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Feriadão e o melhor, como sempre é permanecer no Rio, longe de engarrafamentos na ida, na volta, durante, enfim, stress. Cidade deliciosamente vazia propícia para colocar em dia cinema e DVD. Foi o que fizemos. Fomos à locadora e achamos uma pérola da qual já tinha ouvido falar: “The World's Fastest Indian”, aqui no Brasil com o título de “Desafiando os limites”. Como se não bastasse contar uma história verdadeira, emocionante e extremamente interessante ainda traz no papel principal ninguém menos que Anthony Hopkins. Pegamos na hora!
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O filme conta a história do Burt Munro (Anthony Hopkins) e a decisão mais importante da sua vida: quebrar um famoso recorde esportivo montando uma motocicleta clássica dos anos 20, conhecida como Indian. Mas ele já não é mais nenhum jovem, e do alto de sua maturidade, passa anos construindo seu objeto do desejo. Quando consegue, está pronto para rodar o mundo e bater recordes.
Essa é a sinopse básica e já valia para pegar assistir e admirar a perseverança de Munro. Acontece porém, que eu sou uma curiosa por natureza, ainda mais quando se trata de histórias verídicas envolvendo um homem, um sonho, uma moto, velocidade e muita, muita persistência e obstinação. Por isso mesmo procurei o que podia sobre Munro.

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Burt Munro

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Então vamos a ela.
Em 1920, um jovem de 21 anos olhava admirado para uma moto novinha em folha em uma garagem em Invercargill, Nova Zelândia. Suas mãos acariciavam a pintura vermelha brilhante e o brilho dos cromados era idêntico aos dos seus olhos. O rapaz, cujo nome era Burt Munro, fez uma proposta e acabou adquirindo a Indian Scout, iniciando uma parceria que duraria até a morte de Burt em dezembro de 1978.

Burt Munro nasceu em 1899 na casa de seus pais na pequena Invercargill. Sua irmã gêmea morreu ao nascer e Burt, segundo o médico, “não iria passar dos dois anos”.

A Indian Scout foi projetada por Charles Franklin. A produção foi iniciada em setembro de 1919 com o motor de 600 cc numerado a partir de 5OR001. Como a moto de Burt tinha o motor com número de série 5OR627, ela foi um dos primeiros exemplares. A Indian Scout permaneceria idêntica até 1931.
Burt começou a modificar sua moto em 1926 utilizando métodos pouco ortodoxos. Há relatos de que ele produziu pistões utilizando como moldes buracos na areia da praia!

A Scout original atingia 90 km/h. A primeira competição de Burt foi em 1926 em Penrith Mile Dirt Track na província de New South Wales. Ele competiu com um sidecar atrelado com co-piloto, tendo abandonado na primeira volta, após ter atingido uma velocidade máxima de 74 km/h. Apesar do fracasso inicial, Burt insistiu nas corridas com sidecar, tendo detido o recorde australiano até 1977.
No início dos anos 60, Burt detinha todos os recordes locais no eixo Nova Zelândia/Austrália.

Burt, já um avô, resolveu ir para a famosa pista de recordes de Bonneville Salt Flats, que fica no leito de sal em Salt Lake City, Utah. Em 1962, ele estabeleceu o recorde mundial de velocidade, tendo atingido 287 km/h com o motor expandido para 850 cc. Em 1963, uma biela rompeu quando ele estava a uma velocidade estimada de 314 km/h.

Em 1967, com a cilindrada aumentada para 950 cc, ele atingiu 306 km/h, a mais alta velocidade já atingida por uma moto Indian. Em Bonneville, ele contava com a ajuda de entusiastas da Indian, que vinham de todos os EUA trabalhar como voluntários.

Burt Munro morreu em dezembro de 1978, mas dois anos antes ainda continuava pilotando e desfrutando das corridas. A Indian Scout, que esteve em suas mãos por 58 anos, hoje em dia pertence a um colecionador neozelandês.
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* Esse post é também uma homenagem (apesar de não ser uma HD) a uma comunidade muuuuito legal: Harley Davidson no Wannabes, onde fui muito bem recebida e onde tem uns caras que vão saber entender exatamente quem foi e o que sentiu Burt Munro.

