A perda da inocência
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Houve um tempo em que a blogosfera era assim: você criava um blog sobre um assunto que gostava e/ou dominava e começava a escrever sobre ele. Naturalmente blogueiros afins acabavam por descobri-lo e vice-versa e assim criava-se um vínculo de visitas mútuas. Hoje já não é mais assim.
Hoje o blogueiro bate ponto, trabalha em casa, confere a cada cinco segundos o
google analytics para ver quantos visitantes tem, sua taxa de rejeição, se a grana esta entrando, visita os tops de linha, porque o resto tem mais é que visitá-lo, ele não tem tempo pra isso. Virou profissional. Cheguei a ler num desses blogs algo como: "não entendo a razão de criar um blog que não seja para ganhar dinheiro".
É uma escolha e não tenho nada contra, de verdade, mas tirando a guerra de vaidade natural de quem escreve, se expõe e espera retorno, um detalhe realmente me impressiona. O detalhe atende por
Madame Bela e o modo como ela e sua "campanha" entraram para a blogsfera.

Ser um blogueiro mundialmente conhecido no mundo virtual acaba por impor alguma responsabilidade pelos posts que produz. Não que o contrário se aplique aos outros. Responsabilidade todos temos, mas eles, eles são verdadeiros gurus nesse meio e bem...
Antes de continuar segue um texto que eu adoraria que meus cinco fiéis leitores lessem com atenção, depois eu concluo.
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QUE GRAÇA A BRUNA TEM?
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O texto As Graças e as Brunas, escrito pela psicóloga Suely Pavan. Gestora de Recursos Humanos e Professora de Psicodrama, Suely é outra grande colaboradora da seção Iscas Intelectuais.
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Conversei com a Graça ontem de manhã. Na realidade, muito mais ouvi do que falei. A Graça é sábia, uma mulher de força e fibra. Ela é a faxineira da escola de psicodrama onde dou aulas. Está sempre bem disposta, tem os olhos brilhantes, corpo bem feito, mas singular. A Graça nunca deve ter freqüentado nenhuma academia de ginástica pra ficar igual a ninguém. A Graça se basta!
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Ela veio sozinha do Sergipe para São Paulo, com pouco dinheiro na carteira, e foi morar aqui com seus filhos na casa da ex-sogra. Tinha apenas uma certeza:
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- Sabia que ia vencer!
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Ontem, ela me dizia com altivez que “se ama”, mas nem precisava dizer! O amor está na cara da Graça!
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Ela é guerreira, sabe o que quer, e não depende da aprovação alheia. Ao invés de chorar pitanga, ela transformou sua sabedoria, e hoje a divulga. Ela ensina outras mulheres a serem menos dependentes dos homens, a se amarem mais. Lá na igreja onde dá orientação, ela contraria até o padre. O casamento eterno com alguém que maltrata, bebe ou se droga, não é a premissa da Graça. Segundo ela, agüenta quem quer!
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Ela faz sim uma revolução: a do não conformismo!
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A Graça só quer ser feliz. Hoje ela é casada e exige bom tratamento. Ela sabe exatamente o que merece. Não confunde amar alguém com conviver com uma pessoa que lhe faz mal. Sem manual de auto-ajuda nenhum, a Graça espalha esta graça para outras mulheres. Ela nunca escreveu livros, ela é mulher de ação. Ajuda os outros com aquilo que aprendeu na sua própria pele. Seu exemplo de vida contagia, e por si só é transformador.
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A Graça sabe o que é amor próprio e ficar sozinha não a assusta. Ela aprendeu que o amor vive no nosso coração. Mas que conviver com alguém que humilha e não faz por merecer uma mulher, pois a maltrata ou é um “galinha”, já faz parte de outra esfera: a convivência. Quem escolhe conviver com alguém assim, não se merece, segundo ela.
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Ela tem sonhos e já sabe até onde quer morar daqui há quatro anos. Sabe também que morrerá pobre, ela não tem ilusões de riqueza fácil. Pra ela a vida foi dura, mas não há a menor sombra de amargor em seu rosto.
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Bruna Surfistinha

