Talvez para a nossa sorte, a saudade possa transformar-se, de algo depressivo e triste, numa pequena chispa que nos dispare para o novo, para entregar-nos a outro amor, a outra cidade, a outro tempo, que talvez seja melhor ou pior não importa, mas que será diferente..."
(Trilogia Suja em Havana - Pedro Juan Gutierrez)

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"Não, as palavras não fazem amor
fazem ausência
Se digo água, beberei?
Se digo pão,comerei?"
Alejandra Pizarnik

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"(...) Só é triste quem não se recorda, quem não mistura os fatos com as impressões. Toque-me no pescoço, o braço ficará arrepiado e será um acontecimento. Toque-me na memória e vou me encontrar mais do que me pertenci. Nenhuma separação é maior do que a possibilidade de restauração da memória. Não existe escombro que não possa servir de pedra novamente. A memória devolve o que não tínhamos. A memória é a saudade do que virá. Não há quem não feche os olhos ao comer, não há quem não feche os olhos ao cantar a música favorita, não há quem não feche os olhos ao beijar, não há quem não feche os olhos ao abraçar. Fechamos os olhos para garantir a memória da memória. É ali que a vida entra e perdura, naquela escuridão mínima, no avesso das pálpebras. Concentramo-nos para segurar a dispersão, para segurar a barca ao calor do remo. O rosto é uma estrutura perfeita do silêncio. Os cílios se mexem como pedais da memória. Experimenta-se uma vez mais aquilo que não era possível. Viver é boiar, recordar é nadar. Escrevo na água, no vento da água. O passado sem os olhos fechados é como uma roupa enrugada. Sem corpo. Sem as folhas dos plátanos."
Carpinejar

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"Ah, se eu pudesse te transmitir a lembrança, só agora viva,
do que nós dois já vivemos sem saber."
Clarice Lispector

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"Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto.
É com saudades de mim"
Mário de Sá-Carneiro

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Fragmentos 92

"Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram!"
Fernando Pessoas

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*É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que , apenas, levemente, o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos...é preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado, as folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo... Mas é preciso , também, que seja como abrir uma janela e respirar-te , azul e luminosa, no ar... É preciso a saudade para eu te sentir como sinto em mim a presença misteriosa da vida... Mas quando surges és tão outra...múltipla... imprevista... que nunca te pareces com o teu retrato... e eu tenho que fechar os olhos para ver-te!!"
Sob o olhar: Mário Quintana

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Chega de Saudade



Vai minha tristeza e diz a ela que sem ela
Não pode ser, diz-lhe numa prece
Que ela regresse, porque eu não posso
Mais sofrer. Chega de saudade a realidade
É que sem ela não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas se ela voltar, se ela voltar,
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei
Na sua boca, dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser, milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim.
Não quero mais esse negócio de você longe de mim...

Tom Jobim

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Viver é saudade prévia...plantamos hoje a saudade de amanhã.
C.D.A

TOM SUR TOM
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Hoje 99,99% das matérias sobre Tom Jobim começam assim: “Se fosse vivo, Tom completaria 80 anos...”
Sinceramente? Não conheço ninguém mais vivo do que ele.
Ele está vivo nas garotas de Ipanema, no bar, na saudade, no mar, no fim - de - tarde, na melodia, na vozes a cantarolar, no Rio de Janeiro, nesse sol que faz hoje pelo dia dele, ensolarada coincidência depois das chuvas que se anteciparam ao "fim" do verão.
Tom vive em cada história de amor que começa hoje ou termina agora, naquela tristeza mansa dos que se sabem sozinhos, nas musas de todos, na eleita de um.
Tom é a trilha sonora do eterno...








Sob o signo de Aquário...




