Tudo que O Passado retém




Fomos ver “O passado” e como é comum quando assisto esse tipo de filme, sai calada, pensando. Logo em seguida, ele me perguntou: E aí? Gostou?
Gostei, mas não gostei de ter de admitir que o passado não passa. De alguma maneira, todos os amores e experiências afins ficam, deixam registro seja no pensamento, em um cheiro que nos invade o nariz e subitamente nos atira de volta ao passado, um lugar que nos evoca uma tarde qualquer, um azul de outono no céu limpo. Enfim, tudo esta ali e acredito que apenas sublimamos, tratamos de viver o dia-a-dia sem pensar muito no passado, afinal tudo passa...ou não? Não, nada passa, nós é que passamos por tudo por várias razões. É preciso continuar, seguir o caminho, tentar deixar o passado no lugar dele, ainda que nos refugiemos vez ou outra, em tempos mais felizes.
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Fomos jantar e a conversa rendeu tanto que veio para o blog. Ele me falou de outro filme, A Via Láctea, que trata, entre outras coisas, da incomunicabilidade entre um casal. O filme, segundo ele magistralmente bem montado fala de um pedido de tempo por parte dela (Alice Braga) e de como ele (Marco Ricca) passa o filme inteiro dentro do seu carro tentando chegar à casa de dela - porque não há mil palavras equivocadas que um único beijo não cure.
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Releia:
porque não há mil palavras equivocadas que um único beijo não cure.
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Eu ainda não entendi porque fiquei imediatamente com os olhos cheios d´água quando ele falou. Achei essa frase sublime, apesar de ser de uma simplicidade tocante. Talvez porque, apesar dos homens não acharem, as mulheres são tão simples, quase básicas. Lembro de ter lido um texto de Danuza Leão no qual ela dizia:
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Os homens não entendem as mulheres. Por que será? Elas são seres simples, e basta prestar um pouquinho de atenção para saber o que passa em suas mentes. Mas, como elas não costumam dizer o que sentem, e eles não costumam perguntar, permanece a incompreensão. Para começar, uma mulher precisa, acima de tudo, se sentir desejada o tempo todo. Nada lhe agrada mais do que entrar num restaurante e sentir que todos olham para ela. Mulher sente isso no ar, e tem mais: não é necessário que seja um homem ao qual ela dedicaria ao menos um minuto de seus pensamentos. Se uma mulher receber o galanteio de um feirante - não que eles sejam os reis da sutileza ou, aliás, por isso mesmo -, se acha o máximo. E existem algumas que, quando estão com o moral baixo, vão dar uma volta no centro comercial da cidade, onde os homens são mais sensíveis ao charme feminino. Bem mais, seguramente, do que nos desfiles de moda.
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Passado, desencontros e simplicidade. Comecei falando de um filme, passei por outro e acabei com Danuza que em poucas linhas resumiu muito bem a simplicidade das mulheres. Óbvio que não é uma questão de cantar ou não uma mulher, mas uma habilidade toda especial que alguns homens têm de inaltecer uma mulher seja ela como for. Aquele cara que GOSTA de mulher, do gênero feminino na essência, que sabe ver em cada uma delas uma especialidade, uma particularidade que a torna diferente. Conheço um cara assim. Da senhora do café a gata do RH, ele sempre tem o que dizer e quando as olha, dedica a elas um olhar exclusivo, presta atenção no que vestem, no que dizem, no que fazem e não se trata do galinha profisssional, longe disso, ele sabe quem ele realmente quer. Se trata de um cara que gosta de mulher no melhor sentido. Gosta tanto que presta atenção nos detalhes. Um batom mais forte, uma roupa diferente, um olhar triste ou mesmo alegre, a cor da praia, qualquer coisa é o mote para comentar, para se notar naquela mulher e invariavelmente arrancar um sorriso.
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Mas também nem é preciso ser um cara assim, nem todos conseguem e muitos deturpam, chegam as raias da grosseria, não entendem a linha tênue que separa o gostar do atacar qualquer coisa que se mova. Não é preciso muita coisa, às vezes apenas saber o que dizer. Ao invés de, estou procurando uma namorada, quero me apaixonar por eu quero você pra mim. Dar nome, identidade a quem se quer e não deixar no ar que serve qualquer uma essa é a diferença. O detalhe que torna tudo especial e se ainda assim não ficar claro, não há nada que um único beijo não resolva.

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