** Alias, a minha futura HD já tem nome...rsss, claro Burt!

*** Obrigada pela luxuosa ajuda no texto, WS, alias, ajuda e companhia para assistir o filme ;)
Leia mais aqui.







"Ninguém devia temer seu governo.
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O Governo é que devia temer seu povo."
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Fomos ver "V de Vingança".
Pois é, nada premeditado, até porque com o massacre atual dos HQs em películas, eu não tinha muito interesse, mas naquele horário era só o que tinha para assistir e eu encarei.
Não é um filmão, mas não chega a ser ruim. É bom. A trilha sonora arrebenta, mas em algumas partes do filme confesso ter torcido para estourar os tímpanos com um bom Pink Floyd, apenas instrumental, mas pesando a mão nos metais, parecia perfeito para várias cenas.
De qualquer maneira, a trilha deu o tom devido, indo do jazz ao rock na medida certa. Visualmente também dá conta do recado, muito embora aquela máscara pareça desproporcional ao corpo do ator, Hugo Weaving, um detalhe que não desmerece a atuação, ainda que seu rosto jamais apareça.
Para quem nunca ouviu falar nesse HQ, como os dois adolescentes que estavam atrás de nós, além de estranhar, vai achar ridículo, mas isso muda durante o filme e foi muito interessante ouvir o comentário dos dois.
Particularmente, detesto conversa no cinema, mas nesse caso gostei de ouvir porque ao longo do filme a opinião dos dois foi mudando e o papo na saída do cinema foi qualquer coisa, mas eu chego lá.
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”A história começa após um aparente hecatombe nuclear, a Inglaterra mergulha no caos. Depois de algum tempo, a ordem volta a se estabelecer, mas de forma ditatorial. Um governo fascista caça os direitos civis, impõe a censura e rechaça qualquer tentativa de oposição ao que impõe.
O medo profetizado no século XX, do estado vigiando o cidadão e tolhendo sua liberdade de expressão, se materializa nessa Inglaterra onde o estado tem olhos, ouvidos, nariz e dedos. Como já ocorreu na história real do mundo, nessa ficção os ditadores também têm seus campos de concentração, nos quais os não adequados à nova ordem são interrogados, torturados, mortos e, algumas vezes, submetidos aos mais asquerosos experimentos.

Eis que mesmo nesse regime totalitário/fascista uma voz se levanta e ousa proclamar a possibilidade de uma outra forma de vida, na qual não haja regras e leis arbitrárias, em que a liberdade e as individualidades sejam valorizadas e conduzam a um novo cenário, um personagem designado simplesmente "V" é o porta-voz dessa idéia.”

"V" defende a anarquia pura, a necessidade de destruir o atual e daí se criar um novo. Obviamente, uma sociedade reprimida por um estado totalitário responde rapidamente, se apegando ao conceito como tábua de salvação. Assim, os ideais anarquistas se multiplicam e encontra eco.

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É interessante notar como a conversa dos adolescentes dá voz aos pensamentos, no caso, os meus. É impossível não fazer um paralelo com a situação atual do Brasil e a inércia do povo e aí eu me incluo, claro! Não me isento de culpa, ainda que tenha sido uma das caras pintadas do Brasil e de ter ido às ruas pedir a cabeça de um Presidente.
Eles saíram do cinema conversando sobre isso, sobre como seria bom se houvesse um levante da população, estavam empolgados conversando, debatendo, fazendo paralelos com ambas situações e melhor: pensando!
Eu amo quando um filme me faz pensar, mais ainda quando noto que não sou a única e quando vejo em outros ainda que pelos minutos de uma projeção cinematográfica que eles também estão pensando o mesmo que eu. Gostei de ouvir, afinal sou uma romântica da velha tradição, idealista até o último fio de cabelo, que adoraria fazer parte de algo assim que acordasse corações e mentes e mudasse para sempre este mundinho caótico.
É, cinema tem dessas coisas.

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