O aquariano - ensina-me ela - é um tipo humano, proporciona aos seus nativos um tipo físico atraente e bem conformado. A tez é clara, os cabelos castanhos. Signo aéreo, determina uma natureza quente e úmida (ora essa!) dá um temperamento original, bizarro, independente e revolucionário. Audacioso e não convencional. Dificilmente o aquariano se submete à vontade alheia e em seus atos e pensamentos transparece a ânsia de liberdade que os domina. Possuído de uma ética toda particular, uma filosofia toda própria, não pode ser medido pelo padrão comum. Distingue-se pela originalidade de suas idéias e profunda justiça de suas atitudes, geralmente mal compreendida por aqueles que só sabem se conduzir por códigos já mastigados e digeridos pelo uso. Embora pareça tranquilo e cordato é de uma obstinação incrível, rebelando-se contra os que procuram lhe impor sua vontade. Quase sempre inclinado à meditação e aos estudos, que lhe asseguram sucesso nos assuntos transcendentes. Dotado de poderosa intuição. Brilhante, plástica e poderosa inteligência é o seu dote mais valioso. Boa dose de timidez esconde suas virtudes. Curiosa dualidade íntima que provém da sua sensibilidade. Grande habilidade e inclinação para as artes, nas quais consegue renome e fama. É universalista, transcendentalista e metafísico. Uma vida simples, sem luxo. Aqui termina a descrição astrológica do aquariano Tom Jobim.”



Tom por Antônio Carlos


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“Helena é que me deu o apelido de Tom. Ela não conseguia dizer Antônio Carlos, então me chamava de Tom-Tom, Tom-Tom... Virou Tom. Mais tarde, os caras vieram me dizer que Tom era um nome americano como Johnny Alf ou Dick Farney. Tive que carregar essa cruz. Lutei muito para ser Antônio Carlos, mas não consegui. Ninguém vai chamar um cara de Antônio Carlos se pode chamá-lo de Tom.”


“Sou o produto de um lar defeito, da separação do meu pai e da minha mãe, da primeira vez, quando eu tinha um ano. Ficaram essas magníficas pessoas, o meu avô Azôr Brasileiro de Almeida, minha avó Mimi, minha tia Yolanda, minha mãe. Todas me criaram com carinho e me deram muito apoio porque obviamente você fica meio orfão. Depois minha mãe se casou com meu padrasto, Celso Frota Pessoa. Ele também foi carinhoso comigo. Era durão, não tinha negócio de poder matar aula. Mas eu tinha esse carinho em volta de mim, um cuidado especial, o que não impediu que eu me machucasse muito pelo mundo.”



“Tinha uns 14 anos e já não saía mais do piano. A vizinhança reclamava, mas as casas eram grandes, em centro de terreno, e eu ali batucando aquele piano na garagem. O som se espalhava muito porque as paredes eram de cimento. Koellreuter era uma alma boa e muito exigente. Me ensinou muita coisa prática, me ensinou assim por alto esse negócio de 12 tons, de não ser tonal, de não ter uma tonalidade principal e usar os doze sons do piano. Um dia, almocei com Koellreuter, na Plataforma, e mexi com ele: "Como é, você continua nos 12 tons?" Ele disse: "Claro, e você?" Bom, eu estou usando 35 agora, que são os sons da música clássica. As sete notas brancas, os setes bemóis, os sete dobrados de bemóis, os sete sustenidos, e os sete dobrados de sustenidos. Então, dá sete vezes cinco, 35 sons que você pode escrever no pentagrama. Ele só pode escrever doze, é paupérrimo. Dodecafonia já vinha de sons velhos. Antes de eu nascer já tinha dodecafonia, e nessa escola entrou todo mundo: Guerra Peixe, Cláudio Santoro, que era da escola atonalista transitória, e o Alceu Bocchino, da Rádio Nacional. Tem alguma coisa que eu gravei nos Estados Unidos, onde misturo a tonalidade com a atonalidade, como muita gente fez.”






