A proposta do Blog Action Day é:

Publique um post em seu blog relacionado a um assunto da sua própria escolha falando sobre o meio-ambiente.
Um blog sobre finanças poderia escrever como economizar dentro de casa usando idéias viáveis de economia ambiental. Semelhantemente um blog sobre política poderia examinar que peso possui a política ambiental na área política em seu país, estado, etc.
Os posts não precisam ter qualquer agenda específica, necessitam somente estar relacionadas ao assunto proposto conforme adaptação do blogueiro para seus leitores.
O intuito aqui não é somente promover um ponto de vista particular, só jogar o assunto na mesa de discussão. Sendo assim, escreva de uma forma a convencer os leitores de seu blog do quanto o meio-ambiente necessita de nossa ajuda e atenção neste dia 15 de outubro
.


Bom, o Literatus sempre foi voltado para a literatura em geral e a poesia em particular, sendo que artes como um todo sempre são bem-vindas. Fiquei pensando numa maneira de fazer diferente mantendo a propsta do blog.
Daí pensei: preciso de textos, poemas, pensamentos que falem de meio ambiente, mesmo que citem apenas uma flor, o mar, as montanhas, mesmo que a natureza seja usada como analogia para uma situação, uma emoção, sentimento, porque desejo que o
Literatus mostre entre outras coisas, um olhar poético sobre o meio ambiente. Como a natureza pode ser e é inspiradora. Não é só o lado prático e necessário que entram qdo se fala em meio ambiente. Que triste seria um planeta sem as cores das estações, fauna e flora. Acho que seríamos muito pobres poéticamente falando.

Por isso, deixo com vocês a poesia inspiradora da natureza.





Manoel de Barros

Aprendo com abelhas mais do que com aeroplanos
É um olhar para baixo que eu nasci tendo.
É um olhar para o ser menor, para o
insignificante que eu criei tendo.
O ser que na sociedade é chutado como uma
barata - cresce de importância para o meu
olho.
Ainda não entendi por que herdei esse olhar
para baixo.
Sempre imagino que venha de ancestralidades
machucadas.
Fui criado no mato e aprendi a gostar das
coisinhas do chão -
antes que das coisas celestiais.
Pessoas parecidas de abandono me comovem:
tanto quanto as soberbas coisas ínfimas.

in "Retrato do Artista quando Coisa" (1998)

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A NATUREZA É BELA?

A natureza não é bela, a natureza É.
E por ser, tem seu lado obscuro e seu lado luminoso.
Os mesmos deuses quecriaram os passarinhos e as flores,
riachos e arvoredos,
também criaram asbaratas e os carrapatos.
E vírus e bactérias e furacões e vulcões eterremotos.
Generosa, ela dá sustento a homens, animais e plantas.
Enfurecida, pode destruir cidades e populações em segundos.

Em relação à idade da Terra,
pode-se dizer que o homem surgiu há um minuto e
já estragou quase tudo.
Ora, se temos direito à contemplação, ao deslumbramento,
temos também o dever de respeitar as leis da natureza.
Nunca, em setor algum, direitos e deveres precisaram ser observados com tanto rigor.

Porque não estamos falando de revólveres nem de batatas ou livros.
Estamos falando de algo muito mais poderoso que nós,
que a nossa tecnologia, nossa arrogância e prepotência.
Estamos falando de uma deusa de bondade e beleza mutantes,
cujos poderes temos afrontado, pouco fazendo para conquistar-lhe a ternura.

Ana Suzuki




"É triste pensar que a natureza fala e que o gênero humano não a ouve. "
Victor Hugo


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ACERCA DO DOMUYO

Don Marcelo, o sábio, contando-me...
O Domuyo é uma montanha.
Tem mais de 5.000 m de altura e é um dos muitos vulcões extintos na Patagonia. O cume é coroado de neves eternas e em baixo, no sopé, há fontes de águas termais, sulfurosas, quentes e medicinais.
Os índios Mapuches sempre o consideraram mágico, místico dotado de estranhos e misteriosos poderes. Ainda hoje, costumam levar seus doentes a banharem-se nas águas quentes e pedem ao Domuyo que os cure. Antiquíssimas lendas afirmam que grande parte da Cordilheira dos Andes é ôca e no seu interior vive uma civilização adiantadíssima, cujos ancestrais ensinaram aos nativos do continente a construírem pirâmides, a observar o curso das estrelas, engenharia, medicina, etc...

Ainda segundo Don Marcelo, existem portais secretos, entradas dissimuladas, em vários pontos da Cordilheira, sempre guardadas por um índio de aspecto pobre e humilde, mas capaz de reconhecer psíquica e espiritualmente alguém que chega e pode e deve ter permissão para entrar, mesmo que não saiba. Estes guardiães tem a capacidade de reconhecer as pessoas especiais que o Destino de alguma forma conduz até lá... por e para algum propósito... A vegetação ao redor do Domuyo é exuberante e rica, mostrando e escondendo mágicas trilhas, senderos...

