Big Brother


Dia 19 passado, perto das 20:00 horas, o cel toca. Do outro lado, ele fala: Quando chegar em casa, me liga? Quero te contar uma coisa que aconteceu hoje.
Ok, fiquei pensando, nos últimos tempos quando ele liga tem sempre uma notícia não muito boa para dar. Nem é culpa dele, coitado, apenas tem sido assim. Conheço ou melhor, até um ano atrás, era alguém com quem convivi mais de 30 anos e não conhecia direito. Somente ano passado, passei a realmente conhecê-lo e por conseqüência a admirá-lo.
Bom, cheguei fui fazer o que tinha de ser feito e liguei para saber o que ele tinha para contar.

Ele começou:


”Hoje fui trabalhar e no meio do caminho, naquele chuvão, estacionei para resolver umas coisas e ela se aproximou. Era uma cachorrinha muito machucada, toda ferida, cheia de sarna e bicheira. Olhei para ela e já fui falando: Oi, filha! Te machucaram muito, não foi? Ela ficou me olhando com os olhos mais tristes que já vi na vida. Fiquei ali mais um pouco e segui caminho. Quando voltei, ela estava ao lado da porta do carro debaixo da chuva, me esperando...”


Nesse momento interrompi e disse: Você não trouxe pra casa? Trouxe?? Você já tem nove cachorros e uma despesas gigantesca!!!!

Ele continuou...

“Nem foi preciso trazê-la, Andréa. Eu abri a porta do carro e ela pulou para o banco do carona e ficou me olhando. Era tão triste o estado dela que comecei a chorar, sabia?”
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Nesse momento, quem ficou com os olhos cheios d´água fui eu. Esse era o meu irmão, pensei enquanto ele falava. Sempre foi assim, desde de pequeno, ele trazia animais para casa. Cuidava sempre, sofria a cada perda, mas não desistia nunca e assim foi com a Malhada. Não seria ele, se a deixasse lá, além do mais, bicho meio que escolhe a gente também. Uma cadelinha de rua tão machucada deveria ter medo de tudo e de todos e não pular para dentro do carro confiando num estranho, a menos que esse estranho fosse o meu irmão e esse jeito carinhoso com os desvalidos, de animais a pessoas.






Infelizmente, a Malhada não resistiu. Foram apenas alguns dias de tratamento, até uma casinha ele mandou construir para ela acreditava que ela fosse sobreviver, mas ela estava muito ferida, muito machucada e apesar da luta dele, do meu sobrinho, do veterinário e da minha cunhada, não deu. Imagino o quanto ele chorou quando isso aconteceu. Já vi outras vezes e sei o quanto ele sofre.
Esse post era para ser sobre o meu irmão, mas era impossível que a história dele não se misturasse com a de algum bicho, sempre foi assim, né? Alias, o nome dele é Francisco...






1 comentários:

    Lindíssimo...
    São de pessoas assim que o mundo precisa...Pessoas que valorizam a vida, se comovem com cenas como essa, mesmo sendo de uma cadelinha vira-latas de rua... Pela data, já faz tempo q aconteceu, mas com certeza, até a cachorrinha reconheceu a grandeza do coração do seu irmão...
    Parabéns!