“Eu teria sido provavelmente um literato, se não tivesse perdido meu pai. Eu o teria seguido. Papai era um literato. Falava francês, espanhol. Inglês ele não falava, não, mas conhecia profundamente latim, grego e tudo o mais. Teria me ensinado toda essa coisa que o pai do Chico Buarque ensinou para ele. Mas não tive com meu pai o convívio de que precisava.
Esse negócio de poesia acho que nasce um pouco com a gente. A gente é poeta ou não. É um pouco uma herança, uma maneira de ver o mundo. Descobre-se Cassiano Ricardo, Alceu Wamosy, Manuel Bandeira, Gonçalves Dias, Bilac, Augusto dos Anjos. Isso foi vindo aos poucos. Tinha o meu tio Marcelo, que frequentou muito o meu pai e aprendeu com ele muita coisa de poesia, aprendeu a ler romances, Arthur Azevedo, Euclides da Cunha. Meu tio ficou com essa bagagem do Jorge Jobim.
Lembro da poesia com que eu perseguia a Helena, que não gostava do Bilac quando era menina. Eram os poemas para crianças do Bilac: "Negro com os olhos em brasa, bom, fiel e brincalhão, era a alegria da casa, o corajoso Plutão..." Eu corria atrás de Helena com essa poesia. Ela chorava porque no fim o cachorro Plutão morre. Eu sabia a poesia de cor. Bilac chegou cedo na minha vida.”




Musas:



"Sempre troquei os nomes das musas e ainda dava a maior confusão. Porque se você chamar a musa por outro nome, aparece um outro marido para pedir satisfação. Naturalmente, a Lígia é um punhado de Lígias, de Lídias também. Os maridos ficam sobressaltados. Inclusive a letra de "Lígia" nega qualquer ligação: "Não gosto de chuva, não gosto de sol, não vou a Ipanema, não gosto de samba, não vou ao cinema". É uma Lígia sem contato físico. É ascética, desligada, platônica completamente. "E quando você me prender nos seus braços serenos", ela está sereníssima naturalmente, "eu vou me render, mas seus olhos morenos me metem mais medo que um raio de sol". Ele está louco de paixão, supondo que, se tivesse, teria se jogado pela janela. Supondo que de repente a musa poderia ceder às múltiplas cantadas, às canções e a tudo o mais.
Essa atitude moderna de querer saber se existiu o robe de chambre vermelho, de veludo, do Wagner, eu acho muito pertinente. Talvez o robe de chambre fosse de tafetá. Talvez fosse de veludo, no inverno. Esse negócio não tem importância. Muitas vezes, eu não boto nome de mulher nenhuma. Dorival Caymmi me contou que lá em Ilhéus, ele tinha feito sucesso com "Marina", e chegou um sujeito armado porque a mulher dele era Marina. O sujeito estava convencido de que a canção tinha sido feita para a mulher dele. E o Dorival: "Absolutamente, nem conheço". Você fica sempre devendo uma série de explicações.”


”Ana Luíza foi uma moça bonita que apareceu no Antonio's, num dia que estava chovendo. Ela correu para aquela varandinha do Antonio's. Era uma moça alta, grande, uma grande moça e uma moça grande. Estavam lá Chico Buarque, Carlinhos de Oliveira, uma quadrilha imensa. Chico começou a falar com aquele riso dele, aquelas palavras incríveis e depois a chuva passou e ela foi embora. E ficou o nome. Depois aconteceu que me casei com Ana e mais tarde nasceu minha filha Luíza. E eu fiz uma canção premonitória, aquela "Luíza", boa canção, canção forte. Já me perguntaram se a canção foi feita para ela. Foi feita na casa da Rua Peri, aqui embaixo, a uns 300 metros, e depois Luíza nasceu já aqui na casa da Rua Sara Vilela.”





TOM JOBIM FAZ HOJE 80 ANOS.

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Tem Tom aqui.