Não cheguei a ir até o Domuyo, não tive a oportunidade, mas a descrição que Don Marcelo me fez permanece vívida até hoje. Meses após ter voltado, começaram os chamados "sonhos recorrentes" , ou seja, sonhos que se repetiam iguais noite após noite. Nesses sonhos eu me via frente ao Domuyo e conversava com a montanha num idioma desconhecido mas que me saía fluentemente dos lábios. Rios de lágrimas corriam de meus olhos enquanto eu contava para o Domuyo todas as tristezas e frustrações, todas as dores e angústias vividas nesta vida e em outras vidas... Frequentemente acordava com o rosto banhado em lágrimas, o peito arfante e murmurando palavras desconhecidas... Então, numa madrugada o poema nasceu... e os sonhos foram-se embora...


PARA EL DOMUYO...

Ayudame a llorar
Domuyo.
Abrazame
Con tus brazos de tierra y piedras
Y escucha mi corazón...
Saca de mis ojos
Todas estas antiguas lágrimas
Como lo hicistes ayer,
Cuando mi pueblo
Yá no era más el dueño
De sus flechas...
Tantas vidas se pasaron Domuyo,
Estuvimos tan separados,
Pero la esencia del espiritu
Se quedó intacta.
Y retorno ahora,
Hasta vos,
Con la imensa carga
De enseñanzas amargas...
Abrazame Domuyo
Y escucha mi corazón!
Ayudame a llorar
Domuyo,
Ayudame....a morir.....


Lenine de Carvalho
http://
www.loboazul.avbl.com.br






Adelaide Amorim
http://www.meublog.net/adelaideamorim/
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Amplidão

Ampla.

A paisagem que se vê pela janela do ônibus. Esta que nos leva a outros lugares, outros tempos. Uma viagem dentro da viagem que fazemos.

É mais agradável assim, quando percebemos o todo da natureza ao redor da estrada - de mãos dadas. Realmente estamos juntos. E não me culpo por querer que seja sempre assim.

Ternura...

Mas quem saberia, de verdade?

O horizonte, distante, mas disponível ao toque do olhar, mostra uma história que não se revela. Não o futuro imediato. Não o final da história, em que um de nós cede e cada qual segue um caminho diverso. Pela morte ou pela vida.

Preferiria simplesmente deixar de pensar nisto e simplesmente me ver homem em seus olhos, não importando o que antes chamei de verdade ou o que um dia eu possa vir a chamar, que se sinta mulher em meus braços enquanto trilhamos o caminho conhecido de tantos e inédito a nós.

O momento. Algo que não se explica.

Transbordamos.

Mesclamos-nos em nossa jornada. Com os céus e as montanhas. Mesmo os arranha-céus da cidade onde deveremos chegar estão plenos de nós e do que espalhamos. Enxergo além da janela do ônibus. Você é a minha paisagem. Ampla.

Alessandro de Paula
http://alessandrodepaula.blogspot.com/





Asa Branca

Quando oiei a terra ardendo
Quá foguera de São João
Eu perguntei a deus do Céu, ai
Porque tamanha judiação

Qui braseiro, qui fornaia
Nem um pé de prantação
Pru farta dágua perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe muitas léguas
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortá por meu sertão

Quando o verde dos teus óio
Se espraiá na prantação
Eu te asseguro, num chore não, viu?
Que eu vortarei, viu, meu coração.
Humberto Teixeira - Musicado por Luís Gonzaga, 1947


"A natureza não faz milagres; faz revelações."
Carlos Drummond de Andrade

/
...

A única coisa certa é que nós, humanos, somos a única espécie que tem poder para destruir a Terra. Nem os pássaros, nem os insetos, nem nenhum mamífero têm esse poder. Porém, se temos a capacidade de destruir a Terra, também temos a capacidade de a proteger.
Dalai Lama


A cebola

Cebola,
luminosa redoma
pétala a pétala
se formou tua formosura,
escamas de cristal te acrescentaram
e no segredo da terra escuras
e arredondou teu ventre de orvalho.
Pablo Neruda

a nova era

eu calipto
tu caliptas
nós caliptamos

com o machado, por dólares.
olho por olho, verde por verde.


Cláudia Villela de Andrade
http://chvillela.blog.uol.com.br/


Velhas árvores

Olha estas velhas árvores, — mais belas,
Do que as árvores mais moças, mais amigas,
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas . . .

O homem, a fera e o inseto à sombra delas
Vivem livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E alegria das aves tagarelas . . .

Não choremos jamais a mocidade!
Envelheçamos rindo! envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem,

Na glória da alegria e da bondade
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!
Olavo Bilac


"Nunca o homem inventará nada mais simples nem mais belo do que uma manifestação da natureza. Dada a causa, a natureza produz o efeito no modo mais breve em que pode ser produzido."
Leonardo da Vinci


"O mundo tornou-se perigoso, porque os homens aprenderam a dominar a natureza antes de se dominarem a si mesmos."
Albert Schweitzer



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Carta escrita em 1854 pelo chefe Seattle ao presidente dos EUA, Franklin Pierce, quando este propôs comprar as terras de sua tribo, concedendo-lhe uma outra “reserva”.

