Haverá na face de todos um profundo assombro
E na face de alguns risos sutis cheios de reserva
Muitos se reunirão em lugares desertos
E falarão em voz baixa em novos possíveis milagres
Como se o milagre tivesse realmente se realizado
Muitos sentirão alegria
Porque deles é o primeiro milagre
E darão o óbolo do fariseu como ares humildes
Muitos não compreenderão
Porque suas inteligências vão somente até os processos
E já existem nos processos tantas dificuldades...
Alguns verão e julgarão com a alma
Outros verão e julgarão com a alma que eles não têm
Ouvirão apenas dizer...
Será belo e será ridículo
Haverá quem mude como os ventos
E Haverá quem permaneça na pureza dos rochedos
No meio de todos eu ouvirei calado e atento, comovido e risonho
Escutando verdades e mentiras
Mas não dizendo nada
Só a alegria de alguns compreenderem bastará
Porque tudo aconteceu para que eles compreendessem
Que as águas mais turvas contêm às vezes as pérolas mais belas.

Vinícius de Moraes


Um Feliz Ano Novo a todos os amigos. Que 2006 seja mais suave e que em meio "as àguas turvas" vocês encontrem muitas pérolas!



Desculpem a péssima definição das imagens, mas como é uma webcam movida a manivela, tratem de relevar, tá? rss Esse que compartilha as imagens comigo é um "potro" de pouco mais de três meses, conhecido também como Degguinho, meu labrador ;)

Agradeço a todos pela força nos momentos difícieis, a presença nos momentos alegres e a constância da amizade. Agradeço a Dani, doublê de cupida e ao Daniel tb pela amizade e sobretudo a WS que tem tornado meu final de ano infinitamente melhor do que eu esperava ;)
Brigada!

QUE VENHA 2006!!!!

bjus blues
angel
Viver é saudade prévia...plantamos hoje a saudade de amanhã.
http://www.diversificando.kit.net/index.htm


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KING É O CARA!
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Quem diria que em pleno século 21 a mulher ia suspirar por um “homem” - no caso um gorila- forte, viril, protetor, terno e que não abrisse a boca para nada? Pois é, King é o cara!

As feministas de plantão já subiram nas tamancas diante dessa metáfora explícita no filme, a virilidade, o “deixa que eu cuido disso” tornando a mulher um mero enfeite no contexto da relação. Menos, bem menos, quase nada, senhoras!
Dizem que a mulher não precisa disso, de que adiantou queimar soutians (diga-se de passagem estão os olhos da cara) em praça pública para no final regredirmos tanto. Bobagem, o filme é bom, não só pelos efeitos, mas por todo conteúdo subliminar, o clima, as nuances, na verdade, o sentimento que envolve a trama.

Ainda não vi o filme de 1933, meu amigo Carlos cinéfilo como eu ficou de emprestar, em casa só tenho o remake de 1976 com a sensualíssima Jéssica Lange e sempre achei que poderiam ter ido mais longe nesse clima que envolve o gorilão e a loira, mas ali ficou apenas a insinuação inclusive apimentada para a época.

Nesse, talvez o enfoque maior seja a extrema solidão de ambos, o que acaba por aproximá-los. Ela uma atriz de teatro de vaudeville escolhida ao acaso para uma aventura desastrosa, ele um macaco de proporções gigantescas e temido sempre de antemão por todos.
O desconhecido causa medo. Tememos o que não conhecemos, mas se nos reconhecemos naquele que deveríamos temer surge o amor entre iguais.
Nesse caso um amor terno, o de se ver no outro por mais louco que possa parecer. E o grande paradoxo disso tudo é o romance que ela mantém com o escritor do filme, que faria ali o papel de homem sensível, voltado para a dramaturgia e ela acaba por se apaixonar pelo gorila ou melhor por aquele olhar terno, verdadeiro...Ah! Esse seu olhar quando encontra o meu...
A única semelhança entre os três filmes é a lágrima furtiva que teima em escorrer no final. Impossível evitar.

Definitivamente King é o cara.

andrea augusto (angelblue83)


“Deus é um conceito pelo qual medimos nossa dor”
John Lennon




É certo que hoje, dia do aniversário de morte de John Lennon, milhares de sites, blogs e afins estarão contando a história dos Beatles, falando sobre a genialidade de Lennon, de ciúmes, intrigas, egos inflamados e a conseqüente separação. Não vou repetir o que muitos já sabem da história dele como um dos Beatles, nem falarei da brilhante carreira solo posterior a sua saída e muito menos sobre a bruxa má da terra do sol nascente que atende pelo nome de Yoko Ono.

Prefiro falar dos livros dele. Pois é, John também escreveu livros. Nenhuma obra prima, mas com excelente vendagem como tudo que era ligado a ele. On His Own Write, de 1964, e A Spaniard In The Works, publicado em 1965, atualmente estão na categoria de raros, é quase impossível achá-los.
Em On His Own Write, Lennon libera toda a sua criatividade tanto na escrita como nas ilustrações que também são de sua autoria.
A transcriação e o posfácio são de Paulo Leminski, que escreveu:

"...estranhas miscelâneas de textos de natureza vária, flash-contos, esboços de peças, poemas non-sense, acompanhados de desenhos, todos marcados por extrema criatividade de linguagem, conduzida ao absurdo por um humor sarcástico e cínico. Os dois livros do beatle ocupam um lugar especial no quadro da criação textual da segunda metade do século XX. Pela linguagem, seus textos remetem a James Joyce, o mais radical dos prosadores do século. Em Um Atrapalho no Trabalho, prosa-pop, prosa da era da TV, do VT, clips, VTVTTVTVTVVTTTTT&tc, arte de arte, o beatle faz gato e sapato das receitas de todos os gêneros, excomunga os lugares-comuns. Rir é o melhor remédio, achar graça, a única saída." (Paulo Leminski)


Bom, coisas de um gênio, mente inquieta e criatividade a mil que teve a vida ceifada por um maluco que ouvia vozes...deveria ter ouvido mais Beatles...

andrea augusto (angelblue83) ao som de In my life.