Resiliente sim, porque não?
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O ano está apenas começando e eu não fiz promessas, planos, nada. Eu apenas coloquei numa folha branca coisas que vou realizar. É bem verdade que desde o ano passado já andei realizando algumas coisinhas desta lista, mas faltam inúmeras para realizar e outras ainda que vão entrar.
Antes de mais nada e até de explicar o que vem a ser resiliência e como me tornei uma resiliente, cabe uma pequena retrospectiva. O ponto onde tudo começou.
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Imagem Bellini

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2005 – O mundo caiu e a vida continuou...

Esse ano foi um divisor de águas. Alguns dos meus quatro leitores sabem que em dez dias eu perdi tudo que tinha. Perdi minha mãe atropelada, mandei embora um namorado que eu julgava perfeito e era, só que um perfeito canalha e estava desempregada, tinha pedido demissão. Ora, de repente um mundo estruturado tinha desabado. Um grande amor que era o melhor ator que já conheci, uma grande mulher que era mais saudável que eu e um emprego do qual saí para tentar algo melhor. Desabei junto. Para entrar em depressão foi um pulo, o mesmo pulo que dei da cama quando resolvi me tratar. Entenda-se por tratamento, remédios, terapia e sobretudo uma vontade imensa de sair dessa. Eu não ia me entregar tão fácil.

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2006 – A reconstrução.

Esse ano foi o da reconstrução. Eu tinha dois caminhos, ou me entregava ou tratava de estar feliz. Isso mesmo, estar feliz. Eu não queria o conceito abstrato e limitador de felicidade, eu queria estar feliz a maior parte do tempo apesar das minhas perdas. Durante esse ano, a vida cuidou de me levar onde eu deveria ir. Eu sabia que precisava antes de mais nada, cuidar da cabeça. Assimilar a perda da minha mãe, tirar da cabeça o homem que trazia no coração e arrumar outro emprego rápido.
O emprego veio, um novo namorado também, a assimilação da perda da minha mãe está vindo aos poucos, o antidepressivo abandonei por conta própria, detesto ser dependente de qualquer coisa! Tudo certo... mas ainda faltava alguma coisa e eu não sabia o que.

Foi então que entendi que precisava mudar meus paradigmas, precisava reformular o meu modo de pensar totalmente. Eu queria realmente mudar de vida. Realizar meus sonhos. Pode parecer simples, mas quando digo: realizar meus sonhos, estou falando de tudo que desejo e não é pouca coisa nem muito menos sonhos baratos. Mas como? Foi então que li um texto sobre física quântica e posteriormente vários outros sobre PNL – Programação Neurolinguística.

CALMA! Eu não estou nem de longe falando de livros de auto-ajuda, nem no famoso “pense positivo” que tudo dará certo. Primeiro, pra mim todo livro é por definição de auto-ajuda, não importa o tema. Livros têm essa função, segundo estou longe de aderir a prática de qualquer coisa que não me dê o mínimo de embasamento, que não seja capaz de responder minhas perguntas e sobretudo que não me convença. Acontece que convenceu. Li um texto chamado “O segredo”, vi o filme sobre o assunto e me convenci de que poderia dar certo. Comecei então a perceber como agiam as pessoas que se utilizavam desse “segredo” mesmo que não saibam disso e constatei que essas pessoas são as que vencem sempre, as que não encaram as adversidades como vítimas, pelo contrário, essas pessoas viram o jogo. Elas não ficam sentadas reclamando da vida, culpando os outros ou seja lá o que for pelo seu próprio fracasso, elas se levantam e dão a volta por cima. E era isso que eu queria. Não queria ser a coitadinha da minha história, nem tornar pra mim o papel que vejo outros fazendo, como a eterna infeliz, alimentar meu luto para sempre. Nada disso, eu só queria estar feliz.
Desde então as coisas começaram a acontecer, os desejos, sonhos foram se realizando aos poucos, já no primeiro final – de - semana que comecei a aplicar tudo que li, tudo começou a mudar.Eu não quero fazer nenhum tipo de propaganda, nada disso, até porque mandei esse texto para várias pessoas e quase nenhuma leu e se leu sequer experimentou.
Eu só queria falar de mim e de como tem andado a vida e de como ela está se tornando maravilhosa.
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Mas onde entra a Resiliência?

Pois é, eu não sabia, mas eu sou resiliente. Essa palavra anda na moda e apesar de ter um significado simples, faz toda a diferença! Resiliência é um conceito que vem da física: é a propriedade que alguns materiais apresentam de voltar ao normal depois de submetidos à máxima tensão.
Hoje sabe-se que algumas pessoas têm essa capacidade, o que para outras é o fim do mundo, para uma pessoa resiliente é a oportunidade de mudar, de recomeçar de outra maneira, de seguir adiante apesar de tudo, de se ver como ponto principal de apoio. Nada vem de fora, tudo vem de dentro e a mudança é parte natural do processo.

Exemplo de resiliência:

“As fibras de um tapete de náilon são o exemplo simplificado dessa ação - elas recuperam a forma assim que acabam de ser pisadas e amassadas. A psicologia tomou emprestada essa imagem para explicar a capacidade de lidar com problemas, superá-los e até de se deixar transformar por adversidades. Detalhando melhor, o resiliente não se abate facilmente, não culpa os outros pelos seus fracassos e tem um humor invejável. Para completar o leque de requintes, ele age com ética e dispõe de uma energia espantosa para trabalhar. Perfil de herói? Parece. Mas essa qualidade é encontrada em gente de carne e osso. Segundo Haim Grunspun, professor de psicopatologia da PUC-SP, um terço da população do mundo tem traços de resiliência.”


2007

Embora esse ano seja ainda uma folha em branco, tenho absoluta certeza de que vou conseguir tudo que desejo.
Prepotência? Não, longe disso. Tenho certeza também de que não será fácil, mas vou conseguir e só sei disso porque do fundo do poço só se tem um caminho, tomar impulso e subir...pelo menos para uma pessoa que se descobriu resiliente ;)

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David 6.0
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Infância

1. David Bowie nasceu no bairro de Brixton, em Londres, no dia 8 de janeiro de 1947 com o nome de David Robert Jones. Ele faz aniversário no mesmo dia que outro ícone da música, Elvis.

2. A família de Bowie se mudou para Bromley quando ele completou seis anos.

3. O cantor foi à Escola Secundária Técnica de Bromley, atualmente chamada de Escola Ravenswood.
4. O guitarrista Peter Frampton foi amigo de escola de Bowie. O pai do guitarrista era diretor do departamento de arte. Frampton tocou guitarra com Bowie várias vezes durante sua carreira.

5. A pupila direita de Bowie é permanentemente dilatada pois seu amigo George Underwood acertou um soco em seu olho quando os dois ainda estavam na escola. O motivo da briga foi uma garota.

6. Underwood e Bowie continuaram bons amigos com Underwood sendo o responsável pela arte de design de alguns dos álbuns do início da carreira de Bowie.

7. Bowie começou a tocar saxofone aos 12 anos.
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Antes da fama

8. O primeiro lançamento de sua carreira foi Liza Jane/Louie Louie Go Home, em junho de 1964, ainda com o nome Davie Jones, na banda King-Bees.

9. Mais tarde ele mudou seu nome para Bowie para evitar confusão com o integrante dos Monkees, Davy Jones.

10. Bowie é pronunciado para rimar com Joey.

11. Aos 17 anos ele foi entrevistado em um programa da BBC como o fundador da Sociedade para a Prevençaõ da Crueldade com Homens de Cabelos Longos. "Não é legal quando as pessoas chamam você de querido e tal', disse Bowie na época.