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A Bruna está dando entrevistas na TV. Basta mudar o canal e lá está ela. Seu rosto e corpo são iguais aos de muitas garotas. Ela escreveu um livro contando suas aventuras sexuais, que está vendendo como água. Raros autores brasileiros conseguiram tal proeza.
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Aos 17 anos, a Bruna fugiu de casa e virou prostituta. Transou com mais de 3.000 clientes. Nas entrevistas ela nos dá dados estatísticos, como, por exemplo: 70% de seus clientes eram casados e apenas 10% não tinham namoradas ou noivas. O fato de todos terem um compromisso com outra mulher não preocupava nem um pouco a Bruna. Segundo ela, cada um faz o que quer!
Ela estudou em bons colégios e teve vida de menina rica. Hoje ela tem 21 anos e resolveu se aposentar da profissão mais velha do mundo. Seu blog na internet foi visitado por mais de 20.000 pessoas num mês. Todos estão interessados em saber o que a Bruna fazia nas surubas, quais posições são as preferidas dos homens, que tipos de beijo usava, etc e tal. Ontem li algumas críticas ao seu livro e um dos leitores dizia que a Bruna “acabou com a hipocrisia de nossa sociedade hipócrita!”
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A Bruna virou salvadora social!
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Bom, se a Bruna vende tantos livros, acredito que o interesse da sociedade seja mesmo no que ela propõe. Se há tantos compradores, o foco da cena cotidiana deve ser o que Bruna nos conta. É lá que as pessoas (e são muitas!) colocam os seus valores.
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A Bruna se vê como uma incentivadora das garotas para o sexo. Segundo algumas leitoras, depois de ler o livro elas aprenderam como agradar aos homens. Parece que a única preocupação das mulheres é agradar aos homens.
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No seu livro, ela também conta que já teve bulimia, depressão, foi mal tratada por alguns clientes e viciada em drogas. Diz não se arrepender de nada do que fez. No futuro, pretende escrever um livro de auto-ajuda sobre sexo e cursar psicologia. Tem muito que ensinar às pessoas sobre fantasias sexuais, já que ela realizou a de várias, conforme contou na TV.
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Tem homem que acha a Bruna deprimente, mas não deixa de fixar os olhos em qualquer Bruna que passe pela rua!
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A Bruna virou estrela!
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Hoje ela mora junto com um ex-cliente, um cara que era casado e tem dois filhos. Tudo o que fez na sua vida se deve unicamente ao fato de não se dar bem com seus pais. Eles não entendiam sua revolta típica de adolescente!
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A Bruna fez análise. Ela não sente culpa de nada.
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Quando ando na rua, vejo um monte de Brunas. Elas são parecidas, tem o cabelo comprido e liso, usam roupas da moda. E falam muito de sexo. Segundo os garotos, falam muito e fazem pouco e mal. Mas as Brunas adoram chamar a atenção com seus corpos malhados e esculpidos da mesma forma nas academias.
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Na vida real, são elas que fazem sucesso e não as Graças! Elas é que ganham dinheiro e a admiração dos homens. A sociedade consome Brunas e a elas dá valor.
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As Brunas tem emprego garantido. As Graças passam fome e são vítimas dos preconceitos profissionais.
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Nosso valor não está apenas onde gastamos o nosso dinheiro, mas onde colocamos o nosso tempo. Tempo é algo inerente à vida, só que ele nos dá múltiplas oportunidades de usá-lo.
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Há alguns que gastam o seu tempo ouvindo ou lendo as histórias da Bruna. Ou ainda acham na internet mesmo, e sem sair de casa, as fotos e contos de outras Brunas. Elas são muitas e todas muito parecidas: corpos, falas, jeitos, roupas. As Brunas tem tempo de sobra pra ficar contando os seus dias nos blogs, salas de bate-papo, MSN e sites de relacionamento. Estão sempre disponíveis ao sexo e às conversas.
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As Graças não estão na internet, nem nas academias, muito menos nas baladas. São mais difíceis de achar. Elas vivem ocupadas. Quando não se ocupam de seus trabalhos, família e amores, elas ajudam as outras pessoas. O tempo delas é escasso!
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É preciso ir atrás delas. Elas dão mais trabalho, são mais exigentes e não se encantam por qualquer coisa, nem por qualquer um. Mesmo que o dinheiro envolvido seja alto. As Graças não justificam o seu comportamento, não culpam pais, ou seja lá quem for, por serem assim ou assadas. Elas não se fixam no passado, apenas seguem em frente. Pensam muito antes de fazer qualquer escolha. São responsáveis por elas. E se arrependem sinceramente pelas pessoas que magoaram e pelas “burradas” que fizeram.
Nunca trilharam o caminho mais fácil. Sabem o valor da liberdade e da autonomia. São femininas, não tem idade e não se encaixam num determinado tipo de beleza. Elas são para poucos homens. Até porque, não se submetem e, muito menos, dependem de qualquer um. As Graças não vivem para agradar os homens.
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Acreditam que uma relação se baseia em duas pessoas. Ontem a Graça me disse que lá na sua igreja, tem mulher que quer fazer tudo sozinha para um relacionamento dar certo. Ela ensina que um relacionamento é de duas pessoas. E se um não se esforça, não há como dar certo. Disse também que o amor deve ser regado, dia a dia, só assim ele cresce. E este ato deve ser feito pelos dois e não apenas pelas mulheres.
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As Graças, por sua graça, estão cada dia mais raras. Elas são muito sábias, mesmo que não tenham cursos e nem sequer estudado em qualquer colégio. Coisa hoje muito valorizada no mercado de trabalho!
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Ontem conversei ao vivo com a Graça. Ela não está nos jornais e muito menos na TV. Que sorte eu tenho de conhecer uma Graça! Para ela eu dou todo o meu valor.
Texto do excelente site Dlog Café Brasil
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Voltando a Madame Bela.

Madame Bela é garota de programa e tem ou tinha um blog. Nesse blog, ela lançou uma campanha pra ser capa da Playboy. Tudo bem, a moça, apesar de ter filhos, tem corpo para isso, um belíssimo exemplar da típica Raimunda, digamos assim. Aqui vocês poderão vê-la dando entrevista sem a máscara que usa no site. Até aí não tem o menor problema. Já fui ao site dela, li sobre seus encontros (aprende-se muito, alias), sua vida e a campanha.
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O que realmente surpreende é ver a adesão de blogueiros conhecidos a essa campanha, cuja a proposta - a desses blogueiros - nunca foi essa.
Aderir a campanhas assim é escolha deles e realmente não vejo problema nisso. O cerne da questão é um só: tendo eles tanto espaço, verdadeiros gurus entre os blogueiros porque se utilizar de um espaço precioso pra esse tipo de campanha? Pra quê? Nem a rasura de alguns homens justifica ao explicar como não conseguem ficar perto de uma mulher gostosa impunemente. É certo que as Graças não dão capa de revista, mas dariam excelentes posts.
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Ora, fazendo um paralelo entre as Graças, Brunas e Belas, a conclusão é uma só: Brunas e Belas sempre terão maciça adesão a qualquer coisa que façam até que surjam outras, pois estas são de fácil reposição, já as Graças são mais perenes, jamais sairão nas capas das revistas, mas certamente estarão na lembrança de muitas pessoas por muito tempo depois de sair de cena, por um motivo muito simples: Somente as Graças transformam vidas.

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