O Grande Chefe de Washington nos fez parte do seu desejo de comprar a nossa terra. O Grande Chefe nos fez parte da sua amizade e dos seus melhores sentimentos. Ele é muito generoso, pois bem sabemos que ele não parecisa da nossa amizade em troca.No entanto, nós iremos considerar a sua oferta, pois sabemos que se não vendermos, o homem branco virá com os seus fusís e tomará a nossa terra. Mas como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.

Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro e o homem – todos pertencem à mesma família. Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar a nossa terra, pede muito de nós. O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós. Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar às suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz do pai do meu pai. Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos, e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam um irmão.

O homem vermelho sempre recuou diante do homem branco, como a bruma das montanhas foge diante do sol nascente. Mas as cinzas dos nossos pais são sagradas Os seus túmulos são uma terra santa. Assim, estas colinas, estas árvores, este recanto de terra são sagrados aos nossos olhos. Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto. Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda. Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreenda. O ruído parece somente insultar os ouvidos. E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.


O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro – o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados. Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir.

Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo. Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas, que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. Isto sabemos: a terra não pertence ao homem. O homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra.

O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Todo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo. Mas nós iremos considerar a sua oferta de ir para a reserva que destinam ao meu povo. Viveremos afastados e em paz. Que importa onde passaremos o resto dos nossos dias? Nossas crianças viram os seus pais humilhados na derrota. Nossos guerreiros conheceram a vergonha. Depois da derrota, passam os dias em ócio e sujam seus corpos com comidas doces e bebidas fortes. Que importa onde passaremos o resto dos nossos dias? Já não são muitos. Mais algumas horas, alguns invernos, e já não restará nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram outrora nesta terra, ou que vagam pelos bosques, em pequenos grupos; nenhum deles estará presente para chorar sobre os túmulos de um povo outrora tão poderoso, tão cheio de esperança como o vosso. Mas porque chorar sobre o fim do meu povo? As tribos são feitas de homens, não mais. Os homens vêm e vão, como as ondas do mar. Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos.
De uma coisa estamos certos – e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra. Mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e feri-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.
Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnados do cheiro de muitos homens, e a visão das colinas maduras para a colheita obstruída por fios que falam. Onde está o arvoredo? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. O que significa dizer adeus ao pônei ágil e à caça? É o final da vida e o início da sobrevivência.

Guardem na memória a recordação deste país, tal como está no momento em que o tomam. E com toda a sua força, todo o seu pensamento, todo o seu coração, preservem-no para os seus filhos, e amem-no como Deus nos ama a todos. Assim, iremos considerar a sua oferta de comprar a nossa terra. E se aceitarmos, será para estar seguros de receber a reserva que nos prometeram. Lá, talvez, poderemos terminar as breves jornadas que nos restam a viver segundo os nossos desejos. E quando o último homem vermelho tiver desaparecido desta terra, e que a nossa lembrança não for mais do que do que a sombra de uma nuvem flutuando na planície, estas margens e estas florestas abrigarão ainda os espíritos do meu povo. Pois eles amam esta terra como o recém-nascido ama o batimento do coração da sua mãe. Assim, se nos lhes vendermos a nossa terra, amem-na como nós a amamos. Tomem conta dela como nos o fizemos. Nós sabemos de uma coisa: nosso Deus é o mesmo Deus. Ele ama esta terra. O próprio homem branco não pode escapar ao destino comum. Talvez sejamos irmãos.Veremos.

Texto transcrito no compêndio de Joseph Ki-Zerbo, Compagnons du Soleil, Anthologie des grands textes de l’humanité, Ed. La Découverte/UNESCO, Paris, 1992; e de Mehlem Adas, Geografia da América, Ed. Moderna 1987.
Link
/
"Um dia de sol"
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Um dia de sol
na baía de Guanabara
basta

Flanar
com um livro no colo
sobre as águas milenares
basta

Olhar
para a fêmea de ombros
de alabastro
que olha para
a baía de Guanabara
basta
/
Receber
o afago do vento
e deixá-lo levar
os problemas em casa
basta

Ser um
com a paisagem
basta

para saber que existe um Coreógrafo cósmico.
/
André Machado
http://andremachado.blogspot.com/
/

Blogs & Sites:

Crescente Fértil é uma ONG dedicada a projetos ambientais, culturais e de comunicação. Criada em 1994, com sede em Resende-RJ, focaliza seu trabalho em ecossistemas e comunidades de montanha, além de fomentar projetos de proteção e recuperação florestal. Conheça mais em www.crescentefertil.org.br

WWF - Brasil - http://www.wwf.org.br/
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http://www.socioambiental.org/home_html
/
SOS MATA ATLÂNTICA - http://www.sosmatatlantica.org.br/
/
Reportagens, salada verde, colunas, entrevistas, o eco.net - http://www.oeco.com.br/
/
Amazônia -http://www.amazonia.org.br/
/
Reflexões sobre educação ambiental (Portugal) - http://bioterra.blogspot.com/



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