12. Por volta de 1967, ele escreveu músicas para o ator britânico Paul Nicholas, que gravou a obra usando o nome Oscar.

13. Ele lançou seu álbum de estréia, cujo título era apenas David Bowie em 1967, depois de tocar em várias bandas de pubs e clubes.
14. Em 1967 também foi lançada a música The Laughing Gnome que, segundo muitos fãs, é a pior música que Bowie já gravou.

15. Quando Bowie sugeriu que seus fãs deveriam votar pelo telefone quais as faixas que seriam tocadas em sua turnê mundial de 1990, a música The Laughing Gnome foi a mais pedida. Bowie não tocou.
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'Starman'

16. O primeiro sucesso de Bowie na Grã-Bretanha foi Space Oddity, de 1969, usada pela BBC em sua cobertura da primeira viagem tripulada à Lua.

17. O personagem de ficção Major Tom apareceu em três sucessos do cantor, Space Odity (1969), Ashes to Ashes (1980) e Hallo Spaceboy (1996).

18. O primeiro sucesso de Bowie nos Estados Unidos foi a música Fame, em 1975. Além de Bowie, a música também tem como um de seus autores o ex-Beatle John Lennon, que canta no backing vocal.

19. A modelo Twiggy aparece com Bowie na capa do álbum Pin Ups, de 1973.

20. Na época do lançamento do álbum Young Americans, de 1975, o fundador da banda Chic Nile Rodgers fez um teste para ser o guitarrista da banda de Bowie. Ele não conseguiu a vaga.

21. Mas, mais tarde, Rodgers produziu o álbum campeão de vendas de Bowie, Let´s Dance, de 1983.

22. Acredita-se que Bowie tenha vendido cerca de 140 milhões de álbuns durante toda sua carreira.

23. Ele foi votado em quarto lugar em uma pesquisa recente do programa da BBC Culture Show, para descobrir qual o maior Ícone Vivo da Grã-Bretanha. Acima de Bowie ficaram David Attenborough, no primeiro lugar, Morrissey, em segundo, e Paul McCartney, em terceiro.
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No palco e na tela

24. Bowie foi atingido no olho por um pirulito durante uma apresentação em Oslo, na Noruega, em 2004.

25. Toni Basil trabalhou como coreógrafo de Bowie em sua turnê Diamond Dogs, de 1974. Ela trabalhou mais tarde novamente com Bowie na turnê mundial de 1987, Glass Spider.

26. Em 1970, quando Bowie formou por um breve período a banda The Hype, todos os integrantes se vestiam de super-heróis. Eles eram vaiados em todos os lugares em que tocavam.

27. O cineasta Nicolas Roeg escalou Bowie em seu primeiro papel principal, como o alienígena em O Homem que Caiu na Terra, em 1976.

28. Ele deverá fazer a voz de um personagem em um episódio do desenho animado Bob Esponja.
29. No fime Labirinto, Bowie aparece como o Jareth, o Rei dos Duendes.

30. Sua aparição mais recente foi no filme O Grande Truque, com Hugh Jackman e Scarlet Johansson.

31. Em 1969, Bowie formou seu próprio grupo de mímica, Feathers, além de um outro grupo de arte experimental.

32. Bowie também representou Pôncio Pilatos no filme A Última Tentação de Cristo, dirigido por Martin Scorcese.

33. Entre os personagens mais excêntricos de sua carreira cinematográfica está um agente do FBI chamado Philip Jeffries no filme Twin Peaks - Os Últimos Dias de Laura Palmer, dirigido por David Lynch.
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Vida pessoal

34. Bowie tem um metro e 78 centímetros segundo a maioria das fontes.

35. O cantor recusou o título de CBE (Ordem do Império Britânico) em 2000 e o título de Cavaleiro do Reino em 2003.

36. Bowie se casou com a modelo somali Iman, em 1992. Eles têm uma filha, Alexandria Zahara Jones, nascida em 2000.

37. Iman tem uma faca do tipo Bowie tatuada em seu tornozelo em homenagem ao marido.

38. Um meio-irmão de Bowie, Terry, que era esquizofrênico, cometeu suicídio em 1985.

39. Nove anos mais velho que David, Terry era a inspiração para músicas, incluindo Aladdin Sane, All the Madmen, The Bewlay Brothers e Jump They Say.

40. Em 2004, Bowie passou por uma cirurgia cardíaca de emergência na Alemanha, para tratar de uma artéria entupida.
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O músico

41. Bowie escreveu junto com Lou Reed algumas das melhores faixas do lendário álbum Transformer, de Reed.

42. A música Ziggy Stardust é sobre Vince Taylor, que escreveu a canção Brand New Cadillac que, mais tarde, ganharia uma versão da banda The Clash.

43. Bowie gravou uma versão de Space Oddity em italiano chamada Ragazzo Solo, Ragazza Solo - que significa Menino Solitário, Menina Solitária, literalmente.

44. A faixa Move On do álbum The Lodger é, na verdade, uma versão da música All Young Dudes reescrita de trás para frente.

45. Bowie já participou de dez bandas diferentes - The Konrads, The Hooker Brothers, The King Bees, The Manish Boys, The Lower Third, The Buzz, The Riot Squad, The Hype, Tin Machine and Tao Jones Index (algumas destas bandas se apresentaram com outros nomes).

46. A música de Bowie The Man Who Sold the World já teve covers da cantora Lulu e da banda Nirvana.

47. Bing Crosby gravou com David Bowie seu último single antes de morrer. Sua versão em dueto da música The Little Drummer Boy foi gravada para o Natal de 1977. Foi um sucesso cinco anos depois.

48. Bowie escreveu a trilha sonora para a dramatização de 1993 da obra The Buddah of Suburbia, do autor Hanish Kureishi.

49. Bowie toca saxofone na música To Know Him Is To Love Him do álbum Now We Are Six, de Steeleye Span.

50. O cantor tocou quase todos os instrumentos do álbum Diamond Dogs, incluindo a famosa guitarra da música Rebel Rebel.
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Vários

51. Bowie foi o último convidado do programa de TV do cantor britânico Marc Bolan, em 1977. Bolan morreu em um acidente de carro no sudoeste de Londres pouco depois da gravação.

52. Steve Strange, que participou de um reality show da BBC recentemente, estava no vídeo do sucesso de 1980 de Bowie, Ashes to Ashes.

53. As bandas favoritas de Bowie atualmente são Arcade Fire e TV On The Radio.

54. Mary Hopkin, atriz de televisão britânica, faz backing vocals em Sound and Vision.

55. Bowie cantou em uma linguagem totalmente inventada na faixa Subterraneans, do álbum Low, de 1976, quase uma década antes da banda The Cocteau Twins ter popularizado este recurso.

56. A imagem do cantor aparece em todas as capas de seus singles, a não ser na da trilha sonora The Buddha of Suburbia.

57. Bowie é mencionado na música Trans Europe Express, do Kraftwerk ("Meet Iggy Pop and David Bowie - TRANS EUROPE EXPRESS!", ou "Encontre Iggy Pop e David Bowie - Trans Europe Express", em tradução livre), entre outros.

58. Em 1997 David Bowie inova mais uma vez lançando apenas pela internet uma música, Telling Lies. Um ano depois ele lançou seu próprio provedor de internet, Bowienet.

59. Bowie desenha, pinta, escreve e também é escultor em suas horas livres. Seus artistas prediletos são Tintoretto, John Bellany, Erich Heckel, Picasso e Michael Ray Charles.

60. Em seu histórico escolar, Bowie tem apenas uma nota zero, em arte.
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Fonte BBC.
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Eu precisava voltar com um músico vivo depois de tantas perdas no ano que passou.
Em breve resoluções de Ano Novo ou Tudo que você promete e jamais cumpre... só que dessa vez vai ser muito